domingo, outubro 09, 2005

Festival Temps d'Images (Lisboa)



Começou na passada quinta-feira, o6 de Setembro, em Lisboa a 3ª edição nacional do Festival Temps d'Images, uma organização conjunta do canal de televisão franco-alemão ARTE e o centro cultural La Ferme du Buisson. Este festival, que reúne a participação de 9 países (França, Bélgica, Itália, Alemanha, Hungria, Letónia, Polónia, Estónia e, pela primeira vez se estende para fora da Europa, apresentando-se em Montreal), "é uma janela aberta para a criação em movimento - imagem e palco, campo e contra campo. 'Nada é lido e aprovado' - inquestionável, tudo é questionável e questionado".

Em Portugal, o festival é produzido pela Duplacena e apresenta-se em diversos espaços da capital: CCB, Teatro Nacional D. Maria II, Culturgest, ZDB e Museu do Chiado. A programação inclui criadores vindos da dança, do teatro, da performance ou da música. A presença portuguesa é este ano mais forte, muito em virtude de "haver menor sensibilização para os artistas portugueses, somada a um desconhecimento do que por aqui se faz. «Somos os que circulamos menos, muitos dos programadores não sabem o que se passa por cá. [...] É um processo complicado e precisa de tempo»", disse António Câmara Manuel, o director artístico do festival, ao jornal Expresso (01 Outubro).

O Melhor Anjo destaca Senso, um projecto conjunto de Carlos Pimenta, Luciana Fina e Mónica Calle, a partir da obra que inspirou o filme de Luchino Visconti (07 a 16, no TNDMII), Evil/Live - Live/Evil, de Francisco Camacho (13 e 14, Culturgest) e Set Up, de Rui Horta (14 a 16, CCB). Na programação internacional, destaca-se El caso del espectador, da espanhola María Jerez (11 e 12, ZDB), Sand Table, de Magali Desbazeille e Meg Stuart (14 a 16, CCB) e Bistouri, uma proposta de marionetas belga do Tof Theatre (11 a 16, CCB). Isto para além dos ciclos de vídeo: Ciclo Arte (08 a 16, CCB), onde se mostrarão obras de coreógrafos como Bill T. Jones, Rui Horta, Alain Platel ou Sasha Waltz; e o ciclo O corpo é uma projecção (10 e 13, CCB) , comissariado por Liliana Coutinho, onde "se prossegue na abertura de um espaço de contacto entre as práticas performativas actuais e os seus antecedentes históricos". Para além destes destaques há um concerto, exposições, estaleiros e outros espectáculos. A programação pode ser consultada aqui.

O Melhor Anjo vai acompanhar algumas das apresentações do festival através da publicação de análises críticas. Será feito um dossier que reunirá todos os textos que ficará disponível na coluna da direita.

Ler aqui uma petição para a reintrodução do canal ARTE no pacote normal da TvCabo.

Todas as citações, à excepção do jornal Expresso, foram retiradas do programa

sábado, outubro 08, 2005

.A lei dos amantes (106)

"não tenho medo de usar as palavras, tenho medo do que elas podem provocar, há quem dê muita importância e diga que é um passo muito importante, pois bem se amar é ser feliz e desejar a felicidade do outro, eu amo-te, se é pensar em alguém sem querer nada em troca, eu amo-te, de querer partilhar a vida, eu amo-te e não tenho medo em dizê-lo. não disse, escrevi. mas volto a escrever: EU AMO-TE. sem medo "

sexta-feira, outubro 07, 2005

"Os festivais devem ser um motor para as novas criações"



Notícia publicada no jornal do festival Divaldelná Nitra, relativa à conferência internacional THEATER FESTIVALS AS A GENERATOR FOR A EUROPEAN CULTURAL NETWORK, organizada pelo FIT - Festivals in translation, e mencionada aqui. A notícia intitula-se "os festivais devem ser um motor para as novas criações", e é uma citação da moderadora Rose Fenton. Os parágrafos onde sou citado são basicamente um resumo do texto publicado aqui, e a última pergunta é: "são os programadores artistas?". A dúvida surgiu neste artigo.


O debate contou com a participação de Tilmann Broszat (director do festival Spielart, Munique), Darina Kárová (directora do festival Divadelná Nitra), Pavel Storek (director artístico do festival 4x4, Praga), Chantal Boiron (redactora principal da revista UBU:European Stages, França), Sylvia Huszár (investigadora do Museu e Instituto do Teatro Húngaro), Nikolay Iordanov (director executivo do festival Varna Summer, Bulgária) e Rose Fenton (ex-directora do Festival Internacional de Teatro de Londres), que o moderou.


A participação no festival Divadelná Nitra 05 decorreu na qualidade de membro do Conselho Consultivo Internacional, e com o patrocínio do Instituto Camões.

What's in an artist?


A revista de arte e cultura contemporânea FRIEZE fez publicar nas suas edições de Setembro e Outubro um artigo, assinado por Robert Storr, professor no Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova York, acerca das relações entre crítica/comissários/programadores e artistas/objectos artísticos. A questão de fundo é: são eles artistas também? Quem contextualiza os contextualizadores, desconstrói os desconstructores, e crítica os críticos?

A edição de Setembro ainda está nas bancas. A 2ª parte do artigo pode ser lida aqui.

Ler aqui o ensaio Novos Notáveis, da socióloga portuguesa Cláudia Madeira, sobre o papel dos programadores culturais.

Masoquismo

Eu confesso que li os três primeiros romances da Margarida Rebelo Pinto. Li-os num ápice e pouco me disseram. Qualquer coisa a mais que isto e caíria nos clichés habituais. Longe de mim falar neste momento, que não leio um romance desde Fevereiro. Mas o João Pedro George, decidiu ler, com L grande, a obra completa de Margarida Rebelo Pinto. Frases repetidas, esterótipos, auto-plágios, erros gramaticais... E chegou a uma conclusão: "Pela minha parte, desisto. Desisto de Margarida Rebelo Pinto. Mas dou-lhe, ainda assim, um conselho: dê-se por muito feliz pela indiferença com que a crítica até hoje a tem tratado".

A ler, com toda a atenção no Esplanar, onde a análise profunda é acompanhada de notas explicativas, fotografias dos livros rabiscados, mas, sobretudo, um prazer enorme no acto de ler e pensar.

quinta-feira, outubro 06, 2005

O preço do amor (micro-ficção)

Quando ele disse que queria 'investir em nós', não estava a utlizar qualquer expressão retórica ou figura de estilo. Estava de facto a acordar com a agência de viagens o pagamento do bilhete de avião. E então foi possível perceber que o preço do amor estava definido. Haveria maneira de cobrir a oferta? E em quanto?

Festivals: how to think them

To reflect upon the relation established between a performing arts festival and the works presented in it, is also to think about a theory regarding the reception of the performances, since that same reception is subject to presentation conditions.

Therefore the main question we should ask ourselves is if it makes sense to talk about the creative responsibility of festival organizations, being conscious that there is no action without consequence, and that the transference of similar receptions, from festivals to the execution of the shows, is residual. The contrary has a different importance since it is largely based upon a positive (or argumentative) reception that the proposals arrive to festivals, many times to recover from an incipient career or in order to understand what the real scope of the performance is. For instances, in dance festivals presentations are very much based upon expectations, or the name of the artist, or even it’s previous work.

We should be able to create a division due to normative discipline issues. On one hand talk about festivals organized by companies with their own activity during the rest of the year. Especially because it is important for them to have an audience that will attend the shows, as well as the capitalization of the name through a successful organization. And, on the other hand, we should think about what drives an organization to conceive a festival, without any other programming during the year. Maybe, in these cases, the brand and the reputation of the festival is based upon the direct invitation of creators so they produce shows especially for the event. Shows than can provide and enhance a stronger and more defined ideia of the programatic options of that festival.

The need for this normative division is based on the fact that theatre festivals, and experimental ones in particular, suffer (or benefit, it depends) from an excessive exposure in the media that may harm the proposals. Some of these same proposals are still in a gestation phase; others are completely out of context regarding the creative momentum. The more radical proposals that may need more visibility (not necessarily recognition) can be relegated to a secondary position, even when it is in those same proposals that one can find glimpses of future creative forces.

We should also think at another level about the concept of European Cultural Cities, or world exhibitions, that work as a festival throughout the year, but, as it happened in Portugal (Lisbon 94, Expo’98 and Oporto 2001), the effects are not always the expected ones. Namely artist’s expectations, publics needs, and sponsors goals. It is worth mentioning one of the most important examples of international projection of Portuguese art, Europalia 91 in Brussels, where Portugal as guest country "exported" a large part of its creators, that when the programmers came to the country were confronted with a reality that was far less attractive than the one presented abroad.

The increase of public attendance in the shows does not mean necessarily a stronger interest, but most of the times a provincial attitude towards an event. Meaning that the attendance is related with a sort of ‘been there, done that’ attitude, which rarely establishes a link between the city’s own creative system. Even though we can observe an increase of public, after the end of these major events, the fragilty of the context (political, cultural and economically) tends to reduce the number and variety of shows.

We should then ask not only what benefits can a festival produce in a city or in a country but what sort of ‘disavantages’ can it bring to the public, to the artists and to the context. Especially because reception also depends from that division since the market niches tend towards a more productive dialogue, and hypothetically, towards the evolution of the festival-object-spectator relation.

When preparing this communication I presented a challenge to the portuguese critics, investigators and creators in order to understand, for instance, the level at which the relationships between festivals and creations is established. Is it a relationship based on dependency, partnership, or a construction of a more consistent network of proposals (especially at the level of production means)?

