Natal
O Natal chegou mais cedo. Acabou o governo de Santana Lopes.
Mas amigo Sampaio, isto não te redime dos disparates de Junho.
E, é claro, isto agora pára tudo. Como de costume.
terça-feira, novembro 30, 2004
A noiva de luto
análise ao espectáculo Ophelia
Marina Nabais e Rogério Nuno Costa
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
25 Novembro 2004


Outros espectáculos de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa analisados neste blog:
Das Padeiras de Aljubarrota
God Knows Whati! - Dá Deus nozes a quem não tem dentes
Outros espectáculos de Rogério Nuno Costa analisados neste blog:
Actor
Pictures at an Exhibition
Saudades do tempo em que se dizia texto
Vou a tua casa - lado a
análise ao espectáculo Ophelia
Marina Nabais e Rogério Nuno Costa
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
25 Novembro 2004


Ophelia é um espectáculo-dúvida. E a dúvida permanente está no equilíbrio entre o dito e o não dito; entre o presente e o ausente. Há um momento em que a famosa imagem de John Everett Millais assume a real dimensão do que se procura testar com Ophelia. Marina Nabais deita-se no palco para se cobrir com cartas e livros, como se dissesse que mais do que morrer em estado de flor, morre (nasce?/assume?) em personagem literária. Ophelia é um espectáculo sobre a alteridade. Ser-se o outro. E em nome desse outro procurar o "eu".
O espectáculo propõe uma materialização plástica do cruzamento da personagem Ophelia, da tragédia shakesperiana Hamlet com a amante de Fernando Pessoa, figura tão perturbada quanto a anterior e, no final, quase uma mutação da ficção. Fá-lo através de uma pesquisa retrospectiva sobre a condição feminina, sem tornar o espectáculo num panfleto feminista. Importa menos o papel da mulher, mas o que ela faz com ele. E, nitidamente, estas decidiram anulá-lo. Por isso, importa menos dar conta das soluções para a resolução dos dilemas das protagonistas, mas antes apresentar (-lhes/-se) o enredado fio em que se envolveram.
Quando estreou em 2002, o facto de se ter apresentado nas piscinas do Ateneu Comercial de Lisboa, permitiria, supõe-se, uma mais óbvia relação com a água e a ideia de afogamento eminente, numa resposta directa ao desequilíbrio emocional a que as personagens se permitem. Na delicada ocupação do espaço do Teatro Taborda, a leitura torna-se mais difícil e abstracta. Preenchendo a boca de cena com copos de plástico cheios de água, aposta-se num exercício de suspensão e fragilidade, que não só torna mais estimulante a proposta como a eleva a um patamar de alienação e distância cénica, tão próximo do que seria o estado de espírito das figuras convocadas.
Porque Ophelia é um espectáculo feito para o tempo de Marina Nabais, esta torna-se, assim, uma personagem que, no final, procurará a libertação do criador (e, já agora, afirmar, que se trata de uma co-criação), numa curiosa transposição do palco para a vida, como se Ophelia quisesse ser teatro-dentro do teatro-dentro do teatro. Mesmo que isso implique o risco de implosão do conceito. Rogério Nuno Costa (figura da qual só se sabe a voz) age como o presente/ausente, tal como Fernando Pessoa e Hamlet. Não tanto no sentido sexual ou castrador do termo, mas porque, neste caso específico, não há uma mulher sem um homem. E nesta relação de forças, é notório que é ele que vive para ela e não o contrário.
Talvez assim se entenda melhor a sequência final de Ophelia. Os autores sentados a propor a desconstrução do espectáculo não fazem mais que se preparar para a chegada (a definição?) dessa terceira Ofélia. Essa que redimirá as outras duas do amor que as prendera. Aquela que, no fundo, se impôs ao longo do espectáculo. A que nunca existiu. Porque tomou uma decisão em nome individual. Será por isso que esta terceira Ofélia procura discutir a individualidade feminina; o libertar dos estereótipos e conceitos, espartilhos e sequestros emocionais. Resgatará Ophelia do lodo; forçará Ofélia Queiroz a confrontar Fernando Pessoa. Não está ausente de um certo simbolismo religioso. Afinal, falta pouco para que estas duas Ofélias se pareçam com Santa Teresa d'Ávila.
Nessa falsa discussão, Marina Nabais insistirá na ideia de que as duas Ofélias são o que quiseram ser. E dificilmente poderiam ter sido outra coisa. Não porque sejam criações masculinas (ou existam através de um homem), mas porque conceberam o amor como um sentimento unilateral e desequilibrado. Um sentimento em que o outro é o estímulo. Não o fim. Entraram, por isso, numa espiral de masoquismo ingénuo.
Espectáculo de partilha e cumplicidade, esta primeira colaboração oficial (1) de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa procura provocar a decomposição mais do que a desconstrucção dos estados femininos para compreender as suas (as das Ofélias) falhas. Exemplo disso é a utilização ad nauseum dos mesmos excertos das cartas de Ofélia Queiroz para Fernando Pessoa ou das deixas da personagem Ophelia, como se a sua repetição acentuasse a ideia de que as respostas estão dentro da mensagem.

É por isso curioso verificar que ao longo do espectáculo são várias as oportunidades para Ofélia (qualquer uma) se libertar. Mais não seja para afirmar a sua existência. E, no entanto, os criadores propõem antes uma mutilação das personagens através da não pronunciação do seu nome. Ou são chamadas pela voz ausente, ou o nome aparece transfigurado em diminutivo, ou é suprimido nas cartas que são lidas ou ainda uma chama a outra. Mas são raras (se calhar nenhumas) as vezes em que alguém diz: Eu sou Ofélia. Somente num momento, a actriz grita: «Eu quero ser Ofélia"». Se-la-á, mais tarde. Se o souber ser. E é por isso que Ophelia é um quadro mudo de uma ideia de representação, já que nem sequer as que o podiam ser, o souberam ser.
Tanto Ophelia como Ofélia Queiroz existem na presença/ausência de um ente masculino do qual não se conseguem/não querem libertar. A actriz fá-lo. Rogério Nuno Costa (o homem, o leitor, o espectador) perde. Seja porque não assume uma presença material ou porque parece querer recusar a liberdade à personagem que controla. Uma espécie de jogo de marionetas, em que não se sabe quem controla quem.
Ophelia é um espectáculo circular que se reinventa e busca novas hipóteses para a resolução das suas dúvidas. À pergunta "como é o movimento", as Ofélias vão respondendo como podem, também elas perdidas numa /forçadas a uma necessidade de afirmação. Não sendo possível perceber como e porque se cruzam (Ophelia deita fora a investigação histórica depois de recolher o que lhe interessa), o campo fica aberto à especulação. E é nessa especulação que resiste o interesse da proposta de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa, mesmo que, com o tempo e noutros espectáculo tenham vindo a aperfeiçoar algumas resoluções.

É, ainda assim, um espectáculo dedicado, simbólico, envolvente e bem estruturado, no que isso significa de recusa de entrega ao público um trabalho seguro e fechado. Antes obriga-o a uma reflexão sobre as possibilidades de contaminação da ficção e da realidade, incluindo aqueles que envolvem os processos criativos. Aparentemente amargo e seco, Ophelia depressa se transforma numa proposta de confronto entre o que se pode e não pode fazer, seja em nome do amor ou da arte. Sendo frágil, Ophelia não pode desejar mais que uma lenta e serena descida pelo rio, mesmo que as águas geladas da incompreensão insistam em se impôr.
Nota final: Porque os criadores recusam a ideia de contextualização, remete-se para futuras análises os fascinantes aspectos que tornam Ophelia num balão de ensaio para os espectáculo que se seguiram num estimulante exercício de relação e simbologia.
(1) Os dois criadores desenvolveram esta proposta durante um workshop de teatro que orientaram para o teatro Universitário do Minho e do qual resultou o espectáculo 27 sobre 4.
O espectáculo propõe uma materialização plástica do cruzamento da personagem Ophelia, da tragédia shakesperiana Hamlet com a amante de Fernando Pessoa, figura tão perturbada quanto a anterior e, no final, quase uma mutação da ficção. Fá-lo através de uma pesquisa retrospectiva sobre a condição feminina, sem tornar o espectáculo num panfleto feminista. Importa menos o papel da mulher, mas o que ela faz com ele. E, nitidamente, estas decidiram anulá-lo. Por isso, importa menos dar conta das soluções para a resolução dos dilemas das protagonistas, mas antes apresentar (-lhes/-se) o enredado fio em que se envolveram.
Quando estreou em 2002, o facto de se ter apresentado nas piscinas do Ateneu Comercial de Lisboa, permitiria, supõe-se, uma mais óbvia relação com a água e a ideia de afogamento eminente, numa resposta directa ao desequilíbrio emocional a que as personagens se permitem. Na delicada ocupação do espaço do Teatro Taborda, a leitura torna-se mais difícil e abstracta. Preenchendo a boca de cena com copos de plástico cheios de água, aposta-se num exercício de suspensão e fragilidade, que não só torna mais estimulante a proposta como a eleva a um patamar de alienação e distância cénica, tão próximo do que seria o estado de espírito das figuras convocadas.
Porque Ophelia é um espectáculo feito para o tempo de Marina Nabais, esta torna-se, assim, uma personagem que, no final, procurará a libertação do criador (e, já agora, afirmar, que se trata de uma co-criação), numa curiosa transposição do palco para a vida, como se Ophelia quisesse ser teatro-dentro do teatro-dentro do teatro. Mesmo que isso implique o risco de implosão do conceito. Rogério Nuno Costa (figura da qual só se sabe a voz) age como o presente/ausente, tal como Fernando Pessoa e Hamlet. Não tanto no sentido sexual ou castrador do termo, mas porque, neste caso específico, não há uma mulher sem um homem. E nesta relação de forças, é notório que é ele que vive para ela e não o contrário.
Talvez assim se entenda melhor a sequência final de Ophelia. Os autores sentados a propor a desconstrução do espectáculo não fazem mais que se preparar para a chegada (a definição?) dessa terceira Ofélia. Essa que redimirá as outras duas do amor que as prendera. Aquela que, no fundo, se impôs ao longo do espectáculo. A que nunca existiu. Porque tomou uma decisão em nome individual. Será por isso que esta terceira Ofélia procura discutir a individualidade feminina; o libertar dos estereótipos e conceitos, espartilhos e sequestros emocionais. Resgatará Ophelia do lodo; forçará Ofélia Queiroz a confrontar Fernando Pessoa. Não está ausente de um certo simbolismo religioso. Afinal, falta pouco para que estas duas Ofélias se pareçam com Santa Teresa d'Ávila.
Nessa falsa discussão, Marina Nabais insistirá na ideia de que as duas Ofélias são o que quiseram ser. E dificilmente poderiam ter sido outra coisa. Não porque sejam criações masculinas (ou existam através de um homem), mas porque conceberam o amor como um sentimento unilateral e desequilibrado. Um sentimento em que o outro é o estímulo. Não o fim. Entraram, por isso, numa espiral de masoquismo ingénuo.
Espectáculo de partilha e cumplicidade, esta primeira colaboração oficial (1) de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa procura provocar a decomposição mais do que a desconstrucção dos estados femininos para compreender as suas (as das Ofélias) falhas. Exemplo disso é a utilização ad nauseum dos mesmos excertos das cartas de Ofélia Queiroz para Fernando Pessoa ou das deixas da personagem Ophelia, como se a sua repetição acentuasse a ideia de que as respostas estão dentro da mensagem.

É por isso curioso verificar que ao longo do espectáculo são várias as oportunidades para Ofélia (qualquer uma) se libertar. Mais não seja para afirmar a sua existência. E, no entanto, os criadores propõem antes uma mutilação das personagens através da não pronunciação do seu nome. Ou são chamadas pela voz ausente, ou o nome aparece transfigurado em diminutivo, ou é suprimido nas cartas que são lidas ou ainda uma chama a outra. Mas são raras (se calhar nenhumas) as vezes em que alguém diz: Eu sou Ofélia. Somente num momento, a actriz grita: «Eu quero ser Ofélia"». Se-la-á, mais tarde. Se o souber ser. E é por isso que Ophelia é um quadro mudo de uma ideia de representação, já que nem sequer as que o podiam ser, o souberam ser.
Tanto Ophelia como Ofélia Queiroz existem na presença/ausência de um ente masculino do qual não se conseguem/não querem libertar. A actriz fá-lo. Rogério Nuno Costa (o homem, o leitor, o espectador) perde. Seja porque não assume uma presença material ou porque parece querer recusar a liberdade à personagem que controla. Uma espécie de jogo de marionetas, em que não se sabe quem controla quem.
Ophelia é um espectáculo circular que se reinventa e busca novas hipóteses para a resolução das suas dúvidas. À pergunta "como é o movimento", as Ofélias vão respondendo como podem, também elas perdidas numa /forçadas a uma necessidade de afirmação. Não sendo possível perceber como e porque se cruzam (Ophelia deita fora a investigação histórica depois de recolher o que lhe interessa), o campo fica aberto à especulação. E é nessa especulação que resiste o interesse da proposta de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa, mesmo que, com o tempo e noutros espectáculo tenham vindo a aperfeiçoar algumas resoluções.

É, ainda assim, um espectáculo dedicado, simbólico, envolvente e bem estruturado, no que isso significa de recusa de entrega ao público um trabalho seguro e fechado. Antes obriga-o a uma reflexão sobre as possibilidades de contaminação da ficção e da realidade, incluindo aqueles que envolvem os processos criativos. Aparentemente amargo e seco, Ophelia depressa se transforma numa proposta de confronto entre o que se pode e não pode fazer, seja em nome do amor ou da arte. Sendo frágil, Ophelia não pode desejar mais que uma lenta e serena descida pelo rio, mesmo que as águas geladas da incompreensão insistam em se impôr.
Nota final: Porque os criadores recusam a ideia de contextualização, remete-se para futuras análises os fascinantes aspectos que tornam Ophelia num balão de ensaio para os espectáculo que se seguiram num estimulante exercício de relação e simbologia.
(1) Os dois criadores desenvolveram esta proposta durante um workshop de teatro que orientaram para o teatro Universitário do Minho e do qual resultou o espectáculo 27 sobre 4.
Outros espectáculos de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa analisados neste blog:
Das Padeiras de Aljubarrota
God Knows Whati! - Dá Deus nozes a quem não tem dentes
Outros espectáculos de Rogério Nuno Costa analisados neste blog:
Actor
Pictures at an Exhibition
Saudades do tempo em que se dizia texto
Vou a tua casa - lado a
segunda-feira, novembro 29, 2004
domingo, novembro 28, 2004
Let's misbehave
Análise ao espectáculo Private Lives
Teatro Praga
6ª Mostra de teatro jovem
Teatro Taborda
24 Novembro 2004

Private Lives (PL) é um espectáculo afirmativo. Contudo, não definitivo, já que reafirma essas duas linhas estruturais do teatro feito pelo Teatro Praga (TP), sem as querer dar por terminadas. Por um lado o questionar do actor e da sua importância durante o espectáculo, no que isso assume de recusa do Método Stanislavskiano e quase se aproxima do conceito de übber-marionette de Gordon Craig (e PL é teatro de marionetas). Ou seja, a ideia de que a preparação do actor deve conter a simplificação e a precisão física. Portanto, a necessidade de testar o controlo sobre a cena, não para a personagem, mas para o actor. Em entrevista aquando da estreia, diziam: «O teatro é um combate de forças [...] a personagem é uma mentira: o actor não vai fazer coisas que não sejam ele. Para quê dizer que é outra coisa?» (1).
E é nesta medida que PL pode reclamar uma certa herança nihilista, essa morte de Deus (não o Criador, mas o Deus-teatro, Diónisos). O actor depois do resto, o que é? Depois de se ter preparado, que pode receber de novo? O actor, sozinho, com a sua bagagem, faz o quê com ela? Deixar, portanto, o acaso contaminar a representação: «É trágico o actor ter que lidar com aquilo que não está nas suas mãos», dizem (2).
A outra linha estrutural (que atravessava já espectáculos como La Ronde ou Um mês no Campo, mas que se impôs definitivamente em Título) é assumir a contaminação da convenção teatral por si mesma, num processo biofágico que não só procura provocar um re-nascimento como testar os limites do que é a norma. Assim, "que espectáculo é que se está aqui a fazer afinal? Para onde é que está a ir o espectáculo? Onde é que ele está? Para onde foi a personagem? Estou a ser?" (3). Utilizando um texto perfeitamente mecânico e de difícil ultrapassagem, o TP reutiliza as formas teóricas nietzschianas («Não há factos, apenas interpretações» (4)) para conceber uma estrutura dramatúrgica que mais do que incorporar o texto de Noël Coward, antes o utiliza naquilo que lhes convêm. Daí se poder reagir epidermicamente à confissão de que tiveram uma má relação com o texto (5). Essa "má relação" é, sobretudo uma resposta directa à concepção de Herbert Blau (6) quanto à representação dos clássicos que, no caso do TP não é tanto uma leitura contemporânea mas antes um "virar do avesso" dos textos. Ou seja, "fará sentido a apropriação de textos para testar as nossas teorias"?

