terça-feira, agosto 14, 2007

There's no such thing as silence


Em ordem decrescente os 1º, 2º e 3º andamentos do 1º concerto para violoncelo de Elgar interpretado por Jacqueline Dupré sob direcção de Daniel Barenboim. Falta o 4º andamento, indisponível no You Tube, e falta também a identificação da Orquestra (se alguém souber agradece-se). A frase que titula o post é da autoria de John Cage, foi dita numa entrevista em 1968, serve para tantas coisas nestes dias que correm, mas serve mais ainda para anunciar que a partir de amanhã e até dia 04 de Setembro este blog estará de férias. Até já.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Times Square Big Brother



Tem algum desfasamento temporal e apenas permite ver Times Square, em Nova Iorque, de um ângulo, mas é o mais aproximado que existe para se saber o que por lá se passa. E ao pormenor, ou quase, já que tem um zoom considerável. Chama-se Time Square Cam e está disponível aqui.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Sítio das Artes: o debate

Em resposta ao meu comentário intitulado A Pequena Memória, publicado no jornal Público do passado dia 30 de Julho e referente às apresentações finais da residência artística Sítio das Artes, no âmbito da programação d' O Estado do Mundo, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a coreógrafa e bailarina Vera Santos fez publicar uma carta no jornal que também pode ser lida no blog desse fórum cultural. Convidam-se os leitores a participar na discussão, aberta na caixa de comentários do blog O Estado do Mundo.

Excertos:

Se um programa é sempre genérico (mas este em particular era atento às carências nacionais) e as escolhas nunca se equilibram, a expectativa desta catalogação é fundamentada pela necessidade de perceber as hipóteses de artistas surgidos num contexto pós-dramático, trágico e sobre-referencial. De uma maneira geral, os protagonistas das artes do corpo presentes parecem ter desperdiçado uma oportunidade de reflectirem sobre o que significa criar hoje.
Entre a expectativa mínima e a esperança máxima, as propostas concebidas por Joana Craveiro, Juliana Penna, Vera Santos, Ana Trincão, Miguel Bonneville e Maria Gil, eram unidas por aquilo que o artista plástico Christian Boltanski classificou de «a pequena memória» – que Craveiro citava, e bem –, mas que se tornou um escape para muitos criadores: a defesa de que uma selecção de referências imediatas e geracionais pode substituir sem perda os processos evolutivos da História. Ora, Boltanski não diz apenas que a nossa memória é tão ou mais importante que a memória universal. Diz também, e muito concretamente, que a memória individual só tem importância se confrontada com os efeitos provocados pela memória universal. Ou seja, essa «pequena memória» exige distância e capacidade de auto-crítica, pontos que estas propostas fazem por ignorar através daquilo que lhes é mais imediato, reconhecível e, por vezes, descartável.
TBC

Apesar de já termos sido apresentados e de nos termos cruzado várias vezes (inclusive durante a programação de O Estado do Mundo), lamentavelmente, não foi [Tiago Bartolomeu Costa] um visitante disponível para falar, para questionar, para criticar ou para partilhar um bocado desse mundo imenso que, ao que li no seu comentário, estou longe de tocar enquanto artista porque só pressinto a importância da minha existência. Vi-o no Open Studio, dia da apresentação final, no dia em que esteve a trabalhar no Sítio das Artes, eu estava a observá-lo e posso dizer-lhe que sei que não é fácil estar nesse lugar... a pressão é imensa. A forma que encontrei estes meses para lidar com isso, foi descentrar-me de mim, olhar à volta, cultivar a curiosidade, trocar impressões, ouvir experiências, saber o que se passa, de onde vêm as pessoas... o mundo não é só o que vemos. Ao ler a sua pequena memória do encerramento, fiquei atónita com a natureza generalista de expressões como «Lamentavelmente parecem todos continuar a falar para dentro, para si e para nada» e a visão redutora relativa aos 6 protagonistas (designação tanto para um "herói" como para um "figurante") das artes do corpo, perante um conjunto de 20 artistas (designação não menos rica em sentidos) de 5 países - e como muito bem reconhece, «escolhas que nunca se equilibram» - fazendo parte da particularidade da residência.
Vera Santos

terça-feira, agosto 07, 2007

Judy Bamber


Judy Bamber, My Little Fly, My Little Butterfly, 1992
Wood, found objects, paint
2 parts, 24x19cm each

segunda-feira, agosto 06, 2007

Kalina Stefanova vem a Lisboa para conferência especial

O Melhor Anjo convidou a crítica búlgara Kalina Stefanova para uma conferência especial no âmbito do 4º aniversário do blog, no próximo mês de Setembro.