Looking swiftly at the Portuguese reality I can consider that it is not through the profusion of festivals that one can draw the lines that sustain the Portuguese creative forces. Portugal has, according to data supplied by the Arts Institute/Ministry for Culture, 39 festivals during the year, including, among some others, children, adults, puppetry, experimental, live art, comedia dell’arte, and dance festivals. Curious enough, all outside the capital, Lisbon, with the exception of genre festivals (puppetry and commedia dell’arte) and one dedicated to dance (Alkantara).

But the perceptible plurality that this figure indicates, a reality filled with cultural offer, does not correspond to a regular programming. Many of the festivals depend entirely of governmental funding that in years of financial crisis, such has the last ones, forces a profound revision of selection criteria that obviously makes the proposals reception difficult.

The ones that are not cancelled choose to schedule more than one show proposed by the same company, or change and reduce the festival duration, or do not even schedule any international proposal. Some festivals, such as the ones dedicated to children and young people live every year under permanent asphyxiation. This situation occurs due to financial problems that lead to the attainment of extra funding (the patronage law is not applied fully in Portugal), at the same time contract deadlines are not complied with and the commitment with the audiences is many time neglected due to proposals with a doubtful educational content.

One should nonetheless mention the projection the FITA – Almada’s International Theatre Festival has achieved during the last 22 years, even when some of the editions were slightly unbalanced, and the presentation of new Portuguese artist is not as strong as it should be, especially because of the brand that the festival carries. The only study done about theatre festivals in Portugal concerns this festival, near Lisbon, the capital of Portugal. Its conclusion mentions the valuable creation of spaces for the cooperation of creators and spectators, the possibility of revisiting national shows performed during the previous seasons, and the close connection with the city of Almada, which made some people during many years schedule their holiday time during the festival season in order to see the shows.

Another project worth mentioning is the Po.N.T.I. Festival organized by the S. João National Theatre, in Oporto (Portugal’s second city) which integrated last year the Union des Thèâtre de l’Europe network, after three editions (1997, 1999, 2001). At a more experimental level one could mention the CITEMOR Festival (27 years of existence), in the centre of the country, which is closely connected with foreign creators, namely, Rodrigo Garcia, or the A8 Festival (this year on it’s second edition), the most recent one dedicated to what may be called hybrid performance. In the puppetry area, one should mention the FIMFA Festival – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas (Puppetry and Animated Forms International Festival), since this festival has created in it’s last edition and without any governmental funding, a programme that transforms a preconceived idea surrounding this kind of proposals through shows that discuss the place of the puppet in a creative pluridisciplinary context.

Moreover the quantity of festivals does not reflect necessarily an interest on national creation since the Portuguese programming of some of the most famous festivals is hardly consensual, while as a peripheral country international proposals tend to cause an exaggerated reaction.

Consequently festivals can be seen as isolated moments in time for which are summoned fruition conditions, analysis grids and a properly structured reception, based on aesthetics and intentions created by the programmers cultural, political, social or historical strategies. Therefore it can dangerous to establish direct connections between the festivals and the creative forces of a country since these hardly reflect common realities. It is urgent to reflect upon the way festivals include themselves in a reality that is already fragile in itself, and think about the creation of relationships between shows and organizations that, due to not finding a correspondent outside the festival environment, tend to harm the involved parties notwithstanding expectations, artistic recognition, or causing ambiguous reactions.

I would like to end this presentation posing some questions (some of them rhetorical): Are festivals a construction of the image of a reality, or a superficial display to be consumed rapidly? Is it possible to find the profile of a festival spectator without thinking about what he will see during the rest of the year? Is a theatre spectator the one that only sees what the festival has to offer? Can we attribute responsibilities to a festival when it comes to audiences training? And what kind of responsibilities ?

Translation: José Luis Neves

Comunicação apresentada a 27 Setembro 2005, na conferência internacional THEATRE FESTIVALS AS A GENERATOR FOR A EUROPEAN CULTURAL NETWORK, organizada pelo FIT - FESTIVALS IN TRANSLATION, no âmbito do Festival Internacional de Teatro Divadelná Nitra 05. O texto será publicado na Bulgária em Outubro e, brevemente, na Eslováquia. Será também disponibilizado no site do FIT - FESTIVALS IN TRANSLATION, a par das outras comunicações e debate.

A participação no festival Divadelná Nitra 05 decorreu na qualidade de membro do Conselho Consultivo Internacional, e com o patrocínio do Instituto Camões.

Brevemente serão disponibilizadas as críticas aos espectáculos apresentados durante o festival, bem como um texto sobre o prórpio festival. Os textos integrarão um dossier dedicado ao festival Divadelná Nitra 05.

Quem é Mata-Hari?





Há alguns dias que a comunidade artística se anda a questionar: quem é Mata-Hari?. A investigação prossegue. A espia ataca em e-mails pessoais de criadores, jornalistas, críticos, produtores, e sabe-se lá quem mais, apontando 'coincidências criativas'. Não se fala de outra coisa. Mesmo que aos comentários anónimos se devesse responder com indiferença.

A Mata-Hari já comentou neste blog, quer-me parecer.

What's in a name?


A verdadeira estreia do espectáculo Ten Chi, que a coreógrafa alemã Pina Bausch apresenta esta semana em Lisboa, no Teatro Municipal S. Luiz, foi ontem. Estava lá toda a gente. Evento pop ou oportunidade de ver sem pagar, no final (depois de 3 longas horas repetitivas e pouco mais que virtuosas), a sala estava de pé. Será que ninguém sabe que nos ensaios gerais não se batem palmas, porque dá azar?

Ai Pina, Pina, um bocadinho menos para a próxima, pode ser?

Crítica dentro de dias.

O desejo de pesquisar

5º Festival Danse en Vol
Bruxelas (vários espaços)
De 01 a 29 de Outubro 2005




Michèle Braconnier é a programadora do Thèâtre de L’L, em Bruxelas, e responsável pelo Festival Danse en Vol, que este ano, entre 01 e 29 de Outubro, cumpre a sua 5ª edição, em cinco espaços da cidade: La Bissectine, Centre Culturel Jacques Frank, Recyclart, Théâtre de L’L e Théâtre de la Balsamine. Uma mulher corajosa, vibrante e de discurso rápido, que fez do seu centro cultural um espaço para a residência artística, a criação de propostas arriscadas e exercícios de difícil contextualização. Numa cidade que já foi o coração da dança, mas hoje perpetua códigos crentes de que a dança é só movimento, Braconnier assume que mais do que uma opção, programar (e insistir no seu programa) é uma razão de ser.

Começado há dez anos, o Danse en Vol, que abriu no passado dia 01 de Outubro no espaço de La Bissectine, com a apresentação de 5 dos 8 artistas plásticos convidados a responder ao desafio de criarem performances com coreógrafos/bailarinos, é uma manifestação bienal em busca de um lugar para a dança, o intérprete e o objecto artístico. E é uma proposta arriscada, já que no seu programa há uma divisão clara entre criações e performances. Como se da divisão se quisesse fazer nascer um discurso mais amplo sobre o movimento, cada vez mais preocupado com a renovação. Braconnier acredita que esta só poderá vir das artes visuais e das artes plásticas, já que são cada vez mais livres, ao passo que a dança está, de uma maneira geral, a enredar-se em códigos, nem sempre conscientes do seu lugar na criação contemporânea. Esta “procura do movimento”, é, sobretudo, uma aposta pessoal de Michèle Bracconnier em jovens criadores, dando-lhes espaço para trabalhar, abrindo-lhes portas para ‘a realidade’, e forçando-os a um confronto “o mais honesto possível” com ‘o mercado’.

Frontal e pouco terna, a programadora assume que defende os seus projectos e os seus criadores até ao limite. “Talvez como uma mãe”, mesmo que as suas expectativas como espectadora não sejam cumpridas. Assumiu-o em conversa, antes da abertura do festival, entre cumprimentos aos técnicos que chegavam, distribuição de chocolates aos criadores, e telefonemas para resolver problemas logísticos.

“Em Bruxelas arrisca-se pouco. E ninguém tem uma cultura de performances. Deixou de haver escolas, não há renovação e todos acham que podem ser coreógrafos só porque dançam”, continua. Gosta de arriscar e da aventura, e é por isso que assume o comando da programação de um festival, onde o seu nome é posto em causa, de cada vez que encomenda uma peça a um criador que começa o seu trabalho, como o português Paulo Guerreiro, de 23 anos, que, irá apresentar a sua primeira peça, Addicted Man, a 28 e 29 de Outubro, e que Michèle conheceu no Bureau International de la Jeunesse. Ou escolheu 8 das cerca de 40 propostas de colaboração entre artistas plásticos/coreógrafos que lhe chegaram: Marta Mo, Charley Case, Franck Beaubois, Antoine Defoort, Gwendoline Robin, Natália de Melo, Astrid Mussi e Patrícia Bouteiller, que se apresentarão em maratonas nos vários fins-de-semana do mês de Outubro. Ou ainda quando parece ‘provocar’ o meio artístico de Bruxelas, ao insistir na programação de novos autores que mais nenhum espaço ousa programar, como Tiago Guedes, o coreógrafo português que dia 28 e 29 apresenta, no Thèâtre de la Balsamine, Materiais Diversos, a produção de 2003. Isto porque, apesar de Braconnier ter querido programar Trio, estreado este ano, e ir tentar a programação de mais trabalho do criador, nenhum dos seus parceiros co-produtores ousou apresentá-lo, porque “não era rentável”, disseram-lhe. “No quadro do festival, muito bem, mas sem contexto…”.