Private Lives, o texto, não é, de forma alguma, um texto assim tão original. Só que é brilhante. Afinal, relações amorosas que começam e acabam e voltam a começar sempre existiram. Enganos, descuidos, trocas, suposições, crenças, dúvidas e suspensões fazem parte do acto amoroso e se não servirem para mudar, pelo menos servem para amar mais "sabiamente". Dizem. Portanto, o texto aqui pouco importa, mas antes o que se faz com ele.
E o que nos encanta em PL é a violência com que nos é apresentado. Um registo feroz e masoquista, que não deixa qualquer convicção intacta. Antes baralha o que já tínhamos por certo. E se...? E ainda assim, sabe respeitar as regras. PL é um divertimento em estado puro. Daqueles divertimentos que só quando terminam é que nos apercebemos do que estava em causa. Como os amores perdidos, provavelmente.
São perfeitamente claras as linhas traçadas na construção do espectáculo e a forma como se vão apresentar ao espectador. A introdução ao espectáculo começa não com a explicação da mecânica do jogo que se seguirá, mas com uma plateia invadida pela música estridente que sai do palco e pelos actores a olharem para os espectadores, em pose descontraída. Como se fossem espectadores. Também o serão. Alguns deles, pelo menos. O facto dos intervenientes/actores aceitarem expôr-se à chegada dos intervenientes/espectadores permite elevar a um enorme expoente a noção de improviso tão cara ao TP. Ou seja, o improviso é útil quando se sabem os limites a que se pode chegar. Caso contrário já é outro espectáculo. E o espectador veio ver PL.
PL desenvolve-se então a partir de um jogo de crença e acaso. Os actores propõem ao espectador determinar o que irão ver (7), partilhando assim a responsabilidade do sucedido. É uma forma de derrubar a 4ª parede, essa entidade castradora/protectora da relação espectáculo/espectador. No fundo, fazer depender o espectáculo de um esforço colectivo implicando todos os agentes no resultado final. Neste aparente aniquilar das relações de força que se estabelecem num objecto teatral, subsiste, contudo, o respeito pelo lugar de cada uma das partes. Esta "falsa relação aberta" com o público não implica a inexistência de definições. Estamos, portanto, longe de Título, em que os espectadores poderiam, de facto, "perverter" o espectáculo (ainda que controlados pelas regras dos criadores). E é nesta aparente cláusula irrevogável que assenta a desconfiança de alguns espectadores. Terão sido eles responsáveis pela escolha dos actores, ou no frenesim do lançamento dos dados, o TP aplicou um truque de ilusionismo? A verdade é que a dúvida permanece, mas a vontade de ser um "jogo honesto" é maior.
Procedem, portanto, a uma segunda anulação do espaço teatral como território sagrado para os "escolhidos". A primeira a ocorrer quando o espectador entra na sala de espectáculos e se depara com o ambiente de festa, o segundo, no momento da escolha. A partir daí, as escolhas/reacções ao acaso cabem aos actores. Afinal, são eles que precisam provar a sua tese.
PL insere-se numa linha de propostas a que gostaria de chamar intra-espectáculos. Ou seja, exercícios teatrais cujo efeito prático resulta primeiro para quem faz, sendo que para a aplicação desse efeito necessitam da manipulação de todos os elementos convencionais: espaço, actores, texto, público. E ainda espectáculos que constantemente apelam ao sentido de memória do espectador, convidado a identificar os sinais de contacto entre o passado e o presente (até a adivinhar o futuro). Este "baralhar e voltar a dar" produz efeitos que poderão não se sentir de forma imediata no espectáculo a que se assiste, mas certamente farão parte da estrutura dos seguintes. Nessa medida, PL pode ser considerado uma espécie de 1º parte de uma trilogia sobre a contaminação teatral, que teve o seu climax em Título e o opus final no espectáculo a apresentar em 2005, baseado na obra de Agatha Christie (8). Talvez não sejam visíveis (ou estejam assumidas) estas linhas no processo de construção de um espectáculo, mas estão na sua génese e influenciá-lo-ão.
«Qual é o valor dos valores», então? A pergunta lançada em forma de repto no início da apresentação do espectáculo, aposta na consciencialização do acaso como parte integrante do ser humano. E assim, a escolha dos actores (três homens e três mulheres) sujeita-se a um exercício de adivinhação. A acreditar (como se acredita) que o acaso tomou conta do espectáculo, a distribuição na noite em que se assistiu foi a seguinte: Actor 3 (Pedro Penim): Elliot, Actriz 1 (Sofia Ferrão): Amanda, Actor 2 (André Teodósio): Victor, Actriz 3 (Cláudia Jardim, em substituição de Paula Diogo): Sybill. Aos outros dois actores (Carlos Alves, Actor 1 e Patrícia da Silva, Actriz 2) são reservados papéis meta-teatrais.

O pressuposto é simples e nisso Noël Coward é exímio: Elliot e Amanda não podem viver um com o outro/um sem o outro, estão em segundas núpcias com Sybill e Victor ("esses pinos de bowling que só servem para serem derrubados", como definiu o autor) mas inevitavelmente cruzam-se na 1ª noite e decidem voltar a tentar a sorte. Sybill e Victor conhecem-se, apaixonam-se, confrontam os noivos e seguem o mesmo destino. Tão simples como o amor. Tão difícil como as certezas. O resto o TP não mostra.
Desta comédia tão fatal como o destino, o TP concebe um espectáculo teórico sobre a convenção teatral e os limites da sua aplicação. Afnal, a comédia é a tragédia com tempo, Woody Allen dixit. Assim, depois da apresentação das regras do jogo (que logo ali se finda), segue-se o 1º acto tout court num palco que remete ainda para Brecht e a cena vazia, com apontamentos de cenário a fazer as vezes de arquitectura teatral (e nesse aspecto, a utilização do palco aberto, sem cortinas ou pernas e uma iluminação a deixar o público completamente exposto pemite leituras óbvias sobre a dimensão do que se discute: o teatro acontece onde?) e uma representação acelerada, como se de um combate de boxe em cima de brasas se tratasse. Os pares vão alternando numa aparente improvisação, estando os actores sujeitos à avaliação dos seus colegas. Todos se expõem.
Contudo, esta abordagem ao texto de Noël Coward é aplicada através de um sistema de acção/reacção baseado na confrontação do outro através de um impasse emocional. A contra-cena não sabe em que registo será apresentada a sua deixa, o que a obriga a assimilar o acaso e fazer algo mais que improvisão. Não se trata, portanto, de reagir "na mesma moeda" (que rapidamente poderia levar o espectáculo para os limites do absurdo), mas antes construir no momento a emoção própria do espectáculo. Teatro ready-made, portanto.
Neste jogo entre a «vontade que ordena e a vontade que obedece», o TP parece obedecer a dois critérios: anula o aparente anacronismo que se poderia criar com a apresentação de um texto cheio de códigos morais, signos e referências datadas e a técnica em que é apresentado, e desenvolve ainda um artifício que aproxima PL de qualquer coisa ao nível do cinematográfico, já que se crêem mais nos acasos fílmicos que nos da vida. Este desmantelamento da cena e da convenção teatral permite-lhes investigar a fundo o que há de verdadeiro na interpretação que possa justificar a utilização deste texto.
E a justificação surge no 2º acto quando o texto é interrompido por leituras de outros textos (desde citações filosóficas ao «Manual de Civilidade para Meninas»), feitas por Patrícia da Silva. Se já durante o 1º acto algumas punchlines eram povoadas por excertos musicais escolhidos por Carlos Alves, o significado de tais acções tomam verdadeiro sentido com esta aplicação do conceito de book-crossing. A entrada das músicas e das leituras podem até funcionar como realidade paralelas. Uma espécie de exposição dos sub-conscientes das personagens. A música perfeita, a frase perfeita, a razão que não se sabe explicar mas que as fez agir de determinada forma. Ou seja, o acaso afinal pode ser a própria personagem. Por outro lado, ao sobrepor o teatro com a literatura e a música, o TP testa a finitude das artes. Afinal, quer o livro quer a música são artes mortas, que dependem totalmente do leitor/ouvinte para funcionarem. E são, sobretudo, unilaterais. O teatro (pelo menos aquele em que o TP parece acreditar) depende do que o público estiver disposto a dar.
E é neste momento que a dimensão trágica de PL toma forma. De acordo com a definição aristotélica de tragédia, a representação da violência deveria ser feita longe do olhar do espectador, de forma a provocar o pensamento e a reflexão. Levando mais longe (na verdade "cuspindo" sobre essa reflexão), o TP rebenta com a convenção teatral, destrói o texto (na verdade, recusa-o) e assume a vitória dos agentes do acaso. Ou seja, ao longo da representação (que funcionou a dois níveis: a do texto propriamente dito e a forma como foi feito) fomos sendo introduzidos a diversas formas de contaminação do acaso no quotidiano. Fosse através de livros, músicas, conceitos, gestos, frases, intenções ou ausências. A partir de agora assiste-se à materialização do culto dionísico. Nietzsche, de novo. Já não existem actores e as personagens foram abandonadas à sua sorte (como se o TP dissesse: "resolvam-se se quiserem, nós já temos o que precisamos"). Aliás, a noção de tragédia estava já subjacente ao longo do texto. Amanda afirma: «Vamos pagar bem caro no futuro». Elliot suspira: «Vamos ser superficiais». Utiliza-se aqui a metáfora bacantiana para assumir que estivemos sempre a ser manipulados por agentes do acaso. E que o delírio é um estado tão próximo da consciência que deve ser utilizado para perceber melhor o racional. Daí ter dito que PL é teatro de marionetas. Não só as personagens, mas também os actores que se deixam invadir pela presença dos outros. Da inocência característica dos cartoons e dos fantoches, alia-se a sapiência dos que são eternos. Marionetas-deuses, portanto. Mas com corpo de humanos. Porque a estes é permitido errar.
Como no amor aliás.
(1) Carlos Alves citado in Vidas Privadas, Joana Gorjão Henriques, Suplemento Y do jornal PÚBLICO, 01 Agosto 2003, p.11
(2) Idem
(3) Pedro Penim in A responsabilidade máxima do actor, entrevista a Mónica Guerreiro, Maria Helena Serôdio, João Carneiro, Sinais de Cena n.º1, Junho 2004, Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, p. 52
(4) Friedrich Nietzsche in Nachlass
(5) In Vidas Privadas, idem
(6) Herbert Blau, Theatrer: A Manifesto, New York, 1964
(7) Na altura da estreia, o jogo começava na compra do bilhete, podendo o espectador lançar os dados e pagar entre 2 a 12 €.
(8) Este espectáculo incluirá um actor escolhido por audições que decorreram dentro do espectáculo Título.
Outros espectáculos do Teatro Praga analisados neste blog:
Título (1ª parte, 2ª parte)
Análise ao espectáculo Private Lives
Teatro Praga
6ª Mostra de teatro jovem
Teatro Taborda
24 Novembro 2004

Private Lives (PL) é um espectáculo afirmativo. Contudo, não definitivo, já que reafirma essas duas linhas estruturais do teatro feito pelo Teatro Praga (TP), sem as querer dar por terminadas. Por um lado o questionar do actor e da sua importância durante o espectáculo, no que isso assume de recusa do Método Stanislavskiano e quase se aproxima do conceito de übber-marionette de Gordon Craig (e PL é teatro de marionetas). Ou seja, a ideia de que a preparação do actor deve conter a simplificação e a precisão física. Portanto, a necessidade de testar o controlo sobre a cena, não para a personagem, mas para o actor. Em entrevista aquando da estreia, diziam: «O teatro é um combate de forças [...] a personagem é uma mentira: o actor não vai fazer coisas que não sejam ele. Para quê dizer que é outra coisa?» (1).
E é nesta medida que PL pode reclamar uma certa herança nihilista, essa morte de Deus (não o Criador, mas o Deus-teatro, Diónisos). O actor depois do resto, o que é? Depois de se ter preparado, que pode receber de novo? O actor, sozinho, com a sua bagagem, faz o quê com ela? Deixar, portanto, o acaso contaminar a representação: «É trágico o actor ter que lidar com aquilo que não está nas suas mãos», dizem (2).
A outra linha estrutural (que atravessava já espectáculos como La Ronde ou Um mês no Campo, mas que se impôs definitivamente em Título) é assumir a contaminação da convenção teatral por si mesma, num processo biofágico que não só procura provocar um re-nascimento como testar os limites do que é a norma. Assim, "que espectáculo é que se está aqui a fazer afinal? Para onde é que está a ir o espectáculo? Onde é que ele está? Para onde foi a personagem? Estou a ser?" (3). Utilizando um texto perfeitamente mecânico e de difícil ultrapassagem, o TP reutiliza as formas teóricas nietzschianas («Não há factos, apenas interpretações» (4)) para conceber uma estrutura dramatúrgica que mais do que incorporar o texto de Noël Coward, antes o utiliza naquilo que lhes convêm. Daí se poder reagir epidermicamente à confissão de que tiveram uma má relação com o texto (5). Essa "má relação" é, sobretudo uma resposta directa à concepção de Herbert Blau (6) quanto à representação dos clássicos que, no caso do TP não é tanto uma leitura contemporânea mas antes um "virar do avesso" dos textos. Ou seja, "fará sentido a apropriação de textos para testar as nossas teorias"?

Private Lives, o texto, não é, de forma alguma, um texto assim tão original. Só que é brilhante. Afinal, relações amorosas que começam e acabam e voltam a começar sempre existiram. Enganos, descuidos, trocas, suposições, crenças, dúvidas e suspensões fazem parte do acto amoroso e se não servirem para mudar, pelo menos servem para amar mais "sabiamente". Dizem. Portanto, o texto aqui pouco importa, mas antes o que se faz com ele.
E o que nos encanta em PL é a violência com que nos é apresentado. Um registo feroz e masoquista, que não deixa qualquer convicção intacta. Antes baralha o que já tínhamos por certo. E se...? E ainda assim, sabe respeitar as regras. PL é um divertimento em estado puro. Daqueles divertimentos que só quando terminam é que nos apercebemos do que estava em causa. Como os amores perdidos, provavelmente.
São perfeitamente claras as linhas traçadas na construção do espectáculo e a forma como se vão apresentar ao espectador. A introdução ao espectáculo começa não com a explicação da mecânica do jogo que se seguirá, mas com uma plateia invadida pela música estridente que sai do palco e pelos actores a olharem para os espectadores, em pose descontraída. Como se fossem espectadores. Também o serão. Alguns deles, pelo menos. O facto dos intervenientes/actores aceitarem expôr-se à chegada dos intervenientes/espectadores permite elevar a um enorme expoente a noção de improviso tão cara ao TP. Ou seja, o improviso é útil quando se sabem os limites a que se pode chegar. Caso contrário já é outro espectáculo. E o espectador veio ver PL.
PL desenvolve-se então a partir de um jogo de crença e acaso. Os actores propõem ao espectador determinar o que irão ver (7), partilhando assim a responsabilidade do sucedido. É uma forma de derrubar a 4ª parede, essa entidade castradora/protectora da relação espectáculo/espectador. No fundo, fazer depender o espectáculo de um esforço colectivo implicando todos os agentes no resultado final. Neste aparente aniquilar das relações de força que se estabelecem num objecto teatral, subsiste, contudo, o respeito pelo lugar de cada uma das partes. Esta "falsa relação aberta" com o público não implica a inexistência de definições. Estamos, portanto, longe de Título, em que os espectadores poderiam, de facto, "perverter" o espectáculo (ainda que controlados pelas regras dos criadores). E é nesta aparente cláusula irrevogável que assenta a desconfiança de alguns espectadores. Terão sido eles responsáveis pela escolha dos actores, ou no frenesim do lançamento dos dados, o TP aplicou um truque de ilusionismo? A verdade é que a dúvida permanece, mas a vontade de ser um "jogo honesto" é maior.
Procedem, portanto, a uma segunda anulação do espaço teatral como território sagrado para os "escolhidos". A primeira a ocorrer quando o espectador entra na sala de espectáculos e se depara com o ambiente de festa, o segundo, no momento da escolha. A partir daí, as escolhas/reacções ao acaso cabem aos actores. Afinal, são eles que precisam provar a sua tese.
PL insere-se numa linha de propostas a que gostaria de chamar intra-espectáculos. Ou seja, exercícios teatrais cujo efeito prático resulta primeiro para quem faz, sendo que para a aplicação desse efeito necessitam da manipulação de todos os elementos convencionais: espaço, actores, texto, público. E ainda espectáculos que constantemente apelam ao sentido de memória do espectador, convidado a identificar os sinais de contacto entre o passado e o presente (até a adivinhar o futuro). Este "baralhar e voltar a dar" produz efeitos que poderão não se sentir de forma imediata no espectáculo a que se assiste, mas certamente farão parte da estrutura dos seguintes. Nessa medida, PL pode ser considerado uma espécie de 1º parte de uma trilogia sobre a contaminação teatral, que teve o seu climax em Título e o opus final no espectáculo a apresentar em 2005, baseado na obra de Agatha Christie (8). Talvez não sejam visíveis (ou estejam assumidas) estas linhas no processo de construção de um espectáculo, mas estão na sua génese e influenciá-lo-ão.
«Qual é o valor dos valores», então? A pergunta lançada em forma de repto no início da apresentação do espectáculo, aposta na consciencialização do acaso como parte integrante do ser humano. E assim, a escolha dos actores (três homens e três mulheres) sujeita-se a um exercício de adivinhação. A acreditar (como se acredita) que o acaso tomou conta do espectáculo, a distribuição na noite em que se assistiu foi a seguinte: Actor 3 (Pedro Penim): Elliot, Actriz 1 (Sofia Ferrão): Amanda, Actor 2 (André Teodósio): Victor, Actriz 3 (Cláudia Jardim, em substituição de Paula Diogo): Sybill. Aos outros dois actores (Carlos Alves, Actor 1 e Patrícia da Silva, Actriz 2) são reservados papéis meta-teatrais.

