sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Porque vou votar PS (enfim...)

Convêm dizer que não tenho partido nem sou simpatizante de nenhum. Não por uma questão de descrença, mas porque sou incapaz de assinar de cruz todas as opções dos partidos. A única coisa em que acho que vale tudo é no amor. E aí fecho os olhos e voto sempre. Seja ou não pela maioria absoluta.

Tenho um pai comunista militante ortodoxo. Dos que acham que a relação entre cristianismo e comunismo não é assim tão absurda. Eu até concordo com ele, de facto. Tenho uma mãe alheada politicamente e que vota no PS porque entre o ex-marido preso à foice e ao martelo e uns pais sociais democratas sem saberem bem porquê (mas sobretudo em oposição ao terror vermelho), lhe restou a rosa pálida. Mas, a bem da verdade, nem sequer vai votar.

Por ser agente cultural, sou tendencialmente de esquerda.

E voto em Almada. Tenho que tratar do recenseamento eleitoral mas só me lembro disso na altura das eleições e aí já é tarde. Voto desde os 18 anos e só falhei duas vezes. Nas eleições de 1999, porque estava no Porto a trabalhar e no referendo ao aborto, porque quando cheguei ás urnas eram já 17h30, tinha-me esquecido do cartão de eleitor e já não tive tempo de voltar a casa. Voto porque acho que só assim tenho o direito de ter uma opinião. Mas isto não quer dizer que ache que o voto deva ser obrigatório. Cada um sabe de si. Deviam era saber um bocadinho mais. Irrita-me tanto a expressão "povo" como o "olhe por nós que somos pobres"

E voto, ainda, porque me lembro sempre das primeiras eleições para o Parlamento Europeu terem decorrido durante o verão e estar na praia a acenar para um avião da RTP a gravar os banhistas. Todos acenavam para provarem que não se interessavam por política. E eu achei isso um disparate e senti-me envergonhado, mesmo que não pudesse votar na altura.

Votei sempre na CDU para as eleições autárquicas, mas só para a Câmara Municipal. Desconhecia os candidatos à Assembleia Municipal, Junta e Assembleia de Freguesia. E quando saí de Almada e vim viver para Lisboa, passei a votar em branco. Nas eleições presidenciais votei no Sampaio. Portanto, é fácil imaginar o murro no estômago que foi a crise do verão passado. E quanto às Europeias também votei sempre em branco, excepto na última. Ainda não percebi bem como contribuir para uma aproximação entre a Comunidade Europeia e os eleitores. E como não me parece que deva votar num qualquer, resta-me o branco.

Nas últimas legislativas votei no PSD.

E votei no PSD porque não quis votar em quem não tinha resistido a um desaire autárquico. Porque não quis acreditar numa leitura nacional dos resultados. Porque não acredito no unanimismo. Porque achava que um país de cor diferente do governo poderia significar um choque que permitisse a evolução.

E votei no PSD porque achei que, sendo agente cultural, estava cansado de pedinchar por verbas. Acreditei (como acredito) que só com as finanças públicas organizadas e uma sociedade com as necessidades básicas garantidas (habitação, saúde, educação) é que a cultura iria deixar de ser olhada como um "ladrão" de verbas. Votei para que algo mudasse. Eu acreditava nisso. Votei portanto em Manuela Ferreira Leite e numa política económica que desse a Portugal melhores condições de vida. E também porque me recordava de uma entrevista de Durão Barroso em que dizia que o PSD era um partido de esquerda moderada.

Mas um voto é só uma cruz num boletim. Não é um discurso, um fundamento, uma manifestação, uma posição. Um voto é uma cruz no boletim. Apercebi-me disso na noite em que anunciaram a coligação. E senti-me traído. Eu não tinha votado em Paulo Portas. Eu não gosto de Paulo Portas. Eu não acredito no CDS-PP.

O fim do governo socialista levou ao cancelamento de projectos que aguardavam financiamento; ao corte de verbas que estavam acertadas; ao endividamento pessoal em nome desses projectos. Ou seja, não me trouxe grandes vantagens. E trouxe-me tristeza por terem feito com o meu voto um acordo que não queria.

Por isso, quando houve Europeias, votei contra o PSD. Votei para me vingar. E Durão Barroso foi-se embora. Acreditei que se a escolha tivesse sido Manuela Ferreira Leite a coligação acabava e o meu voto seria respeitado. Mas veio Santana. E eu senti-me traído por Barroso e por Sampaio. E traído pelo meu próprio voto. Fiquei com náuseas, furioso, irritado. E arrependi-me de não ter tratado do recenseamento eleitoral mais cedo para não deixar que Santana ganhasse Lisboa.

E agora vou votar PS. Não porque ache que Sócrates será um bom primeiro-ministro. Não acho sinceramente. É um peixe escorregadio, ambíguo e suspeito. Não acredito numa só palavra do que diz, tal como acho que o discurso dele é imposto. Não sei se ele acredita no que diz. Por isso, decidi não tratar do recenseamento eleitoral a tempo. Votar em Almada permite-me votar em António Vitorino. O único que vi fazer algo decente quando se demitiu. Mesmo que me irrite a pose de D. Sebastião.

Vou votar PS, mesmo que ache que é um saco de gatos tão grande como o PSD. Vou votar PS mesmo que ache que vão voltar os mesmos que desistiram do país em 2001. Mas vou votar PS porque quero que Santana desapareça de vez; e quero que o PSD sofra com isso; e quero que uma maioria absoluta não lhes dê desculpas para não fazerem o que têm de ser feito; e porque quero mudança num país que não se respeita.

Não vou votar CDU porque um partido que não considera a renovação e expulsa os críticos, não é um partido democrático, mas uma asfixia. Tenho pena de não votar CDU. Tenho mesmo pena porque apresentam trabalho, porque acreditam no que fazem e porque dão ao partido o que ganham na Assembleia.

Não vou votar no Bloco de Esquerda porque não acredito. Parece-me sempre que se estão a candidatar à Associação de Estudantes de uma escola secundária. Não acredito na pose neo-anarca que mantêm e porque desperdiçam o espaço que têm para ser negligentes com questões sérias: prostituição, toxicodependência, homossexualidade. Tratam-nas de forma abrupta e quase arrogante. O que, por vezes, os aproxima do fundamentalismo do CDS-PP. É por isso que a frase de Louçã não me surpreendeu. Eu sabia que debaixo daquela figura se escondia um burguês do pior.

E não vou votar Bloco de Esquerda porque a aproximação que estão a fazer ao PS não só é escandalosa, como me parece perverter os seus princípios. Seriam (são) mais úteis na oposição que no governo. E espero que assim consigam mudar o estado das coisas. Mas não sou capaz de votar neles. Mesmo que esteja com eles na necessidade de discutir políticas de ruptura. Acho é que questões como o aborto, eutanásia, casamentos entre homossexuais e liberalização de drogas não vão lá por referendo. Vão por imposição. O país não sustenta a evolução natural. É muito lenta.

Vou votar PS porque estou cansado de instabilidades políticas. Porque quero um país que cresça. Porque preciso de me sentir capaz de trabalhar sem andar constantemente a perceber quem vai ser o decisor das questões que me interessam. E vou votar PS mesmo sem ter percebido o que é o choque tecnológico, sem saber como vai o PS tratar das questões que importam sem ceder aos interesses maiores e aos populismos, sem saber que futuro me reserva. E também sem acreditar que para a cultura irão fazer melhor.

Mas vou votar no PS porque já não aguento mais. Vou, pela primeira vez, votar de forma inconsciente, por necessidade e de olhos fechados. Vou votar no PS porque, enfim, quero acreditar que um dia uma nova geração de políticos vai surgir. Mas que isso só surge com um Portugal confiante. E não quero que me acusem de não ter ajudado. Como só temos duas hipóteses de formação de governo, resta-me votar em quem tem essa oportunidade.

O meu voto é, por isso, também e ainda um voto de protesto. Incluíndo contra o PS que fugiu.

