
quarta-feira, maio 30, 2007
domingo, maio 27, 2007
Livraria Especializada: Pavillion Noir
Pavillion Noir, o livro
“Que livro para esse espaço recente, sem história, sem memória, onde ainda não se apresentou uma obra coreográfica?” A pergunta-desafio abre o negro e modular livro dedicado ao Pavillion Noir. Organizado por Éric Reinhart e publicado pelas Éditions Xavier Barral, a obra homónima, sem indicação de páginas, índice ou capítulos, divide-se entre imagens retiradas do filme de Pierre Coulibeuf e entrevistas a Preljocaj, onde se fala de corpo, movimento e espaço, e ao arquitecto Rudy Ricciotti, que recusa a utopia porque esta renuncia o futuro e prefere “transformar o real”. Conta ainda com contributos do astrofísico Michel Cassé, que reflecte sobre o vazio e a relação espaço-tempo, e da filósofa Jehanne Dautrey, que contextualiza a obra do coreógrafo a partir de palavras-chave como representação ou o diálogo com outras disciplinas. O volume não oferece a possibilidade de uma leitura contínua e formal, já que apresenta os excertos dos discursos de cada um dos intervenientes em terços de páginas independentes. Mas pensado enquanto objecto que dialoga com o potencial de uma obra em aberto, amplia uma das questões maiores do trabalho de Preljocaj: a sincronização. “Com a sincronização o espaço ganha uma textura particular (…), uma dinâmica particular, com certas velocidades e certas trajectórias”, diz. Tal como este livro, aberto na sua organização e labiríntico na sua forma, que permite ao leitor construir a sua própria viagem ao interior do edifício matemático de Ricciotti e à linguagem de Preljocaj (€35).texto publicado na revista OBSCENA #1
sábado, maio 26, 2007
Livraria Especializada: Panorama de la danse contemporaine
Com mais uma edição das Feiras do Livro a decorrer em Lisboa e Porto, O Melhor Anjo dedica os últimos dias do mês de Maio aos livros, à semelhança do que já aconteceu o ano passado, numa rubrica intitulada Livraria Especializada.
Panorama de la danse contemporaine
de Rosita Boisseau
Mapa para a dança contemporânea
O que há de comum entre Ushio Amagatsu, Lucinda Childs, Alain Platel, Pina Bausch, Rachid Ouramdane, Meg Stuart, Josef Nadj, Sidi Larbi Cherkaoui, La Ribot ou Robyn Orlin, para além de serem coreógrafos cujo trabalho, salvaguardadas as distâncias e gostos pessoais, questiona permanentemente a dança e atravessa fronteiras artísticas, estéticas e nacionais? Para a francesa Rosita Boisseau, crítica do jornal Le Monde e da revista Télérama, são alguns dos noventa protagonistas da dança reunidos em Panorama de la danse contemporaine, um trabalho em curso, “sem conclusão”, não “um dicionário exaustivo mas a recolha de percursos escolhidos”.
Por isso o livro abre com uma apresentação genérica onde fala da influência de Maurice Béjart, Anna Halprin e Merce Cunningham na definição daquilo que se entende por dança contemporânea, traçando um percurso genérico sobre o modo como evoluiu a concepção de dança do final dos anos 70 até hoje. Os nomes são apresentados por ordem alfabética e acompanhados por extensa iconografia, muitas vezes do mesmo espectáculo, biografia seleccionada, breve perfil e questionário proustiano. Na selecção nota-se uma vontade de destacar a França e a sua realidade, “berço da dança contemporânea e o país onde os artistas são mais vigorosamente apoiados pelas instituições”, ficando claro tratar-se de uma obra dirigida ao público francês que busca “ainda e sempre os códigos de acesso a uma arte mais próxima do irracional que da lógica: não para enquadrar uma obra, mas para saborear os interstícios, lá onde a liberdade de cada um desliza e se descobre”. Razão pela qual não falta nenhum dos dezanove directores dos Centros Coreográficos Nacionais, tal como nomes que se têm destacado na/da cena francesa: Boris Charmatz, Allain Buffard ou Geisha Fontaine. Há ainda coreógrafos de Espanha, Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Japão e Itália, bem como do Burkina-Faso e Israel, com os quais a realidade cultural francesa mantém relações.
