quarta-feira, junho 02, 2004
Bólide, ou o que seja
Portugal viu a luz, aparentemente. Ovnis, desejos, Nosa senhora, os dentes de Paulo Portas, o fim do mundo... ao que se conta, tratou-e de um bólide, um cometa perdido nas atmosferas.
A propósito, continuo sem conseguir entrar no meu blog. A luz é bem vinda, de todos os lados.
Portugal viu a luz, aparentemente. Ovnis, desejos, Nosa senhora, os dentes de Paulo Portas, o fim do mundo... ao que se conta, tratou-e de um bólide, um cometa perdido nas atmosferas.
A propósito, continuo sem conseguir entrar no meu blog. A luz é bem vinda, de todos os lados.
terça-feira, junho 01, 2004
Lido aqui a propósito da vinda da Senhora:
A Madonna vem cá dia 12 de Setembro. Eu acho que foi a Britney que a convenceu. E este log do Messenger de uma conversa entre as duas só prova isso:
Britna diz:
Ai filha, agora tenho de ir lá ao Rock In Rio Lisboa.
Material Girl diz:
Lisboa?
Britna diz:
Sim, em Portugal.
Madge diz:
Portugal? Isso não é uma provincia espanhola? Ai já fui tantas vezes actuar a Espanha nestes anos todos!
Britna diz:
Tá parva! Oh mulher a idade fez-te mal ou quê? PORTUGAL! É um país que não tem nada a ver com Espanha!
Madge diz:
A sério? K'horror! Ainda não actuei lá! Também quero.
Britna diz:
Marca uma data mulher! Enfia-a lá para o fim da digressão.
Madge diz:
Boa! És tão esperta Britney!
A Madonna vem cá dia 12 de Setembro. Eu acho que foi a Britney que a convenceu. E este log do Messenger de uma conversa entre as duas só prova isso:
Britna diz:
Ai filha, agora tenho de ir lá ao Rock In Rio Lisboa.
Material Girl diz:
Lisboa?
Britna diz:
Sim, em Portugal.
Madge diz:
Portugal? Isso não é uma provincia espanhola? Ai já fui tantas vezes actuar a Espanha nestes anos todos!
Britna diz:
Tá parva! Oh mulher a idade fez-te mal ou quê? PORTUGAL! É um país que não tem nada a ver com Espanha!
Madge diz:
A sério? K'horror! Ainda não actuei lá! Também quero.
Britna diz:
Marca uma data mulher! Enfia-a lá para o fim da digressão.
Madge diz:
Boa! És tão esperta Britney!
Em nome do pai, do filho e do espírito santo
recepção de La Mala Educácion, de Pedro Almodóvar
De uma maneira geral, o tom é de surpresa e espanto. Da parte de Almodóvar parece a construção de um espelho temático que reflecte, sem grandes demoras, um outro filme negro do realizador, La ley del deseo, sendo que, depois do lirismo de Hable con ella poderia facilmente classificar-se como um passo atrás.
Mas é exactamente nesse passo atrás que Almodóvar surpreende e inverte o nosso ponto de vista. Preparado como se de um jogo de cartas se tratasse, La Mala Educacion (título que indicia uma posição sobre, quando esta, no meu entender, não existe), o filme carece de uma concentração emocional da parte do espectador que não deve querer tudo ver, tudo perceber. A história que nos é contada (que, ironia das ironias, é bem mais de série B do que seria de esperar) não deve ter leitura imediata para que o espectador não caia na fácil armadilha de querer perceber o que nos está a ser dito. No entanto, este é um filme exposto. Exposto, não só porque há uma vontade de querer descobrir o que é relidade e o que é ficção (atenção sobretudo ao que fica no ecrão como imagem final), mas porque não precisa de mostrar tudo para acertar no alvo. O que parece um paradoxo é, afinal, uma forma nada subtil de afirmação. As verdades, para Almodóvar, aguentam-se até quebrarem por si. Só depois se tornam mentiras. E mesmo essas são esperançosas.
La Mala Educacion é, assim, não um conto de fadas negro, ou uma parábola, nem tão pouco uma metáfora. É antes um exercício de estilo sobre a importância da memória e da necesidade de lisura nas construções do pensamento. A história que vive dentro da história que vive dentro da história é, afinal, só uma. Realidade ou ficção não se sabe. Mas suficientemente crua para parecer verdadeira. E ainda assim...
Se o filme recorda esse outro, também ele agreste, La ley del deseo, recorda, também, numa primeira fase, um outro de Louis Malle, Au Revoir les Enfants, em que o tempo que se quer de inocência é abruptamente arrancado. E o que começa como uma história de pura vingança, acaba numa melancolia amorosa radical. Como os amantes de La ley del deseo que morrem queimados, também estes amantes - que nunca o foram, pelo menos não como os outros - arderam, passe o cliché, numa outra fogueira bem mais dolorosa que é a da memória e da não consumação.
Filme sem mulheres (e mesmo com homens sem referências femininas - Sara Montiel não é mulher, é deusa), e sem personagens positivas (todos eles estão carregados de um azedo que incomoda e que só muito depois do fim do filme é que e começa a perceber), La Mala Educacion é, ainda, uma obra plena de sensualidade que não e coaduna com a clasificação gay. É uma sensualidade masculina, cheia de duplos sentidos que não existem e de uma violência opresiva, de quem controla só por medo de ser controlado. Eles não se tocam, agarram-se; eles não falam, dizem coisas a quererem ser outras sem saberem o que querem. Um filme de sufoco e transpiração, quente como só o desconhecimento pode ser.
recepção de La Mala Educácion, de Pedro Almodóvar
De uma maneira geral, o tom é de surpresa e espanto. Da parte de Almodóvar parece a construção de um espelho temático que reflecte, sem grandes demoras, um outro filme negro do realizador, La ley del deseo, sendo que, depois do lirismo de Hable con ella poderia facilmente classificar-se como um passo atrás.
Mas é exactamente nesse passo atrás que Almodóvar surpreende e inverte o nosso ponto de vista. Preparado como se de um jogo de cartas se tratasse, La Mala Educacion (título que indicia uma posição sobre, quando esta, no meu entender, não existe), o filme carece de uma concentração emocional da parte do espectador que não deve querer tudo ver, tudo perceber. A história que nos é contada (que, ironia das ironias, é bem mais de série B do que seria de esperar) não deve ter leitura imediata para que o espectador não caia na fácil armadilha de querer perceber o que nos está a ser dito. No entanto, este é um filme exposto. Exposto, não só porque há uma vontade de querer descobrir o que é relidade e o que é ficção (atenção sobretudo ao que fica no ecrão como imagem final), mas porque não precisa de mostrar tudo para acertar no alvo. O que parece um paradoxo é, afinal, uma forma nada subtil de afirmação. As verdades, para Almodóvar, aguentam-se até quebrarem por si. Só depois se tornam mentiras. E mesmo essas são esperançosas.
La Mala Educacion é, assim, não um conto de fadas negro, ou uma parábola, nem tão pouco uma metáfora. É antes um exercício de estilo sobre a importância da memória e da necesidade de lisura nas construções do pensamento. A história que vive dentro da história que vive dentro da história é, afinal, só uma. Realidade ou ficção não se sabe. Mas suficientemente crua para parecer verdadeira. E ainda assim...
Se o filme recorda esse outro, também ele agreste, La ley del deseo, recorda, também, numa primeira fase, um outro de Louis Malle, Au Revoir les Enfants, em que o tempo que se quer de inocência é abruptamente arrancado. E o que começa como uma história de pura vingança, acaba numa melancolia amorosa radical. Como os amantes de La ley del deseo que morrem queimados, também estes amantes - que nunca o foram, pelo menos não como os outros - arderam, passe o cliché, numa outra fogueira bem mais dolorosa que é a da memória e da não consumação.
Filme sem mulheres (e mesmo com homens sem referências femininas - Sara Montiel não é mulher, é deusa), e sem personagens positivas (todos eles estão carregados de um azedo que incomoda e que só muito depois do fim do filme é que e começa a perceber), La Mala Educacion é, ainda, uma obra plena de sensualidade que não e coaduna com a clasificação gay. É uma sensualidade masculina, cheia de duplos sentidos que não existem e de uma violência opresiva, de quem controla só por medo de ser controlado. Eles não se tocam, agarram-se; eles não falam, dizem coisas a quererem ser outras sem saberem o que querem. Um filme de sufoco e transpiração, quente como só o desconhecimento pode ser.
domingo, maio 30, 2004
sábado, maio 29, 2004
Esta estranha dor cúmplice e partilhada
Ser regular nas visitas a pacientes internados em hospitais, leva-nos [aos visitantes] a reconhecer outros que anseiam por melhoras. Melhoras essas que, no cuidados intensivos, podem ser vãs. Às vezes queremos acreditar que um certo rubor na cor da pele, ou uma reacção ao ventilador possam ser sinais de melhoras. Comparamos, em jeito de senso-comum, a nossa pulsação com a do doente e acabamos a sorrir, achando que, afinal, ele até está melhor que nós, dadas as circunstâncias.
Os visitantes dos pacientes que aguardam a vez na fria sala de espera, não sorriem, só olham uns para os outros, desejando secretamente as melhoras do ente querido. Às vezes, vemos uns saírem chorosos e sabemos que alguém não aguentou a doença e já fechou os olhos. Desejamos que não nos calhe a mesma sorte, mas sabemos que é difícil.
As horas de acompanhamento familiar são momentos de uma comunhão suspensa entre desconhecidos, como se quisessemos estabelecer uma corrente de forças que nos libertasse a todos, pacientes e visitantes.
Entretanto esperamos.
Ser regular nas visitas a pacientes internados em hospitais, leva-nos [aos visitantes] a reconhecer outros que anseiam por melhoras. Melhoras essas que, no cuidados intensivos, podem ser vãs. Às vezes queremos acreditar que um certo rubor na cor da pele, ou uma reacção ao ventilador possam ser sinais de melhoras. Comparamos, em jeito de senso-comum, a nossa pulsação com a do doente e acabamos a sorrir, achando que, afinal, ele até está melhor que nós, dadas as circunstâncias.
Os visitantes dos pacientes que aguardam a vez na fria sala de espera, não sorriem, só olham uns para os outros, desejando secretamente as melhoras do ente querido. Às vezes, vemos uns saírem chorosos e sabemos que alguém não aguentou a doença e já fechou os olhos. Desejamos que não nos calhe a mesma sorte, mas sabemos que é difícil.
As horas de acompanhamento familiar são momentos de uma comunhão suspensa entre desconhecidos, como se quisessemos estabelecer uma corrente de forças que nos libertasse a todos, pacientes e visitantes.
Entretanto esperamos.
Grande coisa...
... esta de ganharem ao Luxemburgo. Mau era se perdessem. Estão a fazer um favor a alguém?????
... esta de ganharem ao Luxemburgo. Mau era se perdessem. Estão a fazer um favor a alguém?????
Por um mundo melhor
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quarta-feira, maio 26, 2004
Não envergonharás o teu país (VI)
No melhor pano cai a nódoa:
ÁGUEDA
«Saco Azul» levanta suspeitas sobre finanças do PSD Há novas suspeitas sobre o financiamento ilegal dos partidos. Desta vez é o PSD que está em causa. As investigações à câmara de Águeda, que envolvem também o deputado social-democrata Cruz Silva, levantam suspeitas sobre as finanças «laranja».
A notícia é avançada pelo jornal «Público» desta quarta-feira, segundo o qual parte das verbas alegadamente desviadas da Câmara de Águeda foram depositadas numa conta do PSD. O primeiro titular dessa conta é o ministro José Luís Arnaut. O dinheiro foi depositado por Cruz Silva, empresário de Águeda e deputado do PSD.
No melhor pano cai a nódoa:
ÁGUEDA
«Saco Azul» levanta suspeitas sobre finanças do PSD Há novas suspeitas sobre o financiamento ilegal dos partidos. Desta vez é o PSD que está em causa. As investigações à câmara de Águeda, que envolvem também o deputado social-democrata Cruz Silva, levantam suspeitas sobre as finanças «laranja».
A notícia é avançada pelo jornal «Público» desta quarta-feira, segundo o qual parte das verbas alegadamente desviadas da Câmara de Águeda foram depositadas numa conta do PSD. O primeiro titular dessa conta é o ministro José Luís Arnaut. O dinheiro foi depositado por Cruz Silva, empresário de Águeda e deputado do PSD.
Montanha Russa
Em dias de mudança de casa e novas instalações, com o meu avô no hospital e sem melhoras, e prazos finais nos vários afazeres, este blog regressa no fim de semana para, entre outras coisas, dar mais atenção a:
- Madonna em Portugal, 12 de Setembro, Pavilhão Atlântico;
- as novas séries da RTP 2.
Para já, este anjo está só banzado com o discurso de "descobri-a-pólovora" de Durão Barroso.
Em dias de mudança de casa e novas instalações, com o meu avô no hospital e sem melhoras, e prazos finais nos vários afazeres, este blog regressa no fim de semana para, entre outras coisas, dar mais atenção a:
- Madonna em Portugal, 12 de Setembro, Pavilhão Atlântico;
- as novas séries da RTP 2.
Para já, este anjo está só banzado com o discurso de "descobri-a-pólovora" de Durão Barroso.
terça-feira, maio 25, 2004
Novo mês, novo Workshop
WORKSHOP de PRODUÇÃO CRIATIVA
com Tiago Bartolomeu Costa
Local: Delegação Regional Instituto Português da Juventude
Via Moscavide lote 47 101, Lisboa (Parque das Nações)
N.º de horas: 19
Datas: 14 a 19 Junho
Horários: 19h – 22h; sábado 19: 15h-19h
Preço: 60 €
Informações: 96 550 9 550
tiagobartolomeucosta@hotmail.com
O workshop abordará os seguintes temas, através de exercícios práticos
O papel do produtor no processo de criação; Relação Estado/Sociedade – Cultura; Pesquisa de Financiamentos - Patrocínios, Mecenato, Apoios; Organização de estruturas; Desenho de Projecto,
orçamentação e imprevistos; Marketing, promoção e públicos.
WORKSHOP de PRODUÇÃO CRIATIVA
com Tiago Bartolomeu Costa
Local: Delegação Regional Instituto Português da Juventude
Via Moscavide lote 47 101, Lisboa (Parque das Nações)
N.º de horas: 19
Datas: 14 a 19 Junho
Horários: 19h – 22h; sábado 19: 15h-19h
Preço: 60 €
Informações: 96 550 9 550
tiagobartolomeucosta@hotmail.com
O workshop abordará os seguintes temas, através de exercícios práticos
O papel do produtor no processo de criação; Relação Estado/Sociedade – Cultura; Pesquisa de Financiamentos - Patrocínios, Mecenato, Apoios; Organização de estruturas; Desenho de Projecto,
orçamentação e imprevistos; Marketing, promoção e públicos.
Le trottoir
Fui ver The Dreamers - Os Sonhadores, de Bernardo Bertolluci mais para épater le bourgeouis que outra coisa e saí de lá a achar que o Maio de 68 foi um médio orgasmo fílmico de fim de tarde parisiense. I wonder why can't the frenchs fuck!
(Um amigo diz-me que eu não gostei do filme porque nada aconteceu entre os rapazes. Mesmo que isso fosse verdade - o que me obrigaria a imaginar o rabo do Bertolluci com 20 anos -, há um sufoco no filme que me parece demasiado falso. Mas esse é o erro de se quererem escrever auto-biografias a fingirem-se ensaios lúdicos)
Fui ver The Dreamers - Os Sonhadores, de Bernardo Bertolluci mais para épater le bourgeouis que outra coisa e saí de lá a achar que o Maio de 68 foi um médio orgasmo fílmico de fim de tarde parisiense. I wonder why can't the frenchs fuck!
(Um amigo diz-me que eu não gostei do filme porque nada aconteceu entre os rapazes. Mesmo que isso fosse verdade - o que me obrigaria a imaginar o rabo do Bertolluci com 20 anos -, há um sufoco no filme que me parece demasiado falso. Mas esse é o erro de se quererem escrever auto-biografias a fingirem-se ensaios lúdicos)
Não envergonharás o teu país (V)
Manuela Ferreira Leite Não Esclarece Porque Ficou Isenta de Coima Fiscal
A ministra de Estado e das Finanças recusa-se a esclarecer as suas próprias declarações, na passada sexta-feira, de que não pagou qualquer multa quando corrigiu a declaração de rendimentos de 2001, por ter omitido a mais-valia obtida por venda de um imóvel. De acordo com o entendimento da administração fiscal e dos tribunais administrativos, Manuela Ferreira Leite não podia ter dispensa ou atenuação de coima pela infracção grave que cometeu.