O pressuposto é simples e nisso Noël Coward é exímio: Elliot e Amanda não podem viver um com o outro/um sem o outro, estão em segundas núpcias com Sybill e Victor ("esses pinos de bowling que só servem para serem derrubados", como definiu o autor) mas inevitavelmente cruzam-se na 1ª noite e decidem voltar a tentar a sorte. Sybill e Victor conhecem-se, apaixonam-se, confrontam os noivos e seguem o mesmo destino. Tão simples como o amor. Tão difícil como as certezas. O resto o TP não mostra.
Desta comédia tão fatal como o destino, o TP concebe um espectáculo teórico sobre a convenção teatral e os limites da sua aplicação. Afnal, a comédia é a tragédia com tempo, Woody Allen dixit. Assim, depois da apresentação das regras do jogo (que logo ali se finda), segue-se o 1º acto tout court num palco que remete ainda para Brecht e a cena vazia, com apontamentos de cenário a fazer as vezes de arquitectura teatral (e nesse aspecto, a utilização do palco aberto, sem cortinas ou pernas e uma iluminação a deixar o público completamente exposto pemite leituras óbvias sobre a dimensão do que se discute: o teatro acontece onde?) e uma representação acelerada, como se de um combate de boxe em cima de brasas se tratasse. Os pares vão alternando numa aparente improvisação, estando os actores sujeitos à avaliação dos seus colegas. Todos se expõem.
Contudo, esta abordagem ao texto de Noël Coward é aplicada através de um sistema de acção/reacção baseado na confrontação do outro através de um impasse emocional. A contra-cena não sabe em que registo será apresentada a sua deixa, o que a obriga a assimilar o acaso e fazer algo mais que improvisão. Não se trata, portanto, de reagir "na mesma moeda" (que rapidamente poderia levar o espectáculo para os limites do absurdo), mas antes construir no momento a emoção própria do espectáculo. Teatro ready-made, portanto.
Neste jogo entre a «vontade que ordena e a vontade que obedece», o TP parece obedecer a dois critérios: anula o aparente anacronismo que se poderia criar com a apresentação de um texto cheio de códigos morais, signos e referências datadas e a técnica em que é apresentado, e desenvolve ainda um artifício que aproxima PL de qualquer coisa ao nível do cinematográfico, já que se crêem mais nos acasos fílmicos que nos da vida. Este desmantelamento da cena e da convenção teatral permite-lhes investigar a fundo o que há de verdadeiro na interpretação que possa justificar a utilização deste texto.
E a justificação surge no 2º acto quando o texto é interrompido por leituras de outros textos (desde citações filosóficas ao «Manual de Civilidade para Meninas»), feitas por Patrícia da Silva. Se já durante o 1º acto algumas punchlines eram povoadas por excertos musicais escolhidos por Carlos Alves, o significado de tais acções tomam verdadeiro sentido com esta aplicação do conceito de book-crossing. A entrada das músicas e das leituras podem até funcionar como realidade paralelas. Uma espécie de exposição dos sub-conscientes das personagens. A música perfeita, a frase perfeita, a razão que não se sabe explicar mas que as fez agir de determinada forma. Ou seja, o acaso afinal pode ser a própria personagem. Por outro lado, ao sobrepor o teatro com a literatura e a música, o TP testa a finitude das artes. Afinal, quer o livro quer a música são artes mortas, que dependem totalmente do leitor/ouvinte para funcionarem. E são, sobretudo, unilaterais. O teatro (pelo menos aquele em que o TP parece acreditar) depende do que o público estiver disposto a dar.
E é neste momento que a dimensão trágica de PL toma forma. De acordo com a definição aristotélica de tragédia, a representação da violência deveria ser feita longe do olhar do espectador, de forma a provocar o pensamento e a reflexão. Levando mais longe (na verdade "cuspindo" sobre essa reflexão), o TP rebenta com a convenção teatral, destrói o texto (na verdade, recusa-o) e assume a vitória dos agentes do acaso. Ou seja, ao longo da representação (que funcionou a dois níveis: a do texto propriamente dito e a forma como foi feito) fomos sendo introduzidos a diversas formas de contaminação do acaso no quotidiano. Fosse através de livros, músicas, conceitos, gestos, frases, intenções ou ausências. A partir de agora assiste-se à materialização do culto dionísico. Nietzsche, de novo. Já não existem actores e as personagens foram abandonadas à sua sorte (como se o TP dissesse: "resolvam-se se quiserem, nós já temos o que precisamos"). Aliás, a noção de tragédia estava já subjacente ao longo do texto. Amanda afirma: «Vamos pagar bem caro no futuro». Elliot suspira: «Vamos ser superficiais». Utiliza-se aqui a metáfora bacantiana para assumir que estivemos sempre a ser manipulados por agentes do acaso. E que o delírio é um estado tão próximo da consciência que deve ser utilizado para perceber melhor o racional. Daí ter dito que PL é teatro de marionetas. Não só as personagens, mas também os actores que se deixam invadir pela presença dos outros. Da inocência característica dos cartoons e dos fantoches, alia-se a sapiência dos que são eternos. Marionetas-deuses, portanto. Mas com corpo de humanos. Porque a estes é permitido errar.
Como no amor aliás.
(1) Carlos Alves citado in Vidas Privadas, Joana Gorjão Henriques, Suplemento Y do jornal PÚBLICO, 01 Agosto 2003, p.11
(2) Idem
(3) Pedro Penim in A responsabilidade máxima do actor, entrevista a Mónica Guerreiro, Maria Helena Serôdio, João Carneiro, Sinais de Cena n.º1, Junho 2004, Associação Portuguesa de Críticos de Teatro, p. 52
(4) Friedrich Nietzsche in Nachlass
(5) In Vidas Privadas, idem
(6) Herbert Blau, Theatrer: A Manifesto, New York, 1964
(7) Na altura da estreia, o jogo começava na compra do bilhete, podendo o espectador lançar os dados e pagar entre 2 a 12 €.
(8) Este espectáculo incluirá um actor escolhido por audições que decorreram dentro do espectáculo Título.
Outros espectáculos do Teatro Praga analisados neste blog:
Título (1ª parte, 2ª parte)
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa MostraTE (XI)- NOIVAS DA PÉRSIA
Noivas da Pérsia
Teatro Baubo
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
19h00
Noivas da Pérsia
Teatro Baubo
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
19h00
Histórias de mulheres narradas e dançadas
Noivas da Pérsia, é um espectáculo que narra a história das mulheres da família Ratoryan, que vivem numa aldeia persa no início do séc XX. As personagens centrais da trama são Nazie, de 11 anos, e Flora, de 15. Nazie está desde o nascimento prometida ao seu primo Moussa, e aguarda ansiosamente o dia do casamento. Mas por lei, só se poderá casar quando tiver a primeira menstruação.
Flora já está casada, grávida, e aparentemente abandonada.
Conseguirão estas duas noivas persas o objectivo da vida de uma mulher de então; ser feliz no casamento e ter muitos filhos? E se o conseguirem, será que "numa terra em que o orgulho é o pior pecado" , esse objectivo era de facto o que procuravam...?
Este é um espectáculo que em estilo narrativo e dançado, revela o universo feminino das mulheres da Pérsia (o actual Irão) no início do séc XX.. A virgindade, os noivos, a beleza, a gravidez, a morte, a honra, a vergonha e a eterna e subtil luta de poderes entre o feminino e o masculino, são os temas centrais.
O espectáculo vai ter com o público. Os actores trazem histórias, chá de menta, fruta e tâmaras, que partilham com o público como se este fosse o convidado de honra numa reunião de mulheres persas do século passado. O espectáculo tem inicialmente um clima leve de convívio, e o cenário evoca o universo das mil e uma noites. Mas é tudo ilusão. Quando o público se deixa seduzir e relaxa, bebericando o seu chá doce, a beleza e convivialidade começam a dar lugar a algo escuro, poderoso e sinistro, que está por detrás dos véus coloridos.
Nesta encenação, optou-se por aliar o Teatro à Dança Oriental, uma forma de dança ancestral, com origem em rituais sagrados de fertilidade, para melhor exprimir a feminilidade do tema. Trabalhámos no sentido da teatralidade ser o suporte da dança, ser o seu ponto de partida, acrescentando-se algo mais ao mero movimento. As coreografias integram também acessórios como velas, e saggats (castanholas metálicas), mas essencialmente os véus. Estes longos panos negros ou coloridos (de acordo com o estado de espírito das personagens), representam o cerne de cada uma das mulheres, e transformam-se. Véus que são ora um adereço de dança, ora um vestido, uma burca, um bébé embrulhado, ou a mercadoria de um vendedor ambulante...
Encenação e adaptação - Sara do Vale Interpretação- Carlos Pereira, Joana de Carvalho, Leonor Cabral, Lucília Raimundo, Maria Ceia, Sara do Vale, Sónia Neves Apoio Coreográfico- Prisca Diedrich Desenho de Luz- Ricardo Gageiro Fotografia- Patricia Andrade Figurinos- Isabel Teixeira
Noivas da Pérsia, é um espectáculo que narra a história das mulheres da família Ratoryan, que vivem numa aldeia persa no início do séc XX. As personagens centrais da trama são Nazie, de 11 anos, e Flora, de 15. Nazie está desde o nascimento prometida ao seu primo Moussa, e aguarda ansiosamente o dia do casamento. Mas por lei, só se poderá casar quando tiver a primeira menstruação.
Flora já está casada, grávida, e aparentemente abandonada.
Conseguirão estas duas noivas persas o objectivo da vida de uma mulher de então; ser feliz no casamento e ter muitos filhos? E se o conseguirem, será que "numa terra em que o orgulho é o pior pecado" , esse objectivo era de facto o que procuravam...?
Este é um espectáculo que em estilo narrativo e dançado, revela o universo feminino das mulheres da Pérsia (o actual Irão) no início do séc XX.. A virgindade, os noivos, a beleza, a gravidez, a morte, a honra, a vergonha e a eterna e subtil luta de poderes entre o feminino e o masculino, são os temas centrais.
O espectáculo vai ter com o público. Os actores trazem histórias, chá de menta, fruta e tâmaras, que partilham com o público como se este fosse o convidado de honra numa reunião de mulheres persas do século passado. O espectáculo tem inicialmente um clima leve de convívio, e o cenário evoca o universo das mil e uma noites. Mas é tudo ilusão. Quando o público se deixa seduzir e relaxa, bebericando o seu chá doce, a beleza e convivialidade começam a dar lugar a algo escuro, poderoso e sinistro, que está por detrás dos véus coloridos.
Nesta encenação, optou-se por aliar o Teatro à Dança Oriental, uma forma de dança ancestral, com origem em rituais sagrados de fertilidade, para melhor exprimir a feminilidade do tema. Trabalhámos no sentido da teatralidade ser o suporte da dança, ser o seu ponto de partida, acrescentando-se algo mais ao mero movimento. As coreografias integram também acessórios como velas, e saggats (castanholas metálicas), mas essencialmente os véus. Estes longos panos negros ou coloridos (de acordo com o estado de espírito das personagens), representam o cerne de cada uma das mulheres, e transformam-se. Véus que são ora um adereço de dança, ora um vestido, uma burca, um bébé embrulhado, ou a mercadoria de um vendedor ambulante...
Encenação e adaptação - Sara do Vale Interpretação- Carlos Pereira, Joana de Carvalho, Leonor Cabral, Lucília Raimundo, Maria Ceia, Sara do Vale, Sónia Neves Apoio Coreográfico- Prisca Diedrich Desenho de Luz- Ricardo Gageiro Fotografia- Patricia Andrade Figurinos- Isabel Teixeira
sábado, novembro 27, 2004
Poética do quotidiano (LXII)
A distinção vai hoje para o boss, do Renas e Veados. Não chega para compensar, mas é de boa vontade. Deixa lá, boss, 9 milhões é muito dinheiro. De certeza que ele vai gastar tudo em guloseimas.
A vida é tão injusta...
Tenho um vizinho que nada em dinheiro, e eu nem uma reles piscina de água tenho!
A distinção vai hoje para o boss, do Renas e Veados. Não chega para compensar, mas é de boa vontade. Deixa lá, boss, 9 milhões é muito dinheiro. De certeza que ele vai gastar tudo em guloseimas.
A vida é tão injusta...
Tenho um vizinho que nada em dinheiro, e eu nem uma reles piscina de água tenho!
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa MostraTE - VIOLETA, PUTA DE GUERRA
Violeta, puta de guerra
Teatro Focus e Teatro TapaFuros
6ª Mostra de teatro jovem de Lisboa
Teatro Taborda
27 de Novembro
22h

"Acabada a guerra, as tropas coloniais fazem as malas para voltar para casa. É a última noite de um contingente no território. Dentro das "flats", os soldados comemoram a partida, dançam ou cantam em pequenas festas, um toca harmónica, antevêem a chegada a casa, a namorada, a mulher, os filhos. Violeta, essa, depois de acarinhar dezenas na sua alcova, recorda a vida que levou e está a acabar. Bate de porta em porta pedindo que a levem. Diz que não tem dinheiro. Chama pelos nomes dos antigos "namorados". Mas eles não ouvem - ou não querem ouvir. Têm a música alto ou estão bêbedos, ou tapam os ouvidos. Ela chora, implora, rasga as roupas, oferece-se de graça porta a porta. Mas eles, nada. Divertem-se, riem alto. Numa das "flats", um soldado aumenta o volume do rádio. No fim, ouvem-se botas e hinos revolucionários. Vêm buscá-la para um campo de reeducação. Não pode haver tolerância com quem amou ou fingiu amar os colonialistas. Como Violeta."
Fernando Sousa

texto fernando sousa encenação mário trigo interpretação joana fartaria, júlio martin e mário trigo movimento stephan jurghens vídeo fernando galrito espaço cénico imaginário colectivo figurinos joão paulo assunção desenho de luz mário trigo sonoplastia sobre motivos de joão lucas fotografia jimmy co-produção teatro focus e teatro tapafuros
O Melhor Anjo também colocou à produção do espectáculo «Violeta, puta de guerra», as perguntas que têm vindo a ser apresentadas juntamente com as sinopses dos espectáculos:
Porque decidiram apresentar a proposta de apresentação do espectáculo à MostraTE? Contributo para uma montra do novo teatro feito na capital ou bolsa de ar para a produção de projectos?
Como contextualizam/posicionam o vosso espectáculo no panorama teatral português? Foi essa uma preocupação quando o produziram?
Que relação se estabelece com o público numa apresentação isolada?
A resposta que recebeu foi a seguinte:
Caro Tiago Bartolomeu Costa:
Não reconheço num blog - nem a tua pessoa me parece investida de qualquer vínculo oficial à 6ª mostra de teatro jovem de Lisboa - a confiança suficiente para tornar públicas as nossas posições culturais no tecido teatral português.
Além do mais achamos um gesto deveras comprometedor lançar para o espaço público quaisquer registos de uma obra teatral assim com tamanha leveza, espondo actores e restantes criadores no que têm de mais pessoal artisticamente, isto é as suas criações.
Sem mais
pelo Teatro Focus Associação:
Mário Trigo
Violeta, puta de guerra
Teatro Focus e Teatro TapaFuros
6ª Mostra de teatro jovem de Lisboa
Teatro Taborda
27 de Novembro
22h