No que respeita ao seu conteúdo, são particularmente fascinantes algumas fotografias, as anotações de Bill T. Jones ou Anne Teresa de Keersmaeker, o croqui do espectáculo Régi, de Charmatz ou o esquema coreográfico de Susan Buirge. Mas a abordagem à la Proust impede conhecer, pela sua forma limitada, o fascinante processo de criação de alguns destes nomes. Boisseau quer saber “o espectáculo marcante”, “o lugar do íntimo”, “o sentido a dar ao trabalho” de cada um, um som ou uma cor ou parte do corpo que sirva de inspiração e, entre outras mais ou menos genéricas, o calcanhar de Aquiles de cada coreógrafo. Entre os que sintetizam as respostas e os que não responderam (sobretudo nomes fora de França), existem aqueles que se expõem, como Gilles Jobin que busca uma cena que o leve à prisão e os que consideram, como Daniel Larrieu, que o último tabu é “o fim da arte”. Sendo um trabalho meritório e louvável, não deixam de ecoar como metáfora desta incompletude as palavras de Caterine Sagna: “se encontrasse o último tabu, teria tema para a obra-prima que todos esperam, autores e espectadores” (Ed. Textuel, €59).
Panorama de la danse contemporaine
de Rosita Boisseau
Mapa para a dança contemporânea
Por isso o livro abre com uma apresentação genérica onde fala da influência de Maurice Béjart, Anna Halprin e Merce Cunningham na definição daquilo que se entende por dança contemporânea, traçando um percurso genérico sobre o modo como evoluiu a concepção de dança do final dos anos 70 até hoje. Os nomes são apresentados por ordem alfabética e acompanhados por extensa iconografia, muitas vezes do mesmo espectáculo, biografia seleccionada, breve perfil e questionário proustiano. Na selecção nota-se uma vontade de destacar a França e a sua realidade, “berço da dança contemporânea e o país onde os artistas são mais vigorosamente apoiados pelas instituições”, ficando claro tratar-se de uma obra dirigida ao público francês que busca “ainda e sempre os códigos de acesso a uma arte mais próxima do irracional que da lógica: não para enquadrar uma obra, mas para saborear os interstícios, lá onde a liberdade de cada um desliza e se descobre”. Razão pela qual não falta nenhum dos dezanove directores dos Centros Coreográficos Nacionais, tal como nomes que se têm destacado na/da cena francesa: Boris Charmatz, Allain Buffard ou Geisha Fontaine. Há ainda coreógrafos de Espanha, Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Japão e Itália, bem como do Burkina-Faso e Israel, com os quais a realidade cultural francesa mantém relações.
Mas entre a escolha pessoal e “o impacto flagrante da marca coreográfica” de cada um dos escolhidos, se Boisseau opta por recusar movimentos ou escolas e evita convocar nomes como Matthew Bourne ou Marie Claude Pietragalla, criadores vedetas reconhecidos pelo grande público, também não arrisca na apresentação de outros que correm os circuitos de crítica e programação, alguma dela institucional, como Cláudia Triozzi, Xavier Le Roy, Jérôme Bel, Vera Mantero ou Lia Rodrigues. Opções certamente legítimas numa viagem acrítica e didáctica que Boisseau defende com “razões práticas e económicas” e, como sempre nestes casos, onde o que entra diz mais sobre o que fica de fora.
No que respeita ao seu conteúdo, são particularmente fascinantes algumas fotografias, as anotações de Bill T. Jones ou Anne Teresa de Keersmaeker, o croqui do espectáculo Régi, de Charmatz ou o esquema coreográfico de Susan Buirge. Mas a abordagem à la Proust impede conhecer, pela sua forma limitada, o fascinante processo de criação de alguns destes nomes. Boisseau quer saber “o espectáculo marcante”, “o lugar do íntimo”, “o sentido a dar ao trabalho” de cada um, um som ou uma cor ou parte do corpo que sirva de inspiração e, entre outras mais ou menos genéricas, o calcanhar de Aquiles de cada coreógrafo. Entre os que sintetizam as respostas e os que não responderam (sobretudo nomes fora de França), existem aqueles que se expõem, como Gilles Jobin que busca uma cena que o leve à prisão e os que consideram, como Daniel Larrieu, que o último tabu é “o fim da arte”. Sendo um trabalho meritório e louvável, não deixam de ecoar como metáfora desta incompletude as palavras de Caterine Sagna: “se encontrasse o último tabu, teria tema para a obra-prima que todos esperam, autores e espectadores” (Ed. Textuel, €59).
