sábado, julho 15, 2006
Teaser
sexta-feira, julho 14, 2006
Beckett, Strehler e Lazzarini no Festival de Almada
EN 1982, Giorgio Strehler mettait en scène Oh ! les beaux jours, de Samuel Beckett, avec, dans le rôle de Winnie, l'une de ses actrices préférées, Giulia Lazzarini. Plus de vingt ans après, c'est ce même spectacle, en italien, qui est donné à Paris au Théâtre de l'Athénée-Louis-Jouvet, pour quelques jours. Carlo Battistoni, le mari de Giulia Lazzarini, qui a repris la mise en scène, confiait en janvier 2004 que « la grande difficulté, (...) c'est d'adapter un cadre préexistant à quelqu'un qui a changé ». Or, si l'on pouvait craindre une sorte de muséographie, un placage momifié, c'est justement l'évolution de l'actrice qui donne à ce « nouveau » spectacle sa force et une immense émotion. Seule incongruité, le sous-titrage en français, qui résume sans le respecter le texte original.
FRIVOLITÉ, NOIRCEUR
Strehler est mort en 1997, Battistoni en juillet 2004. Reste Giulia Lazzarini. Strehler avait choqué, comme souvent, en ne respectant pas les indications de Beckett : un décor longiligne de sable blanc se reflétant dans du Plexiglas noir au lieu d'un « petit mamelon s'élevant dans une étendue d'herbe brûlée », le débit rapide de l'actrice, sans marquer (comme l'avait fait Madeleine Renaud, à la création, en 1963, mise en scène par Roger Blin) les pauses voulues par l'auteur, et surtout une légèreté, une frivolité même, fort éloignées de la noirceur et du désespoir que l'on attribue à cette apocalypse, cette fin du monde, cette fin de vie.
Mais la compassion du spectateur naît de ce contraste, comme si le babillage enfantin alourdissait encore la solitude infinie de Winnie. Comme ces enfants qui jouent et dansent entre deux bombardements, insouciants.
Pauvre petite Winnie, si frêle dans sa gangue de sable, si prompte à s'émerveiller, à s'attendrir, qui se réjouit d'un rien en fouillant dans son sac aux trésors, cadeau de Willie (Franco Sangermano), son homme mal léché. Pauvre petite Winnie, qui rythme ses journées interminables en gardant sa routine, se laver les dents, se coiffer, mettre du rouge à lèvres, ne pas chanter trop tôt mais chanter quand même. Pauvre petite Winnie, sous son chapeau fleuri, qui se donne un torticolis pour essayer de voir son Willie, guette un signe, une approbation et ne reçoit que des miettes, trois mots, un grognement, et le console, se console, en lui cherchant des excuses.
Elle rit, s'inquiète, s'insurge, s'amuse, sa voix passe du rire aux larmes retenues, roule les mots, les bouscule, indestructible, mais pour combien de temps ? Pauvre petite Winnie, qui parle sans cesse, dans sa robe si décolletée que des seins trop lourds s'en échappent parfois. Giulia Lazzarini a vieilli et se sert de ce corps un peu usé, un peu fané, avec une impudeur tragique, prélude à l'horreur.
Car voici la fin, et avec quelle violence, quand seule sa tête échappe au sable. Le visage blafard, sans autre maquillage que ce teint trop blanc, les cheveux épars, emmêlés, le regard affolé de la bête prise au piège, et la voix qui a perdu toute sa pétulance, tout son bagout, et hurle, enfin.
Martine Silber
quinta-feira, julho 13, 2006
Abordagens ao Festival de Almada: Don, mecénes et adorateurs
A resistência do dom
Dom, mecenas e adoradores
encenação de Bernard Sobel (Théâtre de Genevilliers, França)
23º Festival de Almada,Teatro Municipal de Almada, 7 de Julho, 21h00
O título do texto de Ostrovski pode servir para organizar a leitura sobre a actualidade e pertinência crítica do espectáculo encenado por Bernard Sobel. Por um lado, o dom, esse elemento pessoal e intransmissível, cuja força de manifestação escapa à linguagem e à moral, escapa às palavras e aos deveres. A personagem que incorpora esta relação com um dom é Néguina, uma jovem actriz de província que ganha os seus primeiros sucessos, dividida entre a manifestação do que lhe é natural, ser actriz, e a obrigação moral de servir o próximo, de ser útil, tendência manifesta na personagem do seu noivo, Mélouzov. E é entre o que o seu noivo representa para si – mais do que o homem, a moral – e entre a legião de mecenas e adoradores que a cercam e bajulam, desde o velho assistente do teatro ao Príncipe, é entre viver uma imagem de si própria ou viver uma prática comum que Néguina se divide. No final, descobrirá que o seu dom é imperativo, que a sua moral é praticada na manifestação desse dom, e o que parecia ser uma escolha entre opostos torna-se a descoberta pessoal de que o teatro é trabalho também, é esforço e dedicação, e que também a sua imagem resultará de uma prática pessoal, mas também colectiva. Dito assim, o texto ganha contornos programáticos do pensamento e actividade de Ostrovski no contexto teatral russo. O espectáculo de Bernard Sobel é actual neste sentido, de que arte deve ser entendida neste compromisso do dom, o compromisso entre o destino de quem o tem e o escolhe e as condições de produção e mercado que insistem – e insistirão – em perguntar pela qualidade utilitária dessas manifestações. A encenação do texto escolhe apresentar estes conteúdos de forma evocativa, procurando representar um certo espírito de época, mas evitando a re-apresentação dos mesmos códigos convencionais. Nesse sentido, a cenografia cria a sua evocação através de estratégias artificiais que jogam a favor da encenação, como a marcação de espaços através de adereços pontuais, ou quando o interior do teatro é representado pelas costas dos cenários, de forma quase construtivista, pela presença de actores do lado da plateia e, sobretudo, na cena final, em que a estação é figurada por uma série de placas de madeira que funcionam como os antigos telões de trompe l’oeil, dando a sensação de profundidade e perspectiva, enquadrando a cena que decorre em torno de uma mesa comprida.
