sexta-feira, janeiro 18, 2008

Comédias do Minho em Lisboa

Até terça, no CCB, a não perder Quando as nuvens se dissiparem, pelas Comédias do Minho, "um dos mais estimulantes projectos de descentralização que, discretamente, tem vindo a impor-se como valor seguro contra a maré de boas intenções oportunistas que circulam fora dos grandes centros urbanos. E, por isso mesmo, capaz de provocar alterações no modo como olhamos para a ocupação de espaços ao ar livre. Comédias do Minho, resultante do esforço e espírito de missão das Câmaras Municipais de Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira, é, à revelia de qualquer discurso sobre o teatro enquanto forma de aproximação entre a arte e a vida, prova material da qualidade que se pode e deve exigir a um projecto artístico. Quando as nuvens se dissiparem junta um grupo de seis jovens actores profissionais que, encenados por Philippe Peychaud, traduzem para um olhar viciado na contemporaneidade as técnicas clássicas do clown, conferindo a esta prática uma depuração e uma sensibilidade tais que nos deixamos guiar pela inocência das interpretações, a clareza das sequências, o humor inteligente e a perfeita comunhão entre público e cena. Os clássicos pares usados pelo clown – que espelham a desfasada luta de poderes e valores – são aqui desenhados com feliz coerência e adequada gestão de tempos cómicos e físicos. Cada breve sequência, gerida num mínimo espaço fechado a várias portas, explora as contradições toscas das personagens para, naturalmente, as conduzir ao idílio final." (in OBSCENA #6)

quarta-feira, janeiro 16, 2008

As referências dos artistas

A propósito do debate feito no Teatro Carlos Alberto, no Porto, no passado sábado (e que moderei), dentro da programação 30 por Noite, João Paulo Sousa escreveu, acertadamente, isto:

Qualquer artista que assuma outro trabalho como referência, sobretudo numa fase de natural crescimento e de formação da sua identidade, impõe a si mesmo um constrangimento de cujos efeitos nefastos não se aperceberá no momento, mas que compreenderá mais tarde, quando o seu trabalho for permanentemente colado à influência a que se deixou grudar. A preguiça crítica abunda na suposta análise de objectos artísticos, seja de que disciplina se tratar, e é frequente ler­‑se que A descende de B ou recupera a lição de C. Isto é o mesmo que dizer que B ou C foram grandes é A é um subproduto, um derivado, um ersatz. continua

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Teatro para os próximos dias

No Porto, 30 por Noite, projectos de cinco companhias de teatro criadas depois de 2001 + concerto + debates, até sábado no teatro Carlos Alberto; o Teatro Plástico apresenta Catástrofe, no Teatro Helena Sá e Costa, até dia 18.

Em Lisboa, no CCB, O Avarento ou a Última Festa, pelo Teatro Praga, a partir de sexta até dia 18; no TNDMII, Turismo Infinito, encenação de Ricardo Pais, a partir de sexta e até dia 26. veja as críticas de João Paulo Sousa na última OBSCENA.

este blog pára até domingo.

terça-feira, janeiro 08, 2008

OBSCENA de aniversário, dia 30 de Janeiro, em papel e por todo o país


video editing by Pixel Reply

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Hoje, às 11h30, no programa Minuto a Minuto, com João Adelino Faria, no Rádio Clube Português, sugestões de teatro para a quinzena que se segue.

domingo, janeiro 06, 2008

Roberts, o alfinete e a guerra no Afeganistão



Charlie Wilson's War é um belíssimo filme, bem escrito (pelo mesmo autor de Os Homens do Presidente - o que significa que falam todos a uma velocidade impressionante das coisas mais inusitadas como se estivessem a beber um copo de água) e melhor interpretado, tanto que ao realizador pouco resta que colocar ali a câmara e deixá-los seguir (o que, a bem da verdade, faz e é uma pena). Mas bom, a dada altura está a Julia Roberts a maquilhar-se (cena que se vê no clip acima), depois de ter abandonado a festa que organizara para ir resolver uns assuntos com o Tom Hanks, e enquanto argumenta que a guerra no Afeganistão não está a ser levada a sério pelos americanos, separa as pestanas com um alfinete. Lá está, como se estivesse a beber água. Há muito que não via nada assim.

