quinta-feira, dezembro 20, 2007

OBSCENA #8 disponível a partir de hoje


No último número do ano focamos o olhar em Portugal, no âmbito do dossier sobre políticas culturais que temos vindo a apresentar desde Setembro. Fomos perguntar a André Dourado, Catarina Vaz Pinto, Cristina Peres, Jorge Salavisa, Maria José Stock e Miguel Abreu se existe uma política para a cultura em Portugal. Uma mesa-redonda onde temas como a formação de públicos, o confronto entre infra-estruturas e conteúdos, políticas de continuidade e relações económicas entre Estado, mecenas e sociedade civil, traçam mapas para o entendimento do que mudou e ficou por fazer desde a entrada na União Europeia, em 1996.

O mesmo dossier inclui o balanço do encontro Teatro Europa, organizado pelo Teatro Nacional S. João, no início do mês de Dezembro, e ainda contributos de Adolfo Mesquita Nunes, que reflecte sobre direito e cultura no espaço comunitário, e de Nuno Grande, arquitecto e responsável pela programação da área de Arquitectura e Cidade da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, que nos dá conta de uma certa ideia de política cultural sob o prisma das grandes intervenções públicas urbanas. André Dourado reflecte, na sua coluna habitual, sobre o novo pólo Hermitage, instalado no palácio da Ajuda, em Lisboa.

Outro dossier importante é aquele que dedicamos às relações entre o Hiv/Sida e a criação artística, com um mapeamento dos exemplos portugueses, entre teatro, dança, cinema e televisão, num texto-viagem de Elisabete França. Um dossier que inclui ainda reflexões de Thomas Hahn e Gérard Mayen sobre o que a dança fez à sida, e a sida fez à dança, bem como olhares sobre o trabalho dos coreógrafos Dominique Bagouet, Raimund Hoghe e Bill T. Jones, e dos encenadores Arianne Mnouchkine, Krzystof Warlikowsky e Reza Abdoh.

Mais: traçamos o perfil dramatúrgico de José Maria Vieira Mendes, antecipando a apresentação em Lisboa de O Avarento ou a última festa, peça escrita para o Teatro Praga que estreou em Junho no Porto e que também criticamos; falamos com os coreógrafos Alain Buffard, Claudia Triozzi e Vera Mantero, a propósito da peça (Not) a love song, de Buffard; damos carta branca a Catarina Botelho, prémio Bes Photo Revelação 2007; e publicamos a segunda parte do ensaio Indústrias Criativas, de Bruno Vasconcelos, Gustavo Sugahara, Miguel Magalhães e Pedro Costa.

Para além das crónicas de Mónica Guerreiro e Eugénia Vasques, bem como do cartoon do Bandeira, acolhemos um novo cronista, o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro que, a partir de agora, nos dará conta de viagens, referências e perspectivas, num espaço intitulado A Face Oculta.

Voltamos no fim de Janeiro para uma edição especial, porque de aniversário. Feliz ano 2008.

7 comentários:

Ria disse...

Nao abre

Ria disse...

nao abre "obscena": fichier endomagé...

Ria disse...

JA ABRE...
OBRIGADA

"Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E alguns chegaram das fronteiras,
e disseram que já não há bárbaros.
- E agora que será de nós sem bárbaros?
Esses homens eram uma solução..."

Porquê?

"Porque hoje é sabado"

Vinicius de Morais, cito de cor, nao tenho por perto a obra...

Ria disse...

Porque hoje é sabado

III


...Na verdade, o homem não era necessário.

Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias.

Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos.

Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.

Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia.

Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.

Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias.

A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos;
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade.

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo...

E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente,

Porque era sábado.

Vinicius de Moraes

Ria disse...

Dança
"Palimpsesto (sintam o que vocês
sentem) apresentada pelo Centro de Criação do Dirceu,
residente na cidade de Teresina, no Estado (interior) do
Piaúi....

para ser absolutamente
qualificativo, podemos utilizar a expressão com que um espectador a classificou no final: é uma dança que dá uma grande tesão."

Antonio Pinto Ribeiro, Obscena, Dezembro, in A face oculta.

Que modulações para chegar ao digo. Digo ou não digo/canto ou não canto?
Cante.
Eu leio, e não ouço/sinto.
Perdeu a (sua)voz do autor do canto. Pede-a emprestada.
Assim não vale:
A cultura nao se mostra, prova-se!

froilas disse...

pequena nota de leitura

a "a face oculta" de APR

agradavel a nota poética curta - em corte com o discurso objectivo/informativo - a focalização na paisagem. Surpreendente a perspectiva tao varia, recolhida num conjunto de autores de sensibilidades tao diferentes, e que nao estamos a habituados a associar à questão da "barbarie". Interpelante o poema que fecha a roda de leituras. Um modo muito especial de ler, ver : sensibilidade, delicadeza, conhecimento, respeito pelo autor e pelo leitor.
Surpreende um pouco a nota final (desconfortavel). Fica-se com a sensação de que nao "pode" assumir o sentir "... ou, para ser absolutamente qualificativo, podemos utilizar a expressão com que um espectador a classificou no final: é uma dança que dá uma grande tesão."

Modulação do pudor ...

froilas disse...

"...Porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E alguns chegaram das fronteiras,
e disseram que já não há bárbaros.
- E agora que será de nós sem bárbaros?
Esses homens eram uma solução.

citado in "a face oculta"

sem barbaros a cidade d(existe )e
esquece-se de si
sim