No último número do ano focamos o olhar em Portugal, no âmbito do dossier sobre políticas culturais que temos vindo a apresentar desde Setembro. Fomos perguntar a André Dourado, Catarina Vaz Pinto, Cristina Peres, Jorge Salavisa, Maria José Stock e Miguel Abreu se existe uma política para a cultura em Portugal. Uma mesa-redonda onde temas como a formação de públicos, o confronto entre infra-estruturas e conteúdos, políticas de continuidade e relações económicas entre Estado, mecenas e sociedade civil, traçam mapas para o entendimento do que mudou e ficou por fazer desde a entrada na União Europeia, em 1996.
O mesmo dossier inclui o balanço do encontro Teatro Europa, organizado pelo Teatro Nacional S. João, no início do mês de Dezembro, e ainda contributos de Adolfo Mesquita Nunes, que reflecte sobre direito e cultura no espaço comunitário, e de Nuno Grande, arquitecto e responsável pela programação da área de Arquitectura e Cidade da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, que nos dá conta de uma certa ideia de política cultural sob o prisma das grandes intervenções públicas urbanas. André Dourado reflecte, na sua coluna habitual, sobre o novo pólo Hermitage, instalado no palácio da Ajuda, em Lisboa.
Outro dossier importante é aquele que dedicamos às relações entre o Hiv/Sida e a criação artística, com um mapeamento dos exemplos portugueses, entre teatro, dança, cinema e televisão, num texto-viagem de Elisabete França. Um dossier que inclui ainda reflexões de Thomas Hahn e Gérard Mayen sobre o que a dança fez à sida, e a sida fez à dança, bem como olhares sobre o trabalho dos coreógrafos Dominique Bagouet, Raimund Hoghe e Bill T. Jones, e dos encenadores Arianne Mnouchkine, Krzystof Warlikowsky e Reza Abdoh.
Mais: traçamos o perfil dramatúrgico de José Maria Vieira Mendes, antecipando a apresentação em Lisboa de O Avarento ou a última festa, peça escrita para o Teatro Praga que estreou em Junho no Porto e que também criticamos; falamos com os coreógrafos Alain Buffard, Claudia Triozzi e Vera Mantero, a propósito da peça (Not) a love song, de Buffard; damos carta branca a Catarina Botelho, prémio Bes Photo Revelação 2007; e publicamos a segunda parte do ensaio Indústrias Criativas, de Bruno Vasconcelos, Gustavo Sugahara, Miguel Magalhães e Pedro Costa.
Para além das crónicas de Mónica Guerreiro e Eugénia Vasques, bem como do cartoon do Bandeira, acolhemos um novo cronista, o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro que, a partir de agora, nos dará conta de viagens, referências e perspectivas, num espaço intitulado A Face Oculta.
Voltamos no fim de Janeiro para uma edição especial, porque de aniversário. Feliz ano 2008.