segunda-feira, julho 10, 2006
António Lagarto: olhares cenográficos
António Lagarto (Trafaria, 1949) é um dos nomes presentes no 23º Festival de Almada com uma exposição na Escola D. António da Costa, em Almada. Até dia 18 de Julho a breve mostra, intitulada António Lagarto: Olhares Cenográficos recorda alguns dos trabalhos mais significativos deste cenógrafo e figurinista que se tem dividido pelo teatro, ópera e dança constantemente re-inventando as dimensões cénicas e figurativas. O Melhor Anjo, acompanhando o festival, recupera o perfil que o crítico Paulo eduardo Carvalho fez sobre António Lagarto para a revista Sinais de Cena nº 2, ao mesmo tempo que mostra, em exclusivo, algumas imagens do trabalho do ex-director do Teatro Nacional D. Maria II.
Lógicas visuais: António Lagarto
de Paulo Eduardo Carvalho
O que permanece desde o Ninguém é a vontade de, em cada situação, criar um espaço que possa simbolizar um texto. O espaço que se oferece ao espectador tem de proporcionar uma comunicação imediata, de adesão e conquista. (Lagarto 1994: 28)
Poucos criadores teatrais têm a possibilidade – e a capacidade – de uma estreia tão fulgurante como aquela que António Lagarto teve, em 1978, com a criação do espaço cénico para Ninguém, a revisitação fantasmática do Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, congeminada e orquestrada por Ricardo Pais. A dupla de cenógrafos (que incluía o inglês Nigel Coates, com quem Lagarto vinha já colaborando noutros trabalhos visuais) apresentava então, no programa do espectáculo, o entendimento do seu labor em termos esteticamente quase revolucionários para os tempos que, entre nós, corriam: “O espaço cénico foi concebido de modo a existir por si mesmo, auto-suficiente e introspecto na sua própria geometria de espaço, tempo e cultura. (…) O espaço cénico não é uma tradução literal de condicionalismos impostos pelo texto, é um espaço total que contém o texto e acção (…). Aqui talvez esteja o nosso conceito básico: o espaço cénico exagera a configuração fatal da acção” (Lagarto 1978).
Se então alguns entenderam a proposta cenográfica como aleatoriamente aplicável a um qualquer outro texto dramático, outros, como Joaquim Manuel Magalhães, viram nela “uma das mais notáveis propostas visuais destes anos 70”, valorizando justamente a sua autonomia e a nova rede de diálogos que estabelecia com os outros elementos e linguagens do espectáculo: “uma obra que, no plano da criação, surge enquanto objecto autónomo, algo com expressão visual por si própria em simultaneidade com a qual a peça de Garrett é feita funcionar” (Magalhães 1978: 328). Duas enormes telas – reproduções ampliadas de Herculanum, de Louis Hector Leroux – ladeavam um espaço de representação vasto e profundo, que se assumia como replicação de um idêntico procedimento utilizado numa obra fotográfica dos mesmos criadores, Dialogue du Sphinx, apresentada em 1976, na Alternativa Zero.
Foi justamente esta íntima articulação entre o trabalho cenográfico e um mais vasto investimento no campo da criação visual que se tornou possível recuperar no quadro da exposição António Lagarto: Situ-Acções, uma iniciativa do TNSJ, em colaboração com o Museu de Serralves, montada no âmbito do segundo PoNTI, em 1999, nos Arcos de Miragaia. Combinando fotografias com instalações e objectos retirados de espaços cénicos, e transferidos para novos contextos de percepção, aquela exposição – e o catálogo que a acompanhava – permitiam a revisitação de um extraordinário percurso criativo que tem explorado a ambiguidade disciplinar do território cenográfico, numa oscilação clara entre os referentes da arquitectura, da escultura, da instalação, do design e das restantes artes visuais.