aqui uma reportagem com o verdadeiro Charlie Wilson e um depoimento de Joanne Herring, a mulher que Roberts interpreta.

sábado, janeiro 05, 2008

Novos Media

A ler a análise que Augusto M. Seabra faz, no Letra de Forma, às exposições sobre cinema e novos media patentes no Museu do Chiado e Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em Lisboa:

"Dir-se assim que as exposições se complementam, e que a sua conjução é sinal particularmente sublinhado de como o cinema invade os museus e espaços expositivos, de resto, e provavelmente não por acaso, num momento que é crítico para o cinema, momento de tantas depreciações e mutações, em que o seu espaço constituinte das salas escuras está em declive que tanto mais se irá acentuar com o consumo das imagens em “download”, momento de “ocaso da que foi a grande arte do século XX, de esgotamento da grande arte industrial e de massas com que crescemos e que amámos” (e faço questão de repetir uma afirmação minha feita ao “Ípsilon” de 19-10-07, já que houve quem fizesse questão de a deturpar).
Contudo, cada exposição é o que é – e a de Beaubourg no Chiado e do CAM acabam por ser quase opostas na sua concretização."

Tânia Carvalho sings António Variações

A coreógrafa Tânia Carvalho a interpretar Cancão do Engate, de António Variações

Dança em Almada

Duas coreografias que se mostram hoje no Teatro Municipal de Almada.

Às 17, Visita Guiada, de Cláudia Dias

Visita Guiada estreou em 2005 e não mais deixou de circular dentro e fora de portas, mas talvez nenhuma outra apresentação faça tanto sentido como a que no início do ano se mostrará em Almada, inaugurando a temporada de dança 2008 do Teatro Municipal. É o regresso à casa de partida de uma peça maturada onde Cláudia Dias explora o seu passado, vivido em Almada, e o “choque” das descobertas que a outra margem, Lisboa, lhe foi oferecendo. Seguindo uma narrativa que equilibra biografia e ficção, a coreógrafa constrói à boca de cena, na sua simplicidade e justo rigor, uma mini-paisagem que reflecte sobre o lugar do corpo (ou a tomada de consciência de que se tem um corpo) num mundo onde a dança surge enquanto disciplina tradutora de movimentos reactivos, aqui apresentados sob a forma de objectos do quotidiano deslocados da sua função principal. De uma beleza ímpar, a peça consolida o discurso de Cláudia Dias, que explorando o método de Composição em Tempo Real, criado por João Fiadeiro, o transforma num belo exercício de revelação apenas aparentemente biográfico.


às 21h30, A Arte da Fuga, de Rui Lopes Graça


Se traduzir é escrever de novo, então, em A Arte da Fuga Rui Lopes Graça re-escreve a peça homónima de Bach, num gesto dramatúrgico atento que chama a si aquilo que de mais perturbador a peça carrega: o risco de não a vermos no seu todo, dada a complexidade de interpretações sugeridas pela fragmentação da obra. Catorze momentos – todos eles variações do mesmo tema, contemplando ainda dois cânones que prolongam dois deles já na recta final da estrutura –, surgem através de um diálogo coreográfico rico em significados. As breves sequências, maioritariamente interpretadas por quatro bailarinos tal como cada momento musical o é por quatro instrumentos, organizam-se sem uma linearidade e facilmente poderiam reorganizar-se sem perda de sentido. Simbolicamente violenta, esta é uma peça onde os fraseados de Lopes Graça ampliam a liberdade criativa de Bach.


textos publicados ontem no Ípsilon

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Pergunta

Estamos a uma semana do fim das apresentações de Lago dos Cisnes, pela Companhia Nacional de Bailado, e ainda não se sabe o que se segue. Acabou a CNB?