Eu acredito nas instuições, nos que têm o poder, nos que podem ajudar. Eu quero ajudar, preciso que me digam como. Se o meu voto no PS ajudar, contem com ele. Mas, por favor, não me traiam. Outra vez. Estarei atento. Ao mínimo deslize revolto-me. E não responderei por mim.

Este texto pode parecer incoerente, incompleto e inseguro. Mas é o resultado de desilusões políticas.

Estreia (hoje)

Sobre a mesa a faca
Co-criação Cão Solteiro + Teatro Praga


Fotografia: Susana Paiva

Sobre a mesa a faca é um espectáculo co-produzido pelas companhias Cão Solteiro e Teatro Praga, que sentiram a necessidade de levantar a seguinte questão: Qual é a possibilidade de concretização de um objecto artístico comum, sem que nenhuma das companhias perca a sua identidade?

Sobre a mesa a faca apresenta um esforço de colaboração e um confronto de identidades e, dando seguimento aos últimos trabalhos das duas companhias, é um trabalho que se quer como um ensaio visual/vital, de leitura aberta.

Num ringue, e em tumulto constante, desfilam as mais diversas interrogações: O que é público e o que é privado? O que é meu e o que é teu? Lutaremos? Quem sobreviverá? Quem terá mais poder? Alguém aniquilará alguém? Um universo transparente ou reflector? O que é verdade e o que é mentira? Quem és tu e quem sou eu? Isto é real ou inventado? Estão a olhar para mim ou estão a olhar para ti? Sou eu um micróbio sobre a faca? E a mesa, o mundo? E eu, e eu (entra a música)....

Deve:
Não há mesa. Não há faca. Não há tendência para definir o espectáculo segundo uma regra simples ou segundo uma única cena ou actividade. Não é sobre nada. É sobre tudo. Não há só um sítio onde se pode falar. Não se fala só para o público. Não se fala. Fala-se.

Haver:
As personagens são finalmente bem-vindas. Há o lixo do mundo. Há mãos que se erguem em prol de atenção. Há segundas peles de protecção. Há uma cidade. Há a cidade e os seus textos. Há os artistas e os seus textos. Há conversas/entrevistas. Há o reconhecimento individual a partir duma estrutura de "refém do outro". E a cidade ergue-se. E a cidade desmorona-se. Há o hino da América. Há dinheiro, muito dinheiro. Há morte sem sangue. Há feridas com sangue. Há cão com peste, há pragas que ladram. Há vozes do além. Há o aqui e o agora. E nada mais.


Temporada: 15 de Fevereiro a 5 de Março_20h30 - armazém Hospital Miguel Bombarda | bilhetes: 5€ s/descontos para profissionais, jovens ou idosos.

Sobre a mesa a faca co.criação: cão solteiro + teatro praga | interpretação: André e. Teodósio, Carlos Alves, Marcello Urgeghe, Paula Sá Nogueira, Pedro Penim e Sofia Ferrão | apoio à dramaturgia: Manuela Correia | figurinos: Mariana Sá Nogueira | cenografia: Nuno Carinhas | execução de figurinos: Teresa Louro, Palmira Abranches e Natália Ferreira | produção e promoção: Pedro Pires | desenho: Mariana Sá Nogueira | design gráfico: Triplinfinito


Informações: 21 887 21 52 | 96 526 47 05 | praga_teatro@hotmail.com




Zapping teatral ou a teatralização dos media?, um comentário do Dr. Daniel do Carmo Francisco ao espectáculo

Espectáculos do teatro Praga analisados neste blog:

Título (1ª parte, 2ª parte)
Private Lives

Sobre o contexto cultural em que as duas estruturas se inserem

Reportagem de Joana Gorjão Henriques no suplemento Y do jornal Público


Pequenos prazeres

Iogurte de côco do Minipreço/Dia

9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


A PURGA DO BEBÉ
de Georges Feydeau
m/12




18 de Fevereiro às 21:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Tradução José Martins Encenação Vítor Gonçalves Interpretação André Gomes, Cátia Ribeiro, Francisco Costa, Luís Ramos, Maria Frade, Miguel Martins, Teresa Gafeira Figurinos Maria João Silveira Ramos Fotografia José Frade Grafismo Sónia Benite Luz José Carlos Nascimento Cenografia Maria João Silveira Ramos Produção Executiva Paulo Mendes

O escritório de Follavoine, fabricante de porcelanas. Follavoine repreende a sua mulher por esta se encontrar ainda com a "roupa de trazer por casa" enquanto ele se prepara para receber um certo Chouilloux, de quem espera uma grande encomenda de "vasos de noite" destinados ao exército francês. Convidou igualmente a Madame Chouilloux e o seu amante, Horace Truchet.

Assim que Chouilloux chega, Follavoine impinge-lhe os méritos do seu recipiente inquebrável. Mas as duas experiências com as quais espera confirmar o que diz revelam-se desastrosas. Nesta altura chega Julie Follavoine que, desmazelada e sem se preocupar com a presença do visitante, fala ao marido da purga de Totó, o seu filho. O jovem Follavoine recusa-se terminantemente a tomar o purgante...

Companhia de Teatro de Almada

O grupo de Campolide iniciou a sua actividade, sob a direcção de Joaquim Benite, em 1971, em Lisboa, apresentando nesse ano a peça "O Avançado Centro Morreu ao Amanhecer", de Agustin Cuzzani, que marcou a estreia do seu director como encenador. A partir de Janeiro de 1978, o Grupo instalou-se em Almada, no teatro da Academia Almadense, cumprindo deste modo a sua integração no movimento da Descentralização Teatral, que então dava os primeiros passos. Passa a designar-se Companhia de Teatro de Almada. Em 1988, após dez anos de actividade teatral intensa em Almada e no seu concelho, a Companhia, convidada pela Câmara local, torna-se residente do Teatro Municipal de Almada, onde continua a actuar.

A Festa de Teatro de Almada é uma criação de Joaquim Benite. Do seu êxito crescente são testemunhos a crítica teatral e a afluência cada vez maior de público. Começando modestamente à 20 anos é hoje um acontecimento internacional ao nível do teatro. Em 2004 foi atribuído ao Festival de Almada a Medalha de Mérito Cultural pelo Ministro da Cultura.

A Companhia tem-se deslocado ao estrangeiro: Espanha, França, Polónia e Angola, em digressões e participando em diversos Festivais de Teatro.

Como projecto de futuro, encontra-se em construção o novo Teatro Municipal. A construção do novo teatro conta com a colaboração da Câmara Municipal e com o Ministério da Cultura.

Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Lisboa e da companhia. Currículo da companhia resumido, por questões de espaço.


quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Os artistas, a cultura, a política e a sociedade

Deveria fazer qualquer coisa mais estruturada, mas falta-me o tempo. Por isso aqui fica um conjunto de reportagens sobre o tema.

Em Inglaterra os políticos iquestionam a forma como se relacionam com os artistas e a arte.

Politicians 'embarrassed' about the arts

Politicians are embarrassed, skittish and nervous about the arts for fear of looking like eggheads or toffs. That is despite artists' huge achievements - "winning the Olympics" time and again, according to the chair of the Arts Council.
Sir Christopher Frayling last night warned against excessive political interference in the arts and "the gradual amputation" of the arm's-length policy that protects artists from direct political tampering.

Arguing that politicians are out of step with huge popular support for the arts in Britain, he said: "Since 2001 the percentage of adults who believe that arts and cultural projects should receive public funding has increased from an impressive 74% to an even more impressive 79%."

Speaking at the Royal Society of Arts, he said: "That's almost the same degree of support for a public health service and education. And we know how high they are on the political agenda."


Em Portugal, os actores reunem-se para discutir os problemas do sector.

