segunda-feira, dezembro 31, 2007

começar de novo...



Ao ver o ano que passou através dos registos deixados pelos repórteres fotográficos do Público e da Reuters, só apetece dizer como na na canção Elephant Gun dos Beirut, cujo vídeo acima serve para dizer adeus a 2007:

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Bom ano 2008!

domingo, dezembro 30, 2007

Balanços 2007 (ii)

Daniel Tércio disse-o ontem, no balanço do ano, publicado no jornal Expresso: nas peças dos anos 80 apresentadas este ano em Portugal “pode encontrar[-se] muitas das filiações do que se tem feito nos últimos quinze anos”. Assim foi na dança, desde o ciclo que o Auditório de Serralves preparou – com peças, nem todas dessa mas sobre essa época, de Raimund Hoghe (Lecture Performance, 2000), Bill T. Jones (Blauvelt Mountain, 1980), Pippo Delbono (Il tempo degli assassini, 1986), David Wojnarowicz e Ben Neill (Itsofomo, 1988-89) e Dominique Bagouet, refeitas pela companhia Louma/Alain Michard (Retransmissions, 2004-05), para além de concertos –, à emblemática peça de Daniel Larrieu, Waterproof (1986), que a Culturgest mostrou em Setembro, vimos ainda Treze Gestos de um Corpo (1987), de Olga Roriz, estreada no Ballet Gulbenkian e remontada para a Companhia Nacional de Bailado, com apresentações no Teatro Camões.

Mas também no teatro com Robert Lepage a apresentar no CCB A Trilogia dos Dragões (1987), José Maria Vieira Mendes a estrear-se na encenação com uma peça de Jean-Luc Lagarce, Histórias de Amor (Últimos Capítulos) estreada em 1990 mas a remeter para uma primeira versão de 1983, ou a terminar o ano, e para além do regresso de Ricardo Pais à poesia de Fernando Pessoa, com Turismo Infinito, depois de Fausto. Fernando Fragmentos, de 1989, o gesto (também ele celebratório de aniversário e que se estenderá por todo o próximo ano) de Joaquim Benite que re-encenou, no Teatro Municipal de Almada, Que farei com este livro?, de José Saramago, estreada em 1980. Em 2006 tínhamos visto, em Junho, durante o Festival de Almada, Dias Felizes, de Samuel Beckett, encenada por Giorgio Strehler em 1982, e do mesmo ano Nelken, de Pina Bausch, apresentada em 2005 no S. Luiz – Teatro Municipal.

Poderia dizer-se que esta coincidência programática não é mais do que a oportunidade de se verem peças importantes como salientava Daniel Tércio a propósito das escolhas de dança. Mas é, na verdade, mais do que isso. È também a ponte necessária para discutir as relações que se podem estabelecer entre a criação nacional e a internacional a um nível discursivo, de circulação e formação. O caso de Waterproof é, por isso mesmo sintomático, já que a peça vivia há anos refém de um vídeo (mostrado aliás há um par de anos no Temps d’Images) que deixava imaginar, mas nunca compreender, a importância desta peça para o estabelecimento de um conjunto de novos modos de conceber a dança contemporânea. Mas porque a peça se apresentou isolada de um tratamento que a contextualizasse, apareceu-nos mais como uma peça de museu vivo (que não é) do que como um momento de ruptura (que é, absolutamente e por isso tão importante e fundamental a sua apresentação). Casos como este, ou o de Treze Gestos de um Corpo, que mais do que feito para um novo elenco, foi feito para uma nova geração de espectadores, são fundamentais para reforçar determinadas noções que a velocidade do tempo e das criações tende a esquecer.

Na foto: Blauvelt Mountain, de Bill T. Jones

sábado, dezembro 29, 2007

Balanços 2007 (i)