E é por causa da falta de contexto, que se bate “por uma cultura de alto nível” num país onde “a cultura não tem valor”, “a performance é uma arte menor” e “ninguém ouve os novos criadores”. O Thèâtre de L’L, cujo público ronda os 18-35 anos e é assumidamente intelectual, é o único a fazer um trabalho de acompanhamento de produção, bem como ateliers de sensibilização dos públicos ou trabalho com a imprensa (“os meus dossiers de imprensa são verdadeiros livros explicativos”, diz). Tudo por uma “igualdade na cultura”, sem concessões, porque “o dinheiro dos contribuintes não deve ir todo para o mais imediato. E até agora ninguém me acusou de o gastar indevidamente”.

No caso do Danse en Vol, a programação é quase toda feita em exclusivo para o festival, às vezes sendo as obras encomendadas com mais de um ano de antecedência. “Há obviamente uma margem de risco, mas é também um perigo”. Por isso, não é porque os criadores são simpáticos ou há uma boa relação pessoal que a directora do festival os vai defender. É sobretudo porque não é possível “explicar-se tudo em palco. Há que escrever e demonstrar conhecimentos e, sobretudo, ter um discurso claro, afirmativo e legível”. Também por isso, insiste que muitos dos ensaios sejam abertos ao público, para que os criadores percebam para quem estão a trabalhar. E os resultados já se fazem sentir. Alguns dos nomes da nova geração belga de criadores começaram no festival: Thierry Smiths e Olga de Soto, por exemplo. Ou Melanie Munt, Barbara Mavro-Thalassitis e Alvin Erasga Tolentino, que voltam este ano ao festival.

Tanta energia e vontade não escondem um discurso algo amargo sobre a situação da dança na Bélgica. Este é também um trabalho contra o acomodamento. Michèle Braconier procura “novas formas para a dança”, quer “reencontrar o movimento”, e sabe que as suas escolhas “são justas”. Chega mesmo a dizer que sabe encontrar “o bom pé para o bom sapato”, mas não é artista. Contudo, afirma que nenhum programador o pode ser sem ter um discurso artístico. O seu relaciona-se intimamente com a tomada de consciência e assumir de responsabilidade da parte de quem cria.

Gosta de novos criadores, da hipótese de renovação que podem representar, do potencial que transportam para uma nova relação entre os objectos e o público, de acompanhar a nova geração. Quer, sobretudo, “dar a sua palavra”. Um programa artístico que “não quer substituir o discurso dos artistas”, nem é uma provocação, mas “uma abertura” para uma reflexão sobre a dança. Mais do que um trampolim, “uma necessidade”. Tudo porque falta aos espaços “desejo de pesquisa”.


Participação a convite do festival Danse en Vol e com o patrocínio do Instituto Camões.

Ver aqui e aqui reportagem da revista belga Le Guide sobre o festival.

O Melhor Anjo vai acompanhar a 5ª edição do Festival Danse en Vol, com a apresentação de vários textos, que serão reunidos em dossier especial. Até ao final do ano será publicado um artigo de reflexão sobre o festival, em colaboração com a revista flamenga Rekto:Verso, que o publicará em Janeiro 2006.

quarta-feira, outubro 05, 2005

A lei dos amantes (105)

A casa não é onde as nossas coisas estão, é onde nós estamos.

terça-feira, outubro 04, 2005

A lei dos amantes (104)

A felicidade tira-nos o chão. E isso assusta. Lidamos melhor com o finito não do que com o constante sim.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Movies are my business


Movies are my business
Este ciclo relaciona-se com o fetiche, palavra que deriva do português “feitiço”, exprimindo uma particular fixação por um objecto.O cinema alimentou a construção e a legitimação de alguns objectos e pessoas como fetiches. No âmbito deste ciclo, iremos propor a convidados/as provenientes de diferentes áreas, a apresentação e discussão de filmes que, no seu percurso biográfico, possam ser considerados fetiches.Este ciclo de pesquisa e formação, que não pretende ser um ciclo de cinema, privilegia antes o olhar pessoal d@s convidad@s sobre o filme, bem como as possibilidades do cinema enquanto inspiração para a criação.
in Eira

Not the real thing

Lisboa

Outra vez Lisboa.'Regresso do estrangeiro/forasteiro do que vejo e ouço/velho de mim...' Acabo sempre nesta frase do Pessoa, dita pela Bethânia, de cada vez que regresso a Lisboa. Duas semanas não são nada, é uma verdade. E, no entanto...

A partir de hoje, este blog começará a postar o resultado das investidas no estrangeiro, bem como regressa ao acompanhamento da cena e quotidiano nacional. Esperam-se, por isso, dias intensos, de posts cruzados e ao sabor do tempo, da resistência e da vazão criativa.

E para terminar a 'novela', é claro que as coisas não poderiam correr bem. O avião estava overbooked e a KLM deu cabo do resto das malas partindo as rodas. Enfim. No fim do mês há mais.

domingo, outubro 02, 2005

Bruxelas 3

O menino mijão é pequenino, tem um tubo no rabo e é a coisinha mais bicha que há memória, os escargots são búzios, o centro cheira a urina, há uma festa a favor da igualdade na constituição do Iraque, o metro acaba à meia noite, as tartes do Café de l'Arcadie são divinais, a Comissão Europeia tem um novo revestimento por causa da fachada tóxica, uma meia de leite chama-se lait russe, há lojas de livros de segunda mão maravilhosas, as malas já chegaram, mas chegaram estragadas, o chocolate belga é muito bom, estou mesmo constipado e em Bruxelas falar-se em performance é ser-se muito vago.
Chego hoje a uma Lisboa que, segundo me contam, arde de notícias. E eu com tão pouca paciência para o provincianismo português.
A toute a l'heure. Et maintenaint c'est tout. The World Tour 2005 finishes here. The critic has left the building. Please leave a message after the bip. biiiiiiiiiiiiiiiiiip...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Bruxelas 2

Chove em Bruxelas. E faz frio. Chove muito e faz imenso frio. E também não há multibancos. E os que há não aceitam visa electron. O que dá imenso jeito, sobretudo quando as malas estão a viajar pela Europa e era necessário comprar algumas coisas. Malas essas que parece que chegaram a Amesterdão e amanhã estarão em Bruxelas, sei lá a que horas.
O festival Danse en vol começa amanhã. 7 performances 7 em maratona cultural, numa cidade que cheira a urina.
E passei hoje o dia na La Raffinerie, um espaço cultural onde se desenvolve a primeira parte de um projecto de dança europeu chamado DANSES. projecto esse com tutoria do Forsythe, Preljocaj, Rrederic Flamand e Wayne McGregor. Voltarei a este projecto em espaço próprio. É favor aguardar.
E estou a ficar constipado.

bruxelas 1

Eis-me chegado à cidade do menino mijão, esse grande clássico escultórico. As malas, essas ficaram perdidas em Praga, acham as meninas da KLM. Acontece que as linhas aéreas checas só por um acaso não fizeram cair o avião. Porque dse resto aconteceu tudo. Vôos cancelados, outros adiados, partiram o 'puxador' da mala, trocaram horários... enfim... um longo filme surrealista em língua estranha e claustrofóbica. Resultado: eis-me no coração da europa (da couve, portanto), sem qualquer necessaire, roupa, livros, carregador de telemóvel, bateria para as pilhas da máquina fotográfica et autres choses. Sobra-me a atençao do menino bailarino que me foi esperar, em desespero de causa, à estação de comboios de Bruxelles-Midi, depois de um dia inteiro a viajar. Eis o plano que nem os mais ousados turistas de terceira idade pensariam em fazer:
5h30: Saída do hotel em Nitra, depois da festa de despedida do festival num táxi.
06h40: autocarro para Bratislava.
07h00: boleia especial e exclusiva por um condutor de autocarro esloivaco que quando soube que era português me felicitou pela perda do Porto ontem, face ao não sei quê Futebol Clube da Eslováquia.
07h30-10h00: dormir no vão de escada que se chama aeroporto internacional de bratislava.
10h30: avião para Praga cancelado por causa da chuva e nevoeiro.
11h00-14h30: dormir, sabe-se lá como, nos bancos da sala de espera do aeroporto de bratislava. ignorar as luzes, o Vangelis a passar nas colunas, as cantigas dos noruegueses e as desgraças das senhoras americanas que não estavam lá para assistir ao hurricaine.
15h15: saída de avião para praga, com 45 minutos de atraso. uma sandes de fiambre e uma água com gás. toda a gente bebe água com gás.
17h00: fazer ar de cão perdido â menina checa para me meter dentro de um avião para o qual não tenho bilhete porque cheguei tarde de outro vôo.
18h20: chegada a Amesterdão. Procurar as malas. Não encontrar. Receber um kit de sobrevivência manhoso com uma t-shirt XXL (para as noites mais frias certamente)
20h40: comboio internacional para bruxelas. mais horas a dormir em posições dignas de qualquer tantra.
amanhã é dia de trabalho. há pois é. E ainda me dizem que vim de férias. My ass...

