sexta-feira, junho 29, 2007

OFFSIDE #1 no Teatro Nacional S. João



OFFSIDE #1 Teatro Praga – 12 anos
um documentário-conferência de Sofia Ferrão e Tiago Bartolomeu Costa
produção Teatro Praga
30 Junho 2007 sáb 16:00

Teatro (de) Praga. 12 anos. Os nomes, os espectáculos, as referências, as músicas, os textos, os colabo-radores, os autores, os espaços, os cruzamentos e as recusas, os vários quilómetros nas estradas, as resi-dências, as co-produções, os títulos e as facas, as vidas privadas e as virtudes públicas, os papéis nas pare-des, os confetis no final, o rizoma e o que fica fora, o texto, o reverso do texto, a morte do texto e a missa de sétimo dia ao autor, o fantasma do autor, os outros fantasmas todos, os que saem e os que ficam, os que nunca entraram e os outros que não sabem onde estão. 12 anos, para baralhar e voltar a dar. Do fim para o início. Replay.

Vou fazer-te gostar de uma bela companhia
uma conferência-provocação de Tiago Bartolomeu Costa

Primeiro pressuposto: Ninguém deve falar por muito tempo da mesma coisa, pois corre o risco de cansar e deixar de ser credível. Logo, se um crítico conhecer bem o trabalho de uma companhia deve saber também que a dada altura chegou o momento de parar, colocar-se em causa e começar de novo.

Segundo pressuposto: Uma crítica não se substitui ao espectáculo, não é o espectáculo, não explica o espectáculo. Quanto muito, o papel de jornal (onde foi publicada) pode substituir o saco de plástico (que é uma peça onde cabe tudo). E é só.

Terceiro pressuposto: Num país de 92,391 km² não se compreende porque é que uma companhia deva ter que ser apresentada a uma cidade que fica a duas horas e meia de comboio da capital.

Quarto pressuposto: Ninguém está aqui para facilitar a vida a ninguém. Isto sempre foi cada um por si, eu aqui, tu aí, ele onde calhar. No final celebra-se, pois.

Quinto pressuposto (e último): Diz o Stanisław Ignacy Witkiewicz que “o teatro é um lugar onde as coisas mais loucas devem parecer normais”. Diz. •

OFFPRAGA
um video-documentário de Sofia Ferrão
edição vídeo Francisco Ferrãoduração 1:05
agradecimentos Francisco Ferrão, Nuno Carinhas

quarta-feira, junho 27, 2007

please explain

este blog encontra-se em pousio porque eu estou no Porto a preparar uma conferência sobre os 12 anos do Teatro Praga que acontecerá no sábado 30, às 16h00, no Teatro Nacional S. João. Chama-se Vou fazer-te gostar de uma bela companhia e acompanha a estreia, hoje, da peça O Avarento ou a Última Festa, em cena até 8 de Junho.

sábado, junho 23, 2007

info

O lançamento da OBSCENA #5 foi ontem, em Almada, durante a apresentação da programação do 24º Festival de Teatro de Almada. Consulte o programa aqui, compre a sua assinatura, siga as sugestões que lhe damos na revista e apareça em Almada de 4 a 18 de Julho.
A distribuição em papel da OBSCENA será feita durante esta semana e até dia 30 com a colaboração de várias instituições. Poderá encontrá-la aqui.

sexta-feira, junho 22, 2007

OBSCENA #5




com Alvis Hermanis, Bernard Sobel, Costa Pinheiro, Christophe Slagmuylder, Eugénia Vasques, Fischli & Weiss, Gil Mendo, Isabella Soupart, Jean-Luc Lagarce, João Mendes Ribeiro, João Paulo Pereira dos Santos, Jorge Silva Melo, José Maria Vieira Mendes, Leonor Keil, Luís Miguel Cintra, Marionetas de Água do Vietname, Mauro Bigonzetti, Meg Stuart, Mpumelelo Paul Grotboom, Peter Brook, Pierre Coulibeuf, Pippo Delbono, Rabih Abou-Khalil, Richard Maxwell, Rodrigo García, RoseLee, Goldberg, Teatro de Marionetas do Porto, TgStan

e ainda

24º Festival de Almada, Festival d’Avignon, KunstenFestivaldesArts, Processo de Bolonha e Quadrienal de Praga

Faça o download em http://www.revistaobscena.com/ ou apareça na apresentação do 24º Festival de Teatro de Almada na Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea (Almada), depois das 21h00 e leve uma OBSCENA para casa. Depois pode procurá-la, a partir deste fim-de-semana, na lista de locais indicados no site. São só cinco mil exemplares.