Programar, dizem eles


Quando, no fim de semana de 7 e 8 de Dezembro o Secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, falava no Porto, durante a iniciativa Portogofone organizada pelo Teatro Nacional S. João, sobre um Portugal evoluído em termos de oferta cultural, fez referência, para europeu ver, ao esforço de várias estruturas fora dos grandes centros na apresentação de programações e projectos que aproximavam as populações da criação contemporânea. O SEC foi mais longe, naturalmente, chamando ao governo – mas deveria ter sido ainda mais justo se dissesse “aos governos” – as iniciativas de descentralização que se efectivam na disponibilização de espaços culturais, como os cine-teatros municipais em cada capital de distrito. Meios logísticos aos quais só faltava o desejo humano, disse o SEC. Num plano formal tudo isto é correcto, não fosse um ligeiro raspar da superfície para se verificar que esse desejo humano esbarra nas dificuldades orçamentais a que se sujeitam esses mesmos cine-teatros. Veja-se o caso da Guarda, onde Américo Rodrigues, notável agitador que transbordou o raio de acção para lá da fronteira espanhola, lamentava há um par de meses – não sem continuar a procurar alternativas independentes – que o belo teatro de que o SEC tanto se orgulhava, nem meios tinha para trabalhar. Como o Teatro Municipal da Guarda há outros, abandonados à sorte dos departamentos culturais das câmaras municipais, a braços com “monstros orçamentais” que não sabem gerir. Por isso, num ano de elevada média artística, são as programações, e os seus responsáveis, escolhas do ano. Casos como este, na Guarda, ao qual se junta, na mesma cidade, a equipa de Rui Sena que programa o Festival Y, mas também a ArtemRede, na zona de Lisboa e Vale do Tejo, José Alberto Ferreira que com o Escritas na Paisagem ocupa vários concelhos do Alto Alentejo e Beira Baixa, ou o projecto Comédias do Minho, dirigido por Isabel Alves Costa e Miguel Honrado, e em colaboração com cinco municípios do Alto Minho, são casos efectivos de uma persistência programática exigente que não cede à facilidade discursiva, nem à retórica dos números de espectadores. Ou competitividade, como lhe chama o SEC. Mais: o Circular, em Vila do Conde, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o Theatro-Circo de Braga, a programação que Rui Horta faz para o Garcia de Resende, em Évora, a plataforma internacional da Companhia de Dança de Almada, o Ao Sul, no Algarve, e a programação paralela às exposições que, no Porto, o Auditório de Serralves faz, assinada por Cristina Grande e Pedro Rocha – e que este ano construíram um extraordinário ciclo Anos 80 –, mostram como se pode fazer uma programação transversal, com propostas nacionais e outras, deste ou de outros anos, sem caírem em conceitos retóricos como hibridismo e novidade. Se a proporcionalidade de espectadores não faz jus à qualidade de algumas das propostas, faz acreditar, não pelas razões apontadas pelo SEC, que há apostas que se ganham na coerência e no risco em se querer oferecer um alargar de conhecimentos e questionamentos disciplinares e artísticos. Ao mesmo tempo que normalizam um país cada vez assimétrico.

Na foto: Curso de Silêncio, de Vera Mantero e Miguel Gonçalves Mendes, filme-instalação co-produzido pelo Circular e Temps d'Images

Amanhã:
The 80's are back!

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Pina Bausch faz audições em Lisboa



A coreógrafa Pina Bausch, que regressa a Lisboa para mostrar, entre outras a peça Masurca Fogo, inspirada na cidade e estreada em 1998, está à procura de dois bailarinos para as apresentações que decorrerão em Maio, no CCB. Os interessados devem inscrever-se em joao.oliveira@ccb.pt, com indicação de idade, altura, formação e experiência profissional, até 29 de Fevereiro. As audições decorrem dias antes da estreia, a 7 de Maio.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

A ler...

A tarefa da crítica (em sete teses), por José Luis Brea in Arte Capital





2. É tarefa da crítica contribuir para o processo de construção social do significado. Este não pertence à obra – que em si mesma não é mais do que um modesto e incompleto envio – mas a todo o processo social em que ela está implicada. A parte em que a crítica há-de contribuir não será se não a mais desmanteladora, a que melhor contribua tanto para dispersar essa produtividade significante – a crítica há-de ser máquina de proliferação do sentido – como para socavar a ilusão de que este pertence à obra. O sentido pertence à produtividade, afectiva e intelectiva, dos múltiplos agentes que participam nos processos da comunicação social que chamamos arte.


na foto: pormenor de uma obra de Michael Snow da qual não me lembro o nome, deliberadamente roubada do Museu de Arte Contemporânea de Montréal em Setembro 2005.

terça-feira, dezembro 25, 2007

escolhas

O Ípsilon abriu a época das escolhas do ano na passada sexta-feira. A parte respectiva do suplemento do Público está agora disponível em acesso gratuito num ficheiro pdf. Aqui.

...


"Durante todo este tempo, a retórica da desconstrução na desconstrução terá permitido contornar a questão da qualidade do objecto, que pode continuar a considerar como obra."
Jean-Philippe Domecq, Artistes sans art?, Éditions 10/18, 2005

na foto: prvtdncr (‘private dancer’) is an LA graffiti artist whose pieces can be seen at seedy spots just off Santa Monica and Hollywood Boulevards. Like park restrooms, cruise spots and hooker hangouts.

sábado, dezembro 22, 2007

Feist me this!


ou quando a dança chega à música, a música faz dela o que quer. 1, 2, 3, 4... já não se contava assim desde a Samantha Fox!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Toxic as it should be

Se houvesse justiça no mundo, era uma estátua para a mesa do fundo, ali para a Yael Naim, israelita extraordinária radicada em França, que canta como a Britney Spears nunca soube sequer. Bom, a comparação é injusta para a Yael, mas ainda assim, vejam lá o que é que ela fez com o Toxic. E depois comparem.