Manuela Ferreira Leite Não Esclarece Porque Ficou Isenta de Coima Fiscal
A ministra de Estado e das Finanças recusa-se a esclarecer as suas próprias declarações, na passada sexta-feira, de que não pagou qualquer multa quando corrigiu a declaração de rendimentos de 2001, por ter omitido a mais-valia obtida por venda de um imóvel. De acordo com o entendimento da administração fiscal e dos tribunais administrativos, Manuela Ferreira Leite não podia ter dispensa ou atenuação de coima pela infracção grave que cometeu.
domingo, maio 23, 2004
sábado, maio 22, 2004
Não envergonharás o teu país (IV)
Toda e qualquer cobertura excesiva e pouco apropriada da boda espanhola. Anos e anos a lutar pela independência e é nisto que dá. Quer-me parecer que a TVE está a fazer a transmissão do casamento através de imagens recolhidas pelos canais portugueses.
El Príncipe Felipe y Letizia Ortiz se han jurado amor eterno y se han dado el 'sí quiero' ante el altar de la catedral de la Almudena. Con semblante sereno la voz quebrada por la emoción, los novios se han hecho las promesas de amor. Letizia es ya Princesa de Asturias
Para mim cheira-me a estratégia social-democrata, para afastar as atenções do Congresso.
Toda e qualquer cobertura excesiva e pouco apropriada da boda espanhola. Anos e anos a lutar pela independência e é nisto que dá. Quer-me parecer que a TVE está a fazer a transmissão do casamento através de imagens recolhidas pelos canais portugueses.
El Príncipe Felipe y Letizia Ortiz se han jurado amor eterno y se han dado el 'sí quiero' ante el altar de la catedral de la Almudena. Con semblante sereno la voz quebrada por la emoción, los novios se han hecho las promesas de amor. Letizia es ya Princesa de Asturias
Para mim cheira-me a estratégia social-democrata, para afastar as atenções do Congresso.
sexta-feira, maio 21, 2004
O mundo comme il faut
Em Abu Grahib, denuncia o Washington Post, cães - um animal proibido de acordo com o Islão - foram usados para torturar os detidos...
Em Madrid, o jantar vai ser servido...
Em Abu Grahib, denuncia o Washington Post, cães - um animal proibido de acordo com o Islão - foram usados para torturar os detidos...
Em Madrid, o jantar vai ser servido...
Pobre feira
Com o casamento em Espanha, o congresso do PSD, a aproximação do Euro, o Rock in Rio a começar, a chuva, o túnel e o défice... quem é que se lembrou que abriu uma feira do livro em Lisboa hoje?
Com o casamento em Espanha, o congresso do PSD, a aproximação do Euro, o Rock in Rio a começar, a chuva, o túnel e o défice... quem é que se lembrou que abriu uma feira do livro em Lisboa hoje?
Uma remodelação para a ceia, por favor
REMODELAÇÃO
Amílcar Theias substituído por Arlindo Cunha
Amílcar Theias foi exonerado do cargo de ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente e será substituído por Arlindo Cunha, antigo ministro da Agricultura.
A Sic-Notícias disse na peça que anunciou a substituição, que o ex-ministro era tão discreto, tão discreto, que as únicas imagens que encontrou foram da tomade de posse.
REMODELAÇÃO
Amílcar Theias substituído por Arlindo Cunha
Amílcar Theias foi exonerado do cargo de ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente e será substituído por Arlindo Cunha, antigo ministro da Agricultura.
A Sic-Notícias disse na peça que anunciou a substituição, que o ex-ministro era tão discreto, tão discreto, que as únicas imagens que encontrou foram da tomade de posse.
Não envergonharás o teu país (III)
TRIBUNAL DE CONTAS
Autarquias endividadas por causa do Euro 2004
Uma auditoria do Tribunal de Contas indica que as autarquias vão ser obrigadas a desviar dinheiro de áreas prioritárias para compensar o endividamento das câmaras. Tudo por causa da remodelação e da construção dos estádios do Euro 2004.
É a pátria! É a pátria!, diz Arnaut.
TRIBUNAL DE CONTAS
Autarquias endividadas por causa do Euro 2004
Uma auditoria do Tribunal de Contas indica que as autarquias vão ser obrigadas a desviar dinheiro de áreas prioritárias para compensar o endividamento das câmaras. Tudo por causa da remodelação e da construção dos estádios do Euro 2004.
É a pátria! É a pátria!, diz Arnaut.
quinta-feira, maio 20, 2004
terça-feira, maio 18, 2004
Não envergonharás o teu país (I)
O cinzento e obscuro José Luís Arnaut, disse, quando os funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ameaçaram fazer greve durante os dias do Euro 2004, que não acreditava que alguém fosse capaz de envergonhar e deixar mal Portugal. O Melhor Anjo vai ajudar o ministro-adjunto a identificar essas sacanas que, afinal, estão a contribuir para o afundanço em grande mortal encarpado deste nosso terreno por cultivar que se chama Condado Portucalense.
Exemplo I:
Ministro e responsável da segurança em desacordo
O ministro da Administração Interna garante que o país está pronto para enfrentar todos os desafios do Euro 2004. Já o responsável pela segurança do torneiro sublinha que «não há milagres».
O cinzento e obscuro José Luís Arnaut, disse, quando os funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras ameaçaram fazer greve durante os dias do Euro 2004, que não acreditava que alguém fosse capaz de envergonhar e deixar mal Portugal. O Melhor Anjo vai ajudar o ministro-adjunto a identificar essas sacanas que, afinal, estão a contribuir para o afundanço em grande mortal encarpado deste nosso terreno por cultivar que se chama Condado Portucalense.
Exemplo I:
Ministro e responsável da segurança em desacordo
O ministro da Administração Interna garante que o país está pronto para enfrentar todos os desafios do Euro 2004. Já o responsável pela segurança do torneiro sublinha que «não há milagres».
Junho, eleições, futebol, calor e abstenção
Marcelo Rebelo de Sousa disse na sua missa dominical que até agora não se tinha falado de Europeias na pré-campanha e que (espanto!) os partidos estavam, até, resignados com os níveis de elevada abstenção indicados. Ou seja, e por outras palavras, estas eleições serão internas, não ao nível nacional, mas inter-partidárias, o que já é dizer muito acerca do sistema eleitoral. Enfim...
Mas a mim faz-me alguma confusão que não se tenha pensado que a data das eleições ia coincidir com a euforia do Euro 2004 e que isso iria impossibilitar um acesso da informação necessária aos votantes. Dizem-me pessoas amigas, que não deve ser a política a submeter-se às regras do futebol, mas vá lá, não sejamos ingénuos. Aqui ganha a lei do mais forte. E não me parece (aceito reclamações em sentido contrário) que se tenham organizado manifestações ou petições (há-as para tudo, meu Deus!) para que a data das eleições fosse alterada. Em pleno 13 de Junho ocorrem dois jogos, e um deles entre França e Inglaterra. Fará parte da estratégia dos partidos no governo (de todos os países envolvidos) o alheamento das populações? Pão e circo, de novo?
Sei que a data das eleições está condicionada por uma série de regras e circunstâncias, mas, caramba, um outro dia não ia com certeza, alterar grande coisa.
Em Portugal teremos o 10 de Junho na quinta feira, o que originará a única ponte dos últimos 6 meses e debaixo de um calor intenso, e as festas de Santo António, a 13, com as marchas em Lisboa em plena avenida invadida de turistas-adeptos. Será que não viram isto? Servem para quê as Comissões Nacionais de Eleições?
Lembro-me das primeiras eleições para a Europa e de um helicóptero da RTP ter sobrevoado as praias da Costa da Caparica, onde as pessoas acenavam como que a dizerem "quero lá saber da Europa com este calor!". Eu incluído.
A abstenção não vai ajudar ninguém e é, em suma, da responsabilidade de todos.
Marcelo Rebelo de Sousa disse na sua missa dominical que até agora não se tinha falado de Europeias na pré-campanha e que (espanto!) os partidos estavam, até, resignados com os níveis de elevada abstenção indicados. Ou seja, e por outras palavras, estas eleições serão internas, não ao nível nacional, mas inter-partidárias, o que já é dizer muito acerca do sistema eleitoral. Enfim...
Mas a mim faz-me alguma confusão que não se tenha pensado que a data das eleições ia coincidir com a euforia do Euro 2004 e que isso iria impossibilitar um acesso da informação necessária aos votantes. Dizem-me pessoas amigas, que não deve ser a política a submeter-se às regras do futebol, mas vá lá, não sejamos ingénuos. Aqui ganha a lei do mais forte. E não me parece (aceito reclamações em sentido contrário) que se tenham organizado manifestações ou petições (há-as para tudo, meu Deus!) para que a data das eleições fosse alterada. Em pleno 13 de Junho ocorrem dois jogos, e um deles entre França e Inglaterra. Fará parte da estratégia dos partidos no governo (de todos os países envolvidos) o alheamento das populações? Pão e circo, de novo?
Sei que a data das eleições está condicionada por uma série de regras e circunstâncias, mas, caramba, um outro dia não ia com certeza, alterar grande coisa.
Em Portugal teremos o 10 de Junho na quinta feira, o que originará a única ponte dos últimos 6 meses e debaixo de um calor intenso, e as festas de Santo António, a 13, com as marchas em Lisboa em plena avenida invadida de turistas-adeptos. Será que não viram isto? Servem para quê as Comissões Nacionais de Eleições?
Lembro-me das primeiras eleições para a Europa e de um helicóptero da RTP ter sobrevoado as praias da Costa da Caparica, onde as pessoas acenavam como que a dizerem "quero lá saber da Europa com este calor!". Eu incluído.
A abstenção não vai ajudar ninguém e é, em suma, da responsabilidade de todos.
domingo, maio 16, 2004
Composição para pigmento preto, papel de cenário, movimento, escuridão e infra-vermelhos
No espectáculo I am here, apresentado esta semana no CCB, João Fiadeiro (JF) encontra o universo da artista plástica Helena Almeida (HA) e assume uma certa cumplicidade e até mesmo ordem aparente na apresentação da proposta. Sente-se, neste solo, uma relação emocionada, mais até do que emocional, com a obra de HA e que se vai transmitindo através da desorientação do espectador. Desorientação essa que assenta, aparentemente, na escuridão em que o coreógrafo/intérprete envolve o espectador, mas, no fundo, tem mais a ver com a anulação do sentido de repetição do que na ausência de iluminação.
Se, por um lado, JF aposta no desconhecimento do espectador acerca do que se vai passando no palco, dá-lhe - coisa rara - oportunidade para escutar, efectiva e sensorialmente o som que os movimentos fazem. Dessa forma o espectador está mais perto do que nunca do que se está a passar. Pode "ver", efectivamente, o que quiser. No entanto, e por outro lado, JF envolve o espectador numa sequencial cadência que lhe permite começar a estabelecer um padrão que, imagina-se, culminará na total ocupação gráfica e pictórica do papel de cenário que é utilizado como suporte para os contornos da figura do intérprete, fotografado no escuro por uma câmara de infra-vermelhos. É quando essa cadeia se rompe - e novamente se romperá para a sequência final do espectáculo - que a desorientação no espectador acontece.
Se tivermos em linha de conta o que diz Pierre Francastel acerca da natureza do objecto plástico (in Arte e Técnica nos séculos XIX e XX), "o artista que compõe um quadro ou que concebe uma escultura produz objectos de civilização que, sob certo ponto de vista, possuem caracteres comuns às obras saídas da actividade mais especulativa, mais experimental ou mais mecânica da sociedade. Em qualquer dos casos, há produção de coisas que são exteriores ao produtor, utilizáveis por outrem e acerca das quais se estabelecem interferências de julgamento e acção". Dessa forma, o cruzamento da linguagem de HA com o processo criativo de JF encontra em I am here, um campo fértil na partilha de conceitos, técnicas, métodos e formas de conservação do trabalho a efectuar.
Delfim Sardo, na apresentação do catálogo do espectáculo, trabalha exactamente essa condição dupla observador/observado - objecto/criador, definindo a possibilidade de diálogo toranada fluída, "porque só se pode dialogar com o que é diverso, só se pode interrogar o que se quer conhecer". É, talvez por isso, que o discurso que tanto HA como JF querem fazer passar em relação ao ponto de partida (o trabalho plástico de HA e a apreciação deste por JF) e o ponto intermédio (I am here) - o ponto final será o cruzamento interno feito por cada espectador - é um só. Ou seja, não há a obra de um e a obra de outro em I am here, mas antes uma terceira obra, feita com as memórias a/efectivas de JF e o reconhecimento no espectador da obra de HA. Trata-se, citando novamente Francastel, de "uma última razão que impede de considerar a arte como um jogo puramente imaginário de especulação" e essa é a de "não ser crível a possibilidade de acrescentar ou de amputar à vontade certos elementos de um conjunto orgâncio, uma vez este formado". HA, sim. JF, sim. mas os dois em confronto directo, por justa e explícita posição. Não há I am here sem a obra de HA - não me parece que essa seja, sequer, uma intenção - nem, por espantosa relação, memória de HA depois do movimento de JF. Delfim Sardo estabelece uma linha entre "a imagem, o espaço e o corpo que o habita".
Se à dança se chama arte visual, JF apaga as luzes; se o gesto é abstracto, mostra o seu som; se o movimento é efémero, regista a sua marca. Anulam-se, por isso, as noções de aleatório e eventual num processo estritamente relacionado com o desconforto do espectador. O aleatório e o eventual deixam de o ser a partir do momento em que "sabemos" que na escuridão JF dança e que os perfis desenhados no papel de cenário tomam formas cuja interpretação cabe a cada um relacionar. As luzes apagadas, porque dão ilusoriamente toda a liberdade ao espectador (no caso do intérprete, este afirma tratar-se do espectáculo onde se sente menos livre), obrigam-no a uma atenção redobrada a todo o tipo de acontecimentos. No fundo, JF propõe que o espectador seja parte da ambiência sonora do espectáculo, na mesma medida em que John Cage trabalhou a sua "obra silenciosa" 4'33". É claro que, do ponto de vista do espectador, estas sensações são potenciadas pela "ausência" de espectáculo visual, habituados que estamos ao excesso de imagens. É neste ponto que a obra de JF mais se toca na de HA. Depois do criador, há o vazio, ou, se quisermos, o criador em estado-zero, pronto a recomeçar. E a isso o espectador não está habituado. Antes prefere sustentar-se numa estrutura mais linear, menos dispersa ou íntima.
Um último aspecto a salientar relaciona-se com esta ideia de aleatório e na capacidade que o espectador tem de poder equilibra o que desconhece, mais por segurança que por deleite interpretativo. Estabelece uma lógica para o aleatório e o eventual, que assenta em princípios racionais e da física alicerçados no dispositivo que permite esse aleatório, a máquina fotográfica de infra-vermelhos ligada a um computador. Dá-se, assim, a anulação do efeito pretendido por JF, a libertação do autor na obra de outro, através de uma descoberta privada. O espectador, porque observador (entre o cúmplice e o distante) desse caminho vê mais linhas do que aquelas pretendidas. Não olhar para o corpo a fazer coisas, mas antes para o que este deixa feito torna-se assim um exercício de racionalização e compreensão solitário. Não há um I am here. Há uma proposta de se estar. De porta aberta e para quem quiser.
No final, JF funde-se na obra de HA como se dela tivesse saído. Como se se libertasse do seu corpo e fosse só pigmento preto. está dado o primeiro passo para essa terceira obra a nascer. HA + JF = nuit et brouillard.
No espectáculo I am here, apresentado esta semana no CCB, João Fiadeiro (JF) encontra o universo da artista plástica Helena Almeida (HA) e assume uma certa cumplicidade e até mesmo ordem aparente na apresentação da proposta. Sente-se, neste solo, uma relação emocionada, mais até do que emocional, com a obra de HA e que se vai transmitindo através da desorientação do espectador. Desorientação essa que assenta, aparentemente, na escuridão em que o coreógrafo/intérprete envolve o espectador, mas, no fundo, tem mais a ver com a anulação do sentido de repetição do que na ausência de iluminação.