Trabalham intermitentemente, geralmente sem contratos, abusando dos recibos verdes, o que impede o acesso a determinados benefícios do regime da Segurança Social, como o direito ao subsídio de desemprego. Esta é a realidade dos actores nacionais, num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e sem regras de funcionamento capazes de estabelecer limites, nomeadamente tabelas salariais mínimas que sirvam de guia aos profissionais do sector. in A Capital

Entretanto, a reunião que a RAMPA teve com a Ministra da Cultura ficou na mesma. Os concursos de apoio a projectos pontuais fica por abrir.

E em Berlim pensa-se o caminho que a cultura fez após a reunificação.

"I think culture is the only real force for renewal that Berlin has for the next 50 to 100 years," said Barbara Kisseler, the city's under secretary for culture. "At the moment, we have more problems than we need. But these are only financial problems, not problems that cannot be resolved." in New York Times








9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


O GRITO

estreia absoluta
PAQUITA, OU ESTIMULANTE, AMARGO E NECESSÁRIO
de Ernesto Caballero
m/12



17 de Fevereiro às 21:30
CENTRO CULTURAL JUVENIL DE SANTO AMARO
Av. Prof. Rui Luís Gomes, 2 - Laranjeiro - Tel.:21-2724735

20 de Fevereiro às 21:30
Casa Municipal da Juventude de Cacilhas

Tradução José Vaz Encenação José Vaz Interpretação Eunice Martins Figurinos José Vaz, São - Oficina dos Farrapos Fotografia Nuno Nascimento Grafismo Nuno Nascimento Luz Jorge Xavier Som Nuno Nascimento Cenografia Nuno Nascimento Produção Executiva Cláudia Inglês Caracterização Graça Neves

Paquita é uma mulher só e está apaixonada. Uma mulher vulgar que abusa do café e tem mantido uma vida simples, cinzenta e solitária. Até agora. Enquanto beberrica uma fumegante chávena de café, ela pede ajuda para sair da sua angústia. O seu discurso tem algo de ingénuo e delirante, entre o cómico e o terno. Divertida e inquietante, ela fala-nos dos seus amantes e faz-nos descobrir a pouco e pouco os perigos dessa doença que é o amor.

O público não é apenas espectador mas cúmplice. Inopinadamente, os espectadores vêem-se transportados e sucessivamente imersos em três espaços diversos que remetem para o carácter caleidoscópico da identidade de Paquita.

Esta peça, constituída por três monólogos interligados, foi definida pelo autor como uma "comédia amarga trágico-grotesca, mas tratada com delicadeza" e assenta em aspectos tanto dramáticos como cómicos, sem inteiramente tomar partido numa ou noutra direcção. É uma conversa em discurso directo, estimulante, amargo e necessário, como o café… como o amor.

O Grito

"O Grito" é, no teatro vicentino, a forma específica de prevenir o público de que o espectáculo vai começar, uma versão lusa das "pancadas de Molière". Mas a denominação que escolhemos é também sinal de empenho num teatro que questiona e incomoda. Um teatro que não é "de intervenção" - fórmula sempre redutora - mas que se quer interventor. Para que, num mundo cada vez mais acrítico e conformista, o teatro possa ser ainda "o Grito".


Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e Companhia de teatro, excepto hiperligações. Fotografia retirada do programa da 9ª Mostra de teatro de Almada.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Vende-se Material de Fotografia

O meu amigo Julian está em Buenos aires e pediu-me para o ajudar a divulgar o anúncio de venda do seu material de fotografia. Se eu não soubesse que é de confiança, não o poria aqui. Por isso, os interessados devem procurar mais informações nos contactos abaixo. É de confiar, acreditem.

VENDO LABORATÓRIO COMPLETO


INCLUI:
MEOPTA OPEMUS 7 MEOGRADE*

NIKON 50mm f2.8

ANARET 80mm f4.5

MARGINADORES 30X40 E 18X24

TEMPORIZADOR VIPONEL

E AINDA PROVETAS, TINAS, TANQUE DE REVELAÇÃO etc.

600 €

VENDO POR FALTA DE USO, ESTÁ TUDO IMPECÁVEL.

* DETAILED SPECIFICATIONS... Maximum negative format: 6x7cm. Negative carrier specifications: Metal with split line focusing. Negative carrier inserts available: 35mm 6x6cm 6x7cm & Mounted slide. Negative carrier: 1 Plain glass 1 anti Newton. Lens Mount: Removable 39mm Other sizes available. Distortion control (Sheimpflug): Lens Board double axis fully graduated and head swing. Elevation control: Double gear control. Focus control: Double rail friction drive. Fine focus control: 6:1 Gear reduction. Baseboard dimensions: 42x59cm. Maximum head clearance: 99cm. Maximum enlargement 35neg/50lens: 30x40cm (16x12inch).

CONTACTO: ANTONIO MELÃO / metalcamera@hotmail.com / 93.6902132



A verdade das coisas

Quatro empresas de duplos de cinema querem forçar a Academia que atribui os Oscars a criar uma nova categoria: Best stunt coordinator.

Ou seja, um prémio que reconheça o esforço e dedicação dos profissionais que, literalmente, arriscam a vida em nome do cinema. Numa altura em que o computador começa a substituir as proezas, é bom lembrar que há algumas verdades atrás do que se vê. E que nem sempre os actores são mágicos. Dizem: is both an art and a science. A ler, hoje, no New Yor Times.

A propósito de Oscars, o Duarte lançou um concurso, com direito a prémio verdadeiro, no seu Chá Príncipe. A ver e participar.
Correspondência

À carta Ao insulto de Santana Lopes, responde-se assim: Caro Primeiro-palhaço, nesta casa sempre se votou. Em consciência e contra demagogias. Em nome de Portugal, obviamente.




As respostas, entre outros exemplos, do Monty (Afixe), do João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos), do Celso Martins (Barnabé), do Zun (Renas e Veados), e do Waldorf (Blogue dos Marretas).
Poética do quotidiano (LXX)

- Se queres ser feliz como me dizes, não analises, rapaz, não analises!
J.M. Bartrina

in Sapo

Estreia (hoje)

Execução Pública
Espectáculo sobre a pena capital



Liceu Passos Manuel
De 16 a 25 de Fevereiro às 21h30 (excepto fim de semana)

Barba Azul - criação teatral apresenta
Uma Criação de Pedro Gil
Com Horácio Manuel, Pedro Gil e Romeu Costa





O espectador dispõe-se a assistir à execução do condenado à morte. Ao longo do corredor, o advogado acompanha o seu cliente, auxiliando-o nos vários rituais que antecedem a sua execução.

Advogado e condenado tinham doze anos quando as circunstâncias os separaram. Eram os melhores amigos no tempo da escola. A vida levou-os a seguir caminhos diferentes. Dez anos depois tornam a encontrar-se. As coisas já não são o que eram. De um lado, o condenado à morte acusado de homicídio, do outro, o advogado oficioso incapaz de evitar a sua sentença.

De lados opostos da linha, os dois confrontam-se.

O que os separou? O que os fez seguir caminhos tão diferentes? O que os separa agora?

Ficha artística: Pedro Gil (Direcção artística), Ana Pereira (Produção), Diogo Mesquita (Assistência de direcção), Horácio Manuel, Pedro Gil e Romeu Costa (Interpretação), Clara Bento (Adereços e Figurinos), Pedro Silva (Espaço cénico), Sérgio Milhano (Música e Som), Luís Fernandes (Luz), Rui Simões (Vídeo), André Lima (Design Gráfico), Catarina Rivotti (Acções Pedagógicas), José F. Azevedo (Fotografia), Ana Brandão (Voz Canção), António B. Candeias (Voz Off), Fernando Gil (Carpintaria)

informações da responsabilidade da companhia Barba Azul


Ver notícia no Diário de Notícias, hoje.
Movimentos simples

Análise ao espectáculo Publique, de Mathilde Monnier
12 Fevereiro 2005, 21h30
Culturgest, Lisboa



A proposta de Mathilde Monnier, Publique, levanta interessantes questões sobre a relação entre a música e a dança. Ou, se quisermos, sobre a forma como o corpo pode viver a música. E, em última instância, como se pode ouvir o som de um movimento.