quarta-feira, setembro 28, 2005

Nitra 2

A grande vantagem em estar num pais cuja lingua nao se domina e poder-se ter a estranha, mais ainda assim deliciosa, sensacao de alheamento. E como se uma imensa e constante banda sonora que nos preenche os dias e as imagens. Ainda assim e um tanto esquizofrenico nao se poder fazer parte do que os rodeia.
Outra coisa que pude constatar e que o meu frances so se consegue articular a partir da hora de almoco, ao passo que o ingles esta disponivel logo de manha. o portugues fica para depois. em montreal, por exemplo, cheguei a apanhar um programa portugues num qualquer canal quebecoi e durante uns longos segundos pus-me a pensar que conhecia aquela lingua mas nao estava a perceber nada. para alem de que a dada altura, encontrei uns brasileiros mas foi muito mais facil continuar a falar em ingles que ligar o botao do portugues.
neste momento estou no teatro principal de Nitra, Divadlo qualquer coisa, a assistir a uma conferencia em eslovaco sobre o festival. Como os headphones que permitem escutar a traducao simultanea em ingles fazem feedback junto aoi computador, estao ali umas gentes a falar e eu nao percebo nada.
ontem foi dia de dois espectaculos. uma producao eslovaca a partir de um texto irlandes. a encenacao era do mais realista e ilustrativa possivel. como se tivesse sido feita pela antiga eascola de leste. mas o encenador tinha pouco mais de 26 anos. o que foi um tanto anacronico e algo absurdo. sai a meio. a noite uma producao polaca, muito a la Mayenburg, masd demasiado loooooooooonga.
e choveu imenso em nitra, onde ha mais publicidade com homens que com mulheres (como as que ha na republica checa).
que seria de nos se pagassemos por uma refeicao com sopa, prato, cerveja e cafe uns miseros 2 euros, em vez dos 15/20 tradicionais? Comeriamos mais? Porque na Eslovaquia tudo custa muito pouco.
Hoje ha finalmente um espectaculo de danca. e eu ainda nao sei como vou chegar a praga amanha.
final thing: o futebol clube do porto parece que joga hoje em bratislava para a champions league. foi o que mais me referiram ao longo de uma noite sem ingles como lingua comum.

terça-feira, setembro 27, 2005

Nitra 1

O aviao da KLM saiu de amesterdao com 40 minutos deatraso. O que me fez perder a ligacao para bratislava a partir de praga. Nao havia voos disponiveis, pelo que acabei por apanhar o autocarro de praga para nitra, umas 6 nhoras de distancia, pelo interior de dois paises que ja foram um. Praha-Brno-Bratislava-Trvana-Nitra. E uma terra vazia, que as escuras parece parada no tempo. Um teatro de marionetas que serve de ponto cultural. E uma terra onde ninguem fala ingles. 465 canais de televisao. E finalmente rede no telemovel, um so fuso horario, uma cama e um banho. Depois de dois dias de viagem, 2 avioes, 1 autocarro, parca comida, pescoco torcido e incapaz de falar qualquer lingua, ja tudo parece normal.
O espectaculo ingles, Powerpoint, foi interessante, mas um tanto repetitivo.
A conferencia internacional em Nitra, cidade a 1 hora da capital Bratislava, onde decorre o festival, foi um sucesso. A comunicacao FESTIVALS - HOW TO THINK THEM foi considerada provocative and pertinente and very accurate. Bom, e terao que acreditar em mim, ja que para poderem confirmar teriam que perceber eslovaco.
Sera publicada na Bulgaria em Outubro.
E agora vou ver uma peca, em eslovaco, acho. Mas a directora do festival diz que faria melhor se fosse dormir para o hotel. Disse-lhe que achava optimo que mantivesse enquanto programadora uma opiniao pessoal sobre o a programacao. Porque, afinal, serao os programadores artistas, pergunto.
este bteclado e ainda mais dificil que o quebecoi.
E bruxelas esta aqui tao perto.

segunda-feira, setembro 26, 2005

aeroporto de amesterdao 2

muito rapidamente. back in amesterdam. aguardo ligacao para praga. e consegui voo para bratislava. meaning que farei 3 voos antes de entrar num carro que me levara ao festival em Nitra, no meio da Eslovaquia.
O sol nasce com imensa forca em amesterdao, o aeroporto esta na hora de ponta e eu nao dormi na viagem montreal-europa.
desta vez nao havera any hot date em Schipol, mas esperam-se intensas actividades em bruxelas (if you know what i mean...)
bom, e a internet desliga-se em 3 minutos. time to go.
adeus em holandes diz-se como?

sábado, setembro 24, 2005

montreal 6

Quando varios criticos de teatro se juntam, chama-se a isso o que?
Ontem os criticos quebecoi convidaram os jovens criticos internacionais (nos, portanto) para um jantar de confraternizacao, sem espectaculos, sem pressoes, sem hierarquias. E para quem duvidar, sabemos falar de mais coisas que nao so de teatro.
Hoje de manha foi o dia da minha apresentacoa sobre o estado do teatro infanto-juvenil em Portugal. Depois mostrarei o texto, mas a verdade e que ficaram todos a achar que a coisa estava negra. Muito negra. E esta mesmo.
Adiante. Quantos maus espectaculos se podem ver? Este festival tem tido de tudo, como e alias costume. Mas espectaculos tao maus, nunca se imaginou.
Esta a ser cada vez mais dificil pensar e escrever em portugues, uma vez que se passa o dia a falar frances e ingles. E como ninguem e exactamente de paises onde essas as as linguas-maternas, ninguem pode ser acusado de mau ou bom ingles/frances.
Hoje ha uma outra festa, para atribuirem nao sei que premio. Mas antes disso um espectaculo de danca para adolescentes. Existe tal coisa? Pois, parece que sim.
E de Montreal sera tudo. Amanha parto para Amesterdao-Praga-Bratislava-Nitra.
a toute a l'heure.

sexta-feira, setembro 23, 2005

montreal 5

sao 23h29 na abafada montreal. hoje foi dia de maratona teatral. quatro espectaculos. 10h, 12h, 17h e 19h. e mais uma live critic, onde pude falar da disneyficacao de Portugal. o conceito e simples e de necessaria aplicacao na patria lusa: apos um espectaculo, criticos reunem-se para discutir, a quente, a representacao, com o publico, entre eles e tambem com os criadores. e e maravilhoso. porque se descobrem sempre coisas tao interessantes.
a celine afinal nao veio. mas a cidade esta cheia de estrelas. do atom egoyan ao johny deep, por causa do festival de cinema de montreal. passam limusines a toda a hora.
esta gente nao come iogurtes. ou pelo menos se os come, tende a esconde-los nas prateliras do supermercado. e tem um pessimo sistema de gorjeta. ou seja. o preco indicado nunca e o preco que se vai pagar. porque se deve incluir taxas (de montreal e do canada) e mais uma gorjeta, normalmente 15% do total. os empregados contam com esse extra para compensar o misero salario que ganham. nao teem ideia de como isso e uma grande questao aqui., escusado sera dizer que para nos ocidentais e tudo um grande absurdo.
comecou a chover hoje.
amanha ha uma recepcao em casa de um dos organizadores do festival, especialmente em nossa homenagem. e vou publicar um artigo em flamengo.
a toute a l'heure.

quarta-feira, setembro 21, 2005

montreal 4

o festoval comecou ontem com um petit fait-divers protocolar que, de superficial nao tem nada. Wolfgang Schneider, presidente do ASSITEJ, a associacao internacional responsavel pelo festival, deu as boas vindas a toda a gente no inicio do primeiro espectaculo assim: 'welcome to montreal, the cultural capital city of canada'. Ora, sabendo que a regiao do Quebec, onde Montreal esta sediado procura a independencia ha anos (e uma das lutas do Partido Quebecoise), a 'graca' foi recebida com entusiasmo pela comunidade francofona. Depressa a ministra da comunicacao (e mais qualquer coisa) veio dizer que Montreal nao era a unica cidade a correr para esse posto.
O espectaculo em si, Pour ceux qui croient qui la terre est ronde, uma leitura da vida de Cristovao Colombo, feita de expectativas do filho e amarguras do pai, levanta interessantes questoes sobre o teatro para a infancia. De que modo como estes espectaculos ser percepcionados e qual a forma que este genero de teatro utiliza para sobreviver as contantes e cada vez mas persistentes concorrencias, mais ou menos superficiais. Voltarei a isso mais tarde.
Agora saio para uma maratona de 5 espectacyulos.
Sao 9h20 da manha, e o furacao Ophelie continua a soprar ventos fortes sobre a regiao. MAs esta tudo bem. Como sempre no Canada. As vezes apetece gritar so para ver se esta gente tem sangue nas veias.

terça-feira, setembro 20, 2005

montreal 3

o festival comeca hoje. e comeca com uma manifestacao da parte dos porfessores, que insistem em aumentos salariais para compensar as horas que gastam em levar os miudos aos espectaculos. assim sendo, as apresentacoes, que decorrerao essencialmente de dia correm o risco de estar vazias, a nao ser que os pais levem as criancas ao teatro.
para alem disso, ha uma imensa actividade cultural neste momento em montreal: festival de literatura, de teatro gay e lesbico, de cinema, de danca, de artes para a infancia e juventude... tudo internacional claro.
pergunto-me como ha espaco para tanta coisa, plus a actividade corrente de uma cidade.
o tempo continua ameno, o quarto de hotel fica numa suite no 19 andar de um predio em betao. tem cozinha et all.

segunda-feira, setembro 19, 2005

montreal 2

sao menos 5 horas em montreal. meio dia portanto. a cidade e calma, pacata, serena e aparentemente organizada. eu e que nao me dou com mapas e indicacoes. a vida cultural, intensa como eu qualquer cidade que se preze, nao permite estar atento a tudo. ha uma imensa comunidade asiatica que enche a rua principla, rue de sainte catherine, de restaurantes de varias zonas da asia. o tempo esta ameno. ja choveu. agora faz sol. amanha comeca o festival.

domingo, setembro 18, 2005

Montreal 1

Estou acordado ha 3 manhas. a de lisboa, a de amesterdao, a de montreal.
Chove em Montreal. E vai ser assim pelos proximos dias. O centro da cidade e uma mistura de bairro classico ingles com suburbio norte-americano. mas e de noite. pode ser que seja da falta de luz. E nunca se sabe se a resposta que vamos ter sai em ingles ou em frances.

o teclado nao tem acentos. um desafio a interpretacao, portanto.