Intitulada A crítica de teatro: como gostava que fosse e como é, a conferência decorrerá na Culturgest, dia 7 de Setembro, às 18h00.

Seguindo a estrutura de uma história pessoal, recontando uma busca que por todo o mundo se faz de um ideal de crítica, esta conversa irá, ao mesmo tempo, investigar as diferentes realidades da crítica. Com uma abordagem claramente pessoal e com sinceridade, pretendo inspirá-lo, instigá-lo e estimulá-lo a perseguir o seu próprio sonho sobre o que a crítica devia ser, e torná-lo realidade. Por outras palavras (e num outro nível de comunicação): esta conversa procurará despertar a nossa propensão inata para o idealismo, bem como a sua necessidade – este raro traço humano romântico de que o nosso mundo tão prático está cada vez mais terrivelmente necessitado.

Kalina Stefanova: Professora Associada da National Academy of Theatre and Film de Sofia (Bulgária). Crítica e investigadora, foi vice-presidente da Associação Internacional de Críticos de Teatro e é responsável pelos simpósios da Associação. Os seus livros sobre teatro, nas áreas da dramaturgia e políticas culturais, estão editados em quinze países. O seu ensaio Pode a crítica ser pós-dramática? Está publicado no n.º1 da OBSCENA – revista de artes performativas. Bibliografia da autora aqui.

na imagem: that night follows day, de Tim Etchells

domingo, agosto 05, 2007

Petição contra saída de Dalila Rodrigues reúne diversos nomes das artes visuais

A petição assinada pelo grupo de Apoiantes de Dalila Rodrigues, ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga, pode ser assinada em http://www.petitiononline.com/Dalila/petition.html e já reuniu, até ao momento, mais de 560 assinaturas. Entre elas estão nomes de artistas, curadores, críticos, investigadores ou outros nomes ligados à cultura como Gil Heitor Cortesão, Miguel Wandschneider, Augusto M. Seabra, André Dourado, Vasco Araújo, Delfim Sardo, Manuel Graça Dias, Eduardo Souto de Moura, Anabela Mota Ribeiro, Nuno Crespo, Daniel Blaufuks, Xana, Pedro Valdez Cardoso, Pedro Barateiro, Manuel Costa Cabral, Pedro Tudela, Ana Pereira Caldas, António Lagarto ou Noé Sendas, que dizem ter-se o MNAA sob a direcção de Dalila Rodrigues posicionado "como uma instituição aberta, dinâmica e capaz de responder às necessidades do seu tempo, cumprindo melhor a sua missão de preservar, divulgar e educar".

Acrescentam ainda que esta demissão recente prossegue "a prática dos actuais responsáveis do Ministério da Cultura", nomeadamente: "promover a obediência, concentrar a decisão, controlar ideologicamente as instituições. No presente caso, com total desrespeito pela competência, pelos resultados, pelo arrojo. Estamos, assim, confrontados com uma mistura de autoritarismo e autismo, de populismo e controlo". Contra aquilo que apelidam de "centralismo e falta de visão de futuro" e pugnando pela "competência, o rigor e a determinação dos responsáveis certos no lugar certo", os assinantes exigem um museu capaz de "seguir o caminho que permita uma maior ligação à comunidade científica, prestar um melhor serviço ao público, desenvolver um plano educativo e de divulgação mais consistente, ter flexibilidade e construir laços com parceiros mecenáticos e institucionais".