Construído a partir da obra musical de P.J. Harvey, esta coreografia vive, no entanto, de uma relação unilateral com o trabalho da autora inglesa. Quase que se poderia dizer que é uma proposta pós-P.J. Harvey, já que trabalha sensações terceiras que partem da música para o corpo da coreógrafa que, por sua vez, se multiplica nas intérpretes*. Mathilde Monnier procura ainda estabelecer uma outra ligação, uma que comece no palco e vá ao encontro do espectador.

E é este inquietante mapa que se desenha em Publique. Uma coreografia do quotidiano que baralha música e dança através de uma fisicalidade e um rigor, que parecem levar o corpo a algo que responda de forma primária, honesta, emotiva e hiper-sensível ao prazer/energia que a música dá/transmite.

A própria música é coreografada e manipulada no palco. Acompanha as bailarinas, escondendo-se quando elas o fazem atrás da rampa que atravessa o espaço delimitado por um linóleo branco, por exemplo. Ou reagindo à violência dos seus corpos em explosão. A variação do volume em que enchem o palco e o alinhamento que tanto sobrepõe como repete, enreda a obra de P.J. Harvey nas opções de Monnier.

Por isso, ao apresentar uma coreografia para as músicas, estará a autora a impôr uma imagem ao universo, ao esqueleto, à estrutura da própria música? Pode esta ganhar (com) a proposta física? Ou, pelo contrário, é a coreografia que fica obrigada a ultrapassá-la e provar a sua individualidade? Afinal, não veio primeiro a música e depois o movimento? A leitura do trabalho de P.J. Harvey parece servir uma apropriação para provocar a libertação. Ou seja, regressar ao movimento sem música. Ao som do movimento.

Publique trata de uma coreografia a partir de movimentos tão quotidianos quanto aqueles que se fazem numa discoteca ao ouvir as músicas de P.J. Harvey. É, por isso uma proposta que se obriga à reflexão sobre o que de melhor pode existir quando nos deixamos invadir por uma música (já que é de música que daqui se parte): deslocar o corpo para algo mais confortável. Algo que faça do espectador e do bailarino dois iguais, cuja diferença resida apenas na liberdade interpretativa. No primeiro caso ausente de regras, no segundo quebrando as regras para ser orgânico.

Mas é o espectador um bailarino? É essa uma leitura possível para a relação próxima que Mathilde Monnier procura estabelecer? Aparentemente não. E não porque o espectador, na discoteca ou no seu quotidiano não compõe uma dramaturgia com o corpo. Ou seja, o que faz é irracional. E essa é a barreira que se tenta derrubar em Publique. Devolver às bailarinas a irracionalidade e colocar o espectador preso, literalmente amarrado, à cadeira. Inverter as liberdades, portanto.



A cena aberta e despojada do Grande Auditório da Culturgest oferece ao espectador a oportunidade de preencher o aparente vazio com as emoções que as músicas de P.J. Harvey lhe transmitem. Convida, assim, o espectador a reflectir sobre a sua condição de observador. Sobretudo porque os movimentos que as bailarinas desenham no espaço são, numa primeira leitura, perfeitamente reconhecíveis.

E esses movimentos reconhecíveis depressam se transformam numa dança privada, íntima e mais próxima de um estado etéreo que só a música provoca. Esse rigor corporal caminha para um desenho de emoções que nos é apresentado através de mudanças de roupa, cabeleiras e movimentos dificilmente enquadrados em classicismos. Mas que os reconhecem.

E a coreógrafa procura demonstrá-lo de duas formas. Quando as bailarinas saem do espaço cénico e observam a cena, não para a abandonarem mas para procurarem outros espaços para a corporalização. Reconhecem que tudo o que está no palco é pensado (ou quer pensar sobre). Parecem viver dentro da densa massa que a música ocupa e o movimento apreende. E, ainda, quando a música deixa de se ouvir e as intérpretes fazem das palavras de P.J. Harvey extensões dos gestos anteriores. Testam a sua musicalidade. Dançam as palavras. Dizem-nas sem as cantar. Tentam fazê-lo, pelo menos. E compõem uma só canção, um só discurso, um só corpo, um só movimento, uma só "coisa": música e dança.

Portanto, em Publique um mais um não são dois. Um mais um será sempre um mais um.

*Nove na estreia e sete nas apresentações em Portugal: Lisboa (Culturgest, 12 e 13 de Fevereiro), Viseu (Teatro Viriato, 17 Fevereiro) e Porto (Rivoli Teatro Municipal)

Coreografia Mathilde Monnier Música PJ Harvey Artistas associados à criação: Ayelen Parolin, Germana Civera, Corinne Garcia, Natacha Kouznetsova, I Fang Lin Lemoisson, Ana Sofia Neves Gonçalves, Filiz Sizanli, Mathilde Monnier Trabalho de preparação Germana Civera Cenografia Annie Tolleter Luzes Eric Wurtz Figurinos Dominique Favrègue assistida por Laurence Alquier Realização Sonora Olivier Renouf Aconselhamento Claude Espinassier Co-produção Centre Chorégraphique National de Montpellier Languedoc-Roussillon, Festival Montpellier danse 2004. Théâtre de la Ville et Festival d’Automne – Paris; DeSingel – Anvers – Bélgica

Publique será apresentado no Porto (Rivoli Teatro Municipal) a 17 Fevereiro e Viseu (Teatro Viriato) a 19 Fevereiro

Outras informações sobre o espectáculo, no site da companhia

Fotografias da autoria de M. Coudrais retiradas do site da companhia

As opiniões de Daniel Tércio e Eduardo Prado Coelho, no jornal Público


terça-feira, fevereiro 15, 2005

O funeral de Lúcia

Centenas de pessoas acorreram a Coimbra para o funeral da irmã Lúcia. Um país crente ou país-ícone? E a transmissão em directo nos três canais de televisão querem dizer o quê? Legitimação do milagre ou dar a notícia porque é notícia?

Curiosamente, o homem de sentimentos aka Santana Lopes, não vai ao funeral.
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


INESTÉTICA COMPANHIA TEATRAL

espectáculo convidado
THE SCUM SHOW
de Alexandre Lyra Leite / The Gift
m/12
[Prémio de Reposição do Concurso "O Teatro na Década 04" - Clube Português de Artes e Ideias]



15 de Fevereiro às 21:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Libreto & Encenação Alexandre Lyra Leite Música Original The Gift Interpretação Afonso de Melo, Alexandra Reis, Catarina Mota, Isabel Gaivão, Peter Michael Movimento Catarina Trota Figurinos Chissangue Afonso Vídeo Monkey! Figuração Especial Cristina Esteves Correia, José Ricardo Ribeiro, Luís António Direcção Técnica Nuno Dionísio, Rui Soares Costa Espaço Cénico Alexandre Lyra Leite Consultora Artística Rita Rodrigues Pereira Fotografia Rodolfo Morte Projecto Gráfico Monkey! Produção Executiva Dora Nobre Produção Inestética Companhia Teatral

"O sinistro Homem de Veludo conta-nos a história de um casal que se vê confrontado com o nascimento de uma filha de aspecto invulgar. Vítima da demência dos pais a criatura acaba por ser assassinada, o que conduz à revolta da Parteira de Ferro e do Coro das Crianças Mutantes. Quando a Mulher Verde e o Homem Cinzento decidem ter outro filho abate-se sobre eles uma estranha maldição..."

The Scum Show é um projecto multidisciplinar inspirado no texto "A Morte Melancólica do Rapaz Ostra" de Tim Burton, com libreto e encenação de Alexandre Lyra Leite e música original do grupo The Gift.