Obama que acha que é o messias

trazer as tropas, e fazer um mundo melhor, e que olhe para a américa de outra forma, e acabar com os impostos injustos, e restaurar a identidade de uma américa fragilizada, e elevar um discurso onde a discriminação positiva se impõe às ideias é absolutamente assustador. este foi o momento onde a américa se lembrou do que era a esperança, disse Obama no seu discurso de reconhecimento da vitória. de um idealismo assustador. o mundo inteiro devia era poder votar na américa. já que a américa acha que pode mudar o mundo. go hillary!

do laicismo, pró e contra, igualmente absurdo

Diz o Adolfo Mesquita Nunes, e com razão, a propósito de uma certa ideia de transversalidade da religião que tanto se abraça como se recusa com igual disparate retórico, que:

O Governo parece considerar-se investido da capacidade suprema de ditar quais são os critérios pelos quais deve uma comunidade escolher o nome para a sua escola. Diz o Governo que deve ter o nome de uma personalidade “de reconhecido valor, que se tenha distinguido na região no âmbito da cultura, da ciência ou educação”. E porque não noutras áreas? Na económica, por exemplo, no assistencialismo, por exemplo, na obra benemérita, por exemplo? (...) Acontece que, por muito que lhe custe, a si e ao carrocel de Ministros que à sua volta gira, o Primeiro-Ministro não detém, nem os Ministros por seu intermédio alcançam, a capacidade de determinar o sentimento local. Deve ser esse sentimento, e não outro, a determinar a homenagem a prestar, o nome a escolher, o patrono a adoptar. Quer o Governo goste, quer não goste. (...) o Governo entrou na onda anticlerical, muito em voga no país vizinho, de quem tudo se copia, menos o essencial e relevante. De tal sorte que afasta os santos e as santas, e apenas estes, de uma qualquer possibilidade de poderem ser considerados uma personalidade de reconhecido valor para efeitos de dar nome a escola. Como se uma pessoa chegasse a santo, e nessa qualidade fosse reconhecido por uma comunidade, por dá cá aquela palha. Como se, só pelo facto de ter sido considerado santo, não tivesse sido um homem ou mulher de carne e osso.

e ainda:

Não reconheço à Igreja Católica legitimidade para decretar qual ou quais os formatos ou estruturas familiares que, no meu caso, me é lícito adoptar. Pela mesma ordem de ideias, mesmíssima aliás, não reconheço ao Estado tal capacidade.

do fumo

No El Corte Inglés, em Lisboa, criaram uma jaula de vidro para os fumadores, na secção de restauração. Apetece atirar-lhes amendoins e abrir a boca como um peixe. Ou eles a nós. Neste blog convive-se bem com o fumo porque são menos de 100 metros quadrados e não há dinheiro para a ventilação, mas a Fernanda Câncio não deixa de ter razão. Ei-la, hoje, no Diário de Notícias: "O pior de tudo isto é a pacovice provinciana de um país que, cinco meses e meio após a aprovação da lei, acorda para a realidade como se lhe tivessem decretado de surpresa as novas regras e como se leis como esta - e mais rigorosas que esta - não estivessem em vigor, há anos, noutros países, onde, diz-se, parece que também há casinos, e discotecas, e restaurantes, e cafés, e pubs e, imagine-se, fumadores. E onde, consta, ninguém foi à falência ou se suicidou."

quinta-feira, janeiro 03, 2008

A América a votos



Começa hoje a corrida à presidência norte-americana, processo que, como dizia um entrevistado ao Público hoje, "para quem vê isto de fora, parece muito excitante". É, é. E foi essa América estranha e bipolar que Bernard Henri-Lévy tão bem retratou no livro Vertigem Americana, editado o ano passado pela Edições Asa. Escrito entre a re-eleição de Bush e o furação Katrina, revela-se uma apaixonante viagem, não sem a habitual displicência europeia em relação a tudo o que é exotismo norte-americano. Livro que apetece reler, enquanto se contam os dias (tão lentamente) para o fim do reinado de George W..

segunda-feira, dezembro 31, 2007

começar de novo...