Se, por um lado, JF aposta no desconhecimento do espectador acerca do que se vai passando no palco, dá-lhe - coisa rara - oportunidade para escutar, efectiva e sensorialmente o som que os movimentos fazem. Dessa forma o espectador está mais perto do que nunca do que se está a passar. Pode "ver", efectivamente, o que quiser. No entanto, e por outro lado, JF envolve o espectador numa sequencial cadência que lhe permite começar a estabelecer um padrão que, imagina-se, culminará na total ocupação gráfica e pictórica do papel de cenário que é utilizado como suporte para os contornos da figura do intérprete, fotografado no escuro por uma câmara de infra-vermelhos. É quando essa cadeia se rompe - e novamente se romperá para a sequência final do espectáculo - que a desorientação no espectador acontece.
Se tivermos em linha de conta o que diz Pierre Francastel acerca da natureza do objecto plástico (in Arte e Técnica nos séculos XIX e XX), "o artista que compõe um quadro ou que concebe uma escultura produz objectos de civilização que, sob certo ponto de vista, possuem caracteres comuns às obras saídas da actividade mais especulativa, mais experimental ou mais mecânica da sociedade. Em qualquer dos casos, há produção de coisas que são exteriores ao produtor, utilizáveis por outrem e acerca das quais se estabelecem interferências de julgamento e acção". Dessa forma, o cruzamento da linguagem de HA com o processo criativo de JF encontra em I am here, um campo fértil na partilha de conceitos, técnicas, métodos e formas de conservação do trabalho a efectuar.
Delfim Sardo, na apresentação do catálogo do espectáculo, trabalha exactamente essa condição dupla observador/observado - objecto/criador, definindo a possibilidade de diálogo toranada fluída, "porque só se pode dialogar com o que é diverso, só se pode interrogar o que se quer conhecer". É, talvez por isso, que o discurso que tanto HA como JF querem fazer passar em relação ao ponto de partida (o trabalho plástico de HA e a apreciação deste por JF) e o ponto intermédio (I am here) - o ponto final será o cruzamento interno feito por cada espectador - é um só. Ou seja, não há a obra de um e a obra de outro em I am here, mas antes uma terceira obra, feita com as memórias a/efectivas de JF e o reconhecimento no espectador da obra de HA. Trata-se, citando novamente Francastel, de "uma última razão que impede de considerar a arte como um jogo puramente imaginário de especulação" e essa é a de "não ser crível a possibilidade de acrescentar ou de amputar à vontade certos elementos de um conjunto orgâncio, uma vez este formado". HA, sim. JF, sim. mas os dois em confronto directo, por justa e explícita posição. Não há I am here sem a obra de HA - não me parece que essa seja, sequer, uma intenção - nem, por espantosa relação, memória de HA depois do movimento de JF. Delfim Sardo estabelece uma linha entre "a imagem, o espaço e o corpo que o habita".
Se à dança se chama arte visual, JF apaga as luzes; se o gesto é abstracto, mostra o seu som; se o movimento é efémero, regista a sua marca. Anulam-se, por isso, as noções de aleatório e eventual num processo estritamente relacionado com o desconforto do espectador. O aleatório e o eventual deixam de o ser a partir do momento em que "sabemos" que na escuridão JF dança e que os perfis desenhados no papel de cenário tomam formas cuja interpretação cabe a cada um relacionar. As luzes apagadas, porque dão ilusoriamente toda a liberdade ao espectador (no caso do intérprete, este afirma tratar-se do espectáculo onde se sente menos livre), obrigam-no a uma atenção redobrada a todo o tipo de acontecimentos. No fundo, JF propõe que o espectador seja parte da ambiência sonora do espectáculo, na mesma medida em que John Cage trabalhou a sua "obra silenciosa" 4'33". É claro que, do ponto de vista do espectador, estas sensações são potenciadas pela "ausência" de espectáculo visual, habituados que estamos ao excesso de imagens. É neste ponto que a obra de JF mais se toca na de HA. Depois do criador, há o vazio, ou, se quisermos, o criador em estado-zero, pronto a recomeçar. E a isso o espectador não está habituado. Antes prefere sustentar-se numa estrutura mais linear, menos dispersa ou íntima.
Um último aspecto a salientar relaciona-se com esta ideia de aleatório e na capacidade que o espectador tem de poder equilibra o que desconhece, mais por segurança que por deleite interpretativo. Estabelece uma lógica para o aleatório e o eventual, que assenta em princípios racionais e da física alicerçados no dispositivo que permite esse aleatório, a máquina fotográfica de infra-vermelhos ligada a um computador. Dá-se, assim, a anulação do efeito pretendido por JF, a libertação do autor na obra de outro, através de uma descoberta privada. O espectador, porque observador (entre o cúmplice e o distante) desse caminho vê mais linhas do que aquelas pretendidas. Não olhar para o corpo a fazer coisas, mas antes para o que este deixa feito torna-se assim um exercício de racionalização e compreensão solitário. Não há um I am here. Há uma proposta de se estar. De porta aberta e para quem quiser.
No final, JF funde-se na obra de HA como se dela tivesse saído. Como se se libertasse do seu corpo e fosse só pigmento preto. está dado o primeiro passo para essa terceira obra a nascer. HA + JF = nuit et brouillard.
Tróia
O filme onde tudo se passa ao lado
Se queres ver o Brad Pitt nú, vai aqui;
Se queres conhecer a verdadeira Helena, por quem todos tombaram, lê aqui;
Se quiseres perceber alguma coisa do que se está ali a falar, procura aqui;
Se queres saber onde está o tendão de Aquiles vê aqui e trata-o assim, se tiveres problemas;
Se quiseres ver outro filme, escolhe aqui.
O filme onde tudo se passa ao lado
Se queres ver o Brad Pitt nú, vai aqui;
Se queres conhecer a verdadeira Helena, por quem todos tombaram, lê aqui;
Se quiseres perceber alguma coisa do que se está ali a falar, procura aqui;
Se queres saber onde está o tendão de Aquiles vê aqui e trata-o assim, se tiveres problemas;
Se quiseres ver outro filme, escolhe aqui.
quinta-feira, maio 13, 2004
quarta-feira, maio 12, 2004
terça-feira, maio 11, 2004
Mi casa es tu casa
Ando à procura de uma casa para comprar. E se é verdade que não estou a comprar um par se sapatos, falta-me a paciência... ou o engenho e a arte, como ao Camões.
Se vou comprar uns sapatos, não quero que me digam, entre cinco mastigadelas a uma pastilha já dura, que só há o que está exposto, sente-se ali, vou chamar a minha colega, isso já tem desconto ou acha que com esse preço conseguia melhor? Em suma, não tenho muita paciência para comprar sapatos, o que é um drama já que nos meus pés estraga-se tudo com muita facilidade e é ver-me sapatos rotos rua fora, até alguém, às escondidas, os deitar fora.
Se estou a comprar uma casa, como posso eu acreditar em alguém que me despacha, não é solícito, atende telefonemas enquanto me mostra a casa, não me propõe outras coisas, fuma a visita toda, quer convencer-me que para uma pessoa sozinha uma área de 4 metros quadrados é mais do que suficiente, os jovens não precisam de muito, blá, blá, blá... Viveriam eles nas coisas que me estão a mostrar? Bem me parecia que não.
Ando à procura de casa, e no meio disso uma pessoa tem que viver. Como já passei por várias casas, já não tenho o encanto dos primeiros tempos, já só quero uma casa de dimensões razoáveis, sem problemas no prédio, com luz e distância mínima e higiénica do prédio em frente, integrada num sítio com bons cafés, jornaleiros, supermercado, transportes e uns objectos erotizáveis à volta. É pedir muito?
Ando à procura de uma casa para comprar. E se é verdade que não estou a comprar um par se sapatos, falta-me a paciência... ou o engenho e a arte, como ao Camões.
Se vou comprar uns sapatos, não quero que me digam, entre cinco mastigadelas a uma pastilha já dura, que só há o que está exposto, sente-se ali, vou chamar a minha colega, isso já tem desconto ou acha que com esse preço conseguia melhor? Em suma, não tenho muita paciência para comprar sapatos, o que é um drama já que nos meus pés estraga-se tudo com muita facilidade e é ver-me sapatos rotos rua fora, até alguém, às escondidas, os deitar fora.
Se estou a comprar uma casa, como posso eu acreditar em alguém que me despacha, não é solícito, atende telefonemas enquanto me mostra a casa, não me propõe outras coisas, fuma a visita toda, quer convencer-me que para uma pessoa sozinha uma área de 4 metros quadrados é mais do que suficiente, os jovens não precisam de muito, blá, blá, blá... Viveriam eles nas coisas que me estão a mostrar? Bem me parecia que não.
Ando à procura de casa, e no meio disso uma pessoa tem que viver. Como já passei por várias casas, já não tenho o encanto dos primeiros tempos, já só quero uma casa de dimensões razoáveis, sem problemas no prédio, com luz e distância mínima e higiénica do prédio em frente, integrada num sítio com bons cafés, jornaleiros, supermercado, transportes e uns objectos erotizáveis à volta. É pedir muito?
domingo, maio 09, 2004
La Bartoli
Só agora comprei o último album de Cecilia Bartoli, dedicado às esquecidas áreas de Antonio Salieri, o génio-criminoso, que fez mais - contra vontade - pela fortuna de Mozart que pela sua. Imperdível.
Só agora comprei o último album de Cecilia Bartoli, dedicado às esquecidas áreas de Antonio Salieri, o génio-criminoso, que fez mais - contra vontade - pela fortuna de Mozart que pela sua. Imperdível.
Não me apetece...
- observar as fotografias escandalosas dos prisioneiros americanos;
- insistir que o Euro 2004 não irá adiantar nada para o nosso país (não na mesma medida que a Expo'98, por exemplo - o que já de si é duvidoso);
- acreditar que a montanha venha a parir um rato na Casa Pia;
- ver que as eleições europeias estão, novamente, a passar ao lado do país;
- ...
- observar as fotografias escandalosas dos prisioneiros americanos;
- insistir que o Euro 2004 não irá adiantar nada para o nosso país (não na mesma medida que a Expo'98, por exemplo - o que já de si é duvidoso);
- acreditar que a montanha venha a parir um rato na Casa Pia;
- ver que as eleições europeias estão, novamente, a passar ao lado do país;
- ...
sábado, maio 08, 2004
É um espectáculo muito feio
análise-comentário-divagação especulativa ao espectáculo Gog Knows Whati! - Dá Deus nozes a quem não tem dentes (GKW), de Rogério Nuno Costa (RNC) e Marina Nabais (MN), reposto a 7 e 8 de Maio 2004 no Espaço M, ao Ateneu Comercial de Lisboa
http://www.rogerionunocosta.com/galeria/god_knows_what!/2g.jpg">
I
É um espectáculo muito feio, disse ele. Ao que me apetece responder, citando Antonin Artaud, que o teatro "não está dentro de nada, mas se serve de todas as linguagens: gestos, palavras, sons, palavras, fogo, gritos, encontra-se exactamente no ponto em que o espírito tem necessidade de uma linguagem para produzir e produz a sua continuidade." Ou seja, se é feio, que se mostre o belo; se sujo, que se sinta o limpo; se forte, que se perceba o fraco; se completo, que se sinta falta de mais... se teatro, enfim, que seja também vida.
Ele chega e ela chega. Homem e mulher - e logo as referências, Adão e Eva e demais seguidores - em jeito de conformismo iconoclasta. Recomeço. Eu.
Há uma famosa crónica do António Lobo Antunes, que identifica o homem português e o classifica de acordo com todos os clichés já batidos e pisados. Todos a sabem de cor... é aquela do homem de fato de treino roxo que calça os ténis brancos e põe o fio de ouro para ir ao centro comercial. É o português médio. O de Fátima, do Futebol, de Salazar... (ups), do Fado. O português médio que somos todos nós, pobretes mas alegretes, os do "cá se vai andando co' a cabeça entre as orelhas", aqueles de quem nos orgulhamos e fugimos; e aqueles que são artistas. Médios, também.
É sobre o mal-estar, o air du temps, a paz podre, o chove-não-molha e o tentar viver no meio "desta merda toda", gritou-me a Marina já no tempo de desconto pós- espectáculo-tese.
Mas escrevia eu: Ele chega e ela chega. Casados, sem futuro, já com os desejos recalcados e resignados. A quererem viver sem saber como ou o quê. A viver de quê? Remediados, conformados, escondidos, recalcitrados, reprimidos... juntos, apesar de tudo... porque ele, no fundo, é bom homem, coitado e ela, enfim, não sendo como uma certa namorada que tive no tempo do liceu - que deixei incompleto para ir à vidinha custosa - sempre é uma companhia que se têm. Até ao fim da demonstração - chamemos-lhe assim, porque o "te - a - tro" acaba antes de se poder classificar esta... demonstração - eles vão aparecer-nos sentados a lado a lado e entre um bitoque gorduroso; espantados com as luzes, as fontes, os golfinhos... em suma, o génio que concebeu o centro comercial; a comentar a vida dos outros; presos às flatulências da vida; adiados sem saberem bem à espera de quê.
Ao seu lado, com lentes de aumentar e ampliar, dois assexuados observadores, cuja epiderme ferve de tensão. O macho e a fêmea; o pavão no ritual de acasalamento; na coreografia - chamam-lhe (????) - do amor; Movimento, movimento, movimento... e uma só palavra: TU! Sim, TU que me olhas, espectador satisfeito e acomodado - EU que te acendi as luzes para que a escuridão do "te - a - tro" não te proteja (nem a mim, caramba!!! e agora??) - estás a ver onde estás? Queres sair daqui? Queres? E o que é que estás disposto a fazer por isso? Vais aplaudir, dizer que gostaste muito, parabéns, continuem, depois telefono??? Hã? Que te diz a ti o que eu te estou a dizer?
Estamos longe, portanto, do ideal nietzscheano de levar a vida como se agrada, ou não levar vida nenhuma. Português e artista, a mesma face de uma só moeda - que ironia, já nem moeda temos - que revolve entre cara e coroa e volta sempre ao mesmo. É sobre o mal estar sim, e sobre como sobreviver a isso. Pode sobreviver-se a isso? Quer-se sobreviver a isso?
O espectáculo não acaba. Obviamente que não acaba. Simplesmente interrompe-se para que ao espectador seja dada a vez de contra-argumentar. Mas, óh médio espectador, que fizeste tu? Exactamente, pergunta agora e bem alto, para que Ele te ouça: "Pai, porque me abandonaste?"
II
God Knows Whati! (GKW) estreou em Janeiro de 2003, em Braga, ou seja, é anterior a Vou a tua casa e Saudades de tempo em que se dizia texto, o que, se por um lado, permite identificar algumas linhas mestras destes dois espectáculos, por outro, desvirtua outros aspectos que achávamos peculiares. Não é grave se tomarmos em linha de conta, a figura de RNC e a verificarmos em GKW mais do que MN. E tal sucede, porque a actriz/bailarina/coreógrafa acompanhou os espectáculos seguintes de RNC, sobretudo no trabalho de campo e desbastação de material.
E o que se nota, para além de uma coerência afirmativa acerca da ocupação do seu - de RNC - espaço íntimo, ou seja, o escasso perímetro que o rodeia é trabalhado não como elemento exterior ao corpo, mas como parte integrante deste - o que é no fundo, a eterna questão do bailarino, viver além do seu corpo... no espaço que o rodeia - e por isso mesmo, plasticamente coerente, é que se cumpre à risca - e citando novamente Artaud - a ideia do actor como cumpridor de dois planos, um físico (atleta) e um psicológico (actor), no qual o físico actua como um paralelo análogo ao psicológico através de um jogo cujos movimentos dramáticos percorrem os mesmos pontos. Actor e atleta são, assim, dois elementos - duas metades - de um mesmo jogo, cujo vencedor é a conjugação dessas mesmas forças.
No entanto, é consciente fazer-se notar, que a fisicalidade de RNC, a qual se alicerça no trabalho interior de MN, é fruto de uma pesquisa sobre a ocupação de um espaço bem mais lato que o perímetro íntimo e que pode atingir zonas de verdadeira violência confrontacional. Nesse sentido, a fisicalidade de MN, se posta em confronto, pode funcionar como espelho - ou duplo -, sem, no entanto, se resignar a sê-lo. Ou seja, percebem-se melhor as movimentações de RNC nos espectáculos subsequentes, depois de visto GKW, do que enquanto objectos isolados. É por isso, talvez, que a presença de MN não é, de todo, desprovida de provocação/invasão de espaço alheio, obviamente perceptível nos espectáculos seguintes.