Um espectáculo no domínio do fantástico, pleno de sarcasmo e humor negro, que aposta na plasticidade do movimento, da imagem e do som, através do cruzamento de diferentes linguagens - teatro, dança, música e vídeo - de onde se destaca a participação especial dos Gift, que pela primeira vez conceberam uma banda sonora integral para teatro.

segundo o encenador:

"Sempre tive um enorme fascínio pelo universo fantástico. Interessa-me sobretudo explorar a parte misteriosa e insondável do iceberg, onde nada é verdade e tudo é permitido. Que estranhas personagens habitam o nosso imaginário colectivo? E qual a relação entre elas e o real? (...) Um casal tem uma filha que não corresponde às suas expectativas. Este é o conflito, este é o dilema que os dilacera. Como aceitar a diversidade numa sociedade marcada pela crescente imposição de modelos comportamentais e culturais? Por outro lado levanta-se a questão ética da clonagem e do estudo da genética. Será que o futuro está reservado para seres padrão, reflexo da sociedade que os cria à sua imagem?"

Inestética Companhia Teatral

A Inestética companhia teatral, fundada em 1991 na cidade de Vila Franca de Xira, tem vindo a apresentar projectos teatrais que privilegiam uma abordagem contemporânea e uma experimentação estética e temática, com especial incidência em textos originais e adaptações de textos não convencionais para teatro.

Explorar diferentes linguagens artísticas, com a preocupação constante de inovar, expandir audiências e proporcionar novas experiências culturais, são alguns dos objectivos da Inestética, que já produziu cerca de vinte e cinco espectáculos e participou em vários festivais nacionais e internacionais de teatro.

Paralelamente, a companhia tem promovido a realização de workshops de formação teatral, bem como actividades nas áreas da fotografia, literatura, música e dança - de onde se destacam vários projectos realizados em parceria com outras entidades e artistas europeus.

A Inestética companhia teatral obteve em 2002 o Prémio de Execução do Concurso "O Teatro na Década" e foi distinguida em 2001 com a Placa de Mérito Cultural da Cidade de Vila F. Xira.



Informações da responsabilidade da Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e da companhia, excepto hiperligações


Pensar o Actor

Preocupados com vários aspectos da situação da profissão de ACTOR em Portugal, e desejando contribuir para o lavantamento/consciência dos problemas, bem como para a descoberta de soluções viáveis dos mesmos, a ACT, a GDA, e o STE decidiram empreender a organização de 3 encontros/debates visando esses objectivos.


Profissão - actor
O Futuro ?
1º encontro
O estado do sector


- Levantamento dos factores principais de desorganização do sector.

Data: terça feira , 15 de Fevereiro 2005
Local: Teatro Municipal São Luís - Jardim de Inverno
Horário: 18 h



Este será o 1º de 3 encontros a realizar.

O objectivo final destes 3 encontros será a elaboração de um documento conclusivo, que aponte soluções para os vários problemas do sector, a ser propostos às emergentes entidades governamentais.

Os encontros contarão com a participação da ACT, GDA e STE, bem como de,representantes dos partidos com assento na Assembleia da República e António Pedro Vasconcelos - presidente do grupo de trabalho para o livro verde da Comissão Europeia sobre o Audiovisual .

in ACT - Escola de Actores


Que problemas afectam a situação dos actores em Portugal? Que soluções viáveis para eles? Essas são questões de fundo a abordar em três encontros sobre o estado do sector - "Profissão actor/ O Futuro?" -, a realizar pela Escola de Actores ACT, a cooperativa Gestão dos Direitos de Autor (GDA) e o Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo (STE). O primeiro dos três encontros previstos realiza-se já hoje em Lisboa, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz, às 18.00.

Elaborar «um documento conclusivo, que aponte soluções para os vários problemas do sector», a propor às entidades governamentais competentes, é, segundo os organizadores, o objectivo final dos três encontros, onde será feito o «levantamento dos factores principais de desorganização do sector». Neles está prevista a participação não só de membros das entidades organizadoras, mas também de representantes de partidos parlamentares (o ex-ministro Augusto Santos Silva pelo PS, António Filipe pelo PCP, Diana Andringa pelo BE e Diogo Belford Henriques pelo CDS-PP) e do realizador António-Pedro Vasconcelos.

in Diário de Notícias

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O sexo comme il faut

O filme de Bill Condon, Kinsey, é um belo fresco que deveria servir para nos fazer pensar sobre o que achamos que temos como sexualidade. Mais do que um retrato sobre o homem, é uma amostra das dificuldades em se lidar com o próprio corpo, desejos, fantasias, fantasmas e segredos.

Utilizo o termo amostra porque o que Kinsey fez permitiu ler melhor o Homem, mas não o definiu. Antes o alertou para a descoberta de algo tão pessoal que não deve ser reprimido.

O filme é muito interessante, honesto e mais sério do que possa ser lido à primeira. Porque às vezes o sexo não é só um mistério. É um problema se não for totalmente integrado na vida quotidiana.

E para se perceber que o tema, e a abordagem são polémicas, basta ver que o filme foi totalmente ignorado pela Academia que atribui os Oscars. Só Laura Linney está na corrida. Mas o trabalho de Liam Nesson, de Peter Sarsgaard e de argumento e realização são impressionates. Porque secos, porque não cedem, porque obrigam a pensar.

A ver, obrigatoriamente.



Mais sobre o trabalho de Alfred Kinsey e um exemplo dos seus estudos: a escala Heterossexual-Homossexual
Long live those who love


Maria Callas em Medea


9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


ASSOCIAÇÃO CULTURAL MANUEL DA FONSECA

estreia absoluta
A PRAÇA DA CRIANÇA
do Colectivo do Grupo de Teatro da Associação Cultural Manuel da Fonseca
m/6



14 de Fevereiro às 21:30
no PAVILHÃO POLIVALENTE DA PLURICOOP
Pátio da Cooperativa Pragalense
Largo 25 de Abril, Pragal
Tel.: 212 725 074

Encenação Colectivo do Grupo de Teatro Interpretação Artur Andrade, Bruna Medeiros, Catarina Figueiredo, Daniela Andrade, Inês Barroso, Joana Coelho, Joana Costa, Luísa Dolores, Martinha Costa, Nuno Medeiros Participação Especial Francisco Gonçalves, Luísa Basto Figurinos Colectivo do Grupo de Teatro Luz Colectivo do Grupo de Teatro Som Colectivo do Grupo de Teatro Cenografia José Alberto Música João Fernando

A partir da vida de Maria Rosa Colaço, esta peça foca as condições de vida de muitas crianças retratadas na obra desta escritora.

Associação Cultural Manuel da Fonseca
Com onze anos de vida, tudo começou com o "Diário de Anne Frank" no Teatro da Academia Almadense.

A última vítima do fascismo

Andei hoje com esta ideia: a irmã Lúcia é a última vítima do fascismo a libertar-se da longa noite cinzenta. Atirada para uma cela em nome da fé, viu construir-se um mito e um país por algo que viu quando criança. Não está em causa o que viu, se viu ou não viu. Está causa o facto de se ter desenvolvido uma campanha de medo, receio e temor que moldou os portugueses como figuras pequenas, pobres de espírito e desistentes.

Se há algo que se possa dizer em relação à morte desta mulher é a liberdade que, finalmente atinge. e que nada tem a ver com a fé, ou a passagem para outro mundo. Prende-se antes com o fim de um corpo que foi usado em nome de políticas de enclausuramento e fé desmedida. E prende-se, ainda, com o medo de algo que, afinal, faz parte da evolução do mundo.

Fátima fez de Portugal um país que não existe. Um país que vive de epifenómenos. Com Amália a morrer nas últimas legislativas e Lúcia agora, a lógica será que Eusébio morra noutro período de campanha. Que Portugal resistiria depois disso?

E que Portugal se quer formar agora, com o cancelamento das acções de campanha? Volto a dizer: é sinal de falta de ideias, ausência de responsabilidades e distanciamento com os problemas.

Em vez de luto nacional, porque não se declara o estado de calamidade pública para um Alentejo seco, por exemplo? Como se pode afirmar que por uma questão de fé se declara luto nacional e, ao mesmo tempo, se deixa que as pessoas se percam em procissões e rezas para pedir chuva?