"Acabada a guerra, as tropas coloniais fazem as malas para voltar para casa. É a última noite de um contingente no território. Dentro das "flats", os soldados comemoram a partida, dançam ou cantam em pequenas festas, um toca harmónica, antevêem a chegada a casa, a namorada, a mulher, os filhos. Violeta, essa, depois de acarinhar dezenas na sua alcova, recorda a vida que levou e está a acabar. Bate de porta em porta pedindo que a levem. Diz que não tem dinheiro. Chama pelos nomes dos antigos "namorados". Mas eles não ouvem - ou não querem ouvir. Têm a música alto ou estão bêbedos, ou tapam os ouvidos. Ela chora, implora, rasga as roupas, oferece-se de graça porta a porta. Mas eles, nada. Divertem-se, riem alto. Numa das "flats", um soldado aumenta o volume do rádio. No fim, ouvem-se botas e hinos revolucionários. Vêm buscá-la para um campo de reeducação. Não pode haver tolerância com quem amou ou fingiu amar os colonialistas. Como Violeta."
Fernando Sousa

texto fernando sousa encenação mário trigo interpretação joana fartaria, júlio martin e mário trigo movimento stephan jurghens vídeo fernando galrito espaço cénico imaginário colectivo figurinos joão paulo assunção desenho de luz mário trigo sonoplastia sobre motivos de joão lucas fotografia jimmy co-produção teatro focus e teatro tapafuros
O Melhor Anjo também colocou à produção do espectáculo «Violeta, puta de guerra», as perguntas que têm vindo a ser apresentadas juntamente com as sinopses dos espectáculos:
Porque decidiram apresentar a proposta de apresentação do espectáculo à MostraTE? Contributo para uma montra do novo teatro feito na capital ou bolsa de ar para a produção de projectos?
Como contextualizam/posicionam o vosso espectáculo no panorama teatral português? Foi essa uma preocupação quando o produziram?
Que relação se estabelece com o público numa apresentação isolada?
A resposta que recebeu foi a seguinte:
Caro Tiago Bartolomeu Costa:
Não reconheço num blog - nem a tua pessoa me parece investida de qualquer vínculo oficial à 6ª mostra de teatro jovem de Lisboa - a confiança suficiente para tornar públicas as nossas posições culturais no tecido teatral português.
Além do mais achamos um gesto deveras comprometedor lançar para o espaço público quaisquer registos de uma obra teatral assim com tamanha leveza, espondo actores e restantes criadores no que têm de mais pessoal artisticamente, isto é as suas criações.
Sem mais
pelo Teatro Focus Associação:
Mário Trigo
Amanhã
Dear Tiago,
Here is your single's love horoscope
for Sunday, November 28:
You can't help what you're feeling, but you need to find an appropriate way to express them. Your way with words might not be at its best now, but if you can show your emotions in some other way you'll do just fine.
in http://www.astrology.com/
Dear Tiago,
Here is your single's love horoscope
for Sunday, November 28:
You can't help what you're feeling, but you need to find an appropriate way to express them. Your way with words might not be at its best now, but if you can show your emotions in some other way you'll do just fine.
in http://www.astrology.com/
sexta-feira, novembro 26, 2004
Poética do quotidiano (LXI)
Hoje o prémio vai para Possidónio Cachapa, que escreve o Prazer Inculto. As melhoras.
VENDE-SE
Gripe em bom estado. Quase nova. Alto desempenho (1 pacote de lenços-hora) e com espírito de permanência.
Motivo: falta de tempo do proprietário para a entreter.
Hoje o prémio vai para Possidónio Cachapa, que escreve o Prazer Inculto. As melhoras.
VENDE-SE
Gripe em bom estado. Quase nova. Alto desempenho (1 pacote de lenços-hora) e com espírito de permanência.
Motivo: falta de tempo do proprietário para a entreter.
A lei dos amantes (45)
... e a mamã disse à menina: não tomes o caminho da floresta, porque vais encontrar o lobo mau. Segue a estrada. Mas a menina nunca foi de grandes espertezas e cansada de seguranças estava ela. Invariavelmente, fodeu-se.
ou
O que não nos mata, torna-nos mais fortes. So they say...
... e a mamã disse à menina: não tomes o caminho da floresta, porque vais encontrar o lobo mau. Segue a estrada. Mas a menina nunca foi de grandes espertezas e cansada de seguranças estava ela. Invariavelmente, fodeu-se.
ou
O que não nos mata, torna-nos mais fortes. So they say...
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa MostraTE (IX) - ANTES DOS LAGARTOS
Antes dos Lagartos
Karnart
Teatro Taborda
26 Novembro
22h00

Antes dos Lagartos
Karnart
Teatro Taborda
26 Novembro
22h00

"Antes dos Lagartos". É uma tragédia cómica centrada em dois personagens absurdos cujo elemento aglutinador é o seu desejo de libertação. A relação poder/dependência e a claustrofobia ,assim como a sua crença em dois deuses-lagarto, é o que nos conduz através dos dois actos da peça a um universo muito especial de absurdo e fantasia.
Evadem-se nos seus ensaios e angústias, nas aparições esporádicas dos seus deuses, em telefonemas estranhos, cubos de gelo para a asma, no medo de pequenas crianças, e na relação claustrofóbica entre ambos.
Evadem-se nos seus ensaios e angústias, nas aparições esporádicas dos seus deuses, em telefonemas estranhos, cubos de gelo para a asma, no medo de pequenas crianças, e na relação claustrofóbica entre ambos.
Direcção Artística Ricardo Cruz Autoria Pedro Eiras Produção Executiva e Assessoria de Imprensa Susana Correia Interpretação Nuno Góis e Pedro David Figurinos Fernanda Ramos Criação de Luzes Elias Macovela Sonoplastia Raz Guzz Grafismo Vel Z Fotografia Maria Campos Operação Técnica Ugo Froes Contabilidade CONTAUDOC, Lda.
quinta-feira, novembro 25, 2004
huummmmm....
Autarquia pondera acção contra Estado por interrupção
Apesar do Tribunal Administrativo ter autorizado o prosseguimento das obras, continua o braço-de-ferro em torno do túnel do Marquês de Pombal. Agora, a Câmara de Lisboa pondera agir contra o Estado Português devido à suspensão das obras.
isto a mim soa-me a forma estranha de pagar o prejuízo. Então isto agora vai ser Santana versus Santana?
Autarquia pondera acção contra Estado por interrupção
Apesar do Tribunal Administrativo ter autorizado o prosseguimento das obras, continua o braço-de-ferro em torno do túnel do Marquês de Pombal. Agora, a Câmara de Lisboa pondera agir contra o Estado Português devido à suspensão das obras.
isto a mim soa-me a forma estranha de pagar o prejuízo. Então isto agora vai ser Santana versus Santana?
Poética do quotidiano (LX)
O Nuno alimenta um blog (o Resistente Existencial) cheio de coisa boas e interessantes visões do quotidiano. às vezes fala de si. Quando o faz, recebe prémios.
(1002) Primeiras dores laborais
Por alguma razão estranha, o despertador do telemóvel não tocou e acordei cerca de 20 minutos depois da hora em que devia ter dado entrado no trabalho. Como sempre acontece nestas situações, conjugaram-se imediatamente vários azares em simultâneo: reparei que tinha um encontro importante que exigia barba feita (que obviamente não estava...), não conseguia encontrar a chave do carro, que acabou por ser desnecessária visto que havia alguém em segunda fila a tapar-me a saída. O atraso não foi um problema, mas em jejum e quase acabado de sair da cama, passei toda a manhã num estado de letargia mental impressionante, que só passou quando pude tomar um café. Enfim, aposto que também já vos aconteceu.
O Nuno alimenta um blog (o Resistente Existencial) cheio de coisa boas e interessantes visões do quotidiano. às vezes fala de si. Quando o faz, recebe prémios.
(1002) Primeiras dores laborais
Por alguma razão estranha, o despertador do telemóvel não tocou e acordei cerca de 20 minutos depois da hora em que devia ter dado entrado no trabalho. Como sempre acontece nestas situações, conjugaram-se imediatamente vários azares em simultâneo: reparei que tinha um encontro importante que exigia barba feita (que obviamente não estava...), não conseguia encontrar a chave do carro, que acabou por ser desnecessária visto que havia alguém em segunda fila a tapar-me a saída. O atraso não foi um problema, mas em jejum e quase acabado de sair da cama, passei toda a manhã num estado de letargia mental impressionante, que só passou quando pude tomar um café. Enfim, aposto que também já vos aconteceu.
Once and again
O Ministério da Cultura volta a querer construir a casa pelo telhado. Desta vez, decidiu começar a telefonar aos criadores e companhias de teatro e dança para que propusessem espectáculos aos programadores de Faro 2005. Sem espaço definitivo, orçamento definido, datas previstas ou programação concretizada, o Ministério pretende assim salvar um barco roto por todos os lados, pedindo ajuda ao "saco de veneno".
É claro que o "saco de veneno" não percebe que tem aqui uma valente prova de força em relação ao MC. Se a comunidade fosse organizada, dizia que se recusava a participar num evento ainda por caracterizar. Sobretudo porque ainda são muitos os que ficaram escaldados com Coimbra 2003.
A verdade é que o MC também não sabe muito bem como lidar com a situação. Caso contrário, teria informado o Instituto das Artes e evitado o estrangulamento das linhas telfónicas com pedidos de informação.
Cada país tem a cultura que merece. Portugal ou não é país ou não tem direito.
O Ministério da Cultura volta a querer construir a casa pelo telhado. Desta vez, decidiu começar a telefonar aos criadores e companhias de teatro e dança para que propusessem espectáculos aos programadores de Faro 2005. Sem espaço definitivo, orçamento definido, datas previstas ou programação concretizada, o Ministério pretende assim salvar um barco roto por todos os lados, pedindo ajuda ao "saco de veneno".
É claro que o "saco de veneno" não percebe que tem aqui uma valente prova de força em relação ao MC. Se a comunidade fosse organizada, dizia que se recusava a participar num evento ainda por caracterizar. Sobretudo porque ainda são muitos os que ficaram escaldados com Coimbra 2003.
A verdade é que o MC também não sabe muito bem como lidar com a situação. Caso contrário, teria informado o Instituto das Artes e evitado o estrangulamento das linhas telfónicas com pedidos de informação.
Cada país tem a cultura que merece. Portugal ou não é país ou não tem direito.
6ª Mostra de teatro jovem de Lisboa MostraTE (VIII) - OPHELIA
Ophelia
A menina dos meus olhos
um espectáculo de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa
6ª Mostra de teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
25 Novembro
22h00


Uma espécie de diário de bordo, caderno de notas, relatório de progressos de uma aturada investigação à volta da personagem Ofélia, criada por William Shakespeare. Centra-se no carácter mítico da personagem, lembrando os produtos televisivos de cariz cultural-comercial da década de 80 e que esventraram as mitologias contidas nas vidas de uma Marilyn Monroe ou de uma Eva Perón.
A figura que empreende tal trabalho de pesquisa é a bem portuguesa Ophélia Queiroz, amada de Fernando Pessoa, que vê na Ofélia shakespeariana o reflexo das suas próprias vicissitudes.
Ophelia instala-se, assim, numa intersecção qualquer de realidade e de ficção, onde se misturam exegeses literárias à volta da internacionalização artística do mito ofélico com apropriações inverosímeis e absurdas de textos que jamais foram escritos, cartas deturpadas, melodias descontextualizadas historicamente, etc.
Em última instância, haverá lugar ainda para uma "terceira" Ofélia, enlouquecida meta-linguisticamente pelo próprio espectáculo. Mas dessa preferimos não desvendar muito mais.

encenação ROGÉRIO NUNO COSTA interpretação MARINA NABAIS vídeo ANTÓNIO M. CABRITA paisagem sonora & música original NANÚ luz JOSÉ ÁLVARO espaço e adereços F. RIBEIRO figurinos, cabelos & maquilhagem MARISA LOURENÇO fotografia LUÍSA CASELLA design PATRÍCIA ROCHA produção A MENINA DOS MEUS OLHOS AC

O Melhor Anjo (OMA): Porque decidiram apresentar a proposta de apresentação do espectáculo à MostraTE? Contributo para uma montra do novo teatro feito na capital ou bolsa de ar para a produção de projectos?
Rogério Nuno Costa/Marina Nabais (RNC/MN): Antes de mais, gostaríamos de dizer que é sempre muito difícil responder a uma pergunta que já dá as respostas (ainda que sob a forma de outras perguntas...). Assim sendo, pouco mais podemos dizer para além do 'sim', como resposta às duas perguntas (leia-se: hipóteses de resposta), que nos foram feitas. Respondemos sim ao contributo para uma montra do novo teatro feito na capital, mais pelo efeito da visibilidade que a dita montra proporciona, do que propriamente pela inserção num contexto artístico (que neste caso é subjectivado por uma série de escolhas da qual não fizemos parte); e respondemos sim à "bolsa de ar" para a produção de projectos, ainda que o formato reposição seja sempre muito mais viável (em vários e diversos aspectos, financeiros e outros) que o formato estreia. No nosso caso específico, fazia sentido repor a 'Ophelia'; pura e simplesmente, porque nos apetecia revisitar um espaço performativo criado há dois anos, para ver o que poderia acontecer. É nisso que estamos a trabalhar.
OMA: Como contextualizam/posicionam o vosso espectáculo no panorama teatral português? Foi essa uma preocupação quando o produziram?
RNC/MN: Na altura em que produzimos, criámos e pusemos a 'Ophelia' em cena, não tínhamos absolutamente nenhuma preocupação de posicionamento contextual em relação àquilo que poderíamos estar a propor. Trata-se do primeiro de vários espectáculos que fizemos juntos, com uma abordagem muito pessoal de urgência e de comunicação. Foi produzido sem um único centavo das instituições competentes e teve uma aparição muito discreta e fugaz. Passados estes dois anos, somos obviamente capazes de enquadrar o espectáculo, não só no nosso percurso, mas também no contexto artístico do qual fazemos parte e com o qual temos tentado "dialogar". Mas trata-se de um exercício que, muito sinceramente, não nos interessa, até porque a própria palavra "enquadramento" nos causa uma certa comichão no céu da boca, quando aquilo que temos tentado a cada espectáculo se prende, justamente, com uma ânsia de "desenquadramento", seja lá isso o que for. Em última análise, a pergunta refere-se ao tempo da produção e não ao actual. E dois anos, assim como assim, é muito tempo.
OMA: Que relação se estabelece com o público numa apresentação isolada?
RNC/MN: Numa apresentação isolada, deve acontecer muitas e variadas coisas, quer ao público, quer ao próprio espectáculo, quer ainda à organização do evento que sustenta essa apresentação isolada. Agora, porque é isolada, e porque é montada, apresentada e arrumada à velocidade da luz, não há objectivamente tempo (físico e mental) para se perceber realmente o que é que (nos) aconteceu. Já participámos nalgumas Mostras, e o sentimento final é sempre o mesmo: um cansaço brutal e a sensação de que se ficou sem perceber o que realmente foi comunicado para o público. Mas estamos provavelmente a dissecar a principal característica de uma Mostra de projectos - a efemeridade - com a qual temos obrigatoriamente de saber lidar, senão mesmo "integrar" na forma como apresentamos o nosso trabalho. E isso pode até ser muito mais interessante do que utilizar a Mostra como uma injecção 'fácil' de dinheiro.
Ophelia
A menina dos meus olhos
um espectáculo de Marina Nabais e Rogério Nuno Costa
6ª Mostra de teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
25 Novembro
22h00