A OBSCENA #5 é editada em parceria com o 24º Festival de Teatro de Almada.

A OBSCENA faz parte da TEAM - Network

quinta-feira, junho 21, 2007

Return to Sender, de Helena Waldmann, até sexta na Gulbenkian


Um Irão íntimo

Afinal que sabemos nós do Irão, da sua cultura e das suas gentes? Que temos nós a dizer sobre o que lá se passa? Em que lugar – e a que distância higiénica – nos colocamos para dizer que aquilo não tem a ver connosco?

Helena Waldmann, a coreógrafa alemã que esta semana traz ao Estado do Mundo Return to Sender (21 a 23, Fundação Calouste Gulbenkian) sabe um pouco mais do que a maior parte de nós. “Mas não sei tudo”, diz, afirmativa e aguerrida. A peça estreou em França no Festival Montpellier Dance 2005 substituindo uma outra, também de Waldmann, chamada Letters from Tentland, que havia sido proibida pelo regime iraniano menos de um mês antes da apresentação.

Começou tudo em 2001, num workshop para o qual foi convidada, ainda o governo de Mahmoud Ahmadinejad não tinha imposto um regresso à repressão nem ameaçara o mundo com ataques nucleares. Quatro anos depois, em Janeiro de 2005, estreava Letters from Tentland (o site lettersfromtentland.com mostra excertos da peça e relata o processo de trabalho), um poderoso retrato social sobre as mulheres iranianas, muito para lá do exotismo. As intérpretes eram actrizes de teatro, cinema e televisão, entre os 30 e os 50 anos, bastante conhecidas do grande público iraniano. A peça foi, apesar de polémica, bem recebida. E circulou pelo mundo, sobretudo ocidental, mostrando que a dança contemporânea também existe no Irão. Mesmo que seja ilegal ter aulas, que os corpos das mulheres não se possam mostrar, sobretudo e em especial, aos homens, que tivessem que usar metáforas para falar de liberdade, de sexualidade, de partilha, de identidade, de religião, de como se sentem, de como são vistas, do que significa viver com o estigma de serem vistos, todos, como potenciais terroristas. Mas, também, e isto sem metáforas, de como se pode ser feliz no Irão.

Letters from Tentland tornou-se demasiado perigoso para as autoridades iranianas que proibiram as intérpretes de saírem do país para se apresentarem em Montpellier, que co-produzira a peça. E Helena Waldmann, que “não quis acreditar que alguém no Irão achasse que lhe podia dizer o que fazer”, reagiu. Nasceu Return to Sender, um espectáculo independente que também é uma continuação e um acto político. De resistência e de activa consciência cívica. Um espectáculo raro portanto que quer tanto descolar-se da imagem gratuita do multiculturalismo que se torna, na sua simplicidade, desarmante para um olhar europeu, viciado e convencido de que o que se passa na televisão não tem nada a ver consigo. Têm.

“Queridas Banafshe, Mahshad, Pantea, Sara, Sima e Zohreh”, escreveu Helena e lê-se no inicio de Return to Sender, “a correspondência foi interrompida e agora tudo o que tenho são envelopes vazios. O vosso cheiro ainda habita nas tendas. Agora existem apenas abrigos a habitar por seis mulheres que saíram do vosso país. Hoje iremos responder-lhes. Com amor da H.”.