Um dos conjuntos mais expressivos de trabalhos ali reunidos reportava-se, justamente, às suas colaborações com Ricardo Pais, naquela que constitui uma das mais constantes e criativas duplas do teatro português: Ninguém (1978/79), Só longe daqui (dança, 1984), Teatro de enormidades apenas críveis à luz eléctrica (1985), Anatol (1987), Fausto.Fernando.Fragmentos (1989), Clamor (1994). Dom Duardos (1996), A Salvação de Veneza (1997), Noite de Reis (1998), Madame (2000), Turn of the Screw (ópera, 2001), Castro (2003), Um Hamlet a mais (2003). Encontram-se nesta lista exemplos de verdadeiras metáforas cénicas, mas também propostas de espaços mais depurados e minimalistas, experiências mais abstractas e conceptuais ou situações de assumido pendor decorativo. Com todas as suas imensas diferenças, todos estes trabalhos revelam uma criatividade cénica atravessada por uma peculiar inquietação dramatúrgica, traduzida numa interrogação quase obsessiva do sentido dramático de cada espaço, cada objecto, cada acção, no quadro de leitura mais global proposto pela encenação: “Texto e cenografia têm que colar de alguma maneira, não como ilustração um do outro, mas como interacção que funciona em uníssono” (Lagarto 1999). É este tipo de atenção – maníaca e obsessiva, como já sugeriu Ricardo Pais (1999) – que explica que, para lá da beleza ou da funcionalidade próprias de cada projecto cenográfico, todos eles tendam sempre a exibir uma lógica visual e uma espessura que diríamos quase textual, pela forma como se dão autonomamente a ler, nas múltiplas combinatórias dos seus elementos.
Enquanto a memorável cenografia de Fausto.Fernando.Fragmentos se oferecia como uma espécie de casa do pensamento – da própria cabeça – de Pessoa, numa oscilação surpreendente entre o íntimo e o cósmico, naquela que foi uma das mais extraordinárias metáforas cénicas do nosso teatro, Clamor, por exemplo, respondia ao desafio idêntico de criar “um lugar onde emerge uma voz que se desmultiplica em sucessivos discursos” (Lagarto 1994: 28) oferecendo uma sucessão de imensos espaços vazios, negros, progressivamente invadidos por eloquentes – por vezes, grandiloquentes – elementos cenográficos, como a baleia ou a jaula de leões, para dar a ouver as palavras de Vieira, nas sucessivas estações da sua conturbada existência. O mais recente dispositivo criado para Castro, de António Ferreira, ofereceu-se como uma outra plataforma de enunciação: aqui, um espaço de representação reduzido, e ostensivamente frio, surgia desde o primeiro momento ocupado por uma floresta de troncos estriados – uma espécie de “veias sanguinárias” ou “como que seres virados do avesso” (Lagarto 2004) –, antecipando e sublinhando a funesta inevitabilidade daquela tragédia histórica. Outras poderosas metáforas cénicas foram, por exemplo, o imenso e vertiginoso poço de A Salvação de Veneza – ladeado unicamente por um conjunto de cadeiras poderosamente cenografadas – ou as duas meias luas do banco redondo de Noite de Reis, único elemento móvel, e susceptível das mais variadas combinatórias, de um vasto e desnudado espaço de representação enquadrado por um arco de luz.
As criações de António Lagarto não se têm limitado ao teatro, alargando-se aos domínios da dança e da ópera, em colaboração com outros criadores portugueses (Maria Emília Correia, Nuno Carinhas, João Grosso, Fernanda Lapa, Vasco Wellenkamp, Olga Roriz, Paulo Ribeiro) e estrangeiros (Jorge Lavelli, Alain Olivier, Roberto Cohan, Ted Branson, John Cranko, Cornelia Géiser). Situ-Acções funcionou também como uma possibilidade para vislumbrar algumas das suas criações realizadas fora de Portugal, tais como os espectáculos produzidos pelo Théâtre National de la Colline (C.3.3., de Robert Badinter, e Eslavos, de Tony Kushner) ou pela Opéra National de Paris – Palais Garnier (A viúva Alegre, de Franz Lehar).
Será ainda importante acrescentar que, à excepção de Ninguém, pelo menos desde 1984 que António Lagarto vem articulando o seu trabalho cenográfico com a quase sempre paralela responsabilidade pela criação de figurinos, alargando assim a sua intervenção a nível da dimensão visual – habitualmente muito afirmativa – dos espectáculos em que colabora: embora com variações assinaláveis, os seus figurinos tendem a prolongar a eloquência dos seus espaços cénicos, muitas vezes em gestos mais fantásticos, surrealizantes ou assumidamente histriónicos, reveladores de uma criatividade renovadamente inquieta.
Referências:
LAGARTO, António / COATES, Nigel (1978), “O espaço”, in programa de Ninguém: Frei Luís de Sousa, Lisboa, Cine-Teatro com Os Cómicos, s/p.
– – / MELO, Alexandre (1994), “O espaço cénico: Uma conversa de António Lagarto com Alexandre Melo”, in programa de Clamor, Lisboa, IAC/TNMDII, pp. 27-29.
– – / – – (1999), “Alexandre Melo entrevista António Lagarto”, in António Lagarto: Situ-Acções, Catálogo da exposição apresentada nos Arcos de Miragaia e na Capela/Fundação de Serralves, entre 27 de Novembro de 1999 e 30 de Janeiro de 2000, Porto, TNSJ, s/p.
– – / COSTA, Alexandre Alves (2004), “Cenografia e arquitectura”, Duas Colunas, n.º 8, Janeiro de 2004, pp. 6-7.