O que se pretende afirmar - e porque, reafirma-se, a visão de GKW é ulterior a Vou a tua casa e Saudades... - é que o espaço de cada um é invadido pelo outro, mas invadido não para trazer um objecto novo, mas para o confronto do mesmo objecto (teoria que aliás poderia ser aplicada a qualquer relação amorosa). E esse objecto, tendo sido construído pelos dois, não deixa de aparentar tratar-se de fragmentos que se apresentam como um puzzle a construir. Provavelmente - e essa é uma das melhores noções que se obtém dos espectáculos de RNC - é que só irá ser construído pelo próprio intérprete. O espectador é um mero peão. Ou antes, um auxiliador de memórias. Para além de tudo poder parecer um eterno jogo infantil.
Contudo, GKW, parece não assimilar, na sua construção, que o contexto no qual se insere pode aniquilar esse mesmo percurso, ou seja, os intérpretes/criadores preocupam-se em apresentar as cartas do jogo mas não a mostrar o seu truque. Se é deliberado ou não, cabe a cada um escolher. Mas dada a proposta, o espectador prefere o caminho mais fácil que, neste caso, é a escalpelização do conceito de criação em ponto-morto, ou seja, se a situação é o que é, é porque a vivemos dia-a-dia. No fundo, é como se no final percebessemos onde queriam eles chegar - ou seja, o contexto - e, ao mesmo tempo, pressentissemos que esse foi o ponto de partida.
Afinal, deram-nos só pistas e indicações para os seguirmos e, quando nos equivalemos, abandonam-nos. Se isso pode ser uma opção interesante - porque nos deixa algo fantasiosos quanto ao "que vem a seguir" -, ao mesmo tempo, sente-se um certo je ne sais quoi de frustração. Afinal, se nos queriam mostrar o ponto de partida e agora que já o percebemos, seguimos para onde????
Tanto RNC como MN defendem a teoria de que não pretendem apresentar a solução para o problema, mas antes dar o seu contributo para um alterar desse problema. O mais violento, quando assimilada esta noção, é que a solução - se a houver - caberá ao espectador apresentar.
E o "te - a - tro" também é isso. Deixar-nos desamparados.
análise-comentário-divagação especulativa ao espectáculo Gog Knows Whati! - Dá Deus nozes a quem não tem dentes (GKW), de Rogério Nuno Costa (RNC) e Marina Nabais (MN), reposto a 7 e 8 de Maio 2004 no Espaço M, ao Ateneu Comercial de Lisboa
I
É um espectáculo muito feio, disse ele. Ao que me apetece responder, citando Antonin Artaud, que o teatro "não está dentro de nada, mas se serve de todas as linguagens: gestos, palavras, sons, palavras, fogo, gritos, encontra-se exactamente no ponto em que o espírito tem necessidade de uma linguagem para produzir e produz a sua continuidade." Ou seja, se é feio, que se mostre o belo; se sujo, que se sinta o limpo; se forte, que se perceba o fraco; se completo, que se sinta falta de mais... se teatro, enfim, que seja também vida.
Ele chega e ela chega. Homem e mulher - e logo as referências, Adão e Eva e demais seguidores - em jeito de conformismo iconoclasta. Recomeço. Eu.
Há uma famosa crónica do António Lobo Antunes, que identifica o homem português e o classifica de acordo com todos os clichés já batidos e pisados. Todos a sabem de cor... é aquela do homem de fato de treino roxo que calça os ténis brancos e põe o fio de ouro para ir ao centro comercial. É o português médio. O de Fátima, do Futebol, de Salazar... (ups), do Fado. O português médio que somos todos nós, pobretes mas alegretes, os do "cá se vai andando co' a cabeça entre as orelhas", aqueles de quem nos orgulhamos e fugimos; e aqueles que são artistas. Médios, também.
É sobre o mal-estar, o air du temps, a paz podre, o chove-não-molha e o tentar viver no meio "desta merda toda", gritou-me a Marina já no tempo de desconto pós- espectáculo-tese.
Mas escrevia eu: Ele chega e ela chega. Casados, sem futuro, já com os desejos recalcados e resignados. A quererem viver sem saber como ou o quê. A viver de quê? Remediados, conformados, escondidos, recalcitrados, reprimidos... juntos, apesar de tudo... porque ele, no fundo, é bom homem, coitado e ela, enfim, não sendo como uma certa namorada que tive no tempo do liceu - que deixei incompleto para ir à vidinha custosa - sempre é uma companhia que se têm. Até ao fim da demonstração - chamemos-lhe assim, porque o "te - a - tro" acaba antes de se poder classificar esta... demonstração - eles vão aparecer-nos sentados a lado a lado e entre um bitoque gorduroso; espantados com as luzes, as fontes, os golfinhos... em suma, o génio que concebeu o centro comercial; a comentar a vida dos outros; presos às flatulências da vida; adiados sem saberem bem à espera de quê.
Ao seu lado, com lentes de aumentar e ampliar, dois assexuados observadores, cuja epiderme ferve de tensão. O macho e a fêmea; o pavão no ritual de acasalamento; na coreografia - chamam-lhe (????) - do amor; Movimento, movimento, movimento... e uma só palavra: TU! Sim, TU que me olhas, espectador satisfeito e acomodado - EU que te acendi as luzes para que a escuridão do "te - a - tro" não te proteja (nem a mim, caramba!!! e agora??) - estás a ver onde estás? Queres sair daqui? Queres? E o que é que estás disposto a fazer por isso? Vais aplaudir, dizer que gostaste muito, parabéns, continuem, depois telefono??? Hã? Que te diz a ti o que eu te estou a dizer?
Estamos longe, portanto, do ideal nietzscheano de levar a vida como se agrada, ou não levar vida nenhuma. Português e artista, a mesma face de uma só moeda - que ironia, já nem moeda temos - que revolve entre cara e coroa e volta sempre ao mesmo. É sobre o mal estar sim, e sobre como sobreviver a isso. Pode sobreviver-se a isso? Quer-se sobreviver a isso?
O espectáculo não acaba. Obviamente que não acaba. Simplesmente interrompe-se para que ao espectador seja dada a vez de contra-argumentar. Mas, óh médio espectador, que fizeste tu? Exactamente, pergunta agora e bem alto, para que Ele te ouça: "Pai, porque me abandonaste?"
II
God Knows Whati! (GKW) estreou em Janeiro de 2003, em Braga, ou seja, é anterior a Vou a tua casa e Saudades de tempo em que se dizia texto, o que, se por um lado, permite identificar algumas linhas mestras destes dois espectáculos, por outro, desvirtua outros aspectos que achávamos peculiares. Não é grave se tomarmos em linha de conta, a figura de RNC e a verificarmos em GKW mais do que MN. E tal sucede, porque a actriz/bailarina/coreógrafa acompanhou os espectáculos seguintes de RNC, sobretudo no trabalho de campo e desbastação de material.
E o que se nota, para além de uma coerência afirmativa acerca da ocupação do seu - de RNC - espaço íntimo, ou seja, o escasso perímetro que o rodeia é trabalhado não como elemento exterior ao corpo, mas como parte integrante deste - o que é no fundo, a eterna questão do bailarino, viver além do seu corpo... no espaço que o rodeia - e por isso mesmo, plasticamente coerente, é que se cumpre à risca - e citando novamente Artaud - a ideia do actor como cumpridor de dois planos, um físico (atleta) e um psicológico (actor), no qual o físico actua como um paralelo análogo ao psicológico através de um jogo cujos movimentos dramáticos percorrem os mesmos pontos. Actor e atleta são, assim, dois elementos - duas metades - de um mesmo jogo, cujo vencedor é a conjugação dessas mesmas forças.
No entanto, é consciente fazer-se notar, que a fisicalidade de RNC, a qual se alicerça no trabalho interior de MN, é fruto de uma pesquisa sobre a ocupação de um espaço bem mais lato que o perímetro íntimo e que pode atingir zonas de verdadeira violência confrontacional. Nesse sentido, a fisicalidade de MN, se posta em confronto, pode funcionar como espelho - ou duplo -, sem, no entanto, se resignar a sê-lo. Ou seja, percebem-se melhor as movimentações de RNC nos espectáculos subsequentes, depois de visto GKW, do que enquanto objectos isolados. É por isso, talvez, que a presença de MN não é, de todo, desprovida de provocação/invasão de espaço alheio, obviamente perceptível nos espectáculos seguintes.
O que se pretende afirmar - e porque, reafirma-se, a visão de GKW é ulterior a Vou a tua casa e Saudades... - é que o espaço de cada um é invadido pelo outro, mas invadido não para trazer um objecto novo, mas para o confronto do mesmo objecto (teoria que aliás poderia ser aplicada a qualquer relação amorosa). E esse objecto, tendo sido construído pelos dois, não deixa de aparentar tratar-se de fragmentos que se apresentam como um puzzle a construir. Provavelmente - e essa é uma das melhores noções que se obtém dos espectáculos de RNC - é que só irá ser construído pelo próprio intérprete. O espectador é um mero peão. Ou antes, um auxiliador de memórias. Para além de tudo poder parecer um eterno jogo infantil.
Contudo, GKW, parece não assimilar, na sua construção, que o contexto no qual se insere pode aniquilar esse mesmo percurso, ou seja, os intérpretes/criadores preocupam-se em apresentar as cartas do jogo mas não a mostrar o seu truque. Se é deliberado ou não, cabe a cada um escolher. Mas dada a proposta, o espectador prefere o caminho mais fácil que, neste caso, é a escalpelização do conceito de criação em ponto-morto, ou seja, se a situação é o que é, é porque a vivemos dia-a-dia. No fundo, é como se no final percebessemos onde queriam eles chegar - ou seja, o contexto - e, ao mesmo tempo, pressentissemos que esse foi o ponto de partida.
Afinal, deram-nos só pistas e indicações para os seguirmos e, quando nos equivalemos, abandonam-nos. Se isso pode ser uma opção interesante - porque nos deixa algo fantasiosos quanto ao "que vem a seguir" -, ao mesmo tempo, sente-se um certo je ne sais quoi de frustração. Afinal, se nos queriam mostrar o ponto de partida e agora que já o percebemos, seguimos para onde????
Tanto RNC como MN defendem a teoria de que não pretendem apresentar a solução para o problema, mas antes dar o seu contributo para um alterar desse problema. O mais violento, quando assimilada esta noção, é que a solução - se a houver - caberá ao espectador apresentar.
E o "te - a - tro" também é isso. Deixar-nos desamparados.
sexta-feira, maio 07, 2004
FNAC Chiado, 12h45
- Se pagar com o seu cartão FNAC recebe um bilhete para uma peça de teatro [Sondaime, Sondheim de Ricardo Pais] ... ah... ali no teatro do Rossio... ah... Maria Vitória.
- O Nacional?
- Sim, o branco.
- Ah.
Pelo menos ela sabia que houve um teatro chamado Maria Vitória. Não há uma recruta nestes sítios culturais?????
- Se pagar com o seu cartão FNAC recebe um bilhete para uma peça de teatro [Sondaime, Sondheim de Ricardo Pais] ... ah... ali no teatro do Rossio... ah... Maria Vitória.
- O Nacional?
- Sim, o branco.
- Ah.
Pelo menos ela sabia que houve um teatro chamado Maria Vitória. Não há uma recruta nestes sítios culturais?????
God Knows Whati - Dá Deus nozes a quem não tem dentes
Hoje, às 23h30, com repetição amanhã à mesma hora, no Ateneu Comercial (entrada pelo lado esquerdo do Coliseu dos Recreios) Rogério Nuno Costa e Marina Nabais, repõe o espectáculo God Knows Whati - Dá Deus nozes a quem não tem dentes.
De acordo com as informações, trata-se de um "espectáculo de dança e teatro que se apresenta como uma simbiose de diferentes trajectos artísticos unidos por um denominador comum, performativo e multidisciplinar. Vários suportes, nomeadamente o videográfico, constituem a base e o móbil de toda a estrutura do espectáculo, ela própria objecto de reflexão por parte dos intérpretes, de uma forma sarcasticamente incisiva, pensando o próprio espectáculo que vão construindo e a sua própria condição de artistas."
Entradas a 5 €. Duração 50 minutos.
Hoje, às 23h30, com repetição amanhã à mesma hora, no Ateneu Comercial (entrada pelo lado esquerdo do Coliseu dos Recreios) Rogério Nuno Costa e Marina Nabais, repõe o espectáculo God Knows Whati - Dá Deus nozes a quem não tem dentes.
De acordo com as informações, trata-se de um "espectáculo de dança e teatro que se apresenta como uma simbiose de diferentes trajectos artísticos unidos por um denominador comum, performativo e multidisciplinar. Vários suportes, nomeadamente o videográfico, constituem a base e o móbil de toda a estrutura do espectáculo, ela própria objecto de reflexão por parte dos intérpretes, de uma forma sarcasticamente incisiva, pensando o próprio espectáculo que vão construindo e a sua própria condição de artistas."
Entradas a 5 €. Duração 50 minutos.
terça-feira, maio 04, 2004
segunda-feira, maio 03, 2004
Tableaux - vivants
Segundo Victor Turner, teórico da performance, o termo performance provém do francês arcaico parfournir e quer significar o final da representação, o ponto máximo do que se quer dizer. Conforme tinha dito nuns posts mais abaixo, fui a Braga ver Pictures at an Exhibition, apresentação/intervenção urbana/site-specific/exercício do TUM - Teatro Universitário do Minho, dirigido por Rogério Nuno Costa, e o que encontrei foi um grupo de disponíveis (digamos assim) que se ofereceram a uma cidade suspensa com a pré-eliminatória da Taça UEFA, um festival de tunas, um segredado 1º de Maio e até chuva. Por causa disso - por causa de tudo, provavelmente - foram coisas quase secretas as coisas que aconteceram em galerias de arte, um bar, um cabeleireiro e na Torre de Menagem.
Secretas porque o que mostraram não foi um espectáculo, mas sim um presente a quem os procurou - antes, os encontrou. E um presente que, dependendo da forma como cada um - performer e espectador - se relacionava com o espaço e um com o outro, adoptava diferentes significados. O mais musical de toda esta intervenção prende-se exactamente com a facilidade com que se poderiam ler atitudes auto-biográficas e com a surpresa de não o serem, muito pelo contrário. Tais intervenções - e essa é a vantagem dos que fazem as coisas por gosto, longe das classificações amador ou profissional e que não se apresentam com um discurso formatado, preso a teorias ou convencionalismos - pautaram-se por uma discrição, assente numa ocupação milimétrica do espaço em relação ao que seria de esperar.
Todos, sem excepção - dos que me foram dados a ver, as intervenções de sexta feira falharam-me - trataram de se desenvolver enquanto performers, menos preocupados com quem os ia ver e mais com o que tinham para fazer - até mesmo mais do que com o que tinham para dizer. Silenciosos, distantes, presentes, abertos. Displicentes, quase.
A uma cidade que se quer a respirar cultura, e face à apatia generalizada, as intervenções pautaram-se por um desenho leve de diversos percursos, feito de sorrisos e cúmplicidades várias. Não existia uma ordem aparente, a não ser pelo horário das apresentações, e muito menos uma linha programática. Pelo que me foi dado a perceber, o percurso individual de cada um foi valorizado, bem como a verdadeira vontade de o fazer. Num certo sentido, aquilo a que pude asistir foi menos a uma demostração e mais a uma intenção. Eis-nos para que eu me olhe.
Nota negativa para o Teatro Universitário do Minho que não pautou por uma extensa divulgação, atendendo aos diversos eventos a decorrer na cidade. Nota mais do que positiva para o Gaspar, o Paulo, a Clara, o João Pedro, a Sandra, a Eduarda, o Luís, o Fred e para o Rogério. Há imagens que me ficaram. Imagens muito belas. Imagens a recusarem a interpretação. Só isso, o que nos quiseram dar.