texto publicado na revista OBSCENA #1
quinta-feira, maio 24, 2007
Um engodo chamado OPART
Hoje no Público:
A lei de 27 de Abril, que define o Opart, o organismo que oficializa a junção da Companhia Nacional de Bailado (CNB) com o Teatro Nacional São Carlos (TNSC) - disponível em http://www.dre.pt/pdf1sdip/2007/04/08200/27792786.PDF -, é de tal forma desfasada do seu tempo que só um Estado como o nosso, ausente de memória e consciência pública, o pode permitir. Esta caricatura do que se entende por cultura sustenta-se numa argumentação pífia que acusa a pequenez e o fechamento a uma realidade em tudo contrária às recentes directivas europeias, tão depressa aclamadas pelo Ministério da Cultura (MC). continua aqui (por gentileza da Teresa Cascudo).
Troca de Olhares/Exchanging Visions em Luanda

Depois de Maputo, é a vez de Luanda receber a exposição Troca de Olhares/Exchanging Visions, comissariada por Isabel Carlos para o Instituto Camões. A exposição reúne "trabalhos que reflectem, nas artes plásticas, e em registos tão diversos como a escultura, a fotografia, o vídeo e o desenho, a vivência pós-colonial. Nesse sentido, «Troca de Olhares» procurou ser uma troca de experiências, vivências, memórias e identidades entre estes artistas e o contexto onde são apresentados". A exposição inaugura dia 06 de Junho na sede do Instituto Camões em Luanda. A imagem acima faz parte da obra O jardim, de Vasco Araújo.
Informações várias
O Alkantara procura, até 31 de Maio, um colaborador para as funções de contabilidade e administração. A apresentação de currículos deve ser feita para catarina.saraiva@alkantara.pt .
Technologically Expanded Dance é o nome do congresso internacional sobre as relações entre tecnologia e dança, organizado por Daniel Tércio, crítico de dança do Expresso e professor na Faculdade de Motricidade Humana. Decorrerá na Culturgest, de 22 a 24 de Novembro, e as inscrições para comunicações já abriram. Mais informações aqui.
Abriram as inscrições para as residências artísticas no âmbito do Fronte[i]ras 07 - Encontro Internacional de Artes Transdisciplinares, que decorrerá de 17 de setembro a 31 de dezembro entre a Galiza e o norte de Portugal. Mais informações aqui.
terça-feira, maio 22, 2007
A Europa teatral em Lisboa e no Porto
Pippo del Bono (Itália) com Il tempo degli Assassini, hoje, às 22h, no Auditório de Serralves, Porto
Àlex Rigola (Espanha) com European House – prólogo a un Hamlet sin palabras, amanhã e depois, às 21h30, no Teatro Nacional S. João, Porto
domingo, maio 20, 2007
Suely Rolnik explora o trabalho de Lygia Clark
às 18h30, no Auditório 2 da Gulbenkian, a programação do ciclo A urgência da teoria, integrado no Estado do Mundo, apresenta uma conferência da psicanalista, crítica cultural e curadora brasileira Suely Rolnik sobre o trabalho da artista visual Lygia Clark intitulada Lygia chamando
Martim Pedroso encena Bergman em Lisboa
seres humanos de martim pedroso
no teatro taborda, lisboa
17 de maio a 3 de junho - 4.ª a domingo/21:30
sábado, maio 19, 2007
Revista Águas Furtadas apresentada hoje em Lisboa

Hoje, às 16h00 na Livraria da Mariquinhas, ao Largo de Santo Antoninho, no Bairro da Bica, apresenta-se o 10º número da revista Águas Furtadas, editada pelo Núcleo de Jornalismo Académico do Porto.
Garante a editoria que Óssip Mandelstam, Stéphane Mallarmé, William Shakespeare, Winnie-the-Pooh, Gez Walsh, Carlos Seixas e Jorge Pinto já confirmaram as suas presenças. Os autores de alguns dos textos, eu incluído, também lá estaremos para falar do (mal) que fizemos.
Prometem-se surpresas várias, bolos grátis e vinho a copo (oferta limitada ao stock existente).
Só se cobram 10€ por cada exemplar. A leitura é gratuita.
sexta-feira, maio 18, 2007
Estado do Mundo começa hoje na Gulbenkian
Começa hoje na Gulbenkian o programa O Estado do Mundo, programado por António Pinto Ribeiro. A abrir esta reflexão sobre os vários olhares que nos podem ajudar a construir um discurso sobre o que nos envolve estará, às 18h30 no Auditório 2 da FCG, Marc Ferro, eminente professor e director de Estudos na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, bem como co-director da revista Annales. O título desta primeira conferência do ciclo de grandes lições A Urgência da Teoria como título O Ressentimento: Força obscura e produto da história.