MAGALHÃES, Joaquim Manuel (1981), “O jardim da mãe”, in Os dois crepúsculos: Sobre poesia portuguesa actual e outras crónicas, Lisboa, A Regra do Jogo, pp. 327-331.
PAIS, Ricardo / RIBEIRO, João Mendes (1999), “Conversa com Ricardo Pais”, in António Lagarto: Situ-Acções, Catálogo da exposição apresentada nos Arcos de Miragaia e na Capela/Fundação de Serralves, entre 27 de Novembro de 1999 e 30 de Janeiro de 2000, Porto, TNSJ, s/p.
[texto publicado na revista Sinais de Cena nº2, Dezembro 2004, da responsabilidade da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro Edição deste número de Mónica Guerreiro e Miguel-Pedro Quadrio]
Texto e fotografias gentilmente cedidas pelos autores aos quais se agradece.
Em complemento: Programa do 23º Festival Internacional de Almada; Site com mais informações e fotografias do trabalho de António Lagarto; recensão a Sinais de Cena nº2; Crítica a Berenice; Notas sobre António Lagarto neste blog aqui e aqui; Informações sobre Ántónio Lagarto na CETbase.
sábado, julho 08, 2006
Presença portuguesa no 60º Festival de Avignon
Começou no passada quinta-feira 06 a 60ª edição do Festival de Avignon, em França, este ano tendo como artista associado o coreógrafo Josef Nadj (ver aqui biografia, alguns exemplos do trabalho visual e um perfil) e que reúne nomes como Alain Platel, Jan Lauwers, Joël Pommerat, Peter Brook e Pippo Delbonno tentando fazer esquecer a polémica do ano passado onde crítica e público se dividiram na recepção de propostas que acentuavam linhas dominantes na criação contemporânea vistas com apreensão naquele que é, a par de Edimburgo, o mais importante festival de artes performativas do mundo (ver aqui a dossier de imprensa do Festival de Avignon).De entre os vários criadores encontram-se os nomes de Rui Horta e João Paulo Pereira dos Santos que estreiam entre 17 e 25 Julho a peça Contigo (na foto) no âmbito do programa Suject a vif, organizado pelo Festival de Avignon e a SACD onde um jovem nome escolhe um outro criador para a estreia de uma peça "with the idea of bringing into contact such exceptional and luminous personalities who would together find their own unique language". Em 2002 um outro nome nacional, a bailarina Leonor Keil apresentara no mesmo programa a peça Solitary Virgin coreografada por Javier de Frutos (ver entrevista e crítica).
Contigo que na próxima terça-feira 11 às 19h30 é apresentado em ante-estreia no Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, onde está a ser criado em residência é, segundo o comunicado de imprensa, uma nova exploração das potencialidades do mastro chinês, técnica circense na qual João Paulo Pereira dos Santos se especializou e que com o seu primeiro espectáculo Peut-être de 2004 (ver aqui excerto, digressão nacional - Lisboa, Viseu, Guarda e Coimbra - em Outubro) foi seleccionado para o prestigiado Jeunes Talents du Cirque organizado pela Scénes de Cirque.
O Melhor Anjo desafiou João Paulo Pereira dos Santos a dar conta da sua experiência em Avignon através de um "diário de bordo" do festival que será publicado durante a sua presença em França. Esta iniciativa inaugurará uma nova rubrica regular no blog onde criadores convidados darão conta dos seus processos criativos, podendo estes resultar em espectáculos ou não.
quinta-feira, julho 06, 2006
Maguy Marin provoca o escândalo em Montpellier
A coreógrafa francesa Maguy Marin, directora do Centre Chorégraphique National de Rillieux-la-Pape, dividiu o público na apresentação do seu mais recente espectáculo HA! HA!, no festival de Montpellier Danse, que decorre naquela cidade do sul de França até amanhã. Apresentado nos passados dias 02 e 03 de Julho, o espectáculo que é uma forte crítica ao superficialismo, seja ele cultural ou social, sustenta-se numa só pergunta: tu que ris, ris de quê?Companhia Instável apresenta-se no Festival de Sintra
A Companhia Instável, sedeada no Porto e dirigida artisticamente por Ana Figueira, apresenta hoje e amanhã às 21h30 em Sintra no Centro Cultural Olga Cadaval, a sua mais recente produção no 41º Festival de Música e Dança de Sintra, cuja programação de dança está a cargo do coreógrafo Vasco Wellenkamp, director da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo. Desta vez, e depois de trabalhar com os coreógrafos Amélia Bentes (Portugal), Nigel Charnock (Inglaterra), Jamie Watton (Inglaterra), Bruno Listopad (Portugal), Ronit Ziv (Israel), Javier de Frutos (Venezuela/Inglaterra) e Wim Vandekeybus (Bélgica), apresenta três peças do português Rui Horta, Garden, Nest e With, que assim regressa ao Festival que o ano passado acolheu a estreia mundial de Mute, feita para a Scottish Dance Theatre.A Companhia Instável existe há sete anos e sustenta-se na paradoxal ideia de descaracterização de um projecto ao apostar no constante re-nascimento, dada a rotatividade dos seus criativos. Responde assim às fragilidades do sector da dança criando novas oportunidades de trabalho para criadores e intérpretes.