Return to sender vai recuperar a memória do espectáculo anterior para mudar de perspectiva que, mantendo-se feminina, permanece enquanto olhar sobre uma realidade desconhecida. Não só as intérpretes são mais novas como algumas delas nunca viveram no Irão. São filhas de exilados em Londres, Paris e Berlim. Mas, ao contrário do que seria expectável, têm muitos mais receios das consequências de participação numa peça como esta. Durante o processo Waldmann enfrentou um outro tipo de receios. Se as primeiras iam, passo a passo, “experimentado coisas às quais não tinham acesso, muitas vezes sem noção de quão longe podiam ir”, as jovens, com idades que vão dos 20 aos 30 anos, “criaram mais problemas ao nível dos limites porque projectaram medos que desconhecem”. A coreógrafa diz que essa foi uma dificuldade que lhe custou a ultrapassar: “não deixo de sentir que é um medo por vezes irracional”. E, por isso, o período de apresentação dos espectáculos tornou-se num outro processo de aprendizagem. Waldmann descobriu que nem sempre lhe contavam o que estavam a sentir, que muitas vezes não faziam o que lhes pedia, que entraram em duelo com o trabalho. “Houve um trabalho de cedência de parte a parte”. E, no entanto, a peça é sobre elas. Esta e a outra. “Disse-lhes claramente que para fazer as peças precisava de informação que só elas tinham. Isto quer dizer que as peças não são sobre mim no Irão, mas sobre aquelas mulheres”.

As tendas são, então, o espaço de todas as revelações. Aparecem porque são as tendas o que de mais forte guardou da sua estadia em Teerão. Nas estradas, nos parques, nas ruas, famílias inteiras ocupam tendas multicolores, indiferenciadas e frágeis. O que se passa no seu interior está interdito ao olhar estrangeiro. É preciso ser-se convidado e os homens não entram. Por isso, já no final, o espectáculo subverte esta lógica e convida o espectador a descobrir um pouco mais. Sobretudo questionando porque, por vezes, vive no absoluto desconhecimento. Atrás do palco as tendas são substituídas por rodas onde se serve chá e se fala de quase tudo. “Ninguém se aproxima de um iraniano para perguntar como é a sua vida”, diz a coreógrafa consciente, no entanto, que é “a partilha”, mais do que “a solução” que importa descobrir. Acabaram-se as desculpas.

[texto publicado no Ípsilon, 15 de Junho 2007]




ENVELOPES VAZIOS

Return to Sender não devia ter existido, ou não da forma como acabou por existir. Espectáculo-resposta a um outro que levantava demasiadas perguntas, é também um espectáculo-pergunta porque quer ouvir as razões de um nascimento tão repentino. As seis jovens raparigas são sombras de outras seis mulheres que antes ocuparam aquelas tendas, que lembram o chador, que são as suas casas, refúgio, prisão. Os seus movimentos, livres no interior das tendas, percorrem o palco à procura de um caminho, desbravando terreno, deixando marcas. O corpo delas, se está protegido pelas tendas (escondido era mais correcto), é porque nem no exílio, onde se encontram, se sentem seguras. Têm receio do que possa acontecer-lhes, pelas suas famílias, do que não sabem. Waldmann constrói uma peça-poema, onde tenta perceber o que sucedeu àquelas primeiras mulheres impedidas de continuar. Fá-lo através da exposição das cartas de que não obtém resposta, da duplicação do movimento que já existia na peça anterior, do querer dar a estas e às outras a liberdade que reclamam, exibindo as fotografias de tendas em Teerão, no deserto iraniano, ou colocando-as no metro de Nova York, ou em Alexanderplatz (Berlim), ou junto à Torre Eiffel. E por isso convida a um olhar emocionado sobre a condição humana, mais do que sobre a condição feminina. Despe-se de todos os artefactos para apresentar uma coreografia sobre o desejo de se ser livre. E estende esse convite à partilha, de forma explícita, quando prolonga o espectáculo para os bastidores, convidando os homens a falar com as raparigas (nenhum homem poderia entrar dentro das tendas por questões morais e religiosas), colocando em perspectiva as imagens feitas que existem sobre o confronto Irão-Ocidente. Uma obra tocante que faz mais pela queda de preconceitos do que qualquer metáfora multicultural.

[publicado na OBSCENA #1, 30 Fevereiro 2007]


Leia na OBSCENA #1 uma entrevista à coreógrafa Helena Waldmann e um dossier sobre o contexto cultural do Irão.