Segundo Victor Turner, teórico da performance, o termo performance provém do francês arcaico parfournir e quer significar o final da representação, o ponto máximo do que se quer dizer. Conforme tinha dito nuns posts mais abaixo, fui a Braga ver Pictures at an Exhibition, apresentação/intervenção urbana/site-specific/exercício do TUM - Teatro Universitário do Minho, dirigido por Rogério Nuno Costa, e o que encontrei foi um grupo de disponíveis (digamos assim) que se ofereceram a uma cidade suspensa com a pré-eliminatória da Taça UEFA, um festival de tunas, um segredado 1º de Maio e até chuva. Por causa disso - por causa de tudo, provavelmente - foram coisas quase secretas as coisas que aconteceram em galerias de arte, um bar, um cabeleireiro e na Torre de Menagem.
Secretas porque o que mostraram não foi um espectáculo, mas sim um presente a quem os procurou - antes, os encontrou. E um presente que, dependendo da forma como cada um - performer e espectador - se relacionava com o espaço e um com o outro, adoptava diferentes significados. O mais musical de toda esta intervenção prende-se exactamente com a facilidade com que se poderiam ler atitudes auto-biográficas e com a surpresa de não o serem, muito pelo contrário. Tais intervenções - e essa é a vantagem dos que fazem as coisas por gosto, longe das classificações amador ou profissional e que não se apresentam com um discurso formatado, preso a teorias ou convencionalismos - pautaram-se por uma discrição, assente numa ocupação milimétrica do espaço em relação ao que seria de esperar.
Todos, sem excepção - dos que me foram dados a ver, as intervenções de sexta feira falharam-me - trataram de se desenvolver enquanto performers, menos preocupados com quem os ia ver e mais com o que tinham para fazer - até mesmo mais do que com o que tinham para dizer. Silenciosos, distantes, presentes, abertos. Displicentes, quase.
A uma cidade que se quer a respirar cultura, e face à apatia generalizada, as intervenções pautaram-se por um desenho leve de diversos percursos, feito de sorrisos e cúmplicidades várias. Não existia uma ordem aparente, a não ser pelo horário das apresentações, e muito menos uma linha programática. Pelo que me foi dado a perceber, o percurso individual de cada um foi valorizado, bem como a verdadeira vontade de o fazer. Num certo sentido, aquilo a que pude asistir foi menos a uma demostração e mais a uma intenção. Eis-nos para que eu me olhe.
Nota negativa para o Teatro Universitário do Minho que não pautou por uma extensa divulgação, atendendo aos diversos eventos a decorrer na cidade. Nota mais do que positiva para o Gaspar, o Paulo, a Clara, o João Pedro, a Sandra, a Eduarda, o Luís, o Fred e para o Rogério. Há imagens que me ficaram. Imagens muito belas. Imagens a recusarem a interpretação. Só isso, o que nos quiseram dar.
sexta-feira, abril 30, 2004
quinta-feira, abril 29, 2004
Arte em Partes
O TUM - Teatro Universitário do Minho inaugura amanhã, em Braga, uma intervenção artística, chamada Pictures at an Exhibition, tal qual como a composição do Mussorgsky, coordenada por Rogério Nuno Costa numa série de galerias espalhadas pela cidade. O evento, que se repete - mas não na sua totalidade - no sábado, é o resultado de um workshop de teatro e conta com mais de 10 intervenções. Tentarei saber mais pormenores, mas, para já, fica a informação. Mas, atendendo ao trabalho que o Rogério já me mostrou (aqui e aqui), vai ser um belo fim de semana.
O TUM - Teatro Universitário do Minho inaugura amanhã, em Braga, uma intervenção artística, chamada Pictures at an Exhibition, tal qual como a composição do Mussorgsky, coordenada por Rogério Nuno Costa numa série de galerias espalhadas pela cidade. O evento, que se repete - mas não na sua totalidade - no sábado, é o resultado de um workshop de teatro e conta com mais de 10 intervenções. Tentarei saber mais pormenores, mas, para já, fica a informação. Mas, atendendo ao trabalho que o Rogério já me mostrou (aqui e aqui), vai ser um belo fim de semana.
domingo, abril 25, 2004
Chico, Abril
Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
'inda guardo renitente, um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar
Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim
Chico Buarque, 1976
Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
'inda guardo renitente, um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar
Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim
Chico Buarque, 1976
sábado, abril 24, 2004
Em busca do tempo perdido, volume I
onde se dá conta das primeira impressões de leitura da obra de Proust
1 pacote de açucar granulado - 0.94€
1 pacote arroz cigala agulha - 0.98€
1 embalagem sacos para o lixo com atilho - 1.24€
2 pernas de perú para assar - 2.61€
1 embalagem de massa quebrada - 2.06€
1 embalagem de 6 ovos classe L1 - 0.89€
6 kiwis - 0.97€
2 pacotes de natas magras president - 1.98€
1 lata de tomate guloso cortado em pedaços com manjerição e alho - 1.19€
1 embalagem de chocapic - 2.09€
1 embalagem de toalhetes auchan - 1.15€
2 cassetes de vídeo basic line 120 minutos - 2.50€
1 embalagem skip máquina 24 pastilhas - 4.75€
6 bolas de pão de mistura - 0.49€
1 embalagem de frutos silvetres congelados - 2.49€
1 embalagem de esparregado congelado auchan - 1.50€
1 embalagem de icing sugar - 1.05€
6 iogurtes aromatizados longa vida - 2.29€
6 cebolas auchan - 0.71€
1 recarga 4 lâminas wilkinson sword 3D - 7.97€
1 embalagem de 12 rolos papel higiénico folha dupla auchan - 2.67€
2 pacotes de leite mimosa meio gordo - 0.98
Esqueci-me de comprar alho e manteiga e devia ter trazido mais 4 pacotes de leite.
Total: 46.49€
Local: Pão de Açucar das Amoreiras, Lisboa
Parece-me que o Proust vai ter que esperar mais uns dias.
onde se dá conta das primeira impressões de leitura da obra de Proust
1 pacote de açucar granulado - 0.94€
1 pacote arroz cigala agulha - 0.98€
1 embalagem sacos para o lixo com atilho - 1.24€
2 pernas de perú para assar - 2.61€
1 embalagem de massa quebrada - 2.06€
1 embalagem de 6 ovos classe L1 - 0.89€
6 kiwis - 0.97€
2 pacotes de natas magras president - 1.98€
1 lata de tomate guloso cortado em pedaços com manjerição e alho - 1.19€
1 embalagem de chocapic - 2.09€
1 embalagem de toalhetes auchan - 1.15€
2 cassetes de vídeo basic line 120 minutos - 2.50€
1 embalagem skip máquina 24 pastilhas - 4.75€
6 bolas de pão de mistura - 0.49€
1 embalagem de frutos silvetres congelados - 2.49€
1 embalagem de esparregado congelado auchan - 1.50€
1 embalagem de icing sugar - 1.05€
6 iogurtes aromatizados longa vida - 2.29€
6 cebolas auchan - 0.71€
1 recarga 4 lâminas wilkinson sword 3D - 7.97€
1 embalagem de 12 rolos papel higiénico folha dupla auchan - 2.67€
2 pacotes de leite mimosa meio gordo - 0.98
Esqueci-me de comprar alho e manteiga e devia ter trazido mais 4 pacotes de leite.
Total: 46.49€
Local: Pão de Açucar das Amoreiras, Lisboa
Parece-me que o Proust vai ter que esperar mais uns dias.
quinta-feira, abril 22, 2004
Publicidade em causa própria III
Novo mês, novo workshop, novas inscrições.
WORKSHOP de PRODUÇÃO de ESPECTÁCULOS
O papel do produtor no processo de criação
com Tiago Bartolomeu Costa
Local: Delegação Regional Instituto Português da Juventude
Via Moscavide lote 47 101, Lisboa (Parque das Nações)
N.º de horas: 22
Datas: 11 a 29 de Maio
Horários: terças e quintas: 19h – 22h; sábado 8: 15h-19h
Preço: 60 €
Informações: 96 550 9 550
tiagobartolomeucosta@hotmail.com
Novo mês, novo workshop, novas inscrições.
WORKSHOP de PRODUÇÃO de ESPECTÁCULOS
O papel do produtor no processo de criação
com Tiago Bartolomeu Costa
Local: Delegação Regional Instituto Português da Juventude
Via Moscavide lote 47 101, Lisboa (Parque das Nações)
N.º de horas: 22
Datas: 11 a 29 de Maio
Horários: terças e quintas: 19h – 22h; sábado 8: 15h-19h
Preço: 60 €
Informações: 96 550 9 550
tiagobartolomeucosta@hotmail.com
terça-feira, abril 20, 2004
Outros apitos
Ao mesmo tempo que Gilberto Madaíl diz não estar surpreendido com os resultados das investigações, pergunto-me quem é o dono do apito dourado e se fará o mesmo às suas vítimas que aquele vilão do 007 que dourava as vítimas depois de mortas no Goldfinger? Quem é que terão dourado desta vez?
Ao mesmo tempo que Gilberto Madaíl diz não estar surpreendido com os resultados das investigações, pergunto-me quem é o dono do apito dourado e se fará o mesmo às suas vítimas que aquele vilão do 007 que dourava as vítimas depois de mortas no Goldfinger? Quem é que terão dourado desta vez?
O apito
A justiça pode estar a avançar, conforme parece acontecer com esta história do Major e da bola, mas o nome da operação: APITO DOURADO impede qualquer credibilidade. Quando paramos de rir por causa do nome já esquecemos do que estavam a falar.
A justiça pode estar a avançar, conforme parece acontecer com esta história do Major e da bola, mas o nome da operação: APITO DOURADO impede qualquer credibilidade. Quando paramos de rir por causa do nome já esquecemos do que estavam a falar.
Hasta la vista Iraque!
Eu confesso que não sei o que pensar acerca da retirada de tropas do Iraque por parte da Espanha. Percebo o contexto emocional, mas não entendo de que forma pode isso contribuir para uma melhoria do estado das coisas. Ainda que tenham sido declaradas tréguas, não se sabe se estas serão temporárias ou definitivas e muito menos se esta tomada de posição não fragilizará, ainda mais, a posição espanhola no plano internacional. Porque, a bem da verdade, o que Zapatero faria inteligentemente, era terminar a missão no prazo previsto para a transição, proibir a envolvência das tropas espanholas em ataques à rebelião e, em última instância, dizer que iria contribuir para a resolução de uma questão, que outros iniciaram tão mal. Isso sim era saber jogar com todas as armas, passe a infeliz expressão. Infelizmente, eu não vejo outra coisa que um receio de novos confrontos em solo espanhol que, ainda que legítimado, não são menores que em qualquer outro lado do mundo. Porque com os terroristas não se negoceia, Zapatero mostra-se assim, fraco, ainda que num plano imediato, corajoso aos olhos dos seus eleitores. Mas e depois? Parece-me uma atitude um tanto irreflectida e sobretudo demagógica. Eu que não defendi a invasão do Iraque, também não me parece honesto que agora se venham embora como se não fosse nada com eles. É-o, de facto, ainda que se queiram libertar dos fardos do anterior governo. Vamos a ver que custos trará esta decisão.
Eu confesso que não sei o que pensar acerca da retirada de tropas do Iraque por parte da Espanha. Percebo o contexto emocional, mas não entendo de que forma pode isso contribuir para uma melhoria do estado das coisas. Ainda que tenham sido declaradas tréguas, não se sabe se estas serão temporárias ou definitivas e muito menos se esta tomada de posição não fragilizará, ainda mais, a posição espanhola no plano internacional. Porque, a bem da verdade, o que Zapatero faria inteligentemente, era terminar a missão no prazo previsto para a transição, proibir a envolvência das tropas espanholas em ataques à rebelião e, em última instância, dizer que iria contribuir para a resolução de uma questão, que outros iniciaram tão mal. Isso sim era saber jogar com todas as armas, passe a infeliz expressão. Infelizmente, eu não vejo outra coisa que um receio de novos confrontos em solo espanhol que, ainda que legítimado, não são menores que em qualquer outro lado do mundo. Porque com os terroristas não se negoceia, Zapatero mostra-se assim, fraco, ainda que num plano imediato, corajoso aos olhos dos seus eleitores. Mas e depois? Parece-me uma atitude um tanto irreflectida e sobretudo demagógica. Eu que não defendi a invasão do Iraque, também não me parece honesto que agora se venham embora como se não fosse nada com eles. É-o, de facto, ainda que se queiram libertar dos fardos do anterior governo. Vamos a ver que custos trará esta decisão.
Eu gosto desta canção!
mas só a parte final
e mai' nada.
Señorita, Justin Timberlake
Now listen
I wanna try some right now
See they don't do this anymore
I'ma sing something
And I want the guys to sing with me
They go
"It feels like something's heating up, can I leave with you?"
And then the ladies go
"I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you"
Guys sing
It feels like something's heating up, can I leave with you?
And ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Feels good don't it, come on
It feels like something's heating up, can I leave with you?
Yea, ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Sho feel good to me
Sing it one more time
It feels like something's heating up, can I leave with you?
Ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Yea, yea..
It feels like something's heating up, can I leave with you?
Ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Gentlemen, good night
Ladies, good morning
[laughs]
That's it
O resto está aqui, mas já não acho graça nenhuma, para além do Tímbalo boy me parecer um tanto arrogante. Em suma, "'Senorita' is a pop track. Plain and simple. Only, it's quite good for a pop track. If you're a closet pop fan, then this may be the one to come out of the closet to." Images do vídeo aqui, já que, ao que parece, o menino protege-se.
Now ladiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeesssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!
mas só a parte final
e mai' nada.
Señorita, Justin Timberlake
Now listen
I wanna try some right now
See they don't do this anymore
I'ma sing something
And I want the guys to sing with me
They go
"It feels like something's heating up, can I leave with you?"
And then the ladies go
"I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you"
Guys sing
It feels like something's heating up, can I leave with you?
And ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Feels good don't it, come on
It feels like something's heating up, can I leave with you?
Yea, ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Sho feel good to me
Sing it one more time
It feels like something's heating up, can I leave with you?
Ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Yea, yea..
It feels like something's heating up, can I leave with you?
Ladies
I don't know what I'm thinking bout, really leaving with you
Gentlemen, good night
Ladies, good morning
[laughs]
That's it
O resto está aqui, mas já não acho graça nenhuma, para além do Tímbalo boy me parecer um tanto arrogante. Em suma, "'Senorita' is a pop track. Plain and simple. Only, it's quite good for a pop track. If you're a closet pop fan, then this may be the one to come out of the closet to." Images do vídeo aqui, já que, ao que parece, o menino protege-se.
Now ladiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeesssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, abril 19, 2004
Cadernos da (r)evolução
Tomo I - os poemas
Abril com "R"
«Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois
Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.»
Manuel Alegre
Tomo I - os poemas
Abril com "R"
«Trinta anos depois querem tirar o r
se puderem vai a cedilha e o til
trinta anos depois alguém que berre
r de revolução r de Abril
r até de porra r vezes dois
r de renascer trinta anos depois
Trinta anos depois ainda nos resta
da liberdade o l mas qualquer dia
democracia fica sem o d.
Alguém que faça um f para a festa
alguém que venha perguntar porquê
e traga um grande p de poesia.
Trinta anos depois a vida é tua
agarra as letras todas e com elas
escreve a palavra amor (onde somos sempre dois)
escreve a palavra amor em cada rua
e então verás de novo as caravelas
a passar por aqui: trinta anos depois.»
Manuel Alegre
sábado, abril 17, 2004
Ensaio sobre o ruído
Haverá livro além da polémica, é o que pergunto acerca da barafunda Ensaio sobre a lucidez? Eu não li o livro (o que, de acordo com a ética me impediria de pronunciar sobre o caso) nem tenho intenção de ler. Nesse aspecto reconheço que sou um tanto obtuso, mas enfim... são escolhas. Agora, o que não é possível ignorar é a questão de fundo subjacente ao lançamento do livro: haverá obra literária para além da "bomba", do"choque", do "murro no estômago"? Pessoas amigas (que leram o livro além do ruído e que se chocam com o facto de eu opinar baseando-me em contextos e reacções) têm-me, repetidamente, dito que sim, o livro existe, ultrapassa até as posições do autor, as contextualizações são perniciosas e até que retiram, ao livro, a sua verdadeira força.