Das três peças que compõem o programa, só With é uma estreia mundial, uma vez que a Companhia Instável dá possibilidade a que o coreógrafo convidado opte por trabalhar algum repertório ou crie uma peça nova. Garden foi criado em 2000 para o colectivo holandês Netherlands Dans Theater ll e, segundo o programa "vive de um horizonte onde se recorta um espaço confinado. Os seres que o habitam vivem na ilusão de uma liberdade adiada". Nest, estreado em 2003 pela sueca Norrdans "revisita a questão do espaço e questiona a partilha emocional, a aceitação do outro e a inevitável solidão". Segundo declarações prestadas ao Expresso do passado sábado o coreógrafo fala das três peças como "uma viagem ao fim do amor".
CML abre novo concurso sem pagar anteriores dívidas
quarta-feira, julho 05, 2006
23º Festival de Almada começou ontem
Nas últimas semanas o balanço do Alkantara festival tem marcado várias conversas. De uma maneira geral creio que o mais relevante não será tanto a medição do sucesso do festival pela afluência do público, mas antes pelo que irão os espaços fazer com as dinâmicas de circulação (de público, de criações, de temáticas) que se tendem a criar em festivais de artes performativas. Mais ainda acontecendo eles em contextos culturais onde o acesso pode ser mais difícil e a proliferação de actividades tenda a diminuir o espaço mediático dos eventos. Incluindo a discussão sobre os mesmos. Importa, por isso, perceber exactamente de que forma a inscrição no terreno aproveita as carências do contexto e lhes oferece as ferramentas "fundamentais" para a compreensão do acto criativo. Vinte e cinco espectáculos divididos por doze companhias estrangeiras (França, Bélgica, Espanha, República Checa, Itália, Colômbia e Senegal) e treze portuguesas, para além de exposições (Pedro Calapez, António Lagarto, José de Guimarães), debates e conferências, concertos e homenagens (o Observatório das Actividadea Culturais é o homenageado principal desta edição), que enchem vários espaços de Almada e Lisboa no regresso daquele que é o mais importante festival de teatro do país. O Melhor Anjo vai acompanhar esta edição, à semelhança do que fez o ano passado, com textos críticos e outros artigos. Para já do cartaz importa destacar quatro presenças. A saber:
- Zero Degrees, de Sidi Larbi e Akram Khan (05 e 06 Julho, CCB). É o regresso da dança em força ao Festival de Almada, depois de em 2001 João Fiadeiro ter apresentado Existência, com um dos grandes nomes da dança contemporânea europeia apresentado num festival que, no total apresenta mais dois espectáculos de dança (La Mirada del avestruz , espectáculo de honra 2006 e Simbau, a dança do falso leão). É ainda a oportunidade para esbelecer um diálogo directo com um outro espectáculo apresentado recentemente pelos Les Ballet C. de la B., em Lisboa, no Alkantara: vsprs, de Alain Platel. Zero Degrees é o resultado de múltiplos encontros: Larbi e Khan, mas também o escultor Antony Gormley e o músico Nitin Sawhney, para um espectáculo sobre "vida/morte, claro/escuro e ordem/caos". Ler críticas acerca da apresentação em Londres.
- Don, Mécènes et Adorateurs, de Alexandre Ostrovski e encenação do francês Bernard Sobel (hoje às 22h00 e amanhã às 21h30, no Novo Teatro de Almada). Nome fundamental na redefinição do papel do teatro em França, Sobel é um dos mais respeitados encenadores da cena contemporânea, muito em virtude do trabalho desenvolvido a partir dos clássicos. Sobre a adaptação do texto do russo Ostrovski, disse: "Estou a tratar com um homem que observa os homens no próprio meio em que ele vive e trabalha - e trata-se de um mundo brutal - sem os julgar de forma alguma, qualquer que seja a barbaridade ou a ignomínia daquilo a que assiste, e qualquer que seja o seu ponto de vista sobre um mundo onde tais coisas são possíveis. Nunca olha os outros de alto. E isto é essencial." No dia 07, às 19h, o encenador encontra-se com o público no Novo Teatro Municipal de Almada. Ler artigo sobre o espectáculo aquando da estreia.
- Teatro de Papel/Convidado de Pedra (08 e 09 Julho, 23h00, São Luiz - Teatro Municipal). Um ds mais fascinantes projectos teatrais dos últimos anos apresenta-se, finalmente, em Lisboa. O trabalho de Marcelo Lafontana a partir dos teatros de papel dá às suas adaptações teatrais a ilusão e o fascínio certeiros que derrubam qualquer preconceito em relação ao teatro de marionetas. Depois de Júpiter e Alcmena, é a vez de O enganador de Sevilha, de Tirso de Molina, servir de mote para um exercício teatral numa versão (a crer pelo que vimos do anterior) que deixará rendidos todos os que ainda acreditam num teatro re-inventivo. Ver dossier sobre o espectáculo aqui (escolher O TNSJ em Lisboa).