Aeroportos (I)

O aeroporto de amesterdao era tudo o que diziam e ainda mais. nao mata a fome, mas alivia a distancia.

sábado, setembro 17, 2005

World Tour 2005


Paulo Guerreiro

Como já aqui tinha sido anunciado, parti hoje numa mini-volta ao mundo [no mínimo]. Este blog fica, assim, ao sabor da disponibilidade virtual das cidades e dos festivais a que vou: Montréal, Nitra e Bruxelas. Quando cá conseguir vir, será certamente para dar conta do que se vai passando e, também, outros posts não menos relevantes, claro. Na volta, ficará tudo disponível. Até lá, entretenham-se com a coluna da direita. E como se costuma dizer: adeus, até ao meu regresso.

quinta-feira, setembro 15, 2005

A cultura do desperdício II (petição)

A REDE - Associação de estruturas para a Dança Contemporânea e a PLATEIA - ASSOCIAÇÃO DE PROFISSIONAIS DAS ARTES CÉNICAS assinam uma petição, intitulada A Cultura do Desperdício II, contra o actual estado das artes e a sua relação com o Estado (e a sociedade). Escreve João Fiadeiro, director da estrutura Re.Al e coreógrafo [que no sábado passado fez publicar um inteligente e muito assumido texto no jornal Expresso, contra as condições de trabalho propostas pela FARO 2005 para a realização da Plataforma de Dança Contemporânea], no e-mail que me chegou, que este manifesto se insere "numa estratégia de chamada de atenção doEstado para a as questões específicas da dança contemporânea mas que, comotodos sabemos, são transversais a todas as formas de arte. ". O mesmo será publicado amanhã no jornal PÚBLICO e foi devidamente enviado para as entidades oficiais.

"Depois de assistir à assunção da cultura como um bem essencial por parte do Estado, o que conduziu à criação do Ministério da Cultura, à tentativa de criação de uma Rede de Cine-Teatros, à criação de um sistema de apoio financeiro à arte contemporânea e à estruturação embrionária de um tecido cultural diversificado e disseminado pelo país, a comunidade artística acreditou estar a testemunhar ao esboçar de uma verdadeira política cultural para o sector. [...] No entanto, num movimento inverso a este crescimento, o processo de construção de uma verdadeira política cultural tem sido continuamente minado pela sucessiva mudança de orientações políticas, com todas as suas consequências. A falta de investimento na implementação de uma política cultural integrada que passe por medidas estruturantes, estimulando o interesse e a sensibilização da sociedade para as questões da criação contemporânea, contribuindo assim para o desenvolvimento do país, ameaça a continuidade do crescimento do tecido profissional, ao mesmo tempo que promove o desperdício de milhões de euros. [...] Os abaixo-assinados subscrevem este manifesto na esperança que o governo seja sensível às questões levantadas e exigem, especificamente, que o Estado, ao mesmo tempo que intensifica o diálogo com as associações que representam o sector para a preparação de toda a legislação necessária, se comprometa oficialmente - até ao fim deste mês - a abrir o concurso para os projectos pontuais de 2006 impreterivelmente até final de Outubro deste ano. Esta decisão é de uma importância vital para se preservar alguma dinâmica de criação, sobretudo em relação aos jovens artistas e criadores emergentes que, depois da anulação dos concursos pontuais de 2005, ficaram com a sua actividade seriamente comprometida. [...]"


A ler e assinar aqui.

Valores seguros

Liberté. Egalité. Fraternité. Burocracie.

oO que fica e o que vai

Algumas sugestões para os dias que se seguem:

Hoje (e até dia 21 de Setembro)
9º Festival de Cinema Gay e Lésbico
Cinema Quarteto, Lisboa

Amanhã e depois, 16 e 17
Colóquio de Estudos Gay, Lésbico, Queer: Culturas, Identidades, Visibilidades
Instituto Franco-Português, Lisboa


destaque dia 17 (sábado)
Francesca Rayner:"Genealogias queer no teatro: O Espelho do Narciso Gordo e Pour Homme de André Murraças"


Uma questão fundamental no âmbito dos estudos queer tem sido a genealogia.Como é que podemos transmitir vivências e conhecimentos de geração para geração de modo a evitar que identidades e culturas queer caiam no esquecimento,e contornar as mentiras e lacunas da sociedade heterossexual? O teatro tem assumido um papel fundamental na transmissão de culturas queer. Não só pelo facto de, durante muitos anos,ter abrigado dramaturgos e performers queer contra a hostilidade do mundo heteronormativo,mas também porque as várias gerações de dramaturgos representam por si mesmos uma genealogia que pode ser passada de geração em geração. De Oscar Wilde para Tony Kushner,passando por Tennessee Williams e Jean Genet, tem sido possível no teatro encontrar reflexos de vidas queer no passado que nos ajudam a construir identidades e visibilidades no presente. Mas nesta genealogia queer também existem lacunas e esquecimentos. Onde é que estão as mulheres neste genealogia teatral, por exemplo,e aonde é que estão as Portuguesas e os Portugueses? Esta comunicação analisa O Espelho do Narciso Gordo e Pour Homme de André Murraças, performer,cenógrafo e dramaturgo,como uma tentativa de contribuir para uma genealogia queer no contexto português para os homens e as mulheres desta e próximas gerações.

Amanhã,16
Fui #3
de Rogério Nuno Costa
no auditório de bolso do tum - Teatro Universitário do Minho
rua do farto, braga
22:00


continua a ser uma performance pretérita, conjugada apenas para dizer que é mais importante o que acontece antes da performance acontecer do que a performance propriamente dita a acontecer no tempo em que é conjugada. voltar ao auditório de bolso significa para mim voltar a revolver coisas pretéritas, umas mais perfeitas que outras. há coisas por resolver. vou enfiar a cabeça na boca do lobo, de uma vez por todas. levar a tareia. aprender a lição. pagar as favas. não comer os bolos. fazer todas as penitências corporais. a pronto. sem suaves prestações, perdões ou piedades. sem fechar os olhos. sem parar de respirar. sem pausas expressivas. sem amnistias internacionais. julgados de paz. abaixo-assinados. pedidos de clemência do presidente da república. uma performance condenada. uma performance morrida. uma performance presentemente ausente. uma performance definitivamente sem futuro.

concebe, escreve, interpreta _ rogério nuno costa veste _ miguel bonneville opera _ joão pedro costa interpreta o tema original de 'fui' (the world i threw away) _ patricia paay produz _ teatro universitário do minho

Sábado, domingo e segunda, 17, 18 e 19

A Dança Contemporânea Portuguesa tem vindo, desde há alguns anos, a suscitar um crescente interesse por parte da comunidade artística internacional. [...] O panorama cultural em Portugal mudou radicalmente nos últimos anos e hoje a Dança Contemporânea conta com uma nova geração de criadores e intérpretes que tem revelado, apesar de uma longa e adversa situação económica, grande persistência e vontade de reinventar novas formas de trabalho. [...] Dias 17, 18 e 19 de Setembro serão três dias intensos onde 15 coreógrafos - uns com larga experiência e outros a começar agora - vão mostrar as suas peças mais recentes em diversos teatros do Algarve: Teatro Municipal de Faro, Teatro Lethes, Auditório Municipal de Lagoa e Centro Cultural de Lagos.


Até domingo, 18
Ensaio sobre a Cegueira
pelo Teatro O Bando
Teatro da Trindade, Lisboa
4.ª a Sábado às 21h30 e Domingo às 18h00


Em ano de aniversário O Bando celebrou 30 anos em 2004, efeméride pouco habitual no panorama teatral português e europeu , a companhia liderada por João Brites acrescenta mais uma etapa a um percurso marcado pelo questionamento dos valores universais. A aposta permanece na preocupação de ultrapassar o evidente para investir num teatro que olha para dentro. Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, autor português de referência, não podia espelhar melhor essa imagem de marca. Tomando como ponto de partida a alegoria fechar os olhos para ver melhor que de forma quase literal deu o nome ao projecto Deixar de Ver para Ver Melhor, primeira investida na obra de Saramago , O Bando retoma a reflexão sobre a cegueira, não daqueles que estão privados do sentido da visão, mas dos que vendo, não enxergam. A mensagem parece clara: Quando todos fecharmos os olhos e os voltarmos a abrir, será possível ver, construir e criar um mundo diferente, mais justo, mais livre.


Texto de José Saramago Encenação e Dramaturgia de João Brites Composição musical de Jorge Salgueiro Co-Produção Teatro O Bando e Teatro Nacional São João Colaboração Culturgest Parceria/reposição Teatro da Trindade/Inatel Interpretação: Bibi Gomes, Gonçalo Amorim, Horácio Manuel, Luís Godinho, Maria João Pereira, Miguel Moreira, Nelson Monforte, Nicolas Brites, Paula Só, Pedro Gil, Rita Calçada, Romeu Costa, Sara de Castro e Sara Belo.

E ainda:
Experimenta Design 05 (Lisboa), Sangue no Pescoço de Gato (Teatro da Cornucópia, Lisboa), Diamanda Galás (Casa da Música, Porto), Sait-On Jamais (Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra), LISBOARTE (Lisboa)

A lei dos amantes (103)

Let's close our eyes and make our own paradise
Little we know of it, still we can try
To make a go of it

We might have an end for each other
To be or not be
Let our hearts discover
lai,lai,lai...

quarta-feira, setembro 14, 2005

Press release

Tiago Bartolomeu Costa, crítico e investigador de artes performativas, vai participar, este mês de Setembro, em dois festivais internacionais.