Às 21h30, no Grande Auditório, o filme Desert Dream, inaugura o ciclo de cinema Todo o mundo é um filme, pensado por Jacob Wong, programador do Festival Internacional de Cinema de Hong Kong.
Leia na OBSCENA #3 (p. 10-19) um dossier dedicado à programação do Estado do Mundo, com um guia de espectáculos, conferências, filmes e outros eventos absolutamente a não perder. No mesmo dossier inclui-se uma conversa com António Pinto Ribeiro, e ainda com Miguel Honrado, comissário da progrtamação Jardim do Mundo e um comentário de Isabel Gil, Directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Nova. Leia aqui um comentário à programação, publicado no jornal Público.
quinta-feira, maio 17, 2007
Contra a homofobia lutar, lutar

Hoje é Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia. Que melhor dia para se lerem as entrevistas a Edmund White, John Cameron Mitchell, Michael Lucas, Gus Van Sant, Wolfgang Tillmans, Paul Rutherford, John Waters, Bruce LaBruce, Bruce Benderson, Peter Berlin, Michael Stipe, Stephen Galloway, Marc Jacobs e Mathias Vriens, que a BUTT, claro, disponibiliza no seu site? We're here, we're queer and so proud of it.
quarta-feira, maio 16, 2007
domingo, maio 06, 2007
sábado, maio 05, 2007
Peça infantil do coreógrafo Tiago Guedes regressa a Lisboa
Matrioska, estreado em França no passado mês de Janeiro, e apresentado já em Lisboa, no CCB, regressa para uma semana de apresentações, agora na Culturgest. Leia a crítica publicada no jornal Público, aqui.
sexta-feira, maio 04, 2007
Jones e Fiadeiro dividem público este fim de semana
Bill T. Jones no CCB, com Blind Date (ler na OBSCENA #4 dossier sobre o autor) e João Fiadeiro, com a estreia mundial, na Culturgest, de Para onde vai a luz quando se apaga?, vão dividir o público da capital nas noites de sexta e sábado, ambos às 21h30. O programa da peça de Fiadeiro pode ser lido, em pdf, aqui. Uma conversa com Bill T. Jones, assinada por Marcos Cruz e publicada no Diário de Notícias de quarta-feira, pode ser lida aqui.
Kunsten começa hoje em Bruxelas
Começa hoje em Bruxelas mais uma edição do Kunsten Festival que reúne nomes como Tim Etchells, René Pollesch, João Fiadeiro, Kris Verdonck, Hiroaki Umeda, Alvis Hermanis, Isabella Soupart, The Wooster Group, Eszter Salamon, The New York City Players ou William Forsythe (na foto). Até dia 26 a cidade enche-se de espectáculos de dança, teatro, performances, instalações, leituras, vídeos, encontros, manifestações de rua e um sem-número de actividades que fazem deste um dos mais importantes festivais de artes performativas da Europa. A programação pode ser vista aqui e o blog do Kunsten é actualizado regularmente. O Melhor Anjo estará presente no festival de 6 a 15.Últimos dias para ver ITSOFOMO em Serralves

ITSOFOMO é uma instalação multimédia assinada pelo performer e escritor David Wojnarowicz e o músico Ben Neill que pode ser vista até dia 06, domingo, na Sala Multiusos do Museu de Serralves, no âmbito da programação Anos 80: Lastro e Rastro. O poderoso retrato social e político de uma América assustada com o vírus da SIDA foi concebido entre 1988 e 1989 e, escreve-se no programa, "os vários elementos da música, texto e vídeo são integrados de acordo com um esquema multi-dimensional baseado na ideia de aceleração e nas respectivas manifestações nos sentidos, fornecendo assim o enquadramento para o confronto presente nos textos de Wojnarowicz com a aceleração da acção do vírus da SIDA e a política dos Estados Unidos nesta matéria". Wojnarowicz lê um texto-denúncia sobre um amigo internado num hospital, enquanto quatro projecções mostram corpos nus que dançam, manifestações extremistas e religiosas contra os homossexuais, corpos em decomposição ou alegóricas imagens que se relacionam com as leituras que a Bíblia fazia do dinheiro e do sangue. Há também vários insectos que contaminam as imagens aceleradas e repetidas, tal como a voz de Wojnarowicz que, "no final dos anos 80, depois de lhe ser diagnosticada SIDA, se envolveu em debates públicos sobre investigação e financiamento na medicina, censura e moralismo nas artes e sobre os direitos legais dos artistas".