Eu não tenho por certa a ideia de que José Saramago seja mais do que um teórico-ensaísta a fazer as vezes de romancista, sobretudo nos seus últimos livros, em que a vertente da condição humana é mais explorada, em detrimento de outros aspectos, se quisermos, em que o protagonista não é um exemplo, uma característica, um modelo. No entanto, o que se espera de um escritor (asseguram-me como se este não fosse livre e espontâneo) é que reflicta exactamente sobre a condição humana, em particular a do seu tempo. Saramago, nos seus longos discursos, tenderá mais a pensar sobre o futuro do homem do que a discutir o presente, ainda que parta desse presente (ou de um conjunto de presentes por ele definidos como essenciais) . Dizem-me, ainda, que é o que se espera de um Nobel, que não fale para o seu país, mas para o mundo (deve ser por isso que Saramago esclarece, a lúcidas páginas tantas, que aos portugueses nunca tinha acontecido tamanho "erro"). Mas neste caso, eu ainda sou dos que preferem os que recusam o Nobel.
Nas acesas discussões que tenho tido acerca do Ensaio sobre a Lucidez (eu do lado da barricada de quem só leu reacções, eles com o autocolante a anunciar que conseguiram achar o livro atrás do ruído), têm surgido, não tão amiúde quantro eles queriam, uma tendência e um resvalar para essas mesmas questões paralelas: pode aceder-se a um objecto, quando ele está intrinsecamente contextualizado? Há quem ache que sim, eu, por outro lado, considero que recusar-se a leitura dos contextos é não aceder ao objecto completo. Há, contudo, a noção, de que a arte (ainda que não salve o mundo) contribui para um abrir de olhos, uma maior capacidade de atenção para o que nos rodeia. O que nos levaria, de novo, à questão dos contextos. É, ou não, um reflexo dos tempos, este livro? E analisado de acordo com esses mesmos tempos? E apresentado em altura tão propícia (pré-campanha - argumento demagógico, dizem-me -, 25 de Abril, imposição de regimes livres no oriente, ...)
Entre as diversas questões que se têm colocado, a mais consensual é a que defende que o voto em branco, por si só, é um voto inútil, dadas as múltiplas interpretações nele incluídas. Ora, a questão do voto em branco - problema maior de Saramago (diria eu) / das personagens do livro (diriam eles) - não está, de todo, desligada de uma ideia de desresponsabilização das elites (conforme defendia, há meses atrás, em editorial lúcido José Manuel Fernandes) que se alastra para as restantes classes. O que hoje se assiste, e que Saramago defende estar relacionado com a sobranceria dos políticos face ao poder que lhes foi consignado - e, portanto, não abandonado - é a um lento abandonar das funções subjacentes a todos e a cada um de nós, enquanto cidadãos adultos, responsáveis, conscientes, íntegros... logo, lúcidos. A questão (tão velha e vazia como a do ovo e da galinha) é saber onde começou a culpa de tal situação?
Entre diversos argumentos, aquilo que estes meus amigos defendem, acintadamente, é um regresso à ideia de livro como objecto que coloca questões e questões essas que têm um relexo individual, mais do que universal. No fundo, parece-me, um regresso à velha máxima de Kennedy, ask not what your country can do for you, but what can you do for your country, mas agora em versão egocêntrica (no sentido positivo da palavra, entenda-se). Não lhes interessa o ruído ou o facto da direita ter recebido este livro com melhores mãos que a esquerda. Muito menos lhes interessa saber que foi o próprio autor a colocar a tónica no discurso político e a fazer deste livro um lugar de reflexão acerca do estado das coisas. Insistem, mesmo que o autor não queira, em ler o livro. Assim mesmo, ler o livro comme il faut. Terão eles razão?
Que legitimidade temos nós em nos substituirmos ao autor nessa função? Que razões encontramos nós, maiores que a própria polémica, para o fazer? Podemos mesmo viver sem a contextualização? Saramago-autor é maior que Saramago-politólogo, defensor de causas duvidosas, auto-vítima cultural, Nobel ambíguo?
Pelo que me diz respeito, o que não me leva a ler este livro do Saramago, ou qualquer outro, não se prende com questões de pontuação ou outros apêndices, mas pelo facto de não conseguir abrir os olhos no meio de tanta poeira. Por não encontrar o livro. Há-o, dizem-me.
Mas depois eu penso no que este almoço com Durão Barroso pode significar (nesse ignóbil pedido de desculpas - pergunto-me se Saramago alguma vez pediu desculpa pelas perseguições a que foram votados muitos apolíticos após a queda do regime fascista em Portugal) e não entendo como se pode ver Saramago como um proscrito, um renegado, um apátrida. Vasco Pulido Valente dixit, hoje ao Diário de Notícias que não há como sermos perseguidos para a nossa obra ser reconhecida e que este "erro" fez mais pela carreira e pelo Nobel que todos os outros (depois penso nos discursos de que a arte não se deve misturar com a política, e que os artistas não se devem deixar reconhecer pelo Estado e ainda do que Cavaco Silva assume neste segundo volume autobiográfico acerca da relação políticos/artistas e de que como estes, porque ficam para a história e são imprevisíveis, convém saber com quem se pode contar). Nisto, até alguns desses meus amigos concordam. "Memorial do Convento" não é um livro brilhante. Eu só li o que me impingiram, e confesso que também não apreciei. A bem da verdade, José Saramago não foi ofendido de maneira nenhuma. Se calhar, se perdesse o prémio ia dizer que não tinham feito a promoção suficiente, ou então que o júri o tinha ostracizado. Pelo facto de não ter entrado a concurso, pode sempre apelar-se à especulação. O livro continuou nos manuais escolares, vende imenso, é citado, traduzido, adaptado, reconhecido e admirado. Bem como todos os outros. E se não houvesse polémica, haveria tanto Saramago? Haveria o peso de cada intervenção?
Entre o forte ataque à censura posta na questão e a irrelevância de um prémio, todos (eu e esses meus amigos) concordamos que há livros e há livros. Só não concordamos que uns livros devam ser lidos dentro de contextos e outros não precisem dele. "Ensaio sobre a Lucidez", precisa, efectivamente, de toda a polémica e de toda a contextualização. Caso contrário, segundo percebi de leituras críticas, não é mais que um exercício de ficção científica.
Mas repito, eu não li o livro.
Haverá livro além da polémica, é o que pergunto acerca da barafunda Ensaio sobre a lucidez? Eu não li o livro (o que, de acordo com a ética me impediria de pronunciar sobre o caso) nem tenho intenção de ler. Nesse aspecto reconheço que sou um tanto obtuso, mas enfim... são escolhas. Agora, o que não é possível ignorar é a questão de fundo subjacente ao lançamento do livro: haverá obra literária para além da "bomba", do"choque", do "murro no estômago"? Pessoas amigas (que leram o livro além do ruído e que se chocam com o facto de eu opinar baseando-me em contextos e reacções) têm-me, repetidamente, dito que sim, o livro existe, ultrapassa até as posições do autor, as contextualizações são perniciosas e até que retiram, ao livro, a sua verdadeira força.
Eu não tenho por certa a ideia de que José Saramago seja mais do que um teórico-ensaísta a fazer as vezes de romancista, sobretudo nos seus últimos livros, em que a vertente da condição humana é mais explorada, em detrimento de outros aspectos, se quisermos, em que o protagonista não é um exemplo, uma característica, um modelo. No entanto, o que se espera de um escritor (asseguram-me como se este não fosse livre e espontâneo) é que reflicta exactamente sobre a condição humana, em particular a do seu tempo. Saramago, nos seus longos discursos, tenderá mais a pensar sobre o futuro do homem do que a discutir o presente, ainda que parta desse presente (ou de um conjunto de presentes por ele definidos como essenciais) . Dizem-me, ainda, que é o que se espera de um Nobel, que não fale para o seu país, mas para o mundo (deve ser por isso que Saramago esclarece, a lúcidas páginas tantas, que aos portugueses nunca tinha acontecido tamanho "erro"). Mas neste caso, eu ainda sou dos que preferem os que recusam o Nobel.
Nas acesas discussões que tenho tido acerca do Ensaio sobre a Lucidez (eu do lado da barricada de quem só leu reacções, eles com o autocolante a anunciar que conseguiram achar o livro atrás do ruído), têm surgido, não tão amiúde quantro eles queriam, uma tendência e um resvalar para essas mesmas questões paralelas: pode aceder-se a um objecto, quando ele está intrinsecamente contextualizado? Há quem ache que sim, eu, por outro lado, considero que recusar-se a leitura dos contextos é não aceder ao objecto completo. Há, contudo, a noção, de que a arte (ainda que não salve o mundo) contribui para um abrir de olhos, uma maior capacidade de atenção para o que nos rodeia. O que nos levaria, de novo, à questão dos contextos. É, ou não, um reflexo dos tempos, este livro? E analisado de acordo com esses mesmos tempos? E apresentado em altura tão propícia (pré-campanha - argumento demagógico, dizem-me -, 25 de Abril, imposição de regimes livres no oriente, ...)
Entre as diversas questões que se têm colocado, a mais consensual é a que defende que o voto em branco, por si só, é um voto inútil, dadas as múltiplas interpretações nele incluídas. Ora, a questão do voto em branco - problema maior de Saramago (diria eu) / das personagens do livro (diriam eles) - não está, de todo, desligada de uma ideia de desresponsabilização das elites (conforme defendia, há meses atrás, em editorial lúcido José Manuel Fernandes) que se alastra para as restantes classes. O que hoje se assiste, e que Saramago defende estar relacionado com a sobranceria dos políticos face ao poder que lhes foi consignado - e, portanto, não abandonado - é a um lento abandonar das funções subjacentes a todos e a cada um de nós, enquanto cidadãos adultos, responsáveis, conscientes, íntegros... logo, lúcidos. A questão (tão velha e vazia como a do ovo e da galinha) é saber onde começou a culpa de tal situação?
Entre diversos argumentos, aquilo que estes meus amigos defendem, acintadamente, é um regresso à ideia de livro como objecto que coloca questões e questões essas que têm um relexo individual, mais do que universal. No fundo, parece-me, um regresso à velha máxima de Kennedy, ask not what your country can do for you, but what can you do for your country, mas agora em versão egocêntrica (no sentido positivo da palavra, entenda-se). Não lhes interessa o ruído ou o facto da direita ter recebido este livro com melhores mãos que a esquerda. Muito menos lhes interessa saber que foi o próprio autor a colocar a tónica no discurso político e a fazer deste livro um lugar de reflexão acerca do estado das coisas. Insistem, mesmo que o autor não queira, em ler o livro. Assim mesmo, ler o livro comme il faut. Terão eles razão?
Que legitimidade temos nós em nos substituirmos ao autor nessa função? Que razões encontramos nós, maiores que a própria polémica, para o fazer? Podemos mesmo viver sem a contextualização? Saramago-autor é maior que Saramago-politólogo, defensor de causas duvidosas, auto-vítima cultural, Nobel ambíguo?
Pelo que me diz respeito, o que não me leva a ler este livro do Saramago, ou qualquer outro, não se prende com questões de pontuação ou outros apêndices, mas pelo facto de não conseguir abrir os olhos no meio de tanta poeira. Por não encontrar o livro. Há-o, dizem-me.
Mas depois eu penso no que este almoço com Durão Barroso pode significar (nesse ignóbil pedido de desculpas - pergunto-me se Saramago alguma vez pediu desculpa pelas perseguições a que foram votados muitos apolíticos após a queda do regime fascista em Portugal) e não entendo como se pode ver Saramago como um proscrito, um renegado, um apátrida. Vasco Pulido Valente dixit, hoje ao Diário de Notícias que não há como sermos perseguidos para a nossa obra ser reconhecida e que este "erro" fez mais pela carreira e pelo Nobel que todos os outros (depois penso nos discursos de que a arte não se deve misturar com a política, e que os artistas não se devem deixar reconhecer pelo Estado e ainda do que Cavaco Silva assume neste segundo volume autobiográfico acerca da relação políticos/artistas e de que como estes, porque ficam para a história e são imprevisíveis, convém saber com quem se pode contar). Nisto, até alguns desses meus amigos concordam. "Memorial do Convento" não é um livro brilhante. Eu só li o que me impingiram, e confesso que também não apreciei. A bem da verdade, José Saramago não foi ofendido de maneira nenhuma. Se calhar, se perdesse o prémio ia dizer que não tinham feito a promoção suficiente, ou então que o júri o tinha ostracizado. Pelo facto de não ter entrado a concurso, pode sempre apelar-se à especulação. O livro continuou nos manuais escolares, vende imenso, é citado, traduzido, adaptado, reconhecido e admirado. Bem como todos os outros. E se não houvesse polémica, haveria tanto Saramago? Haveria o peso de cada intervenção?
Entre o forte ataque à censura posta na questão e a irrelevância de um prémio, todos (eu e esses meus amigos) concordamos que há livros e há livros. Só não concordamos que uns livros devam ser lidos dentro de contextos e outros não precisem dele. "Ensaio sobre a Lucidez", precisa, efectivamente, de toda a polémica e de toda a contextualização. Caso contrário, segundo percebi de leituras críticas, não é mais que um exercício de ficção científica.
Mas repito, eu não li o livro.
A (r)evolução do anjo
A partir de segunda feira, anuncia-se a publicação de uma série de cadernos do anjo, acerca dos 30 anos do 25 de Abril. O anjo associa-se assim à efeméride. Revolução ou Evolução? Crónicas, poemas, fotografias, comentários, opiniões, observações, reflexões, apontamentos, considerandos, memorandos, apensos, excertos, notas e post-its.
A liberdade está a passar por aqui, diz a canção. Que diz o anjo?
A partir de segunda feira, anuncia-se a publicação de uma série de cadernos do anjo, acerca dos 30 anos do 25 de Abril. O anjo associa-se assim à efeméride. Revolução ou Evolução? Crónicas, poemas, fotografias, comentários, opiniões, observações, reflexões, apontamentos, considerandos, memorandos, apensos, excertos, notas e post-its.
A liberdade está a passar por aqui, diz a canção. Que diz o anjo?
Ao Acaso
corrente blogueira
1. Pegue no livro que estiver mais perto de si.
2. Abra-o na página 31.
3. Sublinhe a lápis a primeira frase completa que encontrar.
4. Publique-a no seu blog, juntamente com estas instruções (faça-o nos comentários deste postalhito, se não possuir o seu próprio weblog).
Vou começar a ler "O homem que via passar os comboios" de George Simenon, na colecção do Mil Folhas. O livro pousa em cima da cama, à espera que o abra já dentro dos lençóis e a primeira frase completa da página 31 é: "Mas quando vestisse de novo as roupas cinzentas de Kecs Popinga e desse consigo de pé, barbeado de fresco, bem lavado, com os seus cabelos louros colados pela brilhantina?"
Encontrei esta brincadeira aqui (da qual copiei todas as palavras excepto os acrescentos pessoais) que a leu aqui que a encontrou noutros blogues... Só não percebo o significado.
Diga lá qual é a frase?
corrente blogueira
1. Pegue no livro que estiver mais perto de si.
2. Abra-o na página 31.
3. Sublinhe a lápis a primeira frase completa que encontrar.
4. Publique-a no seu blog, juntamente com estas instruções (faça-o nos comentários deste postalhito, se não possuir o seu próprio weblog).
Vou começar a ler "O homem que via passar os comboios" de George Simenon, na colecção do Mil Folhas. O livro pousa em cima da cama, à espera que o abra já dentro dos lençóis e a primeira frase completa da página 31 é: "Mas quando vestisse de novo as roupas cinzentas de Kecs Popinga e desse consigo de pé, barbeado de fresco, bem lavado, com os seus cabelos louros colados pela brilhantina?"
Encontrei esta brincadeira aqui (da qual copiei todas as palavras excepto os acrescentos pessoais) que a leu aqui que a encontrou noutros blogues... Só não percebo o significado.
Diga lá qual é a frase?
sexta-feira, abril 16, 2004
Saudosismos e consolos
O Renas recorda a Sandra Kim, canção que não se cansa de tocar aqui no tugúrio. Esta coisa neo-glam-europeista-fin-de-siécle ainda vai terminar mal.
Nem a propósito, o grande tema de conversa esta semana das funcionárias-seguranças da Biblioteca Nacional era a qualidade da pele da Lara Li. Dizia uma para a outra: Ninguém dá 50 anos áquela mulher. Respondeu a outra para uma: Quem me dera a mim chegar lá assim. Será que anda apaixonada?