Return to Sender apresenta-se de hoje até sábado na Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do fórum cultural O Estado do Mundo

terça-feira, junho 19, 2007

domingo, junho 17, 2007

Crítica de teatro: Ensaio, de Victor Hugo Pontes

Imagens desfocadas ou um ensaio por completar

Ensaio
De Victor Hugo Pontes
integrado na programação O Estado do Mundo
12 a 14 de Junho, Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian

Victor Hugo Pontes é, digamos, um nome que nos últimos dois anos tem sido recorrentemente citado como dos mais relevantes da nova geração de criadores, passando com facilidade as fronteiras do teatro e da dança, mas mantendo uma mesma coerência programática. A sua mais recente proposta, Ensaio, estreada no âmbito do fórum cultural O Estado do Mundo, é disso evidente sinal. As suas peças imediatamente anteriores – Laboratório (Curso de Encenação do Programa de Criatividade e Criação Artística 2005, Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna/Fundação Calouste Gulbenkian), Ícones (um excerto da peça anterior que recebeu o Prémio na categoria de dança Jovens Criadores do Clube Português de Artes e Ideias 2006 e o 1º lugar no 2nd International Choreography Competition Ludwighafen 07 - No-Ballet, em Ludwigshafen, Alemanha) e Fotomontagem (estreado em Março deste ano no Circular – Festival de Artes Performativas, em Vila do Conde, e apresentado depois na BoxNova, Centro Cultural de Belém) – cruzam, de facto, o teatro e a dança, centrando-se sempre no modo como se pode conceber um discurso sobre a representação, enquanto campo de experimentação e constrangimento.

Todas as suas peças passam por uma mesma linearidade que vai buscar ao processo de revelação fotográfica a estrutura narrativa, sofrendo depois de um excesso referencial que impede uma mais flúida apreensão dos objectivos finais. Por isso Ensaio é um passo em frente, e ao mesmo tempo finalizante – espera-se – de um discurso sobre as várias possibilidades da representação de um discurso performático sujeito a contaminações várias e, por isso mesmo, dispersivas. A validade da pesquisa de Victor Hugo Pontes encontra-se na necessária fundamentação de uma posição que integre, assimile e regurgite as lógicas de representação, de modo a que aquilo que é uma persistência argumentativa válida não se torne numa obsessão retórica.

É verdade que indo beber ao material referencial que existe sobre fotografia, e por natural consequência à performance, se desloca o duelo realidade/ficção para um outro campo: o da necessidade de entender os limites – quem os estabelece, porquê e como – entre acção e exposição. Ao optar por sustentar a sua pesquisa performática num campo que está sujeito a um outro tipo de regras, desde logo mais subjectivas e manipuláveis, Victor Hugo Pontes introduz, através dos seus trabalhos, um desejo em pensar de que modo podemos conceber o acontecimento encenado num palco a partir daquilo que nos chega já encenado. Ou seja, aquilo que a escolha do enquadramento fotográfico definiu como acção.

Contudo, a grande mais valia deste Ensaio não está na dramaturgia, mas em Vítor d’Andrade, verdadeiro actor low-profile que, consciente da responsabilidade em substituir o corpo de Victor Hugo Pontes – figura ominpresente nas peças anteriores que sugeria a identificação do texto com o corpo –, força o discurso a uma clarificação. A capacidade que demonstra em nunca se impor ao texto, conduz-nos, através da sua generosíssima interpretação à aventura de pensar, em directo, o modo como uma imagem, mais do que valer por mil palavras, altera o modo como identificamos o que nos rodeia. Há algo de Beckettiano na sua figura, sobretudo de Krapp, o velho trágico que escutava as gravações do passado para entender o presente. È para isso que remetem as gravações que vamos ouvindo, com vozes diferentes (eventualmente a quererem relacionar-se com os vários fantasmas indicados nas cadeiras vazias: Sontag, Walter Benjamin, Antonioni, Agatha Christie, Niepce, Cartier-Bresson…) que vão interrompendo a catatónica representação da figura sem nome, entre o entertainer e o filósofo.

Mas faz mais: liberta o espectáculo de alguma ineficácia dramatúrgica pois na opção de cruzar dois ensaios da mogul Susan Sontag (On Photography, 1973, e Regarding the pain of others, 2003) o autor acaba por não conseguir dar-nos a ver aquilo que, realmente, considera como fundamental para o seu percurso e para a sua própria argumentação. Chegamos ao fim do espectáculo – onde não falta o momento queer da praxe, com a canção Wishing (If I had a photograph of you) dos A Flock of Seagulls cantada a plenos pulmões (do refrão: “If I had a photograph of you/ It's something to remind me/ I wouldn't spend my life just wishing”), e o devolver do olhar ao espectador, com uma polaroid a mostrar que, afinal, as cadeiras onde julgávamos estar sentados estão, afinal, vazias – ficamos sem perceber de que modo a fotografia, e a fixação de um momento, são, para Victor Hugo Pontes, a finitude necessária para ultrapassar o trágico que nos domina.