quarta-feira, maio 02, 2007
Bill T. Jones em Serralves
O coreógrafo norte-americano Bill T. Jones apresenta-se hoje, a partir das 20h00, no Auditório do Museu de Serralves para um programa especial que inclui a peça Blauvelt Moutain, de 1980, o filme Bill & Bjorn: Bill and Arnie Duets Compilation e uma leitura de excertos da biografia Last Night on Earth, de 1995. A peça é apresentada no âmbito do programa paralelo à exposição Anos 80: uma topologia. Em declarações à OBSCENA, onde se publica um dossier sobre o coreógrafo, Cristina Grande, programadora do Auditório de Serralves, "aponta precisamente esse 'olhar não topológico', mas com várias orientações. 'O trabalho dele carrega evocações políticas, da luta de classes, do racismo, da sida'", diz. E acrescenta: "'É um olhar sobre a América que ainda hoje tem muito de reconhecível'. A programadora tece rasgados elogios à “generosidade” do coreógrafo, cuja presença em Serralves, e com este programa, se deve inteiramente ao seu desejo de 'dar a ver uma parte da sua história'”.A crítica norte-americana Deborah Jowitt, no Village Voice, falava da abertura a que Blauvelt Mountain respondia, aquela que fora protagonizada pelo movimento da Judson Dance Theatre. “Hoje, podemos estar sentados e esperar tudo”, escreveu, “mas há algo de imaculado no ritmo de Jones e Zane juntos. Uma sequência de pára-arranca feita de belíssimas e simples poses no chão, onde as mudanças são feitas com uma economia tal que não se vêem outras preparações ou ajustes. De repente, mexeram-se. Mas não com estridência ou precisão mecânica – com o poder e controlo dos grandes gatos, Jones, com os seus longos membros e corpo pequeno, é um mestre na movimentação no espaço e, no entanto, parece que acaricia o sítio onde aterra, como se graduasse e refocasse o seu próprio ímpeto”.
terça-feira, maio 01, 2007
OBSCENA #4 já disponível
A OBSCENA #4 já está disponível.Pina Bausch e Bill T. Jones são os nomes em destaque nesta edição onde publicamos a transcrição da conversa que Bausch teve com o público, no passado dia 03 de Abril no Teatro Camões, a propósito da apresentação da peça Para as Crianças de Ontem, Hoje e Amanhã. Mas antevemos, ainda, a presença de Jones em Serralves e no CCB, com textos dos críticos e investigadores André Lepecki e Helmut Ploebst e do coreógrafo Martin Nachbar.
Outro dos destaques vai para o dossier sobre a polémica em torno do ensino artístico, após a saída de um estudo encomendado pelo Ministério da Educação. Falámos com Jorge Ramos do Ó, professor universitário e um dos autores do relatório, e contamos ainda com um depoimento de Luísa Mesquita, deputada do Partido Comunista Português.
Publicamos um ensaio do investigador alemão Franz Anton Cramer sobre o desejo na dança e na pornografia, onde nos é perguntado como olhamos e desejamos aqueles corpos, pensando aquilo que os separa de simples objecto de desejo. E entrevistámos Mickael de Oliveira, primeiro vencedor do recuperado Prémio Maria Matos de Dramaturgia. E ainda duas reportagens: uma sobre a recém-aprovada declaração de diversidade cultural da UNESCO e outra sobre o teatro brasileiro que chega a Portugal. Dois olhares que procuram perceber que intercâmbios constroem o mundo.
Damos conta das exposições de David Lynch em Paris, de Robert Wilson na Fundação Ellipse e de João Tabarra na ZDB/Galeria Graça Brandão. Nos espectáculos falamos da mais recente encenação de Romeo Castelluci, de Pina Bausch, naturalmente, mas também de Loud Reed e dos filmes mediterrânicos de Luciana Fina.
Mais: o cartoon do Bandeira, as colunas de opinião, as críticas, as reportagens e as notícias habituais num número com 83 páginas e contributos de críticos, investigadores, fotógrafos, jornalistas e criadores.
Boas leituras.
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