domingo, junho 05, 2005

Mulheres passivas

Tenho para mim que a única mulher desesperada que fez alguma coisa por si foi, exactamente, a Mary Alice Young (a morta, pois). Todas as outras remetem-se a uma passividade, deixando-se levar pelos homens (tenham eles as funções que tiverem). O caso de Lynette é o mais grave, pois já se percebeu que não está satisfeita, que o marido a engana e que os filhos mereciam 365 Forte (e mesmo assim talvez fosse pouco)... e no entanto, que faz ela? Resume-se a um encolher de ombros.

Desperate Housewives insiste numa apresentação plástica do universo feminino, apostando nas pontas soltas para agarrar o espectador. Mas nem sempre de forma eficaz. E se já se percebeu que o misterioso suicídio de Mary Alice vai prosseguir no resto dos episódios, só ainda não se entendeu bem quanto tempo vai levar. O verniz destas mulheres demora a estalar, é o que é.

Uma outra nota: ao contrário de Sexo e a Cidade, por exemplo, esta série não se presta a uma questão-problema por episódio, mas antes na construção de um puzzle que aposta no envolvimento do espectador e na suspensão da acção. Ora, essa é, provavelmente a mais valia da série. Repare-se no pré-genérico de cada episódio. Ao invés de relatarem o que se passou no imediatamente anterior, dão o tom ao episódio por repegarem linhas de anteriores, misturando-os e respondendo-lhes ao longo do episódio. Assim, o tom que se busca é o de uma história por camadas e sobreposições que dão a quem vê a oportunidade de ir descobrindo por si o que é mais relevante.

Ainda assim parece-me demasiado 'por fora'.

Observações aos episódios 1 e 2 e 3


Ver aqui a opinião do Miguel (O olhar do girino)

1 comentário:

Anónimo disse...

apesar de nunca ter conseguido assistir a um episódio do princípio ao fim, hoje lá consegui ver o segundo que passou na sic depois das 19horas; a cena em que o filho da suicida entra em casa da maníaca das tarefas domésticas e decora-a com os adornos natalícios está soberba, pois quando o vi entrar com o machado, pensei, vai dar cabo daquilo tudo por não ter jantar.
Pairam por ali tantos clichés mas apresentados com um papel de celofane diferente que a coisa até se digere bem (quando não consigo ver os episódios fico até chateado).


Nowadays