Uma espécie de diário de bordo, caderno de notas, relatório de progressos de uma aturada investigação à volta da personagem Ofélia, criada por William Shakespeare. Centra-se no carácter mítico da personagem, lembrando os produtos televisivos de cariz cultural-comercial da década de 80 e que esventraram as mitologias contidas nas vidas de uma Marilyn Monroe ou de uma Eva Perón.
A figura que empreende tal trabalho de pesquisa é a bem portuguesa Ophélia Queiroz, amada de Fernando Pessoa, que vê na Ofélia shakespeariana o reflexo das suas próprias vicissitudes.
Ophelia instala-se, assim, numa intersecção qualquer de realidade e de ficção, onde se misturam exegeses literárias à volta da internacionalização artística do mito ofélico com apropriações inverosímeis e absurdas de textos que jamais foram escritos, cartas deturpadas, melodias descontextualizadas historicamente, etc.
Em última instância, haverá lugar ainda para uma "terceira" Ofélia, enlouquecida meta-linguisticamente pelo próprio espectáculo. Mas dessa preferimos não desvendar muito mais.

encenação ROGÉRIO NUNO COSTA interpretação MARINA NABAIS vídeo ANTÓNIO M. CABRITA paisagem sonora & música original NANÚ luz JOSÉ ÁLVARO espaço e adereços F. RIBEIRO figurinos, cabelos & maquilhagem MARISA LOURENÇO fotografia LUÍSA CASELLA design PATRÍCIA ROCHA produção A MENINA DOS MEUS OLHOS AC

O Melhor Anjo (OMA): Porque decidiram apresentar a proposta de apresentação do espectáculo à MostraTE? Contributo para uma montra do novo teatro feito na capital ou bolsa de ar para a produção de projectos?
Rogério Nuno Costa/Marina Nabais (RNC/MN): Antes de mais, gostaríamos de dizer que é sempre muito difícil responder a uma pergunta que já dá as respostas (ainda que sob a forma de outras perguntas...). Assim sendo, pouco mais podemos dizer para além do 'sim', como resposta às duas perguntas (leia-se: hipóteses de resposta), que nos foram feitas. Respondemos sim ao contributo para uma montra do novo teatro feito na capital, mais pelo efeito da visibilidade que a dita montra proporciona, do que propriamente pela inserção num contexto artístico (que neste caso é subjectivado por uma série de escolhas da qual não fizemos parte); e respondemos sim à "bolsa de ar" para a produção de projectos, ainda que o formato reposição seja sempre muito mais viável (em vários e diversos aspectos, financeiros e outros) que o formato estreia. No nosso caso específico, fazia sentido repor a 'Ophelia'; pura e simplesmente, porque nos apetecia revisitar um espaço performativo criado há dois anos, para ver o que poderia acontecer. É nisso que estamos a trabalhar.
OMA: Como contextualizam/posicionam o vosso espectáculo no panorama teatral português? Foi essa uma preocupação quando o produziram?
RNC/MN: Na altura em que produzimos, criámos e pusemos a 'Ophelia' em cena, não tínhamos absolutamente nenhuma preocupação de posicionamento contextual em relação àquilo que poderíamos estar a propor. Trata-se do primeiro de vários espectáculos que fizemos juntos, com uma abordagem muito pessoal de urgência e de comunicação. Foi produzido sem um único centavo das instituições competentes e teve uma aparição muito discreta e fugaz. Passados estes dois anos, somos obviamente capazes de enquadrar o espectáculo, não só no nosso percurso, mas também no contexto artístico do qual fazemos parte e com o qual temos tentado "dialogar". Mas trata-se de um exercício que, muito sinceramente, não nos interessa, até porque a própria palavra "enquadramento" nos causa uma certa comichão no céu da boca, quando aquilo que temos tentado a cada espectáculo se prende, justamente, com uma ânsia de "desenquadramento", seja lá isso o que for. Em última análise, a pergunta refere-se ao tempo da produção e não ao actual. E dois anos, assim como assim, é muito tempo.
OMA: Que relação se estabelece com o público numa apresentação isolada?
RNC/MN: Numa apresentação isolada, deve acontecer muitas e variadas coisas, quer ao público, quer ao próprio espectáculo, quer ainda à organização do evento que sustenta essa apresentação isolada. Agora, porque é isolada, e porque é montada, apresentada e arrumada à velocidade da luz, não há objectivamente tempo (físico e mental) para se perceber realmente o que é que (nos) aconteceu. Já participámos nalgumas Mostras, e o sentimento final é sempre o mesmo: um cansaço brutal e a sensação de que se ficou sem perceber o que realmente foi comunicado para o público. Mas estamos provavelmente a dissecar a principal característica de uma Mostra de projectos - a efemeridade - com a qual temos obrigatoriamente de saber lidar, senão mesmo "integrar" na forma como apresentamos o nosso trabalho. E isso pode até ser muito mais interessante do que utilizar a Mostra como uma injecção 'fácil' de dinheiro.
quarta-feira, novembro 24, 2004
Small Male Stories (votação)
O Chá de Limão já anunciou os finalistas da 1ª fase do concurso que organizou durante o último mês e que se foi anunciando aqui no Melhor Anjo. O prémio do 1º concurso de contos gay da blogaysfera será a sua divulgação em vários blogs. A escolha do vencedor pode ser feita aqui.
Eis a lista dos escolhidos:
SMS#02 - E Deus criou a Mulher…(Alex)
sms#3 - Abril em NY (Pedro Torcato)
sms#5 - Uma história simples (O outro)
sms#13 - Lindas meninas (Douro Boy)
sms#15 - Casamento GAY, em Portugal (Je Bois)
sms#26 - O Vício (Sérgio)
A votação decorre até dia 05 de Dezembro.
O Chá de Limão já anunciou os finalistas da 1ª fase do concurso que organizou durante o último mês e que se foi anunciando aqui no Melhor Anjo. O prémio do 1º concurso de contos gay da blogaysfera será a sua divulgação em vários blogs. A escolha do vencedor pode ser feita aqui.
Eis a lista dos escolhidos:
SMS#02 - E Deus criou a Mulher…(Alex)
sms#3 - Abril em NY (Pedro Torcato)
sms#5 - Uma história simples (O outro)
sms#13 - Lindas meninas (Douro Boy)
sms#15 - Casamento GAY, em Portugal (Je Bois)
sms#26 - O Vício (Sérgio)
A votação decorre até dia 05 de Dezembro.
A lei dos amantes (44)
Siempre que te pregunto
Que, cuándo, cómo y dónde
Tú siempre me respondes
Quizás, quizás, quizás
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Siempre que te pregunto
Que, cuándo, cómo y dónde
Tú siempre me respondes
Quizás, quizás, quizás
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
6ª Mostra de Teatro Jovem MostraTE (VII)
Na sequência das perguntas feitas à Câmara Municipal de Lisboa - Pelouro da Juventude, responsável pela iniciativa, apresentamos hoje as perguntas feitas ao Teatro Taborda/EGEAC, responsáveis pela gestão criativa da MostraTE. Responde Mónica Almeida, gestora do Teatro Taborda:
O MELHOR ANJO (OMA): Que papel espera cumprir o Teatro Taborda com a organização da MostraTE?
TEATRO TABORDA (TT): O Teatro Taborda, sob a gestão da EGEAC e em parceria com o Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa, pretende com a organização da mostra TE promover e divulgar os projectos de jovens Companhias e Criadores, criando a oportunidade de se apresentarem publicamente, e assegurando a inerente campanha de comunicação.
OMA: Que noção tem o Teatro Taborda das razões que levam as companhias a apresentarem propostas?
TT: Pelo retorno que nos chega por parte das companhias, compreendemos que é precisamente a importância da apresentação dos projectos e da promoção do seu trabalho que as impele a apresentar propostas.
OMA: A MostraTE é representativa de que realidade?
TT: A mostra TE pretende ser representativa da criação teatral realizada por jovens companhias e autores, cujos projectos se desenvolvem da área do concelho de Lisboa e considerando a regularidade e consistência dos criadores e das estruturas de produção
Na sequência das perguntas feitas à Câmara Municipal de Lisboa - Pelouro da Juventude, responsável pela iniciativa, apresentamos hoje as perguntas feitas ao Teatro Taborda/EGEAC, responsáveis pela gestão criativa da MostraTE. Responde Mónica Almeida, gestora do Teatro Taborda:
O MELHOR ANJO (OMA): Que papel espera cumprir o Teatro Taborda com a organização da MostraTE?
TEATRO TABORDA (TT): O Teatro Taborda, sob a gestão da EGEAC e em parceria com o Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa, pretende com a organização da mostra TE promover e divulgar os projectos de jovens Companhias e Criadores, criando a oportunidade de se apresentarem publicamente, e assegurando a inerente campanha de comunicação.
OMA: Que noção tem o Teatro Taborda das razões que levam as companhias a apresentarem propostas?
TT: Pelo retorno que nos chega por parte das companhias, compreendemos que é precisamente a importância da apresentação dos projectos e da promoção do seu trabalho que as impele a apresentar propostas.
OMA: A MostraTE é representativa de que realidade?
TT: A mostra TE pretende ser representativa da criação teatral realizada por jovens companhias e autores, cujos projectos se desenvolvem da área do concelho de Lisboa e considerando a regularidade e consistência dos criadores e das estruturas de produção
6ª Mostra de Teatro Jovem MostraTE (VI) - PRIVATE LIVES
PRIVATE LIVES
Teatro Taborda
24 Novembro
22h00

A distribuição dos 4 papéis pelos 6 actores é uma Roleta-Russa oferecida, de bandeja, ao público.
Serão a Serendipidade, o Book-Crossing, o Random Order, O Nietzsche (!) e o Amor (!!?) farinha do mesmo saco?
De Noël Coward ainda não sabemos se gostamos. Nunca percebemos em que parte da zona cinzenta e infinita que vai do dandy intelectual ao queer fútil é que ele se situa. É neste território movediço, neste pântano, que se vai operar a construção da peça e do espectáculo. E é aqui que o universo cool e eficaz de Noël Coward sofre um duro golpe do destino: a encenação (público e actores) deste espectáculo nunca será mais do que um produto da casuística e da assunção dos resultados. E que ninguém se desobrigue das consequências.

O Teatro Praga é um colectivo que funciona mediante as propostas e os desenvolvimentos pessoais dos membros do grupo, mas sempre com uma perspectiva do percurso e das ansiedades do todo, como uma estrutura permanente que abriga e desenvolve projectos.
Pretendemos reflectir sobre um teatro livre de preconceitos formais e estéticos. Pretendemos que o acto de criação seja feito de falhas e de arranques sucessivos, de entidades nebulosas e de pulsões vitais. Queremos um espaço em branco feito de oportunidades e de encontros furtivos que tragam à luz momentos de discussão e confronto. Queremos recusar efeitos eminentemente fictícios e recusamos a ideia de um teatro feito de regras basilares e de dogmas cristalizados. O espaço que criámos e continuamos a desenvolver faz-se da valorização do actor como agente primeiro da criação, mas não se auto-compadece com um espaço meramente reflexivo, aposta fortemente na execução e na fisicalidade (humana e material).

Projecto Vencedor do Prémio "Teatro na Década 2003" e Prémio Melhor Actriz (Paula Diogo) do Clube Português de Artes e Ideias
Uma co-criação de André E. Teodósio, Carlos Alves, Paula Diogo, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Sofia Ferrão. tradução: carlos falcão | produção executiva e promoção: pedro pires | styling: sofia aparício | design gráfico: paulo veiga | fotografias: luis piorro | colaboração: cão solteiro
PRIVATE LIVES
Teatro Taborda
24 Novembro
22h00

A distribuição dos 4 papéis pelos 6 actores é uma Roleta-Russa oferecida, de bandeja, ao público.
Serão a Serendipidade, o Book-Crossing, o Random Order, O Nietzsche (!) e o Amor (!!?) farinha do mesmo saco?
De Noël Coward ainda não sabemos se gostamos. Nunca percebemos em que parte da zona cinzenta e infinita que vai do dandy intelectual ao queer fútil é que ele se situa. É neste território movediço, neste pântano, que se vai operar a construção da peça e do espectáculo. E é aqui que o universo cool e eficaz de Noël Coward sofre um duro golpe do destino: a encenação (público e actores) deste espectáculo nunca será mais do que um produto da casuística e da assunção dos resultados. E que ninguém se desobrigue das consequências.

O Teatro Praga é um colectivo que funciona mediante as propostas e os desenvolvimentos pessoais dos membros do grupo, mas sempre com uma perspectiva do percurso e das ansiedades do todo, como uma estrutura permanente que abriga e desenvolve projectos.
Pretendemos reflectir sobre um teatro livre de preconceitos formais e estéticos. Pretendemos que o acto de criação seja feito de falhas e de arranques sucessivos, de entidades nebulosas e de pulsões vitais. Queremos um espaço em branco feito de oportunidades e de encontros furtivos que tragam à luz momentos de discussão e confronto. Queremos recusar efeitos eminentemente fictícios e recusamos a ideia de um teatro feito de regras basilares e de dogmas cristalizados. O espaço que criámos e continuamos a desenvolver faz-se da valorização do actor como agente primeiro da criação, mas não se auto-compadece com um espaço meramente reflexivo, aposta fortemente na execução e na fisicalidade (humana e material).