Crítica de dança: Ópera, de Tiago Guedes e Maria Duarte

Manifesto operático

Ópera

De Tiago Guedes e Maria Duarte a partir de uma ideia original de Tiago Guedes
Negócio/ZDB, Lisboa

termina hoje (21h30)

No seu célebre manifesto Não ao espectáculo, de 1965, a coreógrafa norte-americana Yvonne Rainer opunha-se, entre outras coisas, “ao virtuosismo, às transformações e magias e faz-de-conta, (…) ao não envolvimento do intérprete ou do espectador (…) aos desejos do espectador, à excentricidade, ao movimento ou ao ser movido”. Esta noção de liberdade (ou este desejo de libertação) inscrevia-se já numa busca incessante pelo primado da criação: o permanente questionamento. De certo modo, mais do que uma preocupação pela forma, ou pelo formato, deveriam os artistas pugnar por um efectivo diálogo e conjugação entre diferentes noções de representação num mesmo espaço e ao mesmo tempo. Ora, enfrentamos hoje, mais de quarenta anos depois, uma inversão desta ideia ao concebermos como mais relevante a categoria na qual o espectáculo se deve inserir do que o que este contém. Deixámos de lado a noção de arte total para nos preocuparmos com categorizações por vezes pífias que surgem, muitas vezes, de equívocos dos próprios criadores.

Ópera, a mais recente criação de Tiago Guedes, faz lembrar esse manifesto por parecer propor uma outra forma de pensar “o espectáculo”, partindo de uma apropriação de algumas das mais constantes preocupações do seu percurso, aqui sujeitas a um diálogo com Dido & Eneias, de Henry Purcell. Nomeadamente a relação com o tempo, o corpo como reagente a um conjunto de manifestações quotidianas, a memória da dança e a sua reformulação e a construção de quadros-vivos, com evidentes relações com as artes plásticas, numa paisagem árida como a cena vazia.

Ao chamar “ópera” a algo que, manifestamente, surge a partir de, primeiro, uma re-organização de materiais e formulações, assente em pressupostos coreográficos e, segundo, de um manifesto sobre a disciplina “dança” a partir do prolongamento, ampliação e perversão daquilo que, no conjunto do seu trabalho pode ser considerado como solipsista, cede o centro desse questionamento a algo maior, e mais relevante, do que os efeitos a que habitualmente recorre. O rigor e a formalidade dos movimentos tendiam, por vezes, para um jogo de resistência(s) entre as fontes de trabalho e os efeitos que cada uma delas exerce nas outras, obrigando a uma cumplicidade do espectador treinado nem sempre vantajosa.

À semelhança do efeito provocado por Pina Bausch em Café Müller, onde soa a mais célebre ária desta ópera Remember Me (que Guedes substitui por uma versão em russo ainda mais trágica), também aqui se trata de uma “confissão extrema de um estado de crise criativa” (Leonetta Bentivoglio, O Teatro de Pina Bausch, 1994), onde o coreógrafo expõe, como ainda não tinha feito, a irresolubilidade da problemática da representação aplicada ao diálogo entre música e dança. Factor tanto mais relevante quanto, noutras ocasiões, o uso de música servia para sublinhar a sua assinatura (Materiais Diversos, 2003), denunciar a dissolução e impotência dos corpos (Trio, 2005) ou caricaturar o que esses corpos faziam (Matrioska, 2007).

A relação entre esta “falsa” ópera, gerada com humor nos sucessivos jogos de aliteração e “tributo” à tradição coreográfica, e o uso da gestualidade através de um playback exigente e expressivamente contido, executado juntamente com a actriz Maria Duarte, remete-nos para um plano mais ambicioso que o coreógrafo usa para resgatar dos códigos estritos da disciplina a noção de espectáculo “livre” postulada por Rainer. A banda sonora é agora um recurso performático desmontável onde o campo referencial se perde (ou se deixa perder). Razão pela qual vamos abandonando a possibilidade de seguir a narrativa para nos concentrarmos na forma como os intérpretes criam uma mecânica própria, que resulta de uma codificação corporal, estilizada e ritual, dos episódios e das personagens narradas na ópera de Purcell. Estabelece-se um exercício de delimitação territorial que volta a impor uma reformulação dos conceitos disciplinares e da tradução contemporânea de expressões artísticas multíplices.