O Renas recorda a Sandra Kim, canção que não se cansa de tocar aqui no tugúrio. Esta coisa neo-glam-europeista-fin-de-siécle ainda vai terminar mal.
Nem a propósito, o grande tema de conversa esta semana das funcionárias-seguranças da Biblioteca Nacional era a qualidade da pele da Lara Li. Dizia uma para a outra: Ninguém dá 50 anos áquela mulher. Respondeu a outra para uma: Quem me dera a mim chegar lá assim. Será que anda apaixonada?
Em bicos de pés!!!
Esta história do pedido de desculpas ao Saramago, deixa-me irritado. Como se pudesse existir alguma outra coisa nessa intenção do que publicidade e mais publicidade e ainda mais publicidade. Estou mesmo a ver os autocolantes nos livros do vetusto Nobel: "Agora, também aprovado pela maioria".
Se a moda pega, teremos o Eusébio a querer que o Estado assuma as impossibilidades fascistas de ser transferido para outro clube de fora ou a Linda de Suza por ter sido obrigada a emigrar e a falhar no estrangeiro. O caso foi o que foi, Saramago vende como nunca, já tem o Nobel, os livros, mesmo fracos, são falados (mas serão lidos?!) e o resto são cantigas... ou fado, como diria o outro.
Mas a coisa deveria dar-se ao contrário. Por exemplo:a Dulce Pontes deveria pedir desculpas por ainda cantar, o Taveira por ter feito as Amoreiras, o Ministro da Cultura por assinar enquanto tal, etc.
Esta história do pedido de desculpas ao Saramago, deixa-me irritado. Como se pudesse existir alguma outra coisa nessa intenção do que publicidade e mais publicidade e ainda mais publicidade. Estou mesmo a ver os autocolantes nos livros do vetusto Nobel: "Agora, também aprovado pela maioria".
Se a moda pega, teremos o Eusébio a querer que o Estado assuma as impossibilidades fascistas de ser transferido para outro clube de fora ou a Linda de Suza por ter sido obrigada a emigrar e a falhar no estrangeiro. O caso foi o que foi, Saramago vende como nunca, já tem o Nobel, os livros, mesmo fracos, são falados (mas serão lidos?!) e o resto são cantigas... ou fado, como diria o outro.
Mas a coisa deveria dar-se ao contrário. Por exemplo:a Dulce Pontes deveria pedir desculpas por ainda cantar, o Taveira por ter feito as Amoreiras, o Ministro da Cultura por assinar enquanto tal, etc.
terça-feira, abril 13, 2004
Em caso de sufoco, grite baixinho
Janela Indiscreta + Sliver - Violação de Privacidade + O Delfim transfigurado e ausente de sentido + desconhecimento do universo Marguerite Duras + Agustina Bessa-Luís lida na diagonal + todo o cinema do Antonioni escondido, revelado, escarrapachado, dissimulado e nós a percebermos tudo + a falta dos vapores de uma piscina + dry martinis sem angustura + Madonna sem paixão + solários + Julião Sarmento + os amigos todos artistas plásticos + vazio de intenções + uma grande performance da Ana Zanatti + duas ou três cenas que se não fossem os diálogos irreais, os figurantes obtusos e os planos insensatos e eram impressionantes + a sensação de que chegámos todos (público, actores, técnicos, realizador, argumentista) atrasados ao filme + um desiquilibrado naipe de secundários + uma Lisboa que não se afirma + o medo de chamar as coisas pelos nomes + achar-se sofisticado dizerem-se palavrões e reforçar-se a coisa como se o fizessemos no dia a dia + uma sósia da Ana Sousa Dias e do conceito do programa Por Outro Lado + o moderno em abstracto + o empolamento de situações + ... = Lá Fora.
Janela Indiscreta + Sliver - Violação de Privacidade + O Delfim transfigurado e ausente de sentido + desconhecimento do universo Marguerite Duras + Agustina Bessa-Luís lida na diagonal + todo o cinema do Antonioni escondido, revelado, escarrapachado, dissimulado e nós a percebermos tudo + a falta dos vapores de uma piscina + dry martinis sem angustura + Madonna sem paixão + solários + Julião Sarmento + os amigos todos artistas plásticos + vazio de intenções + uma grande performance da Ana Zanatti + duas ou três cenas que se não fossem os diálogos irreais, os figurantes obtusos e os planos insensatos e eram impressionantes + a sensação de que chegámos todos (público, actores, técnicos, realizador, argumentista) atrasados ao filme + um desiquilibrado naipe de secundários + uma Lisboa que não se afirma + o medo de chamar as coisas pelos nomes + achar-se sofisticado dizerem-se palavrões e reforçar-se a coisa como se o fizessemos no dia a dia + uma sósia da Ana Sousa Dias e do conceito do programa Por Outro Lado + o moderno em abstracto + o empolamento de situações + ... = Lá Fora.
domingo, abril 11, 2004
Notícias relacionadas
A propósito do que se lê no Renas e Veados, o PÚBLICO publica hoje uma breve notícia acerca do casamento entre homossexuais: diz então o jornal (link para a notícia não acessível) que "a maior parte dos americanos é contrária ao casaento entre homossexuais mas, apesar de considerarem que a união entre pessoas do mesmo sexo 'é contrária aos mandamentos de Deus', manifestam tolerância em relação às preferências sexuais de cada um, segundo o jornal 'Los Angeles Times'. Uma percentagem de 55 por cento dos inquiridos considera que, ao permitir-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo, está a contribuir-se para a degradação e desacreditação deste acto. A sondagem, via telefone, foi feita junto de 1616 adultos, havendo ainda a destacar que, apesar de seis em cada dez pessoas entender que a união entre pessoas do mesmo sexo é contrária à lei de Deus, é igual a proporção dos que acreditam ser inevitável um aumento dos direitos dos homossexuais."
A propósito do que se lê no Renas e Veados, o PÚBLICO publica hoje uma breve notícia acerca do casamento entre homossexuais: diz então o jornal (link para a notícia não acessível) que "a maior parte dos americanos é contrária ao casaento entre homossexuais mas, apesar de considerarem que a união entre pessoas do mesmo sexo 'é contrária aos mandamentos de Deus', manifestam tolerância em relação às preferências sexuais de cada um, segundo o jornal 'Los Angeles Times'. Uma percentagem de 55 por cento dos inquiridos considera que, ao permitir-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo, está a contribuir-se para a degradação e desacreditação deste acto. A sondagem, via telefone, foi feita junto de 1616 adultos, havendo ainda a destacar que, apesar de seis em cada dez pessoas entender que a união entre pessoas do mesmo sexo é contrária à lei de Deus, é igual a proporção dos que acreditam ser inevitável um aumento dos direitos dos homossexuais."
Em Abril, raivas mil
Há medida que os dias de revolução se aproximam (não é que nos outros dias o mesmo não aconteça), as manifestações de neo-saudosismo acentuam-se. Ele é o elogio à qualidade de vida do ancient régime, esses tempos em que se fazia a apologia ao português nobre, respeitoso da sua terra, orgulhoso do seu país, conservador da moral, dos costumes, das promessas de dias melhores que nunca viriam, mas pelo menos não se deixavam de querer.
Esta turba de gente, leitora compulsiva do 24 horas e do Correio da Manhã, que vive azeda com tudo, seja a direita ou a esquerda, o árbitro ou o seleccionador, a mulher ou o raio do neto que não se cala com a caderenta da bola, não quer sequer saber que ao domingo tudo é possível. O discurso é falacioso, contraditório, tendencial e extremista. (Ai se eu mandasse... é a expressão da ordem)
Ao encherem de migalhas e perdigotos os outros habitantes do café, do autocarro, da fila para o cinema, calcinam também toda e qualquer esperança de um domingo soalheiro. Derrotados e confusos (terão eles razão? seremos nós, de facto, utópicos, vulgo, parvos?) voltamos para casa onde nada nos espera a não ser a manhã cinzenta de segunda feira.
Há medida que os dias de revolução se aproximam (não é que nos outros dias o mesmo não aconteça), as manifestações de neo-saudosismo acentuam-se. Ele é o elogio à qualidade de vida do ancient régime, esses tempos em que se fazia a apologia ao português nobre, respeitoso da sua terra, orgulhoso do seu país, conservador da moral, dos costumes, das promessas de dias melhores que nunca viriam, mas pelo menos não se deixavam de querer.
Esta turba de gente, leitora compulsiva do 24 horas e do Correio da Manhã, que vive azeda com tudo, seja a direita ou a esquerda, o árbitro ou o seleccionador, a mulher ou o raio do neto que não se cala com a caderenta da bola, não quer sequer saber que ao domingo tudo é possível. O discurso é falacioso, contraditório, tendencial e extremista. (Ai se eu mandasse... é a expressão da ordem)
Ao encherem de migalhas e perdigotos os outros habitantes do café, do autocarro, da fila para o cinema, calcinam também toda e qualquer esperança de um domingo soalheiro. Derrotados e confusos (terão eles razão? seremos nós, de facto, utópicos, vulgo, parvos?) voltamos para casa onde nada nos espera a não ser a manhã cinzenta de segunda feira.
Guia de pequenos - almoços
Pode ser maravilhoso morar em zonas histórico-turísticas da capital, mas a verdade é que se quisermos tomar o pequeno almoço na rua, são poucos os cafés abertos, muito menos em dias festivos. Já nem falo dos verdadeiros "jornaleiros", que sabem o que queremos, sem parcimónias ou conversas demoradas, e nos estendem o jornal em troco de um mudo bom dia.
Não seria má ideia criar-se um "guia para pequenos - almoços ao fim de semana, dias feriados, férias grandes ou inter-semestrais, outras interrupções e demais azares". Um guia que desse conta desses oásis onde não há clientes azedos, empregados hiper-solícitos, maravilhosos bolos, cafés não queimados e mesas onde ninguém se atropela entre uma alheira dominical e um croissant recheado. Ajudaria imenso os que se deleitam com uma demorada leitura do jornal, já o sol vai a pique e alguns se dirigem ao supermercado em fato de treino e ténis.
Petição, já!!
Pode ser maravilhoso morar em zonas histórico-turísticas da capital, mas a verdade é que se quisermos tomar o pequeno almoço na rua, são poucos os cafés abertos, muito menos em dias festivos. Já nem falo dos verdadeiros "jornaleiros", que sabem o que queremos, sem parcimónias ou conversas demoradas, e nos estendem o jornal em troco de um mudo bom dia.
Não seria má ideia criar-se um "guia para pequenos - almoços ao fim de semana, dias feriados, férias grandes ou inter-semestrais, outras interrupções e demais azares". Um guia que desse conta desses oásis onde não há clientes azedos, empregados hiper-solícitos, maravilhosos bolos, cafés não queimados e mesas onde ninguém se atropela entre uma alheira dominical e um croissant recheado. Ajudaria imenso os que se deleitam com uma demorada leitura do jornal, já o sol vai a pique e alguns se dirigem ao supermercado em fato de treino e ténis.
Petição, já!!
A barriga de um arquitecto
Plagiando o nome do belíssimo filme de Peter Greenaway, uma surpresa. Este blog assume aquilo que Bruno Zevi defendia: a arquitectura é aquilo que fazemos com ela. Façam o favor de olhar para a barriga deste arquitecto
Plagiando o nome do belíssimo filme de Peter Greenaway, uma surpresa. Este blog assume aquilo que Bruno Zevi defendia: a arquitectura é aquilo que fazemos com ela. Façam o favor de olhar para a barriga deste arquitecto
sábado, abril 10, 2004
sexta-feira, abril 09, 2004
O lobo das estepes
Entre indecisões, fui surpreendido pela edição, na Erato, de mais uma gravação desse prodigioso pianista Nikolai Lugansky, russo de nascença e virtuoso desde sempre. Desta feita, e depois de Chopin e Rachmaninov, dá-nos Prokofiev e as suas sonatas bélico-trágico-amorosas, seguidas de transcrições para piano do celebérrimo bailado Romeu e Julieta.
Lugansky, (site oficial) que tem o porte de um príncipe de gelo, a leveza da mais fria neve (sim, é fácil perder-se a cabeça pelo pianista!), atira-nos para este universo estranho, entre o classicismo e a modernidade.
Eis a voz dos especialistas: "He articulates every fiendish accent and finds still centres at the hearts of the inner movements in a way that compels attention. He takes the final Vivace [of the Sixth Sonata] at a virtuoso pace that still allows for mania and slows for an especially uneasy reminiscence before a final slam unrivalled by Richter, Kissin, Pogorelich or Chiu - let alone the much-vaunted Trpceski, who... offers only a fraction of Lugansky's vigilant impact as the Sonata gathers weight and pathos." (BBC Music Magazine)
O canal de música Mezzo, está a passar, repetidas vezes, uma gravação de Lugansky a interpretar Chopin.
Entre indecisões, fui surpreendido pela edição, na Erato, de mais uma gravação desse prodigioso pianista Nikolai Lugansky, russo de nascença e virtuoso desde sempre. Desta feita, e depois de Chopin e Rachmaninov, dá-nos Prokofiev e as suas sonatas bélico-trágico-amorosas, seguidas de transcrições para piano do celebérrimo bailado Romeu e Julieta.
Lugansky, (site oficial) que tem o porte de um príncipe de gelo, a leveza da mais fria neve (sim, é fácil perder-se a cabeça pelo pianista!), atira-nos para este universo estranho, entre o classicismo e a modernidade.
Eis a voz dos especialistas: "He articulates every fiendish accent and finds still centres at the hearts of the inner movements in a way that compels attention. He takes the final Vivace [of the Sixth Sonata] at a virtuoso pace that still allows for mania and slows for an especially uneasy reminiscence before a final slam unrivalled by Richter, Kissin, Pogorelich or Chiu - let alone the much-vaunted Trpceski, who... offers only a fraction of Lugansky's vigilant impact as the Sonata gathers weight and pathos." (BBC Music Magazine)
O canal de música Mezzo, está a passar, repetidas vezes, uma gravação de Lugansky a interpretar Chopin.
O Estado das coisas
onde se desespera com a oportunidade de escolha
Ir ao supermercado é, como se sabe, uma utopia. Nunca se vai só para comprar o que é essencial. Traz-se sempre mais qualquer coisa. O que quer que seja. Mostrem-me um ser humano que vá ao supermercado e saia somente com aquilo que o levou lá, e eu voto nele para Presidente da República.
Bom. Problema: escolher detergente e amaciador para a roupa. A tarefa podia ser simples, já que o objectivo é, ele mesmo simples. Mas o facto de hever a possibilidade de escolha, desequilibra essa simplicidade. Mesmo que a marca já esteja definida (conselho: as marcas de supermercado, ainda que mais baratas, não produzem o mesmo efeito e a roupa fica sempre a cheirar a suor), resta o tipo de detergente que se quer levar.
Tinha decidido levar Comfort, já que era o que se "gastava" em casa de mamãe, e nisto não há como as mulheres para decidir o que trazer, mas desde a última vez que comprei detergente - agora essa tarefa está, ingratamente pelo que pude perceber, entregue a outras instâncias - que o Comfort deixou de ser puro e simples Comfort para passar a ser com cheiros por regiões do mundo: Japão (com cheiro a cereja), Inglaterra (a cheirar a campo), Islândia (dizem que a saber - sim, a saber porque me saltou para a boca - a água gelada), Mediterrâneo (água quente -suponho!- e limão - mas porque é que não lhe chamam chá?), Pacífico (mais motivos marinhos) e Ilhas Gregas (cheirou-me a peixe podre, enfim...). Meu Deus, porque me abandonaste?! O que escolher? Acho que trouxe um que devia cheirar a laranja selvagem mas parece-me cheirar antes a concentrado industrial.
Escusado será dizer que demorei mais tempo nessa zona que qualquer pessoa, o que não só me deu vontade de trazer outras coisas (e trouxe!), como ser, também, alvo da chacota de uma série de mulheres que, despachadamente, sabiam ao que iam. É que elas podem achar muita graça a homens sozinhos no supermercado, mas não imaginam o que se sofre.
onde se desespera com a oportunidade de escolha
Ir ao supermercado é, como se sabe, uma utopia. Nunca se vai só para comprar o que é essencial. Traz-se sempre mais qualquer coisa. O que quer que seja. Mostrem-me um ser humano que vá ao supermercado e saia somente com aquilo que o levou lá, e eu voto nele para Presidente da República.