Projecto Vencedor do Prémio "Teatro na Década 2003" e Prémio Melhor Actriz (Paula Diogo) do Clube Português de Artes e Ideias
Uma co-criação de André E. Teodósio, Carlos Alves, Paula Diogo, Patrícia da Silva, Pedro Penim e Sofia Ferrão. tradução: carlos falcão | produção executiva e promoção: pedro pires | styling: sofia aparício | design gráfico: paulo veiga | fotografias: luis piorro | colaboração: cão solteiro
terça-feira, novembro 23, 2004
Poética do quotidiano (LIX)
Novamente o Cachucho (colaborador no Enresinados) a vencer o prémio poética do quotidiano. Que me perdoem os milhares de bloggers que se esmeram a fazer posts para o prémio, mas quando se é fã, é-se fã.
QUE MARAVILHA...
... vir trabalhar, às 10:30, depois de um belo pequeno almoço, vir a curtir um sol fantástico pelo caminho, chegar ao trabalho e ter de gramar com litros e litros de sonasol verde pelo chão, que as empregadas da limpeza fazem questão de usar em quantidades industriais.
Mais do que limpeza, esta treta, é uma tentativa de homícidio.
Novamente o Cachucho (colaborador no Enresinados) a vencer o prémio poética do quotidiano. Que me perdoem os milhares de bloggers que se esmeram a fazer posts para o prémio, mas quando se é fã, é-se fã.
QUE MARAVILHA...
... vir trabalhar, às 10:30, depois de um belo pequeno almoço, vir a curtir um sol fantástico pelo caminho, chegar ao trabalho e ter de gramar com litros e litros de sonasol verde pelo chão, que as empregadas da limpeza fazem questão de usar em quantidades industriais.
Mais do que limpeza, esta treta, é uma tentativa de homícidio.
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa - Grupo Nós
A apresentação, no passado domingo, do espectáculo MITOS DO UNIVERSO, no âmbito da 6ª MostraTE, levanta demasiadas questões que pouco têm a ver com teatro. Por não se ter tratado de um espectáculo propriamente dito, mas antes de uma apresentação de exercícios dos utentes da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Lisboa e, ainda, porque o público presente era composto pelos familiares dos participantes, não seria justa uma análise como as que têm sido desenvolvidas para os outros espectáculos (TartNoir, Pour Homme, Querosene ("arde sem se ver")).
Assim, as considerações sobre a participação deste grupo de teatro serão remetidas para o paper final, a apresentar no início de Dezembro e onde se tratarão, entre outras, das questões de definição de uma mostra de teatro.
A apresentação, no passado domingo, do espectáculo MITOS DO UNIVERSO, no âmbito da 6ª MostraTE, levanta demasiadas questões que pouco têm a ver com teatro. Por não se ter tratado de um espectáculo propriamente dito, mas antes de uma apresentação de exercícios dos utentes da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Lisboa e, ainda, porque o público presente era composto pelos familiares dos participantes, não seria justa uma análise como as que têm sido desenvolvidas para os outros espectáculos (TartNoir, Pour Homme, Querosene ("arde sem se ver")).
Assim, as considerações sobre a participação deste grupo de teatro serão remetidas para o paper final, a apresentar no início de Dezembro e onde se tratarão, entre outras, das questões de definição de uma mostra de teatro.
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa - MostraTE (V)
Continuando a fazer a cobertura da 6ª MostraTE, apresentamos hoje as perguntas feitas à entidade promotora. Em nome do Departamento da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa, respondeu o Dr. Pedro Amaro. Conta-se apresentar ainda as respostas às perguntas feitas à EGEAC/Teatro Taborda, responsáveis pela organização do evento.
O MELHOR ANJO (OMA): Que importância tem a organização da MostraTE para o departamento da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa? E dentro da CML?
Câmara Municipal Lisboa: Para o Pelouro da Juventude da CML a mostra TE é o grande evento de teatro feito por jovens e para os jovens da Cidade e uma das formas através da qual incentivamos e apoiamos a arte teatral.
OMA: Que critérios foram estabelecidos para a selecção dos espectáculos a apresentar?
CML: Na selecção das peças é tida em consideração a qualidade e interesse do projecto, a par das caracteristicas, percurso e trabalho realizado pelos autores.
OMA: Com que bases foi calculado o valor do cachet a pagar por espectáculo?
CML: Não atribuímos cachet. O Pelouro da Juventude e a EGEAC dão apoio à produção e montagem das peças (CML - fincanceiro e EGEAC - Artistico). O Pelouro da Juventude assegura a sua divulgação e a EGEAC disponibiliza o espaço.
OMA: Qual o público-alvo da iniciativa e que respostas têm obtido?
CML: Uma vez que é uma iniciativa muito abrangente, o público-alvo não é específico. A taxa de adesão tem vindo a aumentar, sendo já muito significativa, o que se comprova pela afluência de público e pela projecção que esta iniciativa tem junto da comunicação social.
Continuando a fazer a cobertura da 6ª MostraTE, apresentamos hoje as perguntas feitas à entidade promotora. Em nome do Departamento da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa, respondeu o Dr. Pedro Amaro. Conta-se apresentar ainda as respostas às perguntas feitas à EGEAC/Teatro Taborda, responsáveis pela organização do evento.
O MELHOR ANJO (OMA): Que importância tem a organização da MostraTE para o departamento da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa? E dentro da CML?
Câmara Municipal Lisboa: Para o Pelouro da Juventude da CML a mostra TE é o grande evento de teatro feito por jovens e para os jovens da Cidade e uma das formas através da qual incentivamos e apoiamos a arte teatral.
OMA: Que critérios foram estabelecidos para a selecção dos espectáculos a apresentar?
CML: Na selecção das peças é tida em consideração a qualidade e interesse do projecto, a par das caracteristicas, percurso e trabalho realizado pelos autores.
OMA: Com que bases foi calculado o valor do cachet a pagar por espectáculo?
CML: Não atribuímos cachet. O Pelouro da Juventude e a EGEAC dão apoio à produção e montagem das peças (CML - fincanceiro e EGEAC - Artistico). O Pelouro da Juventude assegura a sua divulgação e a EGEAC disponibiliza o espaço.
OMA: Qual o público-alvo da iniciativa e que respostas têm obtido?
CML: Uma vez que é uma iniciativa muito abrangente, o público-alvo não é específico. A taxa de adesão tem vindo a aumentar, sendo já muito significativa, o que se comprova pela afluência de público e pela projecção que esta iniciativa tem junto da comunicação social.
segunda-feira, novembro 22, 2004
Coisas perdidas na mudança de casa (ou que ainda não encontrei)
- comandos da televisão, vídeo, aparelhagem;
- saco de areia da praia de Barceloneta;
- 6 copos de vinho com pé alto;
- pés do sofá;
- faca de trinchar a carne;
- fondue;
- suporte de condimentos;
- umas revistas de arquitectura que já nem me lembro porque guardei;
- um bocadinho de energia;
- alguns cd's (que desconfio que não me foram devolvidos)
- uma coluna do gira-discos;
- continuo à procura de mais coisas...
- comandos da televisão, vídeo, aparelhagem;
- saco de areia da praia de Barceloneta;
- 6 copos de vinho com pé alto;
- pés do sofá;
- faca de trinchar a carne;
- fondue;
- suporte de condimentos;
- umas revistas de arquitectura que já nem me lembro porque guardei;
- um bocadinho de energia;
- alguns cd's (que desconfio que não me foram devolvidos)
- uma coluna do gira-discos;
- continuo à procura de mais coisas...
Poética do quotidiano (LVIII)
A Pollijean lança o apelo. Aceitam-se inscrições no seu blog, Bolas de Berlim. Aqui no anjo, a melhor coisa que podemos fazer é ajudar ao apelo, já que o talento para a bricolage é nulo.
Paizinho que estás tão longe...
Gajo precisa-se:
- 20 – 40 anos
- 1,70 m (no mínimo)
- forte e robusto
- que não sofra de vertigens
- com conhecimentos de electricidade e bricolage
- que queira ajudar uma gaja em aflição
Para:
- instalar e pendurar 4 candeeiros;
- pregar uma prateleira à parede;
- fazer mais uns quantos furos (na parede);
- instalar a cortina do banho;
- mais qualquer coisa que surja (de bricolage, entenda-se!)
Aceitam-se inscrições neste blog.
A Pollijean lança o apelo. Aceitam-se inscrições no seu blog, Bolas de Berlim. Aqui no anjo, a melhor coisa que podemos fazer é ajudar ao apelo, já que o talento para a bricolage é nulo.
Paizinho que estás tão longe...
Gajo precisa-se:
- 20 – 40 anos
- 1,70 m (no mínimo)
- forte e robusto
- que não sofra de vertigens
- com conhecimentos de electricidade e bricolage
- que queira ajudar uma gaja em aflição
Para:
- instalar e pendurar 4 candeeiros;
- pregar uma prateleira à parede;
- fazer mais uns quantos furos (na parede);
- instalar a cortina do banho;
- mais qualquer coisa que surja (de bricolage, entenda-se!)
Aceitam-se inscrições neste blog.
O Estratagema do amor
A Cinemateca passa hoje, às 21h30 e em ante-estreia, o 1º filme - uma curta-metragem - de Ricardo Aibéo, O Estratagema do amor. Trata-se de uma adaptação do conto «Agustine de Villeblanche», do Marquês de Sade e recebeu, no último Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde, o prémio de melhor actriz, para Rita Durão.
O filme passa como complemento ao filme El Angel Exterminador, de Luis Buñuel. E não podia ser melhor. O Ricardo é um fã do realizador espanhol, tendo-se estreado na encenação com o único texto de teatro que Buñuel fez: Hamlet - Uma tragédia cómica..
Ficam as sinopses para uma noite que se quer surreal.
EL ÁNGEL EXTERMINADOR
O Anjo Exterminador
De Luis Buñuel
Espanha, 1962 - 92 min.
Não Legendado
Produzido por Gustavo Alatriste com total liberdade para Buñuel, EL ÁNGEL EXTERMINADOR concentra o universo do cinema de Buñuel e é simultaneamente um regresso ao surrealismo de CHIEN ANDALOU e L’ÂGE D’OR (expressamente citados neste filme), de novo abrindo “todas as portas ao irracional”. Depois de um faustoso jantar, os convidados descobrem-se impossibilitados de sair da casa em que se reuniram…
O ESTRATAGEMA DO AMOR
De Ricardo Aibéo
Portugal, 2004 - 20 min, 2004 - 20 min.
Não Legendado


Primeiro filme de Ricardo Aibéo, a partir do conto de Marquês de Sade Augustine de Villeblanche. O ESTRATAGEMA DO AMOR adapta a história de sedução, máscaras e enganos da impetuosa Agustina e do seu jovem apaixonado Franville a Lisboa, meados do século XVIII. O ESTRATAGEMA DO AMOR foi já exibido no IndieLisboa e no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde, onde o prémio de melhor interpretação feminina foi atribuído a Rita Durão.
Agustina é uma jovem rapariga bonita, solteira, bem nascida e muito “senhora de si”. A sua paixão são as outras raparigas como ela. Para a satisfação dos inpulsos do amor, não lhe restam dúvidas de que a participação da orgulhosa raça masculina é, sobre que inútil, nefasta. O jovem Franville, conhecendo as inabaláveis convicções de Agustina desenvolve contra o sexo oposto, e perdido de paixão por ela, decide conquistá-la disfarçando-se de mulher.
A Cinemateca passa hoje, às 21h30 e em ante-estreia, o 1º filme - uma curta-metragem - de Ricardo Aibéo, O Estratagema do amor. Trata-se de uma adaptação do conto «Agustine de Villeblanche», do Marquês de Sade e recebeu, no último Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde, o prémio de melhor actriz, para Rita Durão.
O filme passa como complemento ao filme El Angel Exterminador, de Luis Buñuel. E não podia ser melhor. O Ricardo é um fã do realizador espanhol, tendo-se estreado na encenação com o único texto de teatro que Buñuel fez: Hamlet - Uma tragédia cómica..
Ficam as sinopses para uma noite que se quer surreal.
EL ÁNGEL EXTERMINADOR
O Anjo Exterminador
De Luis Buñuel
Espanha, 1962 - 92 min.
Não Legendado
Produzido por Gustavo Alatriste com total liberdade para Buñuel, EL ÁNGEL EXTERMINADOR concentra o universo do cinema de Buñuel e é simultaneamente um regresso ao surrealismo de CHIEN ANDALOU e L’ÂGE D’OR (expressamente citados neste filme), de novo abrindo “todas as portas ao irracional”. Depois de um faustoso jantar, os convidados descobrem-se impossibilitados de sair da casa em que se reuniram…
O ESTRATAGEMA DO AMOR
De Ricardo Aibéo
Portugal, 2004 - 20 min, 2004 - 20 min.
Não Legendado


Primeiro filme de Ricardo Aibéo, a partir do conto de Marquês de Sade Augustine de Villeblanche. O ESTRATAGEMA DO AMOR adapta a história de sedução, máscaras e enganos da impetuosa Agustina e do seu jovem apaixonado Franville a Lisboa, meados do século XVIII. O ESTRATAGEMA DO AMOR foi já exibido no IndieLisboa e no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde, onde o prémio de melhor interpretação feminina foi atribuído a Rita Durão.
Agustina é uma jovem rapariga bonita, solteira, bem nascida e muito “senhora de si”. A sua paixão são as outras raparigas como ela. Para a satisfação dos inpulsos do amor, não lhe restam dúvidas de que a participação da orgulhosa raça masculina é, sobre que inútil, nefasta. O jovem Franville, conhecendo as inabaláveis convicções de Agustina desenvolve contra o sexo oposto, e perdido de paixão por ela, decide conquistá-la disfarçando-se de mulher.
Com a presença de Ricardo Aibéo
Vou a tua casa - lado b (no caminho) - estreia
Aqui, a 1ª parte de Vou a tua casa.
entre a tua casa – onde estive –, e a minha – onde gostava que pudesses estar –, existe um ponto no meio. um ponto a caminho. no caminho. se me apanhares aí, nesse sítio, poderei então contar-te o segredo, desmascarar tudo, e desmascarar-me. nesse sítio impossível onde é possível respirarmos os dois ao mesmo tempo, quero pertencer ao teu mundo. de forma definitiva e perdida. não interessa o resto. interessa o que eu tiver para te contar, nesse instante, e o que tu quiseres que eu elimine de mim. deitarei fora tanto da minha vida real quanto a tua vontade de ver um espectáculo ditar. e depois será para sempre. até me fartar. até te fartares. e a coisa morrer de acordo com as leis naturais do universo. todas.

Rogério Nuno Costa, depois de Torres Vedras e Londres, estreia em Lisboa, a 2ª parte da trilogia VOU A TUA CASA.
Até ao final do ano chinês (em Fevereiro 2005), fica a aguardar um encontro, desta vez, não na casa do espectador, mas no sítio da sua eleição.
Os espectáculos podem ser marcados por telefone (91 640 99 98), e-mail (vouatuacasa@hotmail.com) ou no blog Vou a tua casa.
Até ao final do ano chinês (em Fevereiro 2005), fica a aguardar um encontro, desta vez, não na casa do espectador, mas no sítio da sua eleição.
Os espectáculos podem ser marcados por telefone (91 640 99 98), e-mail (vouatuacasa@hotmail.com) ou no blog Vou a tua casa.
Aqui, a 1ª parte de Vou a tua casa.
entre a tua casa – onde estive –, e a minha – onde gostava que pudesses estar –, existe um ponto no meio. um ponto a caminho. no caminho. se me apanhares aí, nesse sítio, poderei então contar-te o segredo, desmascarar tudo, e desmascarar-me. nesse sítio impossível onde é possível respirarmos os dois ao mesmo tempo, quero pertencer ao teu mundo. de forma definitiva e perdida. não interessa o resto. interessa o que eu tiver para te contar, nesse instante, e o que tu quiseres que eu elimine de mim. deitarei fora tanto da minha vida real quanto a tua vontade de ver um espectáculo ditar. e depois será para sempre. até me fartar. até te fartares. e a coisa morrer de acordo com as leis naturais do universo. todas.

Concepção, Textos Originais, Interpretação Rogério Nuno Costa Co-criação Cláudia Jardim, Rogério Nuno Costa, Victor Gonçalves Fotografia Luísa Casella Design F. Ribeiro Vídeo Inês Oliveira Agradecimentos Alaíde Costa, Ana Caessa, Catarina Susano, Gonçalo Pinto, Humberto Mendes, Marina Nabais, Natália Souza, Sofia Ferrão, Tiago Neves, Transforma AC, todos os cúmplices das surpresas de Maio e todas as primeiras cobaias de Setembro Apoios Câmara Municipal de Lisboa – Cultura, Câmara Municipal de Lisboa – Juventude, O Resto
De Novembro 2004 a Fevereiro 2005
Informações e Marcações:
91 640 99 98 / vouatuacasa@hotmail.com / http://vouatuacasa.blogspot.com
maiores de 15 anos . duração 40’ . 5 EUR/espectador
De Novembro 2004 a Fevereiro 2005
Informações e Marcações:
91 640 99 98 / vouatuacasa@hotmail.com / http://vouatuacasa.blogspot.com
maiores de 15 anos . duração 40’ . 5 EUR/espectador
domingo, novembro 21, 2004
Poética do quotidiano (LVI)
Galettes (Waffles)
Ola prima,
Receita: Galettes da avó Etelvina (a minha avó)
ovos
manteiga
farinha
açucar
casca de limão (2 limões para 500gr dos ingredientes)
Bate-se as gemas com o açucar e misturasse a manteiga derretida (nao pode estar quente). Junta-se a farinha mexendo bem, depois envolvem-se as claras batidas em castelo e adiciona-se a raspa de limão.
Deixa-se aquecer bem a maquina e tem q se ter em atencao à quantidade, mais ou menos uma concha.
Nao convem abrir a maquina antes da massa estar solidificada, +/- 1 minuto. Mas isso com a pratica vai lá...
Pronto, é so isto.
As quantidades são as q quiseres, desde q seja o mesmo peso de tudo.
Eu costumo fazer 500 gr. da aproximadamente 25 galettes.
Depois conta como saiu
Beijoca
(Depois de 2 tentativas falhadas, espero que com esta receita corra tudo bem)
Dizem que as novas tecnologias vieram alterar a forma como comunicamos. Às vezes tendem a não funcionar. O prémio de hoje para esta espécie de equilibrio entre a tradição e o futuro. A P., do Nada Quotidiano, volta a receber o prémio. Espera-se que a prima leia o blog dela. :
Galettes (Waffles)
Ola prima,
Receita: Galettes da avó Etelvina (a minha avó)
ovos
manteiga
farinha
açucar
casca de limão (2 limões para 500gr dos ingredientes)
Bate-se as gemas com o açucar e misturasse a manteiga derretida (nao pode estar quente). Junta-se a farinha mexendo bem, depois envolvem-se as claras batidas em castelo e adiciona-se a raspa de limão.
Deixa-se aquecer bem a maquina e tem q se ter em atencao à quantidade, mais ou menos uma concha.
Nao convem abrir a maquina antes da massa estar solidificada, +/- 1 minuto. Mas isso com a pratica vai lá...
Pronto, é so isto.
As quantidades são as q quiseres, desde q seja o mesmo peso de tudo.
Eu costumo fazer 500 gr. da aproximadamente 25 galettes.
Depois conta como saiu
Beijoca
(Depois de 2 tentativas falhadas, espero que com esta receita corra tudo bem)
Do amor e outros erros
Análise ao espectáculo Querosene (" arde sem se ver")
teatromosca
6ª Mostra de Teatro Jovem
Teatro Taborda
20 Novembro
22h00