Ao ver o ano que passou através dos registos deixados pelos repórteres fotográficos do Público e da Reuters, só apetece dizer como na na canção Elephant Gun dos Beirut, cujo vídeo acima serve para dizer adeus a 2007:

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Bom ano 2008!

domingo, dezembro 30, 2007

Balanços 2007 (ii)

Daniel Tércio disse-o ontem, no balanço do ano, publicado no jornal Expresso: nas peças dos anos 80 apresentadas este ano em Portugal “pode encontrar[-se] muitas das filiações do que se tem feito nos últimos quinze anos”. Assim foi na dança, desde o ciclo que o Auditório de Serralves preparou – com peças, nem todas dessa mas sobre essa época, de Raimund Hoghe (Lecture Performance, 2000), Bill T. Jones (Blauvelt Mountain, 1980), Pippo Delbono (Il tempo degli assassini, 1986), David Wojnarowicz e Ben Neill (Itsofomo, 1988-89) e Dominique Bagouet, refeitas pela companhia Louma/Alain Michard (Retransmissions, 2004-05), para além de concertos –, à emblemática peça de Daniel Larrieu, Waterproof (1986), que a Culturgest mostrou em Setembro, vimos ainda Treze Gestos de um Corpo (1987), de Olga Roriz, estreada no Ballet Gulbenkian e remontada para a Companhia Nacional de Bailado, com apresentações no Teatro Camões.

Mas também no teatro com Robert Lepage a apresentar no CCB A Trilogia dos Dragões (1987), José Maria Vieira Mendes a estrear-se na encenação com uma peça de Jean-Luc Lagarce, Histórias de Amor (Últimos Capítulos) estreada em 1990 mas a remeter para uma primeira versão de 1983, ou a terminar o ano, e para além do regresso de Ricardo Pais à poesia de Fernando Pessoa, com Turismo Infinito, depois de Fausto. Fernando Fragmentos, de 1989, o gesto (também ele celebratório de aniversário e que se estenderá por todo o próximo ano) de Joaquim Benite que re-encenou, no Teatro Municipal de Almada, Que farei com este livro?, de José Saramago, estreada em 1980. Em 2006 tínhamos visto, em Junho, durante o Festival de Almada, Dias Felizes, de Samuel Beckett, encenada por Giorgio Strehler em 1982, e do mesmo ano Nelken, de Pina Bausch, apresentada em 2005 no S. Luiz – Teatro Municipal.

Poderia dizer-se que esta coincidência programática não é mais do que a oportunidade de se verem peças importantes como salientava Daniel Tércio a propósito das escolhas de dança. Mas é, na verdade, mais do que isso. È também a ponte necessária para discutir as relações que se podem estabelecer entre a criação nacional e a internacional a um nível discursivo, de circulação e formação. O caso de Waterproof é, por isso mesmo sintomático, já que a peça vivia há anos refém de um vídeo (mostrado aliás há um par de anos no Temps d’Images) que deixava imaginar, mas nunca compreender, a importância desta peça para o estabelecimento de um conjunto de novos modos de conceber a dança contemporânea. Mas porque a peça se apresentou isolada de um tratamento que a contextualizasse, apareceu-nos mais como uma peça de museu vivo (que não é) do que como um momento de ruptura (que é, absolutamente e por isso tão importante e fundamental a sua apresentação). Casos como este, ou o de Treze Gestos de um Corpo, que mais do que feito para um novo elenco, foi feito para uma nova geração de espectadores, são fundamentais para reforçar determinadas noções que a velocidade do tempo e das criações tende a esquecer.

Na foto: Blauvelt Mountain, de Bill T. Jones

sábado, dezembro 29, 2007

Balanços 2007 (i)