Há uma qualquer impossibilidade dominante no espectáculo, seja esta a omnipresença das palavras de Sontag, a evidente fragilidade da contra-argumentação, ou a impressão de que aquilo que nas outras peças era claro – a tradução do processo fotográfico em sequência performática –, cede agora à impraticabilidade de encenar textos teóricos. Mas, de novo, espera-se que tendo-se encontrado (ou mostrado) alguma da fundamentação teórica de que careciam as propostas anteriores, não sejam agora outros aspectos os mais prejudicados.

Teatro Praga estreia nova versão de O Avarento



No próximo dia 27 de Junho o Teatro Praga estreia no Porto, no Teatro Nacional S. João, a versão que José Maria Vieira Mendes fez de O Avarento, de Molière. A peça estará em cena até 8 de Julho apresentando-se em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, somente em Janeiro de 2008. Enquanto estreia e não estreia, o site do São João já permite ver os textos que constam do programa, entre os quais uma entrevista ao Teatro Praga e um ensaio sobre o percurso da companhia, ambos de minha autoria, um perfil do trabalho de José Maria Vieira Mendes, assinado por Jacinto Lucas Pires, e a publicação de excertos de uma conferência de Peter Sloterdjik. Uma coisa se garante: nunca o Teatro Praga foi tão cínico e politicamente incorrecto como nesta peça, verdadeiro anti-clímax aos 12 anos de existência.

sexta-feira, junho 15, 2007

Clipping: A última vénia



"AFTER the show the curtain falls, and there are those for whom it will not rise again. Some discover only in retrospect that they will no longer perform because of injury or illness. Others leave the stage quietly, telling nobody their plans until after their last performance. Some, however, choose the moment and the manner of their going and give advance notice to the world. There are never so many true ballerinas that it’s comfortable to say goodbye even to one of them, but coincidence has ordained that this month brings the formal farewell performances of four international ballerinas, all of whom have been admired in New York. Four!" A ler no NY Times

terça-feira, junho 12, 2007

Protótipo de cão-robô





The Most Advanced Quadruped Robot on Earth

BigDog is the alpha male of the Boston Dynamics family of robots. It is a quadruped robot that walks, runs, and climbs on rough terrain and carries heavy loads. BigDog is powered by a gasoline engine that drives a hydraulic actuation system. BigDog's legs are articulated like an animal’s, and have compliant elements that absorb shock and recycle energy from one step to the next. BigDog is the size of a large dog or small mule, measuring 1 meter long, 0.7 meters tall and 75 kg weight.

Uma ideia da Boston Dynamics para continuar a ler aqui.

quarta-feira, junho 06, 2007

Inrockuptibles escolhe 600 factos, entre elas a Casa da Música e João César Monteiro





Para celebrar a edição nº 600 a francesa Inrockuptibles escolheu os nomes, os filmes, os livros, os espectáculos, as exposições, os jogos vídeo e os acontecimentos mais marcantes dos últimos oito anos. Entre eles contam-se alguns nomes nacionais, ou em português.

No cinema: A Comédia de Deus, de João César Monteiro, O Fantasma, de João Pedro Rodrigues, Vou para Casa, de Manoel de Oliveira, No Quarto de Vanda, de Pedro Costa, e Vai e Vem, de João César Monteiro;

Nos livros: Manual dos Inquisidores, de António Lobo Antunes;

Nos acontecimentos: a Casa da Música, no Porto

Outras escolhas em português incluem o livro Afirma Pereira, do italiano Antonio Tabucchi, passado em Lisboa, os discos Cabo Verde, de Césaria Évora, Livro, de Caetano Veloso, Tanto Tempo, de Bebel Gilberto, Jogos de Armar, de Tom Zé, e Cansei de Ser Sexy, da banda homónima e a peça Não olhe agora, dos brasileiros Enrique Diaz e Mariana Lima/Colectivo Improviso.