De 20 a 25 de Setembro, em representação da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, estará presente no Seminário Internacional para Jovens Críticos, da AICT Association Internacional des Critiques de Théâtre, que este ano decorre no âmbito do 15º festival des Arts pour la Jeunesse, em Montréal.

O seminário, subordinado ao tema Para quem se escrevem críticas de teatro infanto-juvenil?, conta com a participação de oitos associados: Argélia, Bélgica, Canadá, Coreia, Croácia, Portugal, Suécia e Taiwan. Será coordenado por Margareta Sörenson, directora dos Seminários Internacionais da IACT. Neste seminário será apresentada uma comunicação intitulada Para uma radiografia do teatro infanto-juvenil em Portugal. O encontro prevê ainda a participação numa conferência pública.

O 15º festival des arts pour la jeunesse, uma organização da ASSITEJ -Association International de Théâtre pour l'Enfance et Jeunesse, reunirá cerca de 75 países e um total de 30 espectáculos, entre ópera, dança, teatro de marionetas, de rua ou em palcos convencionais. O evento é apadrinhado este ano pela cantora canadiana Celine Dion, homenageada pelo seu trabalho em prol das crianças e grupos desfavorecidos. Mais informações sobre o festival podem ser consultadas aqui.

De 26 a 29 de Setembro, Tiago Bartolomeu Costa participará no Divadelná Nitra 2005, na qualidade de membro do Conselho Consultivo, um painel de 30 nomes do mundo inteiro, entre críticos, programadores, directores de institutos e encenadores ou coreógrafos. No dia 27, o crítico português participará numa mesa redonda, organizada pelo FIT - Festivals in Transition, cujo tema é: "Theater festivals as a generator for an European cultural network". Trata-se de um debate amplo, acerca das relações entre os festivais e as criações nacionais, que reunirá alguns dos mais importantes festivais europeus. Será apresentada uma comunicação intitulada: Os festivais e as criações: construções de imagens ou montras superficiais. Mais informações sobre o festival aqui.

A viagem tem o patrocínio do Instituto Camões, sendo o material apresentado nos dois festivais, bem como os relatórios e outros documentos, disponibilizados no Centro Virtual do Instituto Camões, neste blog e noutros locais ainda a acordar.

Mais informações podem ser solicitadas através de e-mail.

Agradecimentos: A Tarumba - Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, Anabela Bartolomeu Poças, Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, Carlos Pimenta, David-Alexandre Guéniot, Helena Serra, Instituto das Artes (Maria de Assis), Instituto Camões, Joaquim René, José Luis Neves, Maria Helena Serôdio, Maria João Brilhante, Mónica Guerreiro, Patrícia Portela, Re.Al, Rogério Nuno Costa, Sandra Simões, Sonia Ülicna, Teatro de Ferro, Teatro Infantil de Lisboa, Teatro Praga, Tiago Guedes, Vanda Piteira.

terça-feira, setembro 13, 2005

A lei dos amantes (102)

"cada vez que penso em tudo as pernas tremem e o estômago enrola". Moi aussi.

A arte ou a vida?

Se a arte não salva vidas, já a opção entre a arte e a vida é sempre mais polémica. Nas cadeiras de ética (mas também em outras) a pergunta é sempre levantada: num prédio a arder, salvavam-se as pessoas ou obras de arte fundamentais para a história do mundo? A questão impõe-se, quando New Orleans vê afundar grande parte do seu património cultural. A ler Artists on the Run, Their Art Left Behind, hoje no New York Times.

segunda-feira, setembro 12, 2005

A lei dos amantes (101)

So many things, so little time. A aldeia global é uma farsa.

sábado, setembro 10, 2005

All my independent women (exposição)


All my independent women
Carla cruz
Galeria SMS - Guimarães
de 10 Setembro a 11 Outubro 2005

Colecção pessoal metafisica de arte de género segundo o Dicionário Português da de Crítica Feminista de Ana Gabriela Macedo e Ana Luísa Amaral

ana luisa amaral
andre alves
carla filipe
catarina carneiro de sousa
isabel carvalho
maria filipe castro
marta baptista
miguel bonneville
nina hoechtl
paula tavares
suzanne van rossenberg
unknown sender
zoina

Galeria SMS
Sociedade Martins Sarmento
Rua Paio Galvão
Guimarães

Abertura 09:30-12:00 e das 14:00 - 17:00 Excepto segundas e feriados
Tel: 253415969

Grand finale

A meio do dia extraí um dente. Arrancado pela raiz face à sua inutilidade e às dores que me provocava. Agora vou escrever duas críticas. Guess who's going to pay?

Os 12 melhores posts (ano 2)

O segundo ano de vida d'O Melhor Anjo assume já a construção de um discurso crítico assente em três linhas: o lugar do corpo, o papel do espectador e a eternuridade de um espectáculo. No entanto, houve espaço para muito mais coisas. Foi, por exemplo, neste segundo ano, que se atribuíram os Prémios Poética do Quotidiano, uma iniciativa de leitura de outros blogs, que chegou às quase 100 atribuições (é procurar nos arquivos o registo dos outros e o mundo como o quiseram fixar). E, como é natural, o comentário e ironia política também estiveram presentes. Foi ainda o ano das viagens (Madrid, Barcelona - os diários setembris espanhóis foram muito comentados, por exemplo -, Londres e vários locais em Portugal, quase sempre em trabalho, mas a aproveitar para observações). A lei dos amantes, por seu lado, foi, às vezes, mais do que um diário afectivo.

Madonna rules!! - 14 Setembro 2004

O estranho caso do Teatro Nacional - 23 Outubro 2004

O homem-objecto - 21 Novembro 2004

O Fantasma da ópera - observações - 28 Dezembro 2004

Triste país - 27 Janeiro 2005



À volta de Trio (I, II, III) - 14 a 16 Abril 2005

Comparações - 29 Maio 2005

Entradas pagas - 20 Junho 2005



Esta é uma leitura possível deste blog. Um terceiro ano começa agora. Há mais na coluna da direita. Convido-vos a visitarem os arquivos (os mortos e os outros). E a voltarem. Sempre. Obrigado, ainda, a todos os que têm deixado comentários de felicitações, enviado e-mails ou falado pessoalmente (telefone incluído).

Destaque

Às vezes há coisas assim, no meio do excesso de leituras de fim de semana. O suplemento Mil Folhas, do Jornal PÚBLICO, dá a ler uma magnífica (e demasiado curta) conversa entre Augusto M. Seabra e Cecilia Bartoli [link não disponível], a propósito do lançamento surpresa do seu último trabalho Opera proibita, do qual se pode ouvir aqui umas amostras. A conversa [é disso que se trata, e não de uma entrevista) visita o percurso da mezzo-soprano, passa pelos contextos históricos de produção das óperas escolhidas e serve de aperitivo para o concerto que La Bartoli dará a 11 de Fevereiro no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. O álbum já se encontra à venda em Portugal.

Indo eu, indo eu...

... a caminho de Viseu. Cidade fria, cidade pesada, cidade de pedra, cidade antipática, cidade deserta. Fui a Viseu por uma noite, em trabalho [resultados na 2ª feira, no PÚBLICO]. As gentes são do mais distante que conheci. E as ruas andam vazias. Ouviam-se gritos de gente a discutir, mas das pessoas nada. E não sei se é pelas notícias que de lá chegam, mas anda tudo muito retraído. E depois a viagem de regresso... aflito para ir à casa de banho, com uma terrível dor de dentes que nem uma tablete de TRIFENE 200 aliviou (pelo menos dores menstruais não terei), cheio de fome e sono... nunca Lisboa me pareceu tão distante.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Os 12 melhores posts (ano 1)

Ainda em jeito de 2º aniversário, apresentam-se 12 dos mais interessantes posts do 1º ano deste blog. Isto é ser advogado em causa própria, mas enfim... Naquele tempo [o que eu gosto deste início de frase], as artes performativas ocupavam menos espaço do que agora. Era um outro blog, de facto. A descobrir, na coluna ao lado, outros posts, para outros gostos. Eu proponho estes:

Pai, porque me abandonaste ?: O Estado e os Teatros Nacionais: O S. Carlos - 21 Setembro 2003

O Peixe e a Água - 09 Outubro 2003

Falar de amor, quando não há mais nada - 27 Novembro 2003

A palavra suspensa - 19 Dezembro 2003

Für Jane - 25 Janeiro 2004

A lei dos amantes (17) - 23 Fevereiro 2004

Direito ao disparate - 18 Março 2004

Ensaio sobre o ruído - 17 Abril 2004

(suspiro) - 20 Maio 2004

Intriga palaciana (I, II, III, IV, V, VI) - 26 Junho 2004

Uma ideia de integração - 11 Julho 2004 [publicado in Renas & Veados no âmbito da iniciativa Rena por um dia]

A vida tal como ela é - 12 Agosto 2004

A lei dos amantes (100)

Lei= acórdão; afeição; amor; autoridade; carácter; condição; conquista; constituição; costume; decisão; decreto; direito; dominação; domínio; édito; estabelecimento; estatuto; estima; fidelidade; foro; império; instituto; justiça; lealdade; legislação; mandamento; mandato; mando; moda; moral; natureza; norma; obrigação; ordem; ordenação; ordenamento; ordenança; partido; poder; postura; preceito; prescrição; princípio; qualidade; razão; rédea; regimento; regra; regulamento; relação; religião; sentença; voga; legislação.