Programar, dizem eles


Quando, no fim de semana de 7 e 8 de Dezembro o Secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, falava no Porto, durante a iniciativa Portogofone organizada pelo Teatro Nacional S. João, sobre um Portugal evoluído em termos de oferta cultural, fez referência, para europeu ver, ao esforço de várias estruturas fora dos grandes centros na apresentação de programações e projectos que aproximavam as populações da criação contemporânea. O SEC foi mais longe, naturalmente, chamando ao governo – mas deveria ter sido ainda mais justo se dissesse “aos governos” – as iniciativas de descentralização que se efectivam na disponibilização de espaços culturais, como os cine-teatros municipais em cada capital de distrito. Meios logísticos aos quais só faltava o desejo humano, disse o SEC. Num plano formal tudo isto é correcto, não fosse um ligeiro raspar da superfície para se verificar que esse desejo humano esbarra nas dificuldades orçamentais a que se sujeitam esses mesmos cine-teatros. Veja-se o caso da Guarda, onde Américo Rodrigues, notável agitador que transbordou o raio de acção para lá da fronteira espanhola, lamentava há um par de meses – não sem continuar a procurar alternativas independentes – que o belo teatro de que o SEC tanto se orgulhava, nem meios tinha para trabalhar. Como o Teatro Municipal da Guarda há outros, abandonados à sorte dos departamentos culturais das câmaras municipais, a braços com “monstros orçamentais” que não sabem gerir. Por isso, num ano de elevada média artística, são as programações, e os seus responsáveis, escolhas do ano. Casos como este, na Guarda, ao qual se junta, na mesma cidade, a equipa de Rui Sena que programa o Festival Y, mas também a ArtemRede, na zona de Lisboa e Vale do Tejo, José Alberto Ferreira que com o Escritas na Paisagem ocupa vários concelhos do Alto Alentejo e Beira Baixa, ou o projecto Comédias do Minho, dirigido por Isabel Alves Costa e Miguel Honrado, e em colaboração com cinco municípios do Alto Minho, são casos efectivos de uma persistência programática exigente que não cede à facilidade discursiva, nem à retórica dos números de espectadores. Ou competitividade, como lhe chama o SEC. Mais: o Circular, em Vila do Conde, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o Theatro-Circo de Braga, a programação que Rui Horta faz para o Garcia de Resende, em Évora, a plataforma internacional da Companhia de Dança de Almada, o Ao Sul, no Algarve, e a programação paralela às exposições que, no Porto, o Auditório de Serralves faz, assinada por Cristina Grande e Pedro Rocha – e que este ano construíram um extraordinário ciclo Anos 80 –, mostram como se pode fazer uma programação transversal, com propostas nacionais e outras, deste ou de outros anos, sem caírem em conceitos retóricos como hibridismo e novidade. Se a proporcionalidade de espectadores não faz jus à qualidade de algumas das propostas, faz acreditar, não pelas razões apontadas pelo SEC, que há apostas que se ganham na coerência e no risco em se querer oferecer um alargar de conhecimentos e questionamentos disciplinares e artísticos. Ao mesmo tempo que normalizam um país cada vez assimétrico.

Na foto: Curso de Silêncio, de Vera Mantero e Miguel Gonçalves Mendes, filme-instalação co-produzido pelo Circular e Temps d'Images

Amanhã:
The 80's are back!

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Pina Bausch faz audições em Lisboa



A coreógrafa Pina Bausch, que regressa a Lisboa para mostrar, entre outras a peça Masurca Fogo, inspirada na cidade e estreada em 1998, está à procura de dois bailarinos para as apresentações que decorrerão em Maio, no CCB. Os interessados devem inscrever-se em joao.oliveira@ccb.pt, com indicação de idade, altura, formação e experiência profissional, até 29 de Fevereiro. As audições decorrem dias antes da estreia, a 7 de Maio.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

A ler...

A tarefa da crítica (em sete teses), por José Luis Brea in Arte Capital





2. É tarefa da crítica contribuir para o processo de construção social do significado. Este não pertence à obra – que em si mesma não é mais do que um modesto e incompleto envio – mas a todo o processo social em que ela está implicada. A parte em que a crítica há-de contribuir não será se não a mais desmanteladora, a que melhor contribua tanto para dispersar essa produtividade significante – a crítica há-de ser máquina de proliferação do sentido – como para socavar a ilusão de que este pertence à obra. O sentido pertence à produtividade, afectiva e intelectiva, dos múltiplos agentes que participam nos processos da comunicação social que chamamos arte.


na foto: pormenor de uma obra de Michael Snow da qual não me lembro o nome, deliberadamente roubada do Museu de Arte Contemporânea de Montréal em Setembro 2005.