- Giorni Felici, de Samuel Beckett e encenação de Giorgio Strehler (13 e 15 de Julho às 21h00, Novo Teatro de Almada, na foto). Estreada em 1982, a famosa encenação de Strehler para o Picollo Teatro di Milano é aqui reposta por Carlo Battistoni, recuperando a actriz original Giulia Lazzarini que, segundo a crítica, se entrega a um "exercício de memória para combater o tempo, para não se render nunca". É uma das mais inteligentes encenações do texto de Beckett onde o positivismo de Winnie vence o desespero e a angústia de a sabermos presa. A actriz estará presente num encontro sobre Beckett que decorrerá dia 11 de Julho, às 18h30, no Fórum Romeu Correia, em Almada.
O Grande Teatro do Mundo
Ballet Gulbenkian: um ano depois
July 05th, 2005. A day like the rest of the days in Gulbenkian Ballet company. Rehearsals, talks on the corridors, everything was going smoothly. And then the news came. The ballet company had just ended a few hours ago. In that moment all rehearsals from the future choreographies should end, the commissions were suspended (paid for but never premiered), no more tours, no more shows. From that moment on, Ballet Gulbenkian was part of the history. There would only be time now to re-arrange the institution, take care of indemnifications, change the shift of things. Suddenly, the Portuguese artistic milieu was facing the loss of an irreplaceable heritage of modern and contemporary dance. Reactions of incredibility came from all over the world... but then came the shock and the indignation. How could a forty-year project, that had done so much for dance in Portugal, be put to end? The Calouste Gulbenkian Foundation (CGF) explained that the decision was part of a larger redefinition of its strategy, intended to improve the support to dance through a more “active and interventionist set of actions, much more vivid” than the permanence of a resident company. Though it did not came as a total surprise – since the early 90’s, with the growth of the dance market, there had been talks about the position of Ballet Gulbenkian in relation with the emerging projects and companies, some of which founded and directed by former Ballet dancers, like Vera Mantero, João Fiadeiro, Francisco Camacho, Margarida Bettencourt, Olga Roriz or Vasco Wellemkamp – it is nonetheless true that everyone felt the extinguish as a huge artistic loss. Some acknowledge the Foundation’s right to apply its capital as they wish, and that the forty year era was over and one should be thankful for; it is known how expensive it is to maintain such a company these days. Others felt more comfortable understanding the Foundation’s reasons and trusted it could have an important action in supporting independent projects, new choreographers, research and advancement in dance.
In fact the news was only a surprise for those who considered eternal the strategies of an institution, without the awareness that those correspond to a set of question/presentation of answers for the problems of the surrounding world. And also, it was only a complete surprise to those who didn’t wanted (or weren’t aware) of the discourse of the Foundation itself that in the last years had ended some important projects, including the ACARTE Service (the performing arts centre), the Contemporary Music Encounters or had reduced significantly the finance of the artistic punctual projects.
Presented as a contribute to «the development and reinforcement of the dance […] stimulating the Professional specialized formation, the internationalization of the Portuguese choreographic creation, the qualification of the sector’s structures and the exchange with the international circuit of the dance in the aesthetic, technical and pedagogical plan» (in the brochure), this new programme for dance was shown only seven months after its announcement, in January this year, still without a budget (the decisions will be considered individually, they said). This raised a sense of disbelieve and strangeness among the artists. It was accused of vagueness even though it intended to serve areas for which the professionals were “demanding” a close attention from the State: formation/researching, the invisible work of the structures and internationalization.
Dance was already used to be seen as the poor relative on the financial distribution in the support programmes of the Ministry of Culture. The end of Gulbenkian Ballet only came to contribute to the already fragile economical situation in the dance field. Even though there are cases of success, it was difficult to understand how could the Administration make such a positive portrait of the context (we are no longer necessary, they said), if there were companies struggling to find others ways of funding, some of them had started developing international strategies in other to gain sustain and others were simply reducing the complexity of the projects in order to keep the doors open.
Truth is after all this time we haven’t yet understood the benefits of the change. Who really won something? Not the public, nor the artists. The Foundation? Maybe. But certainly not in terms of credibility. At the end of that same July, the Ballet dancers got together for a final presentation without the consent of the Administration. More than one thousand people waited an entire day to wave goodbye to the company. One year after that hot day in July and six months after the presentation of the programme for dance, most of the dancers of the Ballet Company have already started working in other places and received the indemnifications that were guaranteed then, but the shock hasn’t yet dissapeared. Maybe what the Foundation is provoking is the existence of a wide and honest dialogue concerning the place of dance in national creation. Maybe. To many questions and so many doubts for so little answers.
Call for papers: Harold Pinter
O Centro de Estudos de Teatro convida os interessados na obra de Harold Pinter a submeter uma proposta de comunicação a fim de ser apresentada no âmbito do colóquio internacional Harold Pinter: Encontros, a realizar nos dias 26 e 27 de Outubro de 2006, na Faculdade de Letras de Lisboa.As comunicações poderão incidir sobre qualquer aspecto da sua vasta obra ou estudar a presença do seu teatro nos palcos portugueses. O evento que decorrerá em dois dias será, no primeiro dia, dedicado ao trabalho de Pinter no cinema, sendo apresentados e discutidos filmes realizados pelo próprio ou a partir de obras suas. No segundo dia, dedicado ao teatro de Pinter, prevê-se, além de uma mesa redonda com diversos encenadores e actores que, em Portugal, interpretaram os seus textos, a apresentação de uma conferência pelo Dr. Mark Taylor Batty (Senior Lecturer in Theatre Studies, School ofEnglish, University of Leeds), e também outras comunicações sobre a dramaturgia pinteriana.