o fim dos livros

As notícias da venda da Gradiva, lidas no novo blog do José Mário Silva (atrasada notícia, bem sei!), Bibliotecário de Papel, ficam mesmo bem para este vídeo encontrado pelo Rui Manuel Amaral (que deve saber bem o que é o prenúncio do fim a cada número da Águas Furtadas), sobre o que acontece aos livros quando uma livraria fecha. Lêem a sua cena de morte preferida.




quinta-feira, dezembro 20, 2007

OBSCENA #8 disponível a partir de hoje


No último número do ano focamos o olhar em Portugal, no âmbito do dossier sobre políticas culturais que temos vindo a apresentar desde Setembro. Fomos perguntar a André Dourado, Catarina Vaz Pinto, Cristina Peres, Jorge Salavisa, Maria José Stock e Miguel Abreu se existe uma política para a cultura em Portugal. Uma mesa-redonda onde temas como a formação de públicos, o confronto entre infra-estruturas e conteúdos, políticas de continuidade e relações económicas entre Estado, mecenas e sociedade civil, traçam mapas para o entendimento do que mudou e ficou por fazer desde a entrada na União Europeia, em 1996.

O mesmo dossier inclui o balanço do encontro Teatro Europa, organizado pelo Teatro Nacional S. João, no início do mês de Dezembro, e ainda contributos de Adolfo Mesquita Nunes, que reflecte sobre direito e cultura no espaço comunitário, e de Nuno Grande, arquitecto e responsável pela programação da área de Arquitectura e Cidade da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, que nos dá conta de uma certa ideia de política cultural sob o prisma das grandes intervenções públicas urbanas. André Dourado reflecte, na sua coluna habitual, sobre o novo pólo Hermitage, instalado no palácio da Ajuda, em Lisboa.

Outro dossier importante é aquele que dedicamos às relações entre o Hiv/Sida e a criação artística, com um mapeamento dos exemplos portugueses, entre teatro, dança, cinema e televisão, num texto-viagem de Elisabete França. Um dossier que inclui ainda reflexões de Thomas Hahn e Gérard Mayen sobre o que a dança fez à sida, e a sida fez à dança, bem como olhares sobre o trabalho dos coreógrafos Dominique Bagouet, Raimund Hoghe e Bill T. Jones, e dos encenadores Arianne Mnouchkine, Krzystof Warlikowsky e Reza Abdoh.

Mais: traçamos o perfil dramatúrgico de José Maria Vieira Mendes, antecipando a apresentação em Lisboa de O Avarento ou a última festa, peça escrita para o Teatro Praga que estreou em Junho no Porto e que também criticamos; falamos com os coreógrafos Alain Buffard, Claudia Triozzi e Vera Mantero, a propósito da peça (Not) a love song, de Buffard; damos carta branca a Catarina Botelho, prémio Bes Photo Revelação 2007; e publicamos a segunda parte do ensaio Indústrias Criativas, de Bruno Vasconcelos, Gustavo Sugahara, Miguel Magalhães e Pedro Costa.

Para além das crónicas de Mónica Guerreiro e Eugénia Vasques, bem como do cartoon do Bandeira, acolhemos um novo cronista, o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro que, a partir de agora, nos dará conta de viagens, referências e perspectivas, num espaço intitulado A Face Oculta.

Voltamos no fim de Janeiro para uma edição especial, porque de aniversário. Feliz ano 2008.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Fun! Fun! Fun!

Mamma Mia

Sex and the City

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Livros de natal

Lançados anteontem, sábado, na Livraria Bulhosa de Entrecampos, em Lisboa, os livros infantis Por quem me apaixonarei? e De onde venho? (na foto), são o primeiro exemplo editorial de obras que tratam de homossexualidade e destinadas aos miúdos. A Time Out falou disso na passada edição, e o Miguel Vale de Almeida, que os apresentou, disponibiliza o texto. São só 350 exemplares de cada um e são, realmente, um belíssimo presente de Natal. Que, na verdade, celebra o nascimento de uma criança que se quis igual a qualquer outra. Independentemente de por quem se apaixonaria.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O que interessa reter do tratado histórico (à escala nacional)

Jornalista da SIC: Alguma vez limpou um tapete tão importante?

Empregada da limpeza: Não, não, tão importante não. Eu nem faço limpezas. Até estava de folga.

É a isto que se chama ajudar à construção europeia num dia histórico. Acho.

VOCABULARIO - Jocelyn Cottencin featuring Tiago Guedes

jocelyn cottencin
tiago guedes

terça-feira, dezembro 04, 2007

The Human Canvas, um filme de Andy Lee

Um filme-documentário de Andy Lee sobre body art (duração 51’58”)