Bom. Problema: escolher detergente e amaciador para a roupa. A tarefa podia ser simples, já que o objectivo é, ele mesmo simples. Mas o facto de hever a possibilidade de escolha, desequilibra essa simplicidade. Mesmo que a marca já esteja definida (conselho: as marcas de supermercado, ainda que mais baratas, não produzem o mesmo efeito e a roupa fica sempre a cheirar a suor), resta o tipo de detergente que se quer levar.
Tinha decidido levar Comfort, já que era o que se "gastava" em casa de mamãe, e nisto não há como as mulheres para decidir o que trazer, mas desde a última vez que comprei detergente - agora essa tarefa está, ingratamente pelo que pude perceber, entregue a outras instâncias - que o Comfort deixou de ser puro e simples Comfort para passar a ser com cheiros por regiões do mundo: Japão (com cheiro a cereja), Inglaterra (a cheirar a campo), Islândia (dizem que a saber - sim, a saber porque me saltou para a boca - a água gelada), Mediterrâneo (água quente -suponho!- e limão - mas porque é que não lhe chamam chá?), Pacífico (mais motivos marinhos) e Ilhas Gregas (cheirou-me a peixe podre, enfim...). Meu Deus, porque me abandonaste?! O que escolher? Acho que trouxe um que devia cheirar a laranja selvagem mas parece-me cheirar antes a concentrado industrial.
Escusado será dizer que demorei mais tempo nessa zona que qualquer pessoa, o que não só me deu vontade de trazer outras coisas (e trouxe!), como ser, também, alvo da chacota de uma série de mulheres que, despachadamente, sabiam ao que iam. É que elas podem achar muita graça a homens sozinhos no supermercado, mas não imaginam o que se sofre.
Profissão de fé
onde se dá conta da experiência cinematográfica denominada A Paixão de Cristo
Em fim-de-semana santo - ou mini-férias, como lhe chamam os funcionários públicos que há muito deixaram de crer em Deus - fui à catedral - vulgo El Corte Inglés - para ver o Evangelho segundo Mel Gibson. Assim de uma assentada parece-me que o filme faz mais pela culpabilização dos fiéis do que as aulas de catequese durante a vida toda. Ao meu lado - dos dois lados - em baixo, por cima, no cinema todo, entre pipocas, sandes, coca-cola e telemóveis com toques polifónicos era ver as lágrimas correrem pela cara do mais resistente dos corações.
Não sei se é de ter visto os filmes do Cecil B. DeMille, de conhecer a Agustina, de reconhecer a iconografia secular ou de saber que AQUILO é só um filme e que bastam três minutos de um relatório da Casa Pia para ficar mais horrorizado, mas pareceu-me tudo um grande exagero. Antes de ser barroco, sepulcral, pictoricamente duvidoso e "parabolizante", o filme de Mel Gibson é tendencioso.
E é-o, não porque insista na ideia de que foram os judeus que entregaram Cristo - isso sabe-se, basta saber ler os Evangelhos - mas porque quer fazer crer que a culpa de tanto sofrimento - ou do facto daquele homem carregar tão pesado fardo - se deve à nossa incapacidade de olharmos "o outro" como um abnegado; alguém que morre pelos outros sem querer nada em troca. Em nome de. É-o, também, por seleccionar dos outros o que mais lhe convém a essa teoria. Ou seja, não se trata de um filme, mas antes de um "Evangelho-respigador"
Se estivermos atentos ao filme - por mais impressionantes que sejam as imagens, já não somos crianças e muito menos inocentes - percebemos que não é mais do que um mostruário da parafernália cristã. Está lá a coroa de espinhos carregada na cara, o santo sudário - manipulado digitalmente, na certa -, a estrela de David - repetida três vezes para o caso de não se perceber-, a primeira queda, e a segunda queda, e a terceira queda e todas as quedas - cada vez mais lentas, mais guturais, mais gráficas -, a pietà, os estereótipos, a homogeneização de posições... e até o pecado em forma andrógina - quem sabe fruto dos tempos modernos. Saber-se, depois, que Mel Gibson afirma tratar-se de uma mulher, porque o espectador deve fazer da figura uma leitura "magnética, é anular a ideia de que Cristo ascendeu aos céus como resultado dos homens e das mulheres, e não em confronto com o pecado em forma feminina. O Cristo é então, um homem; um objecto erótico - que outra leitura se pode fazer da cena em que constrói uma mesa e essa híbrida cena final - e não um objecto erotizável. Mas o erótico é pecado, e voltamos ao início.
Mel Gibson não fez um filme, mas antes insiste numa tese. A de que o Cristo, em vez de "sofredor" é, "redentor". E que a redenção deve chegar através do horror da percepção de que fomos todos nós - ainda hoje - que matámos. Morreu por nós, para nos salvar. E que fizemos nós com esse ensinamento?
Ele fez um filme. O outro, quando escreveu o Evangelho dele, foi censurado. O público emociona-se. Gostava de saber quantas vezes vai passar este filme em alturas da Páscoa. Acho que vou aproveitar para rever os clássicos este fim de semana. Pelo menos não se querem fazer passar por parábolas dentro das parábolas.
Eu, por mim, prefiro os originais.
onde se dá conta da experiência cinematográfica denominada A Paixão de Cristo
Em fim-de-semana santo - ou mini-férias, como lhe chamam os funcionários públicos que há muito deixaram de crer em Deus - fui à catedral - vulgo El Corte Inglés - para ver o Evangelho segundo Mel Gibson. Assim de uma assentada parece-me que o filme faz mais pela culpabilização dos fiéis do que as aulas de catequese durante a vida toda. Ao meu lado - dos dois lados - em baixo, por cima, no cinema todo, entre pipocas, sandes, coca-cola e telemóveis com toques polifónicos era ver as lágrimas correrem pela cara do mais resistente dos corações.
Não sei se é de ter visto os filmes do Cecil B. DeMille, de conhecer a Agustina, de reconhecer a iconografia secular ou de saber que AQUILO é só um filme e que bastam três minutos de um relatório da Casa Pia para ficar mais horrorizado, mas pareceu-me tudo um grande exagero. Antes de ser barroco, sepulcral, pictoricamente duvidoso e "parabolizante", o filme de Mel Gibson é tendencioso.
E é-o, não porque insista na ideia de que foram os judeus que entregaram Cristo - isso sabe-se, basta saber ler os Evangelhos - mas porque quer fazer crer que a culpa de tanto sofrimento - ou do facto daquele homem carregar tão pesado fardo - se deve à nossa incapacidade de olharmos "o outro" como um abnegado; alguém que morre pelos outros sem querer nada em troca. Em nome de. É-o, também, por seleccionar dos outros o que mais lhe convém a essa teoria. Ou seja, não se trata de um filme, mas antes de um "Evangelho-respigador"
Se estivermos atentos ao filme - por mais impressionantes que sejam as imagens, já não somos crianças e muito menos inocentes - percebemos que não é mais do que um mostruário da parafernália cristã. Está lá a coroa de espinhos carregada na cara, o santo sudário - manipulado digitalmente, na certa -, a estrela de David - repetida três vezes para o caso de não se perceber-, a primeira queda, e a segunda queda, e a terceira queda e todas as quedas - cada vez mais lentas, mais guturais, mais gráficas -, a pietà, os estereótipos, a homogeneização de posições... e até o pecado em forma andrógina - quem sabe fruto dos tempos modernos. Saber-se, depois, que Mel Gibson afirma tratar-se de uma mulher, porque o espectador deve fazer da figura uma leitura "magnética, é anular a ideia de que Cristo ascendeu aos céus como resultado dos homens e das mulheres, e não em confronto com o pecado em forma feminina. O Cristo é então, um homem; um objecto erótico - que outra leitura se pode fazer da cena em que constrói uma mesa e essa híbrida cena final - e não um objecto erotizável. Mas o erótico é pecado, e voltamos ao início.
Mel Gibson não fez um filme, mas antes insiste numa tese. A de que o Cristo, em vez de "sofredor" é, "redentor". E que a redenção deve chegar através do horror da percepção de que fomos todos nós - ainda hoje - que matámos. Morreu por nós, para nos salvar. E que fizemos nós com esse ensinamento?
Ele fez um filme. O outro, quando escreveu o Evangelho dele, foi censurado. O público emociona-se. Gostava de saber quantas vezes vai passar este filme em alturas da Páscoa. Acho que vou aproveitar para rever os clássicos este fim de semana. Pelo menos não se querem fazer passar por parábolas dentro das parábolas.
Eu, por mim, prefiro os originais.
quinta-feira, abril 08, 2004
Elogio à videocassete
a que se seguirá o elogio ao vinil e onde dou conta da minha angústia
São mais de 800 cassetes de vídeo arrumadas dentro de caixotes. As mais frágeis (os bens mais preciosos) estão embrulhadas em papel de jornal a ver se limita o acesso à humidade. Muita coisa russa, muita coisa muda, muito filme negro, cinema vérite, realismo italiano, expressionismo alemão, movida espanhola, algum cinema novo português, dezenas de documentários, reportagens, musicais, pérolas do entretenimento, marcos da história, etc. Neste momento, descontando aquelas outras preciosas que carrego comigo e mais algumas emprestadas, outras não recolhidas e umas que não lhes encontro o rasto, devem ultrapassar as oito centenas.
Com o advento do DVD, mais botão e menos botão, e as cassetes começaram a ficar obsoletas. Já ninguém quer saber das fitas partidas, dos drop-outs, regravações, capas perdidas e re-escritas... agora é tudo em DVD, essa pequena maravilha portátil, que se empresta porque demora meia hora a copiar. Essa coisa que custa os olhos da cara e cheia a moderno.
Eu não desisto das minhas cassetes. Elas podem desistir de mim, assumindo formas que não lhes reconheço ou, pior (ultrage!!!), desgravarem-se; fazerem um piquete de greve, não quererem entrar dentro do video, exigirem cabeças novas, esconderem-se atrás dos armários... o horror, o horror.
Fazem barulho quando caem, ganham mais pó, são pesadas e ocupam muito espaço. Não ficam bem numa casa desenhada a traço fino (não ficam bem senão num armário na despensa), merecem pontapés e vôos rasantes aos candeeiros quando não mostram o que dizem, desconhecem o que é um temporizador e, algumas delas, suicidam-se, cortando-se em pedaços de fita, que nos escorrega dos dedos à mesma velocidade que as imagens nelas inscritas.
Mas eu não me consigo livrar das cassetes de vídeo. Olho-as, transformo-as, classifico-as, defino-as, limpo-lhes o pó... observo-as como troféus de caça.
E depois o DVD ainda não permite gravar directamente da televisão; ainda não tem tudo o que eu quero; não sabe o que é a memória do tempo e precisa de muitos botões para funcionar. Dou dez anos para que as cassetes voltam a estar na moda outra vez. Com esta onda de revivalismo, em que até os anos 90 já são olhados com saudade, em breve os videogravadores serão caríssimos e depois irão todos chorar por terem feito substituir o mamute por uma gazela.
a que se seguirá o elogio ao vinil e onde dou conta da minha angústia
São mais de 800 cassetes de vídeo arrumadas dentro de caixotes. As mais frágeis (os bens mais preciosos) estão embrulhadas em papel de jornal a ver se limita o acesso à humidade. Muita coisa russa, muita coisa muda, muito filme negro, cinema vérite, realismo italiano, expressionismo alemão, movida espanhola, algum cinema novo português, dezenas de documentários, reportagens, musicais, pérolas do entretenimento, marcos da história, etc. Neste momento, descontando aquelas outras preciosas que carrego comigo e mais algumas emprestadas, outras não recolhidas e umas que não lhes encontro o rasto, devem ultrapassar as oito centenas.
Com o advento do DVD, mais botão e menos botão, e as cassetes começaram a ficar obsoletas. Já ninguém quer saber das fitas partidas, dos drop-outs, regravações, capas perdidas e re-escritas... agora é tudo em DVD, essa pequena maravilha portátil, que se empresta porque demora meia hora a copiar. Essa coisa que custa os olhos da cara e cheia a moderno.
Eu não desisto das minhas cassetes. Elas podem desistir de mim, assumindo formas que não lhes reconheço ou, pior (ultrage!!!), desgravarem-se; fazerem um piquete de greve, não quererem entrar dentro do video, exigirem cabeças novas, esconderem-se atrás dos armários... o horror, o horror.
Fazem barulho quando caem, ganham mais pó, são pesadas e ocupam muito espaço. Não ficam bem numa casa desenhada a traço fino (não ficam bem senão num armário na despensa), merecem pontapés e vôos rasantes aos candeeiros quando não mostram o que dizem, desconhecem o que é um temporizador e, algumas delas, suicidam-se, cortando-se em pedaços de fita, que nos escorrega dos dedos à mesma velocidade que as imagens nelas inscritas.
Mas eu não me consigo livrar das cassetes de vídeo. Olho-as, transformo-as, classifico-as, defino-as, limpo-lhes o pó... observo-as como troféus de caça.
E depois o DVD ainda não permite gravar directamente da televisão; ainda não tem tudo o que eu quero; não sabe o que é a memória do tempo e precisa de muitos botões para funcionar. Dou dez anos para que as cassetes voltam a estar na moda outra vez. Com esta onda de revivalismo, em que até os anos 90 já são olhados com saudade, em breve os videogravadores serão caríssimos e depois irão todos chorar por terem feito substituir o mamute por uma gazela.
A lei dos amantes (21)
Que Reste-T-Il De Nos Amours? ( Charles Trenet)
Que reste-t-il de nos amours?
Que reste-t-il de ces beaux jours?
Une photo, vieille photo de ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d'avril, des rendez-vous?
Un souvenir qui me poursuit sans cesse
Bonheurs fanés, cheveux au vent
Baiser volés, rêves émouvants
Que reste-t-il de tout cela?
Dites-le moi
Un petit village un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé
Que Reste-T-Il De Nos Amours? ( Charles Trenet)
Que reste-t-il de nos amours?
Que reste-t-il de ces beaux jours?
Une photo, vieille photo de ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux
Des mois d'avril, des rendez-vous?
Un souvenir qui me poursuit sans cesse
Bonheurs fanés, cheveux au vent
Baiser volés, rêves émouvants
Que reste-t-il de tout cela?
Dites-le moi
Un petit village un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage le cher visage
De mon passé
Explicações do atraso (I)
Onde esclareço os parcos leitores acerca da ausência de posts
Fui ver o último filme da Diane Keaton (que deveria ser visto em sessão dupla com o último de Woody Allen, para se perceber com as mulheres envelhecem melhor e que a Annie Hall é, por si só, um conceito) e assustei-me quando, na sala, era o único a reagir, encantada e bajuladoramente, à presença de uma canção do Charles Trenet (Que Reste-T-Il De Nos Amours?) na banda sonora. Registo que estava no cinema Londres a um domingo à tarde. Assustei-me com a gargalhada que tinha dado. O silêncio à minha volta era confrangedor.
Desapareci para ir buscar a juventude, é uma hipótese de explicação.
Onde esclareço os parcos leitores acerca da ausência de posts
Fui ver o último filme da Diane Keaton (que deveria ser visto em sessão dupla com o último de Woody Allen, para se perceber com as mulheres envelhecem melhor e que a Annie Hall é, por si só, um conceito) e assustei-me quando, na sala, era o único a reagir, encantada e bajuladoramente, à presença de uma canção do Charles Trenet (Que Reste-T-Il De Nos Amours?) na banda sonora. Registo que estava no cinema Londres a um domingo à tarde. Assustei-me com a gargalhada que tinha dado. O silêncio à minha volta era confrangedor.
Desapareci para ir buscar a juventude, é uma hipótese de explicação.
quarta-feira, abril 07, 2004
terça-feira, abril 06, 2004
Para um regresso já anunciado
Ana Hatherly.Tisana.126
O autor e o leitor:estamos no limiar do prazer. Um de cada lado como anfitriões esperando tensos. Vivemos a problemática do segredo - se for divulgado deixa de existir se não for torna-se um horrível tormento. Alguns mestres dizem que o próprio do prazer é não poderer dito.
Ana Hatherly.Tisana.126
O autor e o leitor:estamos no limiar do prazer. Um de cada lado como anfitriões esperando tensos. Vivemos a problemática do segredo - se for divulgado deixa de existir se não for torna-se um horrível tormento. Alguns mestres dizem que o próprio do prazer é não poderer dito.
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