Amante= amado; amador; amigo; amoroso; apaixonado; clori; damado; galanteador; namorada; namorador; querendão; tafulo; amásia; amásio; amor;boneja; concubina; dulcineia; galã; noivo.

Dicionário de Sinónimos, Porto Editora 1977

Gay solo (estreia hoje)


GAY SOLO
um espectáculo de Luís Assis
9 de Setembro a 9 de Outubro de 2005
de quarta a domingo às 22h
Teatro A Comuna




Gay Solo é a primeira parte de um projecto intitulado Sex Shop Trilogy a apresentar entre 2005 e 2007. Visto de uma forma simplista, Gay Solo é aquilo a que se poderia chamar um one man show. Mas não só... É também um revolucionário guia para compreender o gay português em cinco fáceis lições. E, sobretudo, é uma crítica corrosiva (e, às vezes, bem-humorada) sobre algumas ideias feitas acerca do que é ser gay num pequeno país que gostamos de chamar Portugal!

Como o próprio nome indica, trata-se de um espectáculo a solo que se pretende uma reflexão irónica sobre alguns mitos e ideias feitas acerca da homossexualidade, ao mesmo tempo que assume a função política e social que o termo gay ganhou na sequência dos tumultos em Stonewall, há mais de trinta anos atrás. Mas, sobretudo, Gay Solo pretende quebrar a barreira que tem tornado os espectáculos de temática gay uma espécie de produto de consumo interno, para uma minoria específica e sempre com um certo carácter underground.

Este primeiro capítulo da Sex Shop Trilogy quer acima de tudo falar com a população portuguesa, independentemente da sua orientação sexual e, mais do que preocupado em construir um discurso dirigido aos gays portugueses, quer estabelecer pontes de comunicação com o que se convencionou chamar uma sociedade maioritariamente heterossexual. Alicerçado na actualidade política e social portuguesa, e dependente da cumplicidade estabelecida com o público em cada diferente espectáculo, Gay Solo propõe-se não só como um objecto artístico mas sobretudo como uma afirmação pessoal e política.


As 5 Lições Básicas
1ª CONCEITOS BÁSICOS & IDEIAS FEITAS
Tem a certeza que sabe que o que é um heterossexual?
2ª ROTEIRO PARA A COMPREENSÃO DO GAY MODERNO
Sabe quantos tipos de gay os heterossexuais conhecem?
3ª O ENGATE
E se um homossexual de repente lhe oferecer flores...Sabe o que isso é?
4º O MUNDO HETERO
Sabe quantos gays são precisos para mudar um heterossexual?
5º PORTUGAL QUASE GAY
Sabe o que fazer para descobrir se é gay?

Ver página promocional do espectáculo no Gaydar.

Gay Solo
de Luís Assis.
Co-produção Cassefaz/Lugar Comum.
Teatro A Comuna (Praça de Espanha, Lisboa)
duração do espectáculo: 60m
Preço: 12€ Descontos Diversos: 10€ Desconto Pin Cultura: 9€
Para informações e reservas : 21 722 17 70 / 213420136
cassefazproduz@teatropolis.net
www.teatropolis.net

Informações retiradas so press-release.

quinta-feira, setembro 08, 2005

O corpo circular


Este blog faz hoje dois anos.

E a verdade é que tomou caminhos que nem eu previra. Bem sei que este tipo de frases feitas ficam sempre bem nestas circunstâncias. Mas a verdade é que estava longe de imaginar que, pelo blog, iria moldar a minha vida. Com o tempo O Melhor Anjo deixou de ser espaço para observações sobre o quotidiano, para se tornar espaço de reflexão, ponte para outros espaços, ponto para novas descobertas. Eu não leio os ensaios que falam da importância dos blogs, nem acredito em correntes solidárias de mudança. Muito menos penso que um epifenómeno possa substituir séculos de tradição editada em suporte palpável. Mas a verdade é que, passados 2 anos, O Melhor Anjo existe. Às vezes para lá de mim.

Quando o iniciei nem sequer imaginava que um dia estaria a escrever as coisas que hoje escrevo. Morava numa casa onde chovia, a prazo e de frigorífico vazio. Isto parece a história da coxinha, é bem verdade. Mas dois anos dá para muita coisa. Deu para várias casas, para várias relações, para vários posts, para vários contactos, para várias ideias, projectos, intenções, projecções, jogos de palavras, fantasias, ironias...

A verdade é que passado este tempo sou, por vezes, acusado de ter desaparecido do blog. De o ter especializado. Até de ter morto O Melhor Anjo para passar a ter uma webpage chamada O Corpo Circular. Têem todos razão. O Melhor Anjo provavelmente morreu no dia em que eu percebi que saía do meu computador e era comentado por outras pessoas. E, sobretudo, que o número de leitores aumentava a cada dia que passava. E isso assusta. Porque isso alimenta o monstro. E o monstro precisa de amigos. E O Melhor Anjo nem sempre é meu amigo.

Com o passar do tempo o caminho deste blog foi-se fazendo meio às apalpadelas, sem pedir licença e, sobretudo, levando-se pouco a sério. A firmeza dos textos e a fixidez dos argumentos postados contrasta com as inseguranças do dia-a-dia. Que o digam os meus amigos e colegas MSNeiros que aguentam revisões de textos, às vezes até altas horas da madrugada. São eles os primeiros leitores deste blog, ainda ele está nas 'rotativas'. E, justiça seja feita, já aguentaram muita coisa.

O facto de eu ter muito orgulho no meu blog não se prende tanto com o número de leitores que têm. É residual quando comparado, por exemplo, com outros que são só sobre o quotidiano. O orgulho que está presente na minha relação com este blog prende-se com o modo como subrepticiamente me foi conduzindo para um universo de reflexão, pensamento e procura que desconhecia. E o modo como eu me fui explorando para, a cada dia que passava, pudesse falar com quem me lia anonimamente. E, como já disse, um dia a coisa ultrapassou-me. Um dia percebi que aquilo em que estava a transformar o blog já não era a razão de ser da sua criação. Já era um veículo para pensar alto. E fui fundamentando o discurso. Aperfeiçoando-o. Para ser ilustrativo, direi: fiz como o Miguel-Ângelo. Tirei o David da pedra.

Hoje este blog, que nunca foi sobre a minha vida, têm pouco de mim. Muito pouco mesmo. E aquilo que tem parece tão descontextualizado que, se não fosse o facto de cair em graça, corria o risco de descredibilizar por completo o trabalho que nele faço. Não se julgue que comecei a escrever análises de espectáculos no blog por falta de espaço noutros sítios. Eu nem sequer tinha essa intenção. A verdade, por mais ridícula que possa ser é esta: eu nem sabia que um dia acabaria por escrever de forma tão regular, sistemática, complexa e por vezes hermética, as análises de espectáculos que credibilizaram a existência deste blog.

Mas se o tempo fez com que este blog durasse dois anos, é também tempo para o repensar. Que fazer com ele?

Se é verdade que este blog pôde, e assumindo todas as presunções, contribuir para uma relação mais próxima entre universos virtuais e performáticos e, provavelmente, permitir que se observassem espectáculos de outra forma, também nunca se quis fazer jurisprudência, legitimar o que quer que fosse, servir para depósito de raivas, vinganças, traições e ódios. O Melhor Anjo, se se tornou num espaço de análise e reflexão sobre artes performativas foi-o por quase-natural imposição. É essa a minha área de formação. É isso que faço. Escrever sobre ela não era uma ambição. Foi algo que aconteceu. E dura o tempo que durar.

Mas a reflexão... Pois. Este blog não vai durar muito mais tempo assim. O formato já não se aguenta, o espaço é reduzido, eu preciso de mais feedback, sobretudo para não tornar falhas em vícios. E, sobretudo, para me preservar. A sobre-exposição, mesmo que não declarada, incomoda. E eu prefiro incomodar-me primeiro a ter que enfrentar silêncios tácitos, concordâncias superficiais, sorrisos amarelos, desculpas esfarrapadas, falsos elogios, cumprimentos ambíguos, desculpas de mau pagador e, sobretudo, ser importunado por algo onde sou eu que mando. E, no limite, O Melhor Anjo é como se fosse parte da minha casa. Têm é paredes de vidro. Como todas as casas que o lêem.

Isto tudo para dizer que estou cansado. De prazer, mas cansado. Cansado de escrever, cansado de não ter feedback efectivo, cansado de por vezes achar que estou perdido e afinal há um telefonema que me diz que não, um e-mail atento, um comentário certeiro, uma conversa comentada por terceiros. Estou cansado porque O Melhor Anjo se tornou um vício, uma neura, um animal de muito alimento que vive ao dobro da minha velocidade. E se eu tenho a capacidade de dizer disparates todos os dias, escrevê-los é bem diferente. Porque a dada altura já não podemos fazer tudo. A dada altura há quem olhe para ver como estamos. E esses olhares já não são só de leitores anónimos.

A pergunta que se coloca é: porque me deveria preocupar com isso se eu é que tenho o poder do delete?

O Melhor Anjo não vai continuar por muito mais tempo. Pelo menos não assim. É preciso saltar para outros lados, voar outros vôos. Também porque quem se habituou a ler este blog (ou a mim) está à espera de mais. E por muito que eu diga que um blog é sempre uma página pessoal, há páginas mais pessoais que nós.