As propostas de comunicação deverão ser enviadas até 31 de Agosto de 2006, devidamente identificadas (nome e instituição), não excedendo as 350 palavras, para a seguinte morada: estudos.teatro@fl.ul.pt
Para outras informações:
Rui Pina Coelho (91 231 97 86) ou Diana Dionísio (96 324 96 88)
informações enviadas por e-mail e da responsabilidade dos autores, excepto hiper-ligações e fotografia.
terça-feira, julho 04, 2006
Fabrica, de A. Celestini em cena no Barreiro
de Ascanio Celestini
pela Vigilâmbulo Caolho
de 29 de Junho a 29 de Julho, às 22h
na Sala de Ensaios
do Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro

Olhares sobre o teatro romeno
No âmbito do Mite'06 - Mostra Internacional de Teatro 06, o Teatro Nacional D. Maria II apresenta hoje e amanhã a peça Electra, encenada por Mihai Maniutiu para o Théatre National Radu Stanca de Sibiu, da Roménia. Recuperam-se aqui dois textos sobre o contexto teatral romeno, publicados neste blog em Dezembro 2004, pelas críticas locais Andreea Dumitru e Oana Bors.Novos artigos nas bancas
Na Ballet-Tanz de Julho 06 (Alemanha):Ballet Gulbenkian: one year later (a reproduzir aqui amanhã)
Perfil de Olga Roriz (a reproduzir aqui brevemente)
Na Cahiers de Théâtre JEU nº 119 - Junho 06 (Quebéc):Meio-movimento - retrato (algo negro e muito pessoal) sobre as condições de criação e produção de dança em Portugal
do editorial de Lise Gagnon: Tiago Bartolomeu Costa, du Portugal, dresse un panorama « sombre et personnel » de la danse de son pays ; les enjeux qu'il expose font écho aux préoccupations de notre milieu. Um esboço do texto pode ser lido aqui.
Duas notas no regresso
2. A pausa devolveu-me o tempo para ler e descobrir outros blogs. Ou, pelo menos, de ler mais atentamente alguns que já seguia mas treslia. Por isso a lista da direita foi actualizada: A Peste, O Acossado, Ideias Soltas, Choose a Royal, Cultura, Arte & Literatura , Fuga para a Vitória, Hardblog, O Avental do Gourmet e Rotweiller weinen nicht .
quinta-feira, junho 22, 2006
Peeping me estreia hoje em Aix-en-Provence

peeping me
de paulo guerreiro
instalação . performance (interdita a menores de16 anos)
carte blanche no quadro do projecto d.a.n.c.e.
22 junho das 16h30 às 19h . cité du livre – amphithéâtre de la verriére . aix-en-provence . frança
29 junho às 19h . festival de marseille - studio kéléminis . marselha . frança
06 a 12 de Novembro . festival des jeunes créateurs européens . théâtre vitez . aix-en-provence . frança
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em peeping me toca-se, observa-se, é-se observado. os papéis (re)invertem-se num jogo de poderes e completam-se um ao outro. corpo performático e público sobrepõem-se, espelham-se. cria-se uma relação sensorial e perversa, onde ora se permite o toque, mas é privado o olhar, ora se vê (espreita), mas perde-se o contacto táctil. "voyeur" e "exibicionista" mantêm esta relação através de orifícios num espaço tri-partido: tacto, visão e exposição. mais que uma instalação, é um espaço performático interactivo, onde o movimento surge da relação performer/público. a coreografia existe no momento, a partir do toque e da ausência deste. As suas qualidades são partilhadas, são dependentes de ambos, do corpo/objecto e do observador/manipulador. mais do que improvisação trata-se de instrumentalização, comunicação, reacção entre corpos, onde os limites se situam entre o físico e o emocional. quebradas as convenções de relação espectador/interprete, é dando lugar a uma relação mais intima e subjectiva, onde os papéis activo e passivo são subvertidos, para depois serem novamente repostos, ou seja, (re)invertidos. o corpo performático é exposto e disposto, habita a relação dos corpos (o dele com o espectador), representa-se por códigos e afirma-se como objecto. Um objecto que tanto é de contemplação e serviçal, como se serve de quem o observa. um objecto feito em corpo, da sobreposição de corpos e papéis. o que observa, toca e manipula, é conduzido à sua exposição e integra o objecto. «... o sujeito expõe-se e faz da carne o espectáculo que oferece aos outros e que vampiricamente busca no outro» (maria augusta babo in Para uma semiótica do corpo).
paulo guerreiro
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[…] é corpo visível de mostrar subtil
o corpo de contenda,
é corpo de oferenda, de inflamar
em teatro. teatralizar.
é corpo de ombrear opúsculos,
de cavaquear opulento o pulsar.