Análise ao espectáculo Querosene (" arde sem se ver")
teatromosca
6ª Mostra de Teatro Jovem
Teatro Taborda
20 Novembro
22h00

O espectáculo do teatromosca Querosene (" arde sem se ver"), utiliza a estrutura narrativa do pequeno conto auto-biográfico de Ivan Turgueneiv, "Primeiro Amor" (1860) para dar conta dos diversos estados amorosos. Fá-lo de forma interessante utilizando poemas de autores portugueses (1) (quase todos incompreendidos no amor, amargurados com a vida, presos a paixões insolúveis ou incapazes de relacionamentos eficazes), chegando mesmo a substituir a dramaturgia de Turgueneiv por esses poemas. Se isto revela, por um lado, um controlo sobre um trabalho de construção de um texto/espectáculo e manipulação das diversas vozes em torno de um objectivo comum (uma universalização do lamento amoroso), depressa se torna um exercício de estilo que acusa a vontade de apelar a vários públicos e registos.
Pensado para cumprir o calendário e o programa escolar (mas apresentado aqui um contexto de espectáculo para adultos, e nessa medida analisado), Querosene peca por tentar equilibrar esse interessante cruzamento de linguagens (conto e poemas) com um recital de poesia. O problema não está tanto na conteúdo, mas na forma. A gradual contaminação do texto russo pelos poemas portugueses apresenta uma estimulante abordagem ao ciclo amoroso ("encantamento e expectativa, a incerteza angustiante, a consolidação e fidelização do amor, o extâse e a ruptura") e até cumpre as noções de Herbert Blau (2) quanto à adaptação dos clássicos: estes devem sempre servir-se de uma leitura contemporânea; não faz sentido a repetição de usos e costumes já que não ninguém estava lá para comprovar como se fez.
Contudo, o sentido do rigor e até (ousa-se) a ideia de que se possa estar a destruir o sentido original dos poemas, levam a que depois da utilização de um deles em vez do texto de Turgueneiv, os actores o identifiquem. Ou seja, anula-se o efeito de contaminação já que se recusa a universalização de um sentimento. Efectua-se um duplo corte emocional na relação com o espectáculo. O primeiro quando se incluem os poemas, o segundo quando se identificam. E o espectador, que ia caminhando no reconhecimento dos conflictos das personagens de Turgueneiv é assim abandonado numa dramatização dos poemas.
O problema não está, como já se percebeu, nessa dramatização. Basta pensar em exemplos recentes no cinema ("Romeu e Julieta", "Moulin Rouge" de Baz Luhrmann) ou no teatro ("Rua de Sentido Único", de Mónica Calle; "Nocturno Delirante", do Cão Solteiro; "De repente eu...", do Teatro Praga) para compreender que se a intenção é passar uma mensagem de apropriação de universos cúmplices, basta utilizá-los sem o receio de os perverter. As obras de arte são universais, logo de qualquer um. Se o teatromosca procurava educar o público, poderia ter feito distribuir umas folhas com os poemas e autor. Isso acontecer durante o espectáculo soa sempre a desequilíbrio dramatúrgico. Ainda mais se o cenário e adereços são compostos de metáforas e alusões que permitem ao espectador toda e qualquer identificação. Afinal, serve para umas coisas e não serve para outras? O momento em que este anacronismo se torna mais evidente é na sequência da discoteca em que um histriónico (mas devidamente contextualizado) Pedro Mendes (o pai) se atira ferozmente a um poema de Almeida Garrett, "Não te amo não" como técnica de sedução à jovem indecisa. A velocidade e entrega do momento caem por terra quando, ainda em pose, o actor identifica o poema.
Querosene é, contudo, um belo exercício de ode amorosa. A breve e perturbadora história de rivalidade entre um pai e um filho (Pedro Alves) na conquista da mesma mulher (Rute Lizardo) servem de estudo para essa coisa devastadora que é o amor. Espectáculo sexualmente intimidante (o olhar alienado de Pedro Alves é revelador da confusão de sentimentos do jovem Turgueneiv) e austero (uma mesa e duas cadeiras, palco vazio, luzes sombrias e soturnas), oscila entre a procura de uma explicação para o amor e a assunção da fatalidade do mesmo. É, por isso, um enorme novelo de lã agridoce (tal como os que são desfiados durante o espectáculo).
Em suma, Querosene utiliza a convenção teatral e a dimensão generalista das obras dramáticas para dar conta de um estado de espírito. Provavelmente, como em todas as relações muito intensas, a dada altura perdeu o sentido.
(1) Fernado Pessoa/Álvaro de Campos, Luis de Camões, Camilo Pessanha, Almeida Garrett, Alexandre O'Neill, Antero de quental, Mário de Sá Carneiro
(2) Herbert Blau, Theatrer: A Manifesto, New York, 1964
Pensado para cumprir o calendário e o programa escolar (mas apresentado aqui um contexto de espectáculo para adultos, e nessa medida analisado), Querosene peca por tentar equilibrar esse interessante cruzamento de linguagens (conto e poemas) com um recital de poesia. O problema não está tanto na conteúdo, mas na forma. A gradual contaminação do texto russo pelos poemas portugueses apresenta uma estimulante abordagem ao ciclo amoroso ("encantamento e expectativa, a incerteza angustiante, a consolidação e fidelização do amor, o extâse e a ruptura") e até cumpre as noções de Herbert Blau (2) quanto à adaptação dos clássicos: estes devem sempre servir-se de uma leitura contemporânea; não faz sentido a repetição de usos e costumes já que não ninguém estava lá para comprovar como se fez.
Contudo, o sentido do rigor e até (ousa-se) a ideia de que se possa estar a destruir o sentido original dos poemas, levam a que depois da utilização de um deles em vez do texto de Turgueneiv, os actores o identifiquem. Ou seja, anula-se o efeito de contaminação já que se recusa a universalização de um sentimento. Efectua-se um duplo corte emocional na relação com o espectáculo. O primeiro quando se incluem os poemas, o segundo quando se identificam. E o espectador, que ia caminhando no reconhecimento dos conflictos das personagens de Turgueneiv é assim abandonado numa dramatização dos poemas.
O problema não está, como já se percebeu, nessa dramatização. Basta pensar em exemplos recentes no cinema ("Romeu e Julieta", "Moulin Rouge" de Baz Luhrmann) ou no teatro ("Rua de Sentido Único", de Mónica Calle; "Nocturno Delirante", do Cão Solteiro; "De repente eu...", do Teatro Praga) para compreender que se a intenção é passar uma mensagem de apropriação de universos cúmplices, basta utilizá-los sem o receio de os perverter. As obras de arte são universais, logo de qualquer um. Se o teatromosca procurava educar o público, poderia ter feito distribuir umas folhas com os poemas e autor. Isso acontecer durante o espectáculo soa sempre a desequilíbrio dramatúrgico. Ainda mais se o cenário e adereços são compostos de metáforas e alusões que permitem ao espectador toda e qualquer identificação. Afinal, serve para umas coisas e não serve para outras? O momento em que este anacronismo se torna mais evidente é na sequência da discoteca em que um histriónico (mas devidamente contextualizado) Pedro Mendes (o pai) se atira ferozmente a um poema de Almeida Garrett, "Não te amo não" como técnica de sedução à jovem indecisa. A velocidade e entrega do momento caem por terra quando, ainda em pose, o actor identifica o poema.
Querosene é, contudo, um belo exercício de ode amorosa. A breve e perturbadora história de rivalidade entre um pai e um filho (Pedro Alves) na conquista da mesma mulher (Rute Lizardo) servem de estudo para essa coisa devastadora que é o amor. Espectáculo sexualmente intimidante (o olhar alienado de Pedro Alves é revelador da confusão de sentimentos do jovem Turgueneiv) e austero (uma mesa e duas cadeiras, palco vazio, luzes sombrias e soturnas), oscila entre a procura de uma explicação para o amor e a assunção da fatalidade do mesmo. É, por isso, um enorme novelo de lã agridoce (tal como os que são desfiados durante o espectáculo).
Em suma, Querosene utiliza a convenção teatral e a dimensão generalista das obras dramáticas para dar conta de um estado de espírito. Provavelmente, como em todas as relações muito intensas, a dada altura perdeu o sentido.
(1) Fernado Pessoa/Álvaro de Campos, Luis de Camões, Camilo Pessanha, Almeida Garrett, Alexandre O'Neill, Antero de quental, Mário de Sá Carneiro
(2) Herbert Blau, Theatrer: A Manifesto, New York, 1964
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa (IV) - Mitos do Universo
Mitos do Universo
Grupo NÓS de Teatro da APPACDM de Lisboa
Teatro Taborda
21 de Novembro
17h
Mitos do Universo leva-nos a viajar no espaço cósmico, onde existem Galáxias infinitas e onde a vida começou.
Continuamos a viajar pelo fundo do mar onde a nossa imaginação nos faz observar sereias encantadas que dançam suavemente para os navegadores.
O Bem contra o Mal. A mitologia da antiga Pérsia ( nome anterior do Irão ) vai fundamentar-se na religião fundada pelo Profeta Zoroastro no séc. VI a.c. Essa religião assenta numa luta cósmica do bem e do mal, entre Ahura Mazda e Ahriman. Nesta história os seres humanos acham-se apanhados num combate entre um criador bom e um destruídor mau. Tema este comum a muitas culturas.
A batalha permanente entre o sábio Ahura Mazda e o cruel Ahriman reflecte-se na paisagem e clima do Irão onde esta história teve origem.
Áridas e inóspitas montanhas contrastam duramente com as zonas costeiras de grande fertilidade.
O Gayomart, primeiro Homen criado por Ahura Mazda, significa em Persa " Vida Moribunda".
Este espírito só tomou forma humana após 3000 anos.No entanto morreu novo, apenas com 30 anos envenenado por Ahriman o malvado gêmeo de Ahura Mazda.
FICHA ARTÍSTICA
I Acto- Coreografia " Cosmos"
Intérpretes Carina Almeida Carina Fumega Filipe Correia Paulo Ricardo Rita Loureiro Victor Pina Luís Carlos Carla Gil
II Acto- Coreografia " Mares "
Intérpretes Carina Fumega Filipe Correia Rita Loureiro Victor Pina Carla Gil Paulo Ricardo
III Acto- Teatro de sombra " Um Paraíso Terrestre "
Intérpretes Alcinda Teixeira- Amor/Filha Ana Margarida- 3º Demónio Ana Filipa- Ahura Mazda Carina Almeida- Morte e Nuvem Carina Fumega- Mashya Carla Gil- 1º Demónio Filipe Correia- Ahriman Luis Carlos-Mashoyoi Maria João Belo- Doente Maria da Luz- Sol Paulo Ricardo- Gayomart e Lua Rita Loureiro-Fome Victor Pina- Estrelas e Trovão
Encenação Emília Pinto Rosa Ferreira Teresa Sêco Coreografias Rosa Ferreira Teresa Sêco Assistentes de Encenação Patrícia Monteiro Rosário de Sá Adereços Luzia Marques Clotilde Trindade Georgina Jorge Rosa Ferreira Vestuário confeccionado pelas famílias dos participantes
Mitos do Universo
Grupo NÓS de Teatro da APPACDM de Lisboa
Teatro Taborda
21 de Novembro
17h
Mitos do Universo leva-nos a viajar no espaço cósmico, onde existem Galáxias infinitas e onde a vida começou.
Continuamos a viajar pelo fundo do mar onde a nossa imaginação nos faz observar sereias encantadas que dançam suavemente para os navegadores.
O Bem contra o Mal. A mitologia da antiga Pérsia ( nome anterior do Irão ) vai fundamentar-se na religião fundada pelo Profeta Zoroastro no séc. VI a.c. Essa religião assenta numa luta cósmica do bem e do mal, entre Ahura Mazda e Ahriman. Nesta história os seres humanos acham-se apanhados num combate entre um criador bom e um destruídor mau. Tema este comum a muitas culturas.
A batalha permanente entre o sábio Ahura Mazda e o cruel Ahriman reflecte-se na paisagem e clima do Irão onde esta história teve origem.
Áridas e inóspitas montanhas contrastam duramente com as zonas costeiras de grande fertilidade.
O Gayomart, primeiro Homen criado por Ahura Mazda, significa em Persa " Vida Moribunda".
Este espírito só tomou forma humana após 3000 anos.No entanto morreu novo, apenas com 30 anos envenenado por Ahriman o malvado gêmeo de Ahura Mazda.
FICHA ARTÍSTICA
I Acto- Coreografia " Cosmos"
Intérpretes Carina Almeida Carina Fumega Filipe Correia Paulo Ricardo Rita Loureiro Victor Pina Luís Carlos Carla Gil
II Acto- Coreografia " Mares "
Intérpretes Carina Fumega Filipe Correia Rita Loureiro Victor Pina Carla Gil Paulo Ricardo
III Acto- Teatro de sombra " Um Paraíso Terrestre "
Intérpretes Alcinda Teixeira- Amor/Filha Ana Margarida- 3º Demónio Ana Filipa- Ahura Mazda Carina Almeida- Morte e Nuvem Carina Fumega- Mashya Carla Gil- 1º Demónio Filipe Correia- Ahriman Luis Carlos-Mashoyoi Maria João Belo- Doente Maria da Luz- Sol Paulo Ricardo- Gayomart e Lua Rita Loureiro-Fome Victor Pina- Estrelas e Trovão
Encenação Emília Pinto Rosa Ferreira Teresa Sêco Coreografias Rosa Ferreira Teresa Sêco Assistentes de Encenação Patrícia Monteiro Rosário de Sá Adereços Luzia Marques Clotilde Trindade Georgina Jorge Rosa Ferreira Vestuário confeccionado pelas famílias dos participantes
O homem-objecto
Análise ao espectáculo POUR HOMME
André Murraças
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
19 Novembro
22h00

Análise ao espectáculo POUR HOMME
André Murraças
6ª Mostra de Teatro Jovem de Lisboa
Teatro Taborda
19 Novembro
22h00