E, por isso, em jeito de reflexão de aniversário, e numa altura em que o trabalho se acumula, o tempo escasseia, e os olhos pesam... O Melhor Anjo faz dois anos. Devem-no a mim. Eu devo-o a mim. Mas devo-o também a quem o lê. E a quem eu não sei que o lê. Porque não faço coisas para a gaveta e assumo o pendor narcísico do que escrevo, O Melhor Anjo existe, porque existe quem o leia. E eu também. Melhor, dois anos depois de ter começado a querer ser O Melhor Anjo.

Dia o8 foi o dia em que fiz o blog. Dia 09 o dia do 1º post. Esta é a data oficial de abertura d'O Melhor Anjo.

quarta-feira, setembro 07, 2005

ALKANTARA PROCURA ESTAGIÁRIO PARA FUNÇÕES DE SECRETARIADO

Alkantara é o novo nome de Danças na Cidade, estrutura que se dedica à produção e organização de eventos nas artes performativas contemporâneas. Com uma vertente internacional forte, preparamos a realização do alkantara festival, em Junho de 2006.
Neste momento, a equipa de alkantara está em crescimento, pelo que necessitamos de uma pessoa que assuma as funções de secretariado dentro da nossa organização.

A função integra as seguintes actividades:
- organização e funcionamento diário do escritório de produção
- ligação com fornecedores
- gestão de despesas correntes
- trabalhos administrativos decorrentes do desenvolvimento da actividade

Procuramos:
- pessoa dinâmica e com capacidade de trabalho em equipa
- possibilidade de integração no programa de estágios do IEFP
- abertura e flexibilidade para desempenho e assistência às actividades de produção e administração
- disponibilidade a partir de Novembro de 2005

Resposta com CV e mais informações par este email, ao cuidado de Catarina Saraiva. Entrevistas serão realizadas durante o mês de Setembro.

Informações enviadas por e-mail

É pr'amanhã...

.. o que não pode ser hoje. É amanhã.

Flashnews

Não haverá água de manhã na cidade de Lisboa. Até às 13h o serviço de abastecimento estará encerrado para manutenção. Veja por onde anda por favor.

A lei dos amantes (99)

O tempo faz milagres. Só não faz impossíveis.

Chegada

Foram avistados na Praça da Figueira, em Lisboa, as primeiras carrinhas da Castro- Iluminações Festivais, responsáveis pelas luzes de Natal. É só para lembrar que hoje é dia 08 de Setembro.

terça-feira, setembro 06, 2005

Dois lados da mesma moeda

Ali junto ao largo do Rato, um carro tapa outro, quando me atravesso na estrada. Páro a tempo. E grita a condutora: 'O que vale é que eras giro.'.

Enquanto fazia o passaporte na loja do cidadão das Laranjeiras, diz-me a funcionária, ao olhar para as fotografias: 'Você tem uma pontaria para as máquinas automáticas que escolhe. Não conseguia arranjar uma que o favorecesse?'.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Encontros íntimos



Delia Banjo, ex-bailarina e Brainard Carey, ex-galerista conheceram-se em 1999. A paixão foi de tal forma intensa que passaram mais de uma semana na cama, "rejoicing in the sensuality of life". Depressa os caminhos artísticos se cruzaram, criando um projecto intitulado PRAXIS.

As performances multidisciplinares que apresentavam em festivais, encontros ou eventos, consistiam, normalmente em envolver o espectador (consciente ou não), da forma mais literal possível. Abraços, massagens de pés, beijos e até trocarem marijuana. Um outro projecto, Pray for me, consiste em performances telepáticas, onde os interessados podem enviar um mail aos criadores solicitando que rexem por eles.

Agora têm um novo projecto, em cena na galeria de Nova York, P.S. 122, chamado "Forget Me Not, a New Economy Mass ". A partir de uma reflexão sobre a morte de gente próxima, procuram ajudar os outros a lidar com a perda. "We use ambient music, dance, text, art and prayer to create a comforting atmosphere," diz Carey. "We have 10 performers but we also want audience members to participate. We watch the gestures and movements of nonprofessionals and incorporate them into our work.". De acordo com Vallejo Ganter, o dono da galeria, "their work perfectly suits this place, as it subverts expectations about performance; it's a combination of mediums and a truly living art".

O site, nem de propósito, chama-se TWO BODIES.



in New York Times

Mais informações sobre o projecto PRAXIS aqui.
Ver entrevista conduzida por Marina Abramovic aqui, a propósito do projecto A True Fairytale.
Ver informações e descrição de um outro trabalho, The Book of Job.

A lei dos amantes (98)

Os amores de verão enterram-se na areia.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Pausa

Este blog pára aqui. Eu vou ali ao Porto e volto domingo. Se conseguir.

MASPrá frente como é que vai ser?

Agora que Soares efectivou o que há muito tinha decidido, há que pensar que caminho vai ser percorrido até às eleições de Janeiro do próximo ano. Valerá a pena falar da hipótese Cavaco se ainda nada é certo? Ou este novo 'tabu' serve somente para auscultar a sociedade nos seus medos, posições e memórias? A escolha de um Presidente da República, se é entendida como opção por um garante da estabilidade, é-o também, pela dificuldade em prever os modos de aplicação dos seus poderes. E só a memória permite traçar com clareza e distinção o que foram os confrontos entre Cavaco e Soares. E, é por isso, que se estas eleições pressupõem um combate político e se jogam apostadas nesse legado, alguém vai ter que, por exemplo, explicar aos jovens (essa massa anónima que precisa ser estimulada e todos reclamam como sua, razão de motivação e esperança), quem foram Mário Soares e Cavaco Silva. Que significava a expressão 'forças de bloqueio', porque perdeu Cavaco as eleições de 1996, porque razão Guterres não teve maioria absoluta quando Soares era o mais popular dos Presidentes, que imagem se passou para o estrangeiro sobre as presidências abertas soaristas, que expectativas se depositaram em Jorge Sampaio, que papel foi o de Soares no Parlamento Europeu depois de 2000 e a que recusas procedeu, qual o legado de Cavaco... Em Janeiro de 2006 não será só a escolha do Presidente da República para os próximos 5 anos que estará em causa. Mais do que isso, será também proceder à escolha da figura mais relevante (mas menos responsável?) pela inexistência de alternativas. Será, portanto, desenhar a história e o passado, crentes num futuro cada vez menos disponível para a utopia e a ausência de memória. Era por isso importante que não se embandeirasse em arco a bóia em que Soares se arvora. Se a pátria está em crise, ele não é de forma nenhuma ausente de responsabilidades. E se a escolha for, de facto, entre Cavaco e Soares, importa pensar que história do Portugal recente se quer construir. E não ouvi ainda qualquer tipo de reflexão sobre o assunto. Para já vergam-se os súbditos aos predestinados.

quinta-feira, setembro 01, 2005

... vistas da cidade

...vistas da Cidade
pelo Cão Solteiro
Casa dos Dias da Água
de 30 de Agosto a 30 de Setembro
22h00





“é preciso dizer sempre aquilo que se vê; sobretudo, e isso é o mais difícil, é preciso ver sempre aquilo que se vê.”

No espaço em branco inscrevem-se três figuras, para a construção da Cidade, lugar verdadeiro que se abre para a imaginação de quem está nele.

A partir da construção do lugar reorderna-se o tempo, arquitectura essencial, inventam-se os lugares visitados, os nomes, a memória, as ruas, os nomes dos outros.

Um espaço nunca é uma coisa só, é um lugar para muitos sentidos e as coisas incontáveis que acontecem no meio deles, cruzamentos, fugas, intersecções, narrativas da demanda que cada figura elege como discurso. Vistas, vozes, outros sons, miragens, cidade de...

... vistas da Cidade
Encenação e cenografia: Nuno Carinhas Figurinos: Mariana Sá Nogueira Actores: Paula Sá Nogueira, Marcello Urgeghe, Martim Pedroso Textos: Cão Solteiro construidos a partir de Ana Hatherly, Georges Perec, Italo Calvino, Le Corbusier e Ruy Belo. Pinturas: Giam Paolo Urgeghe e Sá Nogueira. Desenho de luz: Jacques Olivant Fotografia: Susana Paiva

Casa dos Dias da Água, Rua D. Estefânia, 175, Lisboa
22.00 h, de Terça a Domingo
30 de Agosto a 30 de Setembro
Bilhetes: 10€ / 7,50€
Informações
213 140 352 – Casa d’Os Dias da Água
Infirmações enviadas por e-mail

VII Festa do Teatro de Setúbal




Começou no passado dia 27 de Agosto a VII edição da Festa do Teatro em Setúbal. Organizado pelo Teatro Estúdio Fonte Nova, a mostra faz-se de apresentações de espectáculos de várias companhias. A saber:

01 > 22h > Inatel > Os IEmigrantes - Teatro Estúdio Fontenova
02 > 22h > Inatel > Mãe Preta - ESTE, Estação Teatral da Beira Interior
03 > 22h > Inatel > Private Lives - Teatro Praga
04 > 22h > Fórum M. Luísa Todi > Stand-up Tragedy - Mundo Perfeito
06 > 22h > Inatel > Amanhã - Teatro O Bando
08 > 22h > Inatel > Os Guardas do Museu de Bagdad - Teatro dos Aloés
09 > 22h > Inatel > Os Bonecos de Santo Aleixo - CENDREV, Centro Dramático de Évora
10 > 22h > Inatel > Uma história a penas - Trigo Limpo Teatro - ACERT

Para além disso decorrerão conversas com alguns dos participantes, exposições e workshops. Até 10 de Setembro, a festa faz-se.

Mais informações aqui.
informações enviadas por e-mail pelo Teatro Estúdio Fonte Nova