Última, e breve, nota: na introdução dizem que lhes chamaram de tudo quando anunciaram que iam passar de mensal a semanal. Que não haveria material, que não teriam tempo, que não haveria leitores. Foi tudo ao contrário, claro. Como eu os percebo.

sábado, junho 02, 2007

Crítica de dança : Uma lentidão que parece uma velocidade


Coreografia de Tânia Carvalho
Estúdio da Bomba Suicida, Lisboa
28 de Maio, 22h00
Sala cheia
Até dia 03 de Junho

Ao piano, um copo de veneno

Ao contrário da geração da Nova Dança Portuguesa, que poderíamos datar entre 1989-2000, com nomes como os de Vera Mantero, João Fiadeiro, Francisco Camacho ou Clara Andermatt entre outros, a nova geração de coreógrafos, a fazer-se notar a partir de 2000 (alguns já trabalhavam antes), não se sustenta numa instável posição de confronto e ruptura com o cânone e o legado mais directo da dança. Prosseguindo o trabalho de casos atípicos na cena nacional – como Miguel Pereira, Filipa Francisco e Ana Borralho/João Galante –, tiveram, na liberdade adquirida com e por aqueles outros criadores – precisamente porque continuam activos –, um lato campo de experimentação que não se socorre da referência para se (auto) justificar, como aconteceu com muitos. Uma tendência generalizada nos vários movimentos coreográficos europeus e que, em Portugal, gerou vários equívocos.
Sendo genérico, sou também generoso, pois falar de uma nova geração é, em si mesmo, uma facilidade crítica que cria ilusões como a existência de agrupamentos. Uma situação que, se já era difícil para os outros, para estes é praticamente impossível.

Contudo, Tânia Carvalho é, com Tiago Guedes, Cláudia Dias e Sónia Baptista, um dos nomes com mais destaque nessa nova geração, ampla, independente e liberta da necessidade de propor uma nova organização espacial, filosófica e coreográfica. O seu mais recente espectáculo é disso um bom exemplo.

Sentada ao piano, interpreta a Sonata para Piano kvk545, de Mozart, numa busca pessoal que leva mais em consideração o processo que o resultado. Qualquer purista dirá o óbvio: quem se propõe a tocar piano ou o sabe fazer ou poupa-nos ao exercício. Para o caso, tanto importa se Tânia Carvalho o faz bem ou mal (não o faz mal, já é um bom princípio), porque o que ali está em causa não é tanto o virtuosismo da interpretação mas a leitura que a coreógrafa quer propor entre o rigor e o limite do intérprete de uma composição e aquele exigido a um bailarino.

Já há muito se reconhecia no seu percurso uma seriedade matemática (ouso a expressão à falta de melhor) que facilmente se associava à composição musical. Orquéstica, peça de grupo de 2006, era essencialmente a transposição de uma partitura para um corpo múltiplo.
Se agora não vai tão longe quanto se esperava, ou desejaria, a coreógrafa joga, ainda assim, com um princípio de composição paralelo, oferecendo-nos a desestruturação sonora, poética e visual de uma mesma partitura. Primeiro a música, experimentada na visível dedicação a que se entrega, tornando-nos cúmplices de um esforço real. A meio, associando o texto de Patrícia Caldeira à desagregação da partitura. Depois no movimento, onde explora aquilo que de mais característico se lhe reconhece: a austeridade e a aridez no gesto controlado, a pesquisa de um limite temporal, a organização de acordo com princípios físicos claros e, diria mesmo, dogmáticos. O modo como combina estes elementos, em particular na fantasmagórica sequência onde o piano toca sozinho e todo o corpo a ele se subjuga, marca a traço trágico um modelo de criação obstinado e autoral.





publicido no jornal Público a 31 de Maio 2007

sexta-feira, junho 01, 2007

OBSCENA #5 em papel (brevemente)


Este mês a OBSCENA sai mais tarde. Mais exactamente a 22 de Junho. Mas há uma boa razão para isso. Esse será o dia em que lhe apresentaremos a primeira edição em papel da revista, distribuída em vários pontos do país a partir dessa data.

É um número especial, gratuito e relativo aos meses de Junho e Julho, que responde ao desafio lançado pelo Festival Internacional de Teatro de Almada, de associar a OBSCENA à 24ª edição deste Festival, que decorre de 4 a 18 de Julho.