Portugal empobrecido. Portugal inexistente. Portugal que não tem a ver com a fé. Portugal cego. Portugal de ontem. Portugal perdido.

A irmã Lúcia não quereria isto, certamente.

domingo, fevereiro 13, 2005

Publicidade com coração

A AFANOC - Associació de Nens amb Cancer (associação das crianças com cancro, em catalão), de Barcelona, lançou uma campanha na televisão deveras comovedora. A ver aqui. Para reagir, em Portugal, aqui.



Irmã Lúcia

Morreu hoje a mulher presa a um milagre que define um país: o nosso. E para quem ache que é coisa inócua, o PSD e o PP cancelaram as iniciativas da campanha previstas para hoje. O PSD estendeu até a suspensão até amanhã. Em nome de quê, afinal?

A morte da vidente de Fátima levanta sérias questões sobre o papel que a religião tem/teve na formação do carácter de um país. O epifenómeno fez de Portugal centro religioso, mas marcou anos de uma cultura pequena, miserável, desrespeitadora dos verdadeiros valores. Com o futebol e o fado, Fátima definiu Portugal como um país folclórico e que, sobretudo, não se sabe ultrapassar.

Que os dois partidos ainda no governo decidam suspender a campanha em homenagem a uma mulher que sofreu mais do que ganhou (mesmo que se possa dizer que abraçou a escolha como um dever que quem não é crente não compreende), diz mais sobre a ausência de uma clara separação entre o Estado e a religião do que centenas de discursos noutro sentido.

A fé privada volta assim a entrar na campanha. Depois das declarações do Padre Loreno, há uns fins de semana atrás, e do aberrante discurso centrista em defesa da vida, fazer de Fátima razão de paragem impede, quem quer um país melhor, de ajuizar o que vale mais. O país ou o fait-divers.

Como é que se escusam a discutir, quando falta uma semana para as eleições? Para mim, é pura fuga política. Um minuto de homenagem, se quisessem. Mas o cancelamento das actividade de campanha não se justifica. Em nome de portugal, obviamente.



Os ocultos errados
como os ocultos certos.
Amados
e abertos.

imagem de Julião Sarmento. Poema de Pedro Tamen.
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


CÉNICO DA INCRÍVEL ALMADENSE

O TESOURO -
Adaptação de conto infantil de Manuel António Pina
m/4



13 de Fevereiro às 17:00
no SALÃO DE FESTAS DA S.F. INCRÍVEL ALMADENSE
Rua Capitão Leitão 3, Almada
Tel.: 212 750 929

Encenação Cristina Azevedo e Eugénia Conceição Interpretação Francisco Gonçalves, Pedro Cavaco, José Ganhão, Mafalda Zambujeira, Henrique Santos, Tina Norvick, Raul Fróis, Marisa Braz, Elisa Chança, Andreia, Joana Simões e Janete Dramaturgia C.I.A. Figurinos C.I.A. Fotografia Cristina Azevedo Grafismo Cristina Azevedo e Eugénia Conceição Luz José Carlos Santos Som José Carlos Santos Cenografia C.I.A. Produção Executiva C.I.A.

A adaptação, para teatro, do conto infantil de Manuel António Pina - "O Tesouro" - é uma forma, simples, de contar às crianças uma estória, simples, sobre um período da história menos simples.
Tendo como base o conceito, nada simples, da liberdade e sua (re)conquista, relembra-se o 25 de Abril de 1974 e comemoram-se os seus 30 anos.

Cénico da Incrível Almadense

Em 1998, no âmbito das comemorações do 150º Aniversário da S.F.I.A., foi reactivado o Grupo Cénico da Incrível Almadense, que esteve estagnado durante dez largos anos. Genuinamente amador, o grupo conta com cerca de 30 elementos, de idades compreendidas entre os 14 e os 80 anos.

Após a sua reactivação, já fazem parte do seu historial 11 produções teatrais e nove cafés-concerto. Inicialmente teve o privilégio de ser encenado pelo Dr. Malaquias de Lemos, seguindo-se João Vasco Henriques, Cristina Azevedo e Eugénia Conceição, contando nos outros sectores com a preciosa colaboração de elementos como a figurinista Alice Rolo, o técnico de luz e som José Carlos Santos e a caracterizadora Amélia Nobre, esta última também actriz. O Grupo faz questão de participar, ainda, na vida activa da Colectividade e Comunidade promovendo pequenas iniciativas comemorativas de efemérides.



ÚTERO

estreia absoluta
AUTO-RETRATO
de José Luís Peixoto
m/16



13 de Fevereiro às 21:30
numa casa abandonada, com encontro no Restaurante Farol, em Cacilhas

Direcção Miguel Moreira Interpretação Marta Cerqueira, Miguel Moreira Coreografia Romeu Runa Agradecimentos Jorge Moreira, Sara de Castro e Joana Simões

Auto - Retrato
Auto - Representação

Reflexão
Drama

Casa
Desejo

Uma pequena peça de vinte e cinco minutos seguida de uma conversa e um copo de vinho

Útero

O Útero foi fundado em 1997 por um grupo de artistas. O seu objectivo sempre foi promover um espaço de encontro, de reflexão, de experiência. Tem pesquisado os limites entre as artes performativas e as outras artes tentando aprofundar as técnicas que realcem as suas singularidades.


O anterior espectáculo do Útero analisado neste blog, Homeless/Manifesto

Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e Companhias de Teatro, excepto hiperligações. Fotografias digitalizadas a partir do programa da 9ª Mostra de Teatro de Almada.


sábado, fevereiro 12, 2005

Relato

Ouço na TSF a transmissão em directo dos comícios do PS, em Coimbra, e do PSD, no Porto. Parece domingo e os relatos de futebol. Matilde Sousa Franco cita Camões, José Gil, faz metáforas e lembra 1975. Santana fala de Sá Carneiro, de ser alvo de ataques injustos e desculpa-se com a rouquidão. A TSF tenta escolher os melhores momentos, mas Santana não diz nada. E no fim lê um texto religioso. Até cansa pá...

Consta que Coimbra recebeu em braços José Sócrates. O levantamento popular pedido por Nobre Guedes fica para outro candidato.
Carta de amor ao Central Park



A ler, no New York Times, um dossier sobre o trabalho de Christo e Jeanne-Claude, a propósito da inauguração da sua intervenção The Gates no Central Park, em Nova York.
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


GITT - GRUPO DE INICIAÇÃO TEATRAL DA TRAFARIA

O PRECONCEITO VENCIDO
de Pierre Marivaux
m/12



12 de Fevereiro às 21:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Tradução GITT Encenação Pedro Silva Interpretação Joana Afonso, Marina Santos, Carlos Alfredo, Luís Henriques, Francisco Figueira Dramaturgia Pedro Silva Figurinos Pedro Silva Guarda Roupa GITT Grafismo Vítor Azevedo Operação de Luz Tino Palma Operação de Som Paulo Dionísio Cenografia Pedro Silva Produção Executiva GITT Administração Manuel Gama


"Procurei, no coração humano, todos os diferentes nichos onde se pode esconder o amor quando tem medo de se mostrar; e cada uma das minhas comédias tem por finalidade faze-lo sair desses nichos."
Pierre Marivaux

Marivaux pode ser lido hoje como nunca, fora da comédia de enganos, do maneirismo e da reconstituição histórica, como uma fábula eterna da procura e do desconsolo. assumindo o amor como um território mais estético do que ético, movimentam-se os corpos, as pulsões, as realidades e ficções na procura constante de quem nos satisfaz e nos faz sobreviver melhor. isto foi tão pertinente no século XVIII de Marivaux, como o é agora no século XXI criando um caleidoscópio de situações, Marivaux mostra e critica uma complexa gama de comportamentos atravessando classes e situações sociais entrechocando interesses de amos e criados, e destes e daqueles entre si.