Texto publicado no Ípsilon de 03 de Agosto de 2007. fotografia de ensaio de José Luís Neves.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Dalila Rodrigues demitida por discordância de política do governo (actualizado)


O Ministério da Cultura demitiu hoje a directora do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), Dalila Rodrigues, por "discordância do actual modelo de gestão dos museus nacionais, tutelados pelo IMC, e por ter exigido condições para continuar no cargo, nomeadamente a autonomia financeira e administrativa", escreve a LUSA. De pouco valeu o aumento de público no museu, reagiu indignada Dalila Rodrigues"as receitas também, e foram realizadas obras de remodelação urgentes porque consegui mecenas para as fazer". Verba essa que o próprio MC achou por bem distribuir por outros museus, apesar de ter sido negociado directamente, e para o MNAA, entre a agora ex-directora e o Millenium BCP.

Vergonha. Muita vergonha. Ou falta dela no MC que ainda ontem, na inauguração da nova exposição, abraçava, beijava e elogiava Dalila Rodrigues.

Foi convocada para hoje, quinta-feira, às 19h00, uma vigília de solidariedade para com a ex-directora, à porta do MNAA

terça-feira, julho 31, 2007

Sabedoria Popular



“Qual é o melhor dia para casar sem sofrer nenhum desgosto? É o 31 de Julho, porque depois entra A-gosto.”

Hai-Ku de Quim Barreiros. Fotografia de Terry Richardson

segunda-feira, julho 30, 2007

Sítio das Artes: balanço

Hoje no Público, reportagem de Isabel Coutinho e comentário meu à apresentação dos resultados finais da residência artística Sítio das Artes.

Excertos:

Estes são só alguns dos 20 projectos que foram apresentados, alguns encontram-se em fase de progresso. "Este projecto tinha limitações", explica Pinto Ribeiro, que podiam ter constituído um desafio para os artistas. Os participantes tiveram que lidar com limites de tempo (em dois meses não podiam concretizar trabalhos de um ano), o museu tinha regras rígidas (os artistas não podiam intervir no espaço da Gulbenkian sem lhes obedecer) e o orçamento não era elástico.
Mais de 700 pessoas passaram pelo Sítio das Artes no sábado, dia em que nesta residência artística tudo terminou ou tudo começou; depende da perspectiva. Se os artistas residentes conseguiram aproveitar o desafio e a oportunidade que lhes foi dada, só o tempo o dirá. Como em tudo, haverá certamente quem vá ficar pelo caminho.
Isabel Coutinho


De uma maneira geral, os protagonistas das artes do corpo presentes parecem ter desperdiçado uma oportunidade de reflectirem sobre o que significa criar hoje. Entre a expectativa mínima e a esperança máxima, as propostas concebidas por Joana Craveiro, Juliana Penna, Vera Santos, Ana Trincão, Miguel Bonneville e Maria Gil eram unidas por aquilo que o artista plástico Christian Boltanski classificou de "a pequena memória" - que Craveiro citava, e bem -, mas que se tornou um escape para muitos criadores: a defesa de que uma selecção de referências imediatas e geracionais pode substituir sem perda os processos evolutivos da História.
TBC

Na foto: MB - Family Project, de Miguel Bonneville. Fotografia de Henrique Figueiredo.

sexta-feira, julho 27, 2007

Sítio das Artes abre portas amanhã

É já amanhã que se abrem as portas do Sítio das Artes para apresentação dos resultados das residências que vinte artistas fizeram nas instalações do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito da programação do fórum cultural O Estado do Mundo. Das 12h00 às 20h00 as obras de, entre outros, Miguel Bonneville, Joana Craveiro, Pedro Barateiro, Bárbara Assis Pacheco e João Paulo Serafim poderão ser visitadas pelo público interessado em descobrir como é que estes criadores, alguns em início de percurso, quiseram pensar o mundo que os rodeia. Performance, música, instalações, fotografia, pintura, teatro, dança que "explicitam os sentidos conceptuais, estéticos e técnicos privilegiados pelos artistas ao longo dos quase dois meses de residência". O programa detalhado, bem como as biografias dos participantes e tutores, pode ser consultado aqui. No blog d'O Estado do Mundo podem ser lidos diversos textos sobre os processos criativos dos artistas.