Espectáculos, livros, exposições, novas colunas de opinião, entrevistas, colaborações internacionais, antecipação do que se irá apresentar nos próximos tempos, notas de trabalho de espectáculos, cartas brancas, novas parcerias internacionais e um leque de colaboradores alargado são tudo boas razões para esperar mais uns dias. Até já.

quarta-feira, maio 30, 2007

domingo, maio 27, 2007

Livraria Especializada: Pavillion Noir



Pavillion Noir, o livro


“Que livro para esse espaço recente, sem história, sem memória, onde ainda não se apresentou uma obra coreográfica?” A pergunta-desafio abre o negro e modular livro dedicado ao Pavillion Noir. Organizado por Éric Reinhart e publicado pelas Éditions Xavier Barral, a obra homónima, sem indicação de páginas, índice ou capítulos, divide-se entre imagens retiradas do filme de Pierre Coulibeuf e entrevistas a Preljocaj, onde se fala de corpo, movimento e espaço, e ao arquitecto Rudy Ricciotti, que recusa a utopia porque esta renuncia o futuro e prefere “transformar o real”. Conta ainda com contributos do astrofísico Michel Cassé, que reflecte sobre o vazio e a relação espaço-tempo, e da filósofa Jehanne Dautrey, que contextualiza a obra do coreógrafo a partir de palavras-chave como representação ou o diálogo com outras disciplinas. O volume não oferece a possibilidade de uma leitura contínua e formal, já que apresenta os excertos dos discursos de cada um dos intervenientes em terços de páginas independentes. Mas pensado enquanto objecto que dialoga com o potencial de uma obra em aberto, amplia uma das questões maiores do trabalho de Preljocaj: a sincronização. “Com a sincronização o espaço ganha uma textura particular (…), uma dinâmica particular, com certas velocidades e certas trajectórias”, diz. Tal como este livro, aberto na sua organização e labiríntico na sua forma, que permite ao leitor construir a sua própria viagem ao interior do edifício matemático de Ricciotti e à linguagem de Preljocaj (€35).


texto publicado na revista OBSCENA #1

sábado, maio 26, 2007

Livraria Especializada: Panorama de la danse contemporaine

Com mais uma edição das Feiras do Livro a decorrer em Lisboa e Porto, O Melhor Anjo dedica os últimos dias do mês de Maio aos livros, à semelhança do que já aconteceu o ano passado, numa rubrica intitulada Livraria Especializada.





Panorama de la danse contemporaine


de Rosita Boisseau





Mapa para a dança contemporânea





O que há de comum entre Ushio Amagatsu, Lucinda Childs, Alain Platel, Pina Bausch, Rachid Ouramdane, Meg Stuart, Josef Nadj, Sidi Larbi Cherkaoui, La Ribot ou Robyn Orlin, para além de serem coreógrafos cujo trabalho, salvaguardadas as distâncias e gostos pessoais, questiona permanentemente a dança e atravessa fronteiras artísticas, estéticas e nacionais? Para a francesa Rosita Boisseau, crítica do jornal Le Monde e da revista Télérama, são alguns dos noventa protagonistas da dança reunidos em Panorama de la danse contemporaine, um trabalho em curso, “sem conclusão”, não “um dicionário exaustivo mas a recolha de percursos escolhidos”.


Por isso o livro abre com uma apresentação genérica onde fala da influência de Maurice Béjart, Anna Halprin e Merce Cunningham na definição daquilo que se entende por dança contemporânea, traçando um percurso genérico sobre o modo como evoluiu a concepção de dança do final dos anos 70 até hoje. Os nomes são apresentados por ordem alfabética e acompanhados por extensa iconografia, muitas vezes do mesmo espectáculo, biografia seleccionada, breve perfil e questionário proustiano. Na selecção nota-se uma vontade de destacar a França e a sua realidade, “berço da dança contemporânea e o país onde os artistas são mais vigorosamente apoiados pelas instituições”, ficando claro tratar-se de uma obra dirigida ao público francês que busca “ainda e sempre os códigos de acesso a uma arte mais próxima do irracional que da lógica: não para enquadrar uma obra, mas para saborear os interstícios, lá onde a liberdade de cada um desliza e se descobre”. Razão pela qual não falta nenhum dos dezanove directores dos Centros Coreográficos Nacionais, tal como nomes que se têm destacado na/da cena francesa: Boris Charmatz, Allain Buffard ou Geisha Fontaine. Há ainda coreógrafos de Espanha, Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Japão e Itália, bem como do Burkina-Faso e Israel, com os quais a realidade cultural francesa mantém relações.