é corpo de convidar a surrupiar meu corpo.
meu corpo de querer, de perceber que
quero teu corpo para não mais o perder
e nunca silenciar.
excerto de corpo verbal, de pedro carreira de jesus (inédito, 2006)
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não é nova a deslocação do olhar na história da performance. aliás, a implicação do outro no resultado final do objecto é uma das recorrências mais frequentes. no ainda breve percurso de paulo guerreiro essa implicação relaciona-se com a vontade de construção de um percurso comum entre observador e observado. se em addicted man (Bruxelas, Thêatre de L'l, 2005) procurava inscrever-se no mundo que observava, em peeping me trabalha e amplia uma dimensão particular desse acto de observar: o voyeurismo. o corpo do performer e o do espectador partilham um mesmo devir fetichista sem que se saiba quem observa quem. é, por isso, uma experiência comum que depende inteiramente de uma vontade de se ser provocado/provocar. é uma experiência individual sobre a qual pouco se pode dizer a não ser pedir uma disponibilidade, física e sensorial. para o performer estão em causa questões como a intimidade, o limite (do corpo, da representação, do espaço) e a manipulação dos sentidos. para perceber sobre que mecanismo assenta um possível discurso coreógrafico, descarna o processo de criação, embrulha-o literalmente em quatro paredes e espera que venham ter com ele. é, desassombradamente, um desafio. resta saber se a resposta não virá protegida pela retórica da ficção.
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conceito . interpretação . paulo guerreiro criação cénica . marion abeille equipa técnica . anne vaglio . france nicolas . lucie delorme (direcção geral) residência . lézarap'art agradecimentos: ballet national de marseille . ballet preljocaj . caroline dumont . fabienne rouet . guilaume fayard . halory . lou colombani . michel pellegrino . ophelie koch . pierre thys . pipo tafel . rené pautou . sevrine saby . tiago bartolomeu costa
mais informações : http://peeping-me.blogspot.com/ / 0033(0)6 21 41 79 92 / panguerreiro@gmail.com
Roger Bernat na ZDB
De 21 de Junho a 8 de Julho Roger Bernat e Ignasi Duarte encontram-se em residência na NEGÓCIO/zdb para criação do seu novo espectáculo RIMUSKI a apresentar em Lisboa nos dias 7 e 8 de Julho. O Catalão Roger Bernat define o seu novo projecto como um "Guia turístico da tua cidade elaborado pelos taxistas". Poderia ser : "Alguns taxistas chegam a um descampado, saem dos carros e explicam ao público o quão bonita é a sua cidade. Cada explicação está vinculada a uma história pessoal. Entretanto falam por rádio com taxistas que estão noutros locais da cidade, atendem as tele-operadoras e realizam percursos que lhes são destinados". Após Maio no Cairo e residência e workshop na ZDB, Rimuski estreia em Lisboa e segue depois para outras capitais: "Rabat, Viena, Cairo, Moscovo ou Lisboa são a mesma cidade: Rimuski."Rimuski workshop (gratuito)
Rimuski é um workshop de 26 de Junho a 8 de Julho, de Segunda a Sábado das 17h00 às 21h00;
O atelier tem como objectivo a criação de um espectáculo teatral desde a sua concepção até à estreia. Os participantes enfrentam o desafio de desenvolver um processo criativo e de produção em dez dias.O curso é dirigido para criadores de áreas distintas e gestores culturais Após introdução teórica e a pesquisa documental, cria-se um espectáculo com o colectivo de taxistas da cidade. A representação leva-se a cabo nos últimos dois dias do workshop.O atelier é dirigido a criadores (directores de cena, arquitectos,..), estudantes e licenciados em humanidades (antropología, historia,..) e gestores culturais, cujo interesse se prenda com a ocupação, modificação e habitação das cidades.
- Método de trabalho
- Organização de equipas.
- Conceptualização.
- Documentação.
- Ensaios.
- Produção, organização técnica e comunicação.
- Estreia.
- Classificação da documentação revista.
- Conclusões.
Participantes com experiência em áreas artísticas e do pensamento contemporâneoNúmero de Participantes: 12 (gratuito) Enviar currículo para marta@zedosbois.org (Selecção a cargo de Roger Bernat)
Galeria Zé dos Bois_ Rua da Barroca nº 59 1200 Lisboatel 21 343 02 05+ info: rimuski.org
Roger Bernat (Barcelona 1968)
Inicia a sua formação em arquitectura, a partir da qual se interessa por teatro. Estuda direcção e dramaturgia no Instituto de Teatro de Barcelona, onde se gradua com distinção recebendo o Prémio Extraordinário 1996. No ano de 1997 funda General Elèctrica com Tomàs Aragay, um centro de criação de Teatro e Dança que encerra em 2001.É autor e dirigiu entre outras, as peças: 10.000kg (Prémio Especial da Crítica 9697), Confort Domèstic (Prémio da Crítica do Texto Dramático 9798), Álbum i Triologia 70, que inclui os títulos Juventut, EUROPEA, Flors ( Jordi Vilches: Prémio da Crítica actor revelação 990) e Que algú em tapi la boca. Durante o ano de 2003 realiza Bones Intencions, Bona Gent, seis espectáculos em seis espaços autogeridos de Barcelona. La La La La, que actualmente está em tourné e Amnesia de Fuga, a sua mais recente peça antes de Ramuski.
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