É ainda através deste blog que se podem consultar excertos das conferências integradas no ciclo A Urgência da Teoria.

quinta-feira, julho 26, 2007

bonheur d'éte


Il est également a considérer que certains d’entre les désirs sont naturels, d’autres vains, et si certains des désirs naturels sont contraignants, d’autres ne sont… que naturels. Parmi les désirs contraignants, certains sont nécessaires au bonheur, d’autres à la tranquillité durable du corps, d’autres à la vie même.

Épicure, Lettre sur le bonheur
Fotografia de João Tabarra, Lake Fool

Tiago Guedes estreia ópera amanhã

Ópera


de Tiago Guedes e Maria Duarte


Negócio/ZDB, Lisboa, 27 de Julho a 05 Agosto, 21h30

Um projecto de adaptação coreográfica da ópera «Dido e Eneias» de Henry Purcell a partir de uma ideia original de Tiago Guedes




…Chego desta forma à ópera, género musical repleto de personagens, histórias, cenários, adereços, danças, forma artística muitas vezes apreendida enquanto espectáculo total por misturar e combinar a música, o teatro e a dança. Mas cheguei também à ópera com intuito de trabalhar este género como se de uma peça de teatro se tratasse, com um seu texto pronto para ser encenado. Texto esse que se compõe de dois elementos: a partitura musical e o libreto. Em relação à partitura musical, interessou-me trabalhar não tanto (ou não só) com a musicalidade mas também o próprio processo de escuta que ela proporciona: o tipo de atenção, o estado físico e mental que propicia. Como trabalhar coreograficamente a escuta?Como dar a “escutar” uma ópera a um público que vem na expectativa de “ver” essa ópera?...”

Tiago Guedes
fotografia de José Luís Neves

quarta-feira, julho 25, 2007

Chanson d'éte

"A" canção do verão chama-se La Distance, é cantada pelo Louis Garrell/Ismael (à direita) e pelo Grégoire Leprince-Ringuet/Erwan (à esquerda), foi escrita pelo Alex Beaupain e faz parte da banda sonora do filme Chansons d'amour, do Christophe Honoré (o mesmo de Dans Paris e Ma Mére). O download faz-se em qualquer serviço banal.



erwan:
le mystère de tes yeux las
ce mystère qu'en faire tu ne sais pas
le secret de ton état
des secrets j'en ai des tas
cette barrière entre nous
cette barrière qu'en faire,ce garde fou
passé la frontière de ton état
les pieds sur tes terres
regarde moi
il faudra bien que tu t'avance si on veut combler la distance entre nous

ismael:
il faudrait t'accrocher plus fort si tu veux t'accrocher encore a mon coup

erwan:
sur tes terres il fait si froid
cet hiver qu'en faire ne voies tu pas
que du sol au ciel de ton état
tout n'est que gel
réchauffe toi
il faudra bien que tu t'avance si on veut combler la distance entre nous

ismael:
il faudrait t'accrocher plus fort si tu veux t'accrocher encore a mon coup

erwan:
le mystère de tes yeux las ce petit mystère il tien a quoi
ce pauvre mystère en sale etat

ismael:
n'a rien a faire entre tes bras

Routledge edita livro sobre teatro e performance e Fnac vende-o a 5 euros

Há compêndios que podem ser perigosos pelo modo como sintetizam a informação deixando de fora o essencial. São dirigidos a gente apressada, que quer aprender umas generalidades em três tempos para depois as poderem espalhar em conversas de salão ou after-shows entediantes. Mas depois há os outros compêndios, como aqueles proporcionados pela editora inglesa Routledge, que na redução ao essencial fazem por identificar as principais linhas programáticas da criação contemporânea, os nomes fundamentais, as ligações entre as várias disciplinas e a reflexão, não só performática, mas também filosófica, social, política, antropológica e humanista.

Serve isto para alertar que se encontra à venda na FNAC (pelo menos na do Colombo, em Lisboa), a uns miseráveis cinco euros (5€) The Routledge Companion to Theatre and Performance, uma edição de 2006 coordenada por Paul Allain e Jen Harvie. Os autores explicam que o livro se justifica pelo facto de “a performance se ter tornado um dos mais influentes paradigmas contemporâneos para o entendimento das identidades e o modo como interagimos com elas e o mundo”.