Mas entre a escolha pessoal e “o impacto flagrante da marca coreográfica” de cada um dos escolhidos, se Boisseau opta por recusar movimentos ou escolas e evita convocar nomes como Matthew Bourne ou Marie Claude Pietragalla, criadores vedetas reconhecidos pelo grande público, também não arrisca na apresentação de outros que correm os circuitos de crítica e programação, alguma dela institucional, como Cláudia Triozzi, Xavier Le Roy, Jérôme Bel, Vera Mantero ou Lia Rodrigues. Opções certamente legítimas numa viagem acrítica e didáctica que Boisseau defende com “razões práticas e económicas” e, como sempre nestes casos, onde o que entra diz mais sobre o que fica de fora.


No que respeita ao seu conteúdo, são particularmente fascinantes algumas fotografias, as anotações de Bill T. Jones ou Anne Teresa de Keersmaeker, o croqui do espectáculo Régi, de Charmatz ou o esquema coreográfico de Susan Buirge. Mas a abordagem à la Proust impede conhecer, pela sua forma limitada, o fascinante processo de criação de alguns destes nomes. Boisseau quer saber “o espectáculo marcante”, “o lugar do íntimo”, “o sentido a dar ao trabalho” de cada um, um som ou uma cor ou parte do corpo que sirva de inspiração e, entre outras mais ou menos genéricas, o calcanhar de Aquiles de cada coreógrafo. Entre os que sintetizam as respostas e os que não responderam (sobretudo nomes fora de França), existem aqueles que se expõem, como Gilles Jobin que busca uma cena que o leve à prisão e os que consideram, como Daniel Larrieu, que o último tabu é “o fim da arte”. Sendo um trabalho meritório e louvável, não deixam de ecoar como metáfora desta incompletude as palavras de Caterine Sagna: “se encontrasse o último tabu, teria tema para a obra-prima que todos esperam, autores e espectadores” (Ed. Textuel, €59).


texto publicado na revista OBSCENA #1

quinta-feira, maio 24, 2007

Um engodo chamado OPART



Hoje no Público:

A lei de 27 de Abril, que define o Opart, o organismo que oficializa a junção da Companhia Nacional de Bailado (CNB) com o Teatro Nacional São Carlos (TNSC) - disponível em http://www.dre.pt/pdf1sdip/2007/04/08200/27792786.PDF -, é de tal forma desfasada do seu tempo que só um Estado como o nosso, ausente de memória e consciência pública, o pode permitir. Esta caricatura do que se entende por cultura sustenta-se numa argumentação pífia que acusa a pequenez e o fechamento a uma realidade em tudo contrária às recentes directivas europeias, tão depressa aclamadas pelo Ministério da Cultura (MC). continua aqui (por gentileza da Teresa Cascudo).

Troca de Olhares/Exchanging Visions em Luanda


Depois de Maputo, é a vez de Luanda receber a exposição Troca de Olhares/Exchanging Visions, comissariada por Isabel Carlos para o Instituto Camões. A exposição reúne "trabalhos que reflectem, nas artes plásticas, e em registos tão diversos como a escultura, a fotografia, o vídeo e o desenho, a vivência pós-colonial. Nesse sentido, «Troca de Olhares» procurou ser uma troca de experiências, vivências, memórias e identidades entre estes artistas e o contexto onde são apresentados". A exposição inaugura dia 06 de Junho na sede do Instituto Camões em Luanda. A imagem acima faz parte da obra O jardim, de Vasco Araújo.

Informações várias


O Alkantara procura, até 31 de Maio, um colaborador para as funções de contabilidade e administração. A apresentação de currículos deve ser feita para catarina.saraiva@alkantara.pt .

Technologically Expanded Dance é o nome do congresso internacional sobre as relações entre tecnologia e dança, organizado por Daniel Tércio, crítico de dança do Expresso e professor na Faculdade de Motricidade Humana. Decorrerá na Culturgest, de 22 a 24 de Novembro, e as inscrições para comunicações já abriram. Mais informações aqui.

Abriram as inscrições para as residências artísticas no âmbito do Fronte[i]ras 07 - Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares, que decorrerá de 17 de setembro a 31 de dezembro entre a Galiza e o norte de Portugal. Mais informações aqui.