Depois das obras do genial Moliére, as comédias de Pierre Marivaux são as peças mais representadas nos teatros de França. em Marivaux, há só um tema: o amor. Marivaux afirmava que as suas peças tinham como tema o amor, o modo como o amor escondido se escusava a revelar-se; tirá-lo do nicho e levá-lo, pela verdade, à descoberta de uma nova liberdade, a de uma identidade antes não pressentida: eis a trama de fundo das suas peças. o amor é tratado como um sentimento puro.- resumido naquilo que, como se disse, é o cerne de todo o comportamento psicológico de Marivaux: o gosto pela vida.

GITT - Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria

O Gitt - Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria , foi fundado em 1972. Grupo de Teatro amador e independente por escritura pública em 1966 constitui-se em Associação Cultural sem fins lucrativos. Realizou 290 espectáculo com 23.907 assistentes. Participou em diversos festivais de teatro do norte ao sul do país, tendo efectuado espectáculos fora do continente. (Madeira e Angola). Realizou pela primeira vez no Concelho de Almada cinco ciclos de cultura durante os anos de 1978 a 19/82 durante o período de 24 de Abril a 10 de Maio, com espectáculos de teatro, cinema, música, bailado e exposições. Tchekhov, Strindberg, Moliére e Brecht foram entre outros autores representados pelo GITT.

Colaboraram com o G.I.T.T pessoas que estiveram ou ainda estão ligadas ao teatro profissional, tais como, Fernanda Lapa, Rogério de Carvalho, Alberto Pimenta, José Caldas, Dalton Asseff, Marques d'Arede, Filipe Domingues, Maria Emilia Castanheira e Arqº.José Manuel Castanheira.


Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e Companhias de Teatro, excepto hiperligações. Fotografias digitalizadas a partir do programa da 9ª Mostra de Teatro de Almada.




sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Arthur Miller (1915-2005)

Fecha-se o pano sobre um dos mais brilhantes e influentes pensadores do teatro e da sociedade norte-americana. Arthur Miller morreu ontem. Foi-se o dramaturgo, o lutador anti-denúncia, o iconoclasta. Foi-se parte da histórica cultural do século XX. Fim de espectáculo.



9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


NINHO DE VÍBORAS - ASSOCIAÇÃO CULTURAL

estreia absoluta
MYSTÉRIO!
de Karas

11 de Fevereiro às 21:30
AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA
m/12



Interpretação João Lima (guitarra portuguesa, harmónica, programações), Nuno Morão (piano), Vitória Horta (Elvira), Cristina Gonçalves (Bento-Rico), Karas (Bento-Pobre), Joaquim Pedro (Dom Mystério) Música Original João Lima Arranjos para Piano Nuno Morão Figurinos Tânia Franco Operação de Luz e de Som Paulo Diegues Fotografia de Cena António Coelho Grafismo Gabriel Orlando Texto, Encenação, Direcção Musical, Cenografia, Iluminação e Produção Executiva Karas

"Viver ou morrer?"
Durante a Expo '98, a convite das companhias O BANDO e OLHO, participei como actor em "Inácio", uma das máquinas-espectáculo que integravam a "Peregrinação" - máquina essa, concebida por elementos do OLHO (João Garcia Miguel e Eric Costa, entre outros).

Este projecto alimenta-se, por um lado, das memórias dessa experiência, na qual desenvolvi e interpretei a personagem já então denominada "Mistério" (figura que sugeria, vagamente, "O Enterro do Conde de Orgaz", de El Greco), e do seu impacto no meu percurso artístico. Constitui, por outro lado, passados trinta anos sobre a revolução dos cravos, uma reflexão sobre a cultura portuguesa; para tal, auxiliei-me de espólios documentais disponibilizados pela extinta Comissão dos Descobrimentos ("Actas do Conselho do Estado da Índia, 1618-1632") e pela Fundação Mário Soares ("Caricaturas no Diário de Lisboa, 1921-1926").

Na tentativa de criar um objecto artístico original, seremos ajudados por canções que versam o amor e a morte, num itinerário que se quer onírico, lúdico e, acima de tudo, comunicativo.



Argumento:
Uma noite de Maio de 1926. Elvira, uma jovem com aspirações artísticas, regressa a casa, vinda do Teatro Amaryllis, onde trabalha na bilheteira. Vem enebriada e transformada com o recital que assistiu pelo grande actor italiano Ricardo Bacchirri. E desse êxtase se deixa precipitar na melancolia, ao dar?se conta que o seu quotidiano está muito longe das altas esferas da arte, que ela tanto almeja.

Elvira pressente, mas desconhece, que mais alguém habita aquela casa. Todas as noites, um dos seus objectos pessoais lhe parece ter sido deslocado, na sua ausência. Ali reside, de facto, desde o sombrio século dezassete, um espírito antigo: Dom Mystério, criatura que, não estando viva, também não está propriamente morta, amaldiçoado que fora por uma devadassi (bailadeira) enquanto desembargador na Índia . E esta noite, o lascivo Mystério tomará por presa a incauta Elvira.

A tudo isto observam, em contemplação, estudo e acção contida, dois emissários extraterrestres: Bento-Rico e Bento-Pobre - figuras com atitudes distintas, mas que perseguem o mesmo fim: que cada coisa reconheça a sua própria natureza. Sendo que uma verdade tanto mais o é quanto mais o seu contrário a demonstra.
KARAS (Junho de 2004).

NINHO DE VÍBORAS

"O Ninho de Víboras é uma associação cultural criada em 1996 por um colectivo de artistas com formações e percursos distintos, que partilham entre si um conjunto de valores éticos e estéticos. A sua área de intervenção privilegiada é o concelho de Almada. As suas realizações, de natureza multidisciplinar, têm-se manifestado nas áreas do Teatro, Dança, Música, Artes Plásticas e Audiovisuais, organizando também acções de formação, conferências e debates.

Os trabalhos do Ninho de Víboras dão primazia à comunicação franca e clara com os espectadores, à provocação e à subjectividade, procurando aprofundar o diálogo com a sociedade e cultura portuguesas".

Toda a programação da 9ª Mostra de Teatro de Almada, aqui.

informações da responsabilidade da estrutura, enviadas pela acessoria de imprensa da 9ª Mostra de Teatro de Almada
9ª Mostra de Teatro de Almada


Começa hoje, em Almada, a 9ª Mostra de Teatro, uma colaboração da Câmara Municipal com as estruturas do concelho. O evento dura até 27 de Fevereiro e decorre em vários espaços. O Melhor Anjo vai acompanhar alguns dos espectáculos, dando conta, como habitualmente através das análises aos mesmos.

A Mostra de Teatro de Almada é uma iniciativa organizada anualmente pela Câmara Municipal de Almada e os Grupos de Teatro do Concelho. A sua organização visa promover e divulgar a diversidade que, no campo da produção teatral, tem vindo a ser realizada pelos grupos de teatro de Almada.

O evento procura integrar todos os Grupos do Concelho que nela queiram participar, amadores ou profissionais, pois tem como principais objectivos contribuir para dar maior visibilidade aos próprios grupos de teatro existentes, contribuindo igualmente para a criação de hábitos de consumo cultural, designadamente na área do teatro, não esquecendo a possibilidade de reforço das competências técnicas e artísticas dos elementos dos grupos de teatro do Concelho, através do desenvolvimento de acções de formação e promoção de troca de experiências entre os grupos de teatro participantes.

Este ano, realiza-se a sua 9ª edição, de 11 a 27 de Fevereiro, contando com a participação de 13 Grupos de Teatro do Concelho, num total de 17 espectáculos - incluindo 8 estreias absolutas -, que se distribuirão por vários locais. O evento contará ainda, pela primeira vez, com a apresentação de um espectáculo convidado de fora do concelho [The Scum Show, pela Inestética (Vila Fanca de Xira)], com o intuito principal de aproximar outros teatros de Almada, por forma a diversificar numa perspectiva de integração com o exterior. Serão desenvolvidas igualmente, actividades complementares à da própria apresentação dos espectáculos.