Dividido em três capítulos – pessoas, eventos e conceitos -, o livro consiste na apresentação de aspectos relevantes que “não querem ser uma enciclopédia nem um dicionário”, já que “performance é mais um jogo e uma fluidez do que uma fixação de termos”.

Nomes como os de Eugénio Barba, Merce Cunningham, Augusto Boal e Tadeusz Kantor juntam-se aos Guillermo Gómez-Peña, Mikhail Bakhtin ou Tatsumi Hijikata, para a apresentação de uma paleta variada de tendências, estéticas e formações que contribuem para uma noção globalizada de representação. Para além disso é feito um levantamento de factos relevantes, como sejam a estreia em 1976 de Einstein on the Beach, de Bob Wilson, ou o funeral de Diana de Gales em 1997, na tentativa de estabelecimento de um quadro lato das dinâmicas produzidas por esses eventos no contexto performático.

Como sempre nos livros da Routledge uma das principais mais valias está na extensa bibliografia citada e utilizada, aqui maioritariamente na sua versão anglo-saxónica, mas nem por isso limitada às edições ou a autores em língua inglesa. Um outro dado curioso é a existência de uma tábua cronológica que, atravessando o século XX, nos dá conta do modo como o discurso de certos artistas coincidiu com momentos da história universal.

segunda-feira, julho 23, 2007

O bailarino que vem do frio para salvar o Bolshoi

Há quem diga que Ivan Vasiliev é o novo Baryshnikov da ballet russo. Tem tudo para ser uma estrela: humilde, de origens modestas, do interior da Rússia, despreocupado, com outros interesses para além da dança, a fazer aquilo como quem bebe um copo de água... O jornal britânico The Telegraph não poupa os elogios: "Tawny-skinned, handsome and quick-witted, Ivan Vasiliev is a babe magnet as well as an exultantly talented young artist, a natural stage performer and yet with a serious attitude to his profession way beyond usual 18-year-olds", numa era em que a escola russa atravessa momentos de redefinição dada a escassez de talentos que continuem a provar a excelência da técnica. A ler (e a ver o vídeo do rapaz a dançar), com o devido desconto ao encantamento quase servil da jornalista.


quinta-feira, julho 19, 2007

Warlikowski, Angels in America e a sida na Polónia

O encenador polaco Krzysztof Warlikowski apresentou esta semana no Festival d'Avignon, em França, a sua leitura de Angels in America. Como aliás se esperava é mais sobre a actualidade - e em particular a realidade polaca - do que sobre os anos 80 em Nova Iorque que ele quer falar. A crítica do Le Monde dá conta disso: "ele quer dar a ver uma perspectiva mais lata do sentimento nacional e do aparecimento da sida. A sua adaptação ancora-se na realidade de hoje - como viver enquanto homossexual - e no plano religioso - como conciliar a culpa e o perdão. O resto da crítica pode ser lida aqui, em francês, bem com outros textos sobre o festival.

Culpem o Fidel, pois, mas ide ver o filme








Chama-se Por Culpa de Fidel, estreou na passada quinta-feira, é um filme assinado por Julie Gravas e um retrato fascinante sobre a deriva revolucionária de um ex-casal de burgueses franceses que lutam, em 1970, pela liberdade no Chile e o aborto livre em França. Só que a história é contada pela pequena filha de 9 anos, Anna, habituada a descascar laranjas com uma faca, a aprender tudo sobre o Génesis na sua escola de freiras, e a passar férias cheia de primos e primas no castelo dos avós. Até ao dia em que tudo começa a mudar. E a culpa só pode ser de Fidel que acusa o Mickey de ser um símbolo fascista, claro. A não perder, absolutamente.

terça-feira, julho 17, 2007

Eat my green





Pode parecer pretensioso que pessoas com 21 anos como nós achem que podem tentar mudar o mundo. Mas desde que utilizemos a energia de dez casas simplesmente para iluminar um palco de concerto...

A frase foi dita pelos Arctic Monkeys, e citada pela Inrockuptibles, que se interrrogavam sobre as verdadeiras razões de concertos como o Live Earth, organizados por Al Gore a favor do ambiente.

O vídeo acima chama-se A View From The Afternoon