terça-feira, outubro 16, 2007

A urgência da teoria

O blog O Estado do Mundo, que dá conta das actividades daquela plataforma organizada no âmbito dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, disponibilizou o texto Uma nova centralidade para o pensamento crítico, que Isabel Gil, Professora e Directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, leu na apresentação do livro A urgência da teoria, editado pela Tinta da China.

"A tarefa que a plataforma 2 do Estado do Mundo se coloca com as grandes lições 'A Urgência da Teoria' é por isso difícil e ousada, pois apresenta-se como projecto de recanonização da teoria em novo contexto. Buscando desconstruir a teoria exercida de cima para baixo, por uma elite para um conjunto de conversos ensimesmados na sua torre de marfim, demonstra a necessidade de articular o pensamento crítico com a complexa realidade contemporânea e a utilidade da razão para a educação do género humano apelando, como refere Miguel Vale de Almeida na sua lição, à necessidade de '[...] sistematizar zonas de tensão crítica entre o analítico e o político.' A teoria de que aqui se fala surge assim como a théoria do pensamento grego, que se afirma como projecto abrangente e crítico de observação do mundo e que contribui para o que Aristóteles considerava a finalidade da ética e da política: a obtenção da 'vida boa', configurando, contudo, a complexidade deste mundo que como nos diz Bernard Stiegler está '[...]a fazer-se, mas sempre sob a ameaça de se desfazer.'

O volume A Urgência da Teoria colige as lições apresentadas por Marc Ferro, Homi Bhabha, Paul Gilroy, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Danièle Cohn, Daniel Miller, Andy Pratt, Bernard Stiegler, António Cícero, Filipe Duarte Santos, Paul D. Miller e Mehdi Belhaj Kacem. Expondo um complexo mapa do modo como as ciências, da antropologia, à filosofia, passando pelos estudos culturais, pela ciência política, pelas ciências do ambiente e pela história concebem o nosso difícil momento, esta obra apresenta na sua diversidade, abordagens complementares e argumentos opostos, esboçados entre o pessimismo e a esperança, o realismo e a utopia. Concebe-se assim uma reflexão que se desloca do tópico ao u-tópico, que se ancora dentro dos limites académicos da disciplina e nesse campo reflecte sobre a ciência e o Estado do Mundo, como é o caso de Pedro Magalhães, para a Ciência Política, ou de Danièle Cohn para a Estética; ou então que lança o projecto teórico como modelo explicativo da complexidade do humano, pugnando por uma realidade a vir, como o fazem Homi Bhabha ou Paul Gilroy."

Isabel Gil foi também a autora convidada para pensar a programação d'O Estado do Mundo para o dossier que a OBSCENA #3 lhe dedicou

3 comentários:

mariacosta disse...

O TBC pouco confortavel, hoje.A senhora professora também.

Tiago disse...

n percebi

mariacosta disse...

é simples: gosto de o ler. Aprecio o que escreve, o que faz, a sua isenção. Gosto do que traz para o seu espaço. O discurso da Senhora Professora Isabel Gil, Professora e Directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, destoa.