Estreado em Setembro no programa BOX Nova (1), e classificado como espectáculo de dança, a nova proposta de André Murraças (AM), Pour Homme, recusa assumidamente um texto escrito para apostar numa maior concentração no trabalho físico e a utilização primordial do corpo como elemento dramatúrgico. Há, portanto um pretexto corporal. Insere-se, assim, num contexto estético e cultural que cumpre a definição de hibridez utilizada por Cláudia Madeira (2): "[estes espectáculos] destroem a estrutura, o autor, o actor, o texto, a ficção e instituem o processo artístisco como único resultado possível, deixando-o em estado "impuro", muitas vezes à sorte do momento em que é apresentado, intensificando com isso o risco desse mesmo resultado".
Esta espécie de "espectáculo(s)-tese" - que pode(m) ser interpretado(s) à luz de uma resposta contemporânea do "teatro-documento", tão comum nos anos 30 e 70 do século XX -, obriga a uma clarificação do papel do criador face ao espectador. Pode um criador propor-se a uma discussão quando o espectador não procura respostas? E que importância pode assumir essa discussão, quando se utiliza um palco para a realizar? A tendência do espectador será a de aceitar como dado adquirido o que quer que venha a passar-se em palco. Um espectador espera de um criador uma apresentação, um desenvolvimento e uma conclusão. AM dá só os tópicos em discussão. O resto segue depois.
A intenção é discutir/observar o homem a partir de referências históricas, sociais, iconográficas, culturais e sexuais. Contudo, não só o homem que se apresenta existe sem um modelo feminino como ainda assume a posição machista sobre o Criador - o homem feito à imagem de Deus, ele mesmo um homem. Logo, homem e Homem. Pour Homme é um espectáculo de homens para homens, não no sentido gay do termo (é, surpreendentemente heterossexual), mas entre duas frases tipo: "boys will be boys" e "a man's got to do what a man's got to do".
É ainda um espectáculo claramente narcísista, não no sentido pejorativo do termo, mas antes no que isso possa permitir o posicionamento do criador (um homem) no problema que ele mesmo levanta: representação devenu alteridade. Estas são as suas referências, os seus modelos, as suas dúvidas. Confrontando-as com a do espectador, uma nova teoria/um novo espectáculo surgirá. Pour Homme é, assim, uma obra em aberto, em que a vantagem está, curiosamente, do lado do espectador. Este já sabe quais são os alicerces do criador e pode rebatê-los. Ao criador resta-lhe esperar. Para depois se questionar.
Ao falar em referências pessoais, refiro-me ao trabalho de pesquisa que AM desenvolve e exemplifica. As sequências que vai apresentando resultam de um processo de observação/confrontação de modelos, esterótipos, conceitos e definições que mais não são que pré-conceitos em relação ao que se espera/o que é um homem. E é esta posição que atira Pour Homme para um trabalho antropológico mais do que um anedoctário de situações-tipo. Mesmo que seja a partir destas que o espectáculo se desenvolva.
Tomemos como exemplo o momento em que AM se apresenta em diversas poses/instantâneos/perfis masculinos e aposta num intercalar aparentemente descoordenado. No centro do palco, dividido por uma esquadria branca, o autor vai de Jesus Cristo ao Homem-Aranha e deste a Hitler, São Sebastião, Adão, faraó ou cowboy. Estas apresentações, precisamente por serem aparentemente aleatórias, desafiam o espectador a identificar os traços comuns e as diferenças nestes modelos masculinos. Todos são presença e ausência, já que, tendo-se tornado "maiores que a vida" dificilmente poderão ser encontrados na plateia do teatro. Será talvez por isso que os mais conseguidos são os de dificil identificação. Serão nesses que se esconde a razão de ser homem.
No extremo oposto desta "metamorfose" ("todos somos um só") temos o sr. "X" que usa palitos, boceja sem colocar a mão à frente da boca, coça o sexo, dança sem estilo e gaba-se das conquistas. A este, "perfeito nobody", todos reagem com graça, gargalhada fácil e até um certo desdém. Escondendo-se/esquivando-se, muito provavelmente, de uma imediata identificação. É por isso que quando AM entra em cena e, de costas para o público, urina para o chão do palco, o espectador é confrontado com os limites do papel que o homem representa no quotidiano. Que AM apresente este "boneco" logo nos momentos iniciais do espectáculo, é revelador da necessidade de perceber que àquele limite é melhor não voltar.
Joga-se por isso num equilíbrio entre o movimento coreografado e a representação do quotidiano. Ou, se quisermos, numa consciência do acto versus acto irreflectido. Nesta espécie de sombra chinesa em que o espectáculo se desenvolve sente-se, naturalmente, uma forte influência da coreografia e do movimento (ou daquilo que se entende por movimento), o que acaba por criar uma anulação do gesto quotidiano. Tudo se torna performático. É notória a contaminação pelo último espectáculo de Tiago Guedes, Materiais Diversos (2003), numa tentativa de compromisso entre o controlo dos gestos (para permitir a especulação) e a naturalidade dos mesmos (afinal trata-se de trabalhar o estereótipo). O que AM faz não é mais que colocar um espelho à boca de cena, de modo a forçar um duplo processo de identificação que se pode resumir como "Olha-me para que eu te veja". E tal posição pretende recusar a empatia fácil de um espectador que esteja ganho à partida. Vejam-se as reacções à canção desafinada cantada no final do espectáculo. É como se o espectador respirasse de alívio. E daí talvez não.
À pergunta "Como funciona o homem quando posto em palco?", AM propõe um eterno questionar, não porque não tenha já algumas respostas, mas porque seria tipicamente masculino querer impor a sua. E talvez seja essa a ponte para o que se segue (3).
(1) Da responsabilidade do departamento de dança do Centro Cultural de Belém;
(2) Cláudia Madeira, E no céu, de hoje, que nuvens há? in Artinsite n.º1, pp. 102-107, Transforma A.C., Torres Vedras, 2004;
(3) Pour Homme é o primeiro espectáculo de uma trilogia dedicada aos comportamentos masculino e feminino.
Esta espécie de "espectáculo(s)-tese" - que pode(m) ser interpretado(s) à luz de uma resposta contemporânea do "teatro-documento", tão comum nos anos 30 e 70 do século XX -, obriga a uma clarificação do papel do criador face ao espectador. Pode um criador propor-se a uma discussão quando o espectador não procura respostas? E que importância pode assumir essa discussão, quando se utiliza um palco para a realizar? A tendência do espectador será a de aceitar como dado adquirido o que quer que venha a passar-se em palco. Um espectador espera de um criador uma apresentação, um desenvolvimento e uma conclusão. AM dá só os tópicos em discussão. O resto segue depois.
A intenção é discutir/observar o homem a partir de referências históricas, sociais, iconográficas, culturais e sexuais. Contudo, não só o homem que se apresenta existe sem um modelo feminino como ainda assume a posição machista sobre o Criador - o homem feito à imagem de Deus, ele mesmo um homem. Logo, homem e Homem. Pour Homme é um espectáculo de homens para homens, não no sentido gay do termo (é, surpreendentemente heterossexual), mas entre duas frases tipo: "boys will be boys" e "a man's got to do what a man's got to do".
É ainda um espectáculo claramente narcísista, não no sentido pejorativo do termo, mas antes no que isso possa permitir o posicionamento do criador (um homem) no problema que ele mesmo levanta: representação devenu alteridade. Estas são as suas referências, os seus modelos, as suas dúvidas. Confrontando-as com a do espectador, uma nova teoria/um novo espectáculo surgirá. Pour Homme é, assim, uma obra em aberto, em que a vantagem está, curiosamente, do lado do espectador. Este já sabe quais são os alicerces do criador e pode rebatê-los. Ao criador resta-lhe esperar. Para depois se questionar.
Ao falar em referências pessoais, refiro-me ao trabalho de pesquisa que AM desenvolve e exemplifica. As sequências que vai apresentando resultam de um processo de observação/confrontação de modelos, esterótipos, conceitos e definições que mais não são que pré-conceitos em relação ao que se espera/o que é um homem. E é esta posição que atira Pour Homme para um trabalho antropológico mais do que um anedoctário de situações-tipo. Mesmo que seja a partir destas que o espectáculo se desenvolva.
Tomemos como exemplo o momento em que AM se apresenta em diversas poses/instantâneos/perfis masculinos e aposta num intercalar aparentemente descoordenado. No centro do palco, dividido por uma esquadria branca, o autor vai de Jesus Cristo ao Homem-Aranha e deste a Hitler, São Sebastião, Adão, faraó ou cowboy. Estas apresentações, precisamente por serem aparentemente aleatórias, desafiam o espectador a identificar os traços comuns e as diferenças nestes modelos masculinos. Todos são presença e ausência, já que, tendo-se tornado "maiores que a vida" dificilmente poderão ser encontrados na plateia do teatro. Será talvez por isso que os mais conseguidos são os de dificil identificação. Serão nesses que se esconde a razão de ser homem.
No extremo oposto desta "metamorfose" ("todos somos um só") temos o sr. "X" que usa palitos, boceja sem colocar a mão à frente da boca, coça o sexo, dança sem estilo e gaba-se das conquistas. A este, "perfeito nobody", todos reagem com graça, gargalhada fácil e até um certo desdém. Escondendo-se/esquivando-se, muito provavelmente, de uma imediata identificação. É por isso que quando AM entra em cena e, de costas para o público, urina para o chão do palco, o espectador é confrontado com os limites do papel que o homem representa no quotidiano. Que AM apresente este "boneco" logo nos momentos iniciais do espectáculo, é revelador da necessidade de perceber que àquele limite é melhor não voltar.
Joga-se por isso num equilíbrio entre o movimento coreografado e a representação do quotidiano. Ou, se quisermos, numa consciência do acto versus acto irreflectido. Nesta espécie de sombra chinesa em que o espectáculo se desenvolve sente-se, naturalmente, uma forte influência da coreografia e do movimento (ou daquilo que se entende por movimento), o que acaba por criar uma anulação do gesto quotidiano. Tudo se torna performático. É notória a contaminação pelo último espectáculo de Tiago Guedes, Materiais Diversos (2003), numa tentativa de compromisso entre o controlo dos gestos (para permitir a especulação) e a naturalidade dos mesmos (afinal trata-se de trabalhar o estereótipo). O que AM faz não é mais que colocar um espelho à boca de cena, de modo a forçar um duplo processo de identificação que se pode resumir como "Olha-me para que eu te veja". E tal posição pretende recusar a empatia fácil de um espectador que esteja ganho à partida. Vejam-se as reacções à canção desafinada cantada no final do espectáculo. É como se o espectador respirasse de alívio. E daí talvez não.
À pergunta "Como funciona o homem quando posto em palco?", AM propõe um eterno questionar, não porque não tenha já algumas respostas, mas porque seria tipicamente masculino querer impor a sua. E talvez seja essa a ponte para o que se segue (3).
(1) Da responsabilidade do departamento de dança do Centro Cultural de Belém;
(2) Cláudia Madeira, E no céu, de hoje, que nuvens há? in Artinsite n.º1, pp. 102-107, Transforma A.C., Torres Vedras, 2004;
(3) Pour Homme é o primeiro espectáculo de uma trilogia dedicada aos comportamentos masculino e feminino.
sábado, novembro 20, 2004
Arrumações
E a dada altura do processo de instalação em casa nova, aparecem os caixotes com os afectos e o passado armazenado. Reunir, confrontar, remexer, ordenar, rearrumar. Para que tudo fique na mesma. O passado guarda-se em caixas, há espera de dias melhores. Esses dias em que já nem nos lembramos do que lá está dentro. O feng-shui diz que não devemos guardar coisas mortas dentro de casa. Mas e quando essas coisas mortas são o nosso passado? Será isso deitar fora parte de nós?
DIREITO AO PRAZER
Hoje à noite, no Jornal da Noite da SIC, passa uma reportagem impressionante da autoria da jornalista Catarina Neves acerca da vida sexual das pessoas portadoras de deficiências mentais ou físicas. Chama-se DIREITO AO PRAZER. Com testemunhos emocionados, promete colocar o dedo na ferida, sem cedências à gratuicidade e ao politicamente correcto.
Direito ao Prazer
A sexualidade e a afectividade das pessoas com deficiência na Reportagem SIC-Visão deste sábado
Depender de uma cadeira de rodas. Não controlar os movimentos. Falar com dificuldade. Ver o corpo a crescer enquanto a razão fica esquecida. A deficiência pode ser mental ou física. A sexualidade atravessa estes dois mundos, mas nem sempre o direito ao prazer está garantido.
Seis pessoas portadoras de deficiência mostram como a vontade de ter uma relação é tão forte e importante como para qualquer outro homem ou mulher.
Nuno Reis tem uma deficiência motora que resultou de um acidente de viação, há nove anos. Depois de três meses em coma profundo, Nuno Reis acordou para um corpo diferente. Garante que foi como renascer. Está casado há mais de um ano com uma mulher sem deficiência. A festa fez-se em cima do tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no dia da mini-maratona de Lisboa.
A paralesia cerebral impede a autonomia, diminui a capacidade de comunicação, limita a concretização de desejos. João Pombeiro nasceu com paralesia cerebral. Aos 43 anos, João quer ter uma relação sexual, quer "experimentar", como costuma dizer. Por isso, pede a legalização da prostituição. Talvez assim fosse mais fácil encontrar alguém preparado para partilhar a intimidade com uma pessoa com deficiência, mesmo quando o encontro de necessidades dura breves minutos.
Manuel Baltazar também nasceu com paralesia cerebral. Mas, ao contrário de João Pombeiro, Manuel é casado. O amor chegou via internet. Klara Stelzer, 42 anos, dois filhos do primeiro casamento, veio do Brasil para se juntar a um homem com deficiência.
Gostar de alguém e casar é o grande plano da vida de Eunice Marques. Adora conversar, sabe os nomes dos ministros e as últimas notícias do país mas não é capaz, por exemplo, de tratar duma casa sozinha ou escolher roupa para vestir. Tem uma deficiência mental moderada e uma certeza: ter relações sexuais só depois de casar.
A trissomia 21, também conhecido por mongolísmo ou síndrome de down, é uma deficiência mental que afecta uma em cada 700 crianças em todo o mundo.
Teresa Palha tem 18 anos. Sabe que a trissomia 21 a torna diferente da maioria das adolescentes. Teresa gostava de ter um namorado sem trissomia 21 até porque se considera uma mulher bonita.
Para quem chega aos 22 anos e perde a mobilidade e a sensibilidade nas pernas, resta a força que permite a adaptação a uma nova forma de estar. Carlos Costa foi atingido por uma mina, na guerra, em Angola. Ficou agarrado a uma cama. Aos poucos começou a recuperar e a descobrir uma nova forma de sentir prazer e, mais do que tudo, de dar prazer aos outros.
Nuno, João, Eunice, Carlos, Manuel, Teresa. Os escolhidos à força para integrar um mundo diferente, disforme, deficiente mas com direito ao prazer.
Direito ao prazer
Jornalista - Catarina Neves; Imagem - Manuel Chaves; Edição de Imagem - Marco Neiva; Produção Editorial - Graça Costa Pereira; Grafismo - Paulo Alves; Coordenação - Cândida Pinto
Hoje à noite, no Jornal da Noite da SIC, passa uma reportagem impressionante da autoria da jornalista Catarina Neves acerca da vida sexual das pessoas portadoras de deficiências mentais ou físicas. Chama-se DIREITO AO PRAZER. Com testemunhos emocionados, promete colocar o dedo na ferida, sem cedências à gratuicidade e ao politicamente correcto.
Direito ao Prazer
A sexualidade e a afectividade das pessoas com deficiência na Reportagem SIC-Visão deste sábado
Depender de uma cadeira de rodas. Não controlar os movimentos. Falar com dificuldade. Ver o corpo a crescer enquanto a razão fica esquecida. A deficiência pode ser mental ou física. A sexualidade atravessa estes dois mundos, mas nem sempre o direito ao prazer está garantido.
Seis pessoas portadoras de deficiência mostram como a vontade de ter uma relação é tão forte e importante como para qualquer outro homem ou mulher.
Nuno Reis tem uma deficiência motora que resultou de um acidente de viação, há nove anos. Depois de três meses em coma profundo, Nuno Reis acordou para um corpo diferente. Garante que foi como renascer. Está casado há mais de um ano com uma mulher sem deficiência. A festa fez-se em cima do tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no dia da mini-maratona de Lisboa.
A paralesia cerebral impede a autonomia, diminui a capacidade de comunicação, limita a concretização de desejos. João Pombeiro nasceu com paralesia cerebral. Aos 43 anos, João quer ter uma relação sexual, quer "experimentar", como costuma dizer. Por isso, pede a legalização da prostituição. Talvez assim fosse mais fácil encontrar alguém preparado para partilhar a intimidade com uma pessoa com deficiência, mesmo quando o encontro de necessidades dura breves minutos.
Manuel Baltazar também nasceu com paralesia cerebral. Mas, ao contrário de João Pombeiro, Manuel é casado. O amor chegou via internet. Klara Stelzer, 42 anos, dois filhos do primeiro casamento, veio do Brasil para se juntar a um homem com deficiência.
Gostar de alguém e casar é o grande plano da vida de Eunice Marques. Adora conversar, sabe os nomes dos ministros e as últimas notícias do país mas não é capaz, por exemplo, de tratar duma casa sozinha ou escolher roupa para vestir. Tem uma deficiência mental moderada e uma certeza: ter relações sexuais só depois de casar.
A trissomia 21, também conhecido por mongolísmo ou síndrome de down, é uma deficiência mental que afecta uma em cada 700 crianças em todo o mundo.
Teresa Palha tem 18 anos. Sabe que a trissomia 21 a torna diferente da maioria das adolescentes. Teresa gostava de ter um namorado sem trissomia 21 até porque se considera uma mulher bonita.
Para quem chega aos 22 anos e perde a mobilidade e a sensibilidade nas pernas, resta a força que permite a adaptação a uma nova forma de estar. Carlos Costa foi atingido por uma mina, na guerra, em Angola. Ficou agarrado a uma cama. Aos poucos começou a recuperar e a descobrir uma nova forma de sentir prazer e, mais do que tudo, de dar prazer aos outros.
Nuno, João, Eunice, Carlos, Manuel, Teresa. Os escolhidos à força para integrar um mundo diferente, disforme, deficiente mas com direito ao prazer.
Direito ao prazer
Jornalista - Catarina Neves; Imagem - Manuel Chaves; Edição de Imagem - Marco Neiva; Produção Editorial - Graça Costa Pereira; Grafismo - Paulo Alves; Coordenação - Cândida Pinto
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