Ver Programação aqui

O evento conta ainda com actividades paralelas.

Tal como nas edições anteriores, a Mostra de Teatro de Almada conta com um conjunto de actividades complementares aos próprios espectáculos que vão desde a formação ao cinema, sem esquecer um espaço à reflexão e ao debate. Estas actividades contribuem para criar em Almada um forte sentimento de festival, desenvolvendo uma dinâmica cultural de significativa importância.

FORMAÇÃO

Atelier "A construção do Personagem"
Organização: Teatro de Papel
Formação dirigida por Yolanda Alves
Dia 4 de Março - das 21h00 às 23h30
Dia 5 de Março - das 15h00 às 19h30
Dia 6 de Março - das 15h00 às 19h00
Local: Convento dos Capuchos

Exercícios práticos para a construção do personagem segundo o método de Stanislavski. Será também trabalhada a expressividade do gesto.

Workshop de [Movimento Público]
"O INCRÍVEL CORAÇÃO DAS PAREDES"
Organização: Câmara Municipal de Almada e Piajio
Orientadores/Formadores - Jean Marc Dercle e Afonso Guerreiro

O exercício terá como base de inspiração o quotidiano e, alguns dos exercícios de improvisação serão realizados na rua e em espaços públicos, servindo de matéria para a criação.

Destinado a maiores de 14 anos, com ou sem experiência na área do teatro.
Diariamente de 28 de Fevereiro a 13 de Março
Horário - 18h30m às 21H30m
Local: "Incrível Club"
Numero máximo de participantes - 25

Informações e Inscrições |grátis|
Sector de Acção Cultural - Câmara Municipal de Almada
21 272 47 35

PAUSA - A ARTE DE BEM RECEBER

Sextas e Sábados, entre 11 e 26 de Fevereiro - 23h30
Organização: Piajio
Local: Incrível Club

Tal como na edição anterior, realiza-se de novo o café concerto "Pausa", uma possibilidade de encontro entre o público e os participantes da Mostra de Teatro de Almada, dando assim, continuidade a um ambiente de festa, diálogo e partilha de experiências.

Programação:
Dia 11 - É por Aqui?! (espectáculo intimo??)
Dia 12 - Refilon (afro-jazz) e Dj R4
Dia 18 - Lata Dog (em acústico)
Dia 19 - Safados (fados e guitarradas)
Dia 25 - Bandex(electroacústico)
Dia 26 - "Já cá estão todos?"(espectáculo vivo)


PROGRAMAÇÃO CINEMA

Programação de Cinema a cargo de OUTROS OLHARES, sobre a temática do teatro:

16 de Fevereiro, 21:30
"Noite de Estreia", de Nick Cassavetes

23 de Fevereiro, 21:30
"Se Podes Olhar, Vê. Se Podes Ver, Repara.", de Rui Simões

Local: Auditório Fernando Lopes Graça
Preço: 3€


CONVERSAS COM OBSERVADORES

Convidar um determinado grupo de observadores que desenvolvam um comentário relativo às peças que virem, o qual servirá como base para as conversas a desenvolver em dois sábados no Incrível Club.


BILHETES
Normal - 5€
Grupos de 10 ou mais elementos - 3€
Cartão 50% Desconto* - 5€
*Para todos os espectáculos, o público tem a possibilidade de adquirir o Cartão 50% Desconto que, pelo valor de 5 euros aufere um desconto de 50% em todos os bilhetes comprados. A aquisição do Cartão está limitada à lotação das salas de espectáculo. O cartão é pessoal e intransmissível e será vendido em número limitado.

Para qualquer informação adicional:
Sector de Acção Cultural da Câmara Municipal de Almada
Tel: 21 272 47 35 Email: accao.cultural@cma.m-almada.pt
Assessoria de Imprensa - Hugo Cortez - 93 466 59 45
www.m-almada.pt

informações (excepto hiperligações) da responsabilidade do Sector de Acção Cultural da Câmara Municipal de Almada

Sondagens (I)

Em período de eleições, O Melhor Anjo adere às famosas sondagens. Mas sobre coisas que importam. Assim, quer-se saber quem é que ganha o jogo de CLOSER? A minha aposta é o Clive Owen, mas parece que há outras opiniões. E como cada um tem a sua, vamos lá a saber... Quem escolhes?

A) Alice (Natalie Portman)


B) Larry (Clive Owen)


C) Anna (Julia Roberts)


D) Dan (Jude Law)


Votações na coluna da direita, por favor. Até dia 24 de Fevereiro. E se quiserem comentar, usem as caixas respectivas. Obrigado

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

O construtor de Homens

Análise à proposta de Tiago Guedes para o 11º LAB
Espaço Re.Al, 05 Fevereiro 2005



A proposta de Tiago Guedes para o 11º LAB leva ao limite a ideia de espaço de experimentação da iniciativa. Está entre um objectivo e um objecto. O espectáculo que vai surgir* ainda está muito distante. Cabe então ao coreógrafo apresentar algumas das linhas estruturais do seu novo projecto.

No caso, e depois de trabalhada a matéria exterior (Materiais Diversos, 2003), Tiago Guedes procura pensar o corpo como elemento de ocupação/contaminação. Seja através da "presença branca" em palco ou carregando-o de outros materiais. Outras pessoas incluídas.

Para isso requisitou a presença de cúmplices/corpos, de forma a questionar o seu poder individual, quer como coreógrafo, quer como intérprete. Portanto, depois do "resto", chegou a "sua vez". Esta ideia de trabalhar o eu-corpo/pessoa relaciona-se pouco com o mito de Narciso, mas mais com o que Lipovetsky definiu como cultura do individualismo. A necessidade de compreender o seu lugar dentro dos objectos artísticos que cria. Perceber, no fundo, o que há de seu nas coisas que faz.

O criador utiliza, deliberadamente, os outros como espaços de criação. Como extensões do eu. E, no fundo, o espectáculo vai-se desenvolvendo dentro de Tiago Guedes. E neste baralhar e voltar a dar, vai definindo o que procura. Vai transformando gestos que podem não ser nada em pontos de contacto. Vai procurando defender-se de eventuais vazios interpretativos. É para isso que servem os espaços de experimentação.

Portanto, a proposta não quer significar um espelho, mas antes uma contaminação. A Inês Jacques e Martim Pedroso não é pedido que façam de Tiago Guedes, mas antes que, baseando-se num mesmo sistema de repetição/insistência, possam proceder a um jogo de imitação/superação. Ou seja, são auxiliares de memória. E contribuem para a construção de uma imagem do outro, através da manipulação do corpo. O mais simples e sem artifícios possível. Em nome de uma estabilidade, reconhecimento e utilidade performática. Em nome de uma definição. Do lugar de cada um, mas também do objecto artístico. Numa altura em que mais facilmente se justifica uma proposta performática aparentemente não definida como híbrida, Tiago Guedes parece querer forçar a existência de fronteiras e quase afirmar que é tudo uma questão de forma.

Margarida Medeiros defendeu (Fotografia e Narcisismo, 2000), que «esta contaminação entre dispositivos enunciativos das artes é outro dos elementos que reforçam a ideia de incertezas do Eu perante os limites do seu discurso e do seu corpo, ou da emergência das pulsões distintivas.». E, na verdade, as fronteiras de um objecto são essenciais para a compreensão da sua utilidade.

No caso concreto desta proposta, a sua utilidade reside na vontade de devolver ao corpo e à intenção a organicidade. Ou seja, o momento em que poderia ser visto/lido sem qualquer interpretação para lá do que é. O momento-zero, se quisermos. O radical. É, portanto, uma proposta a caminhar em flashback. Para que se perceba de onde e porque veio. «A representação do outro ou de si surge pois como manifestação de uma presença no mundo, como ponto de vista sobre esse mundo, mas também como forma de potencialmente o recriar ou restaurar.», continua Margarida Medeiros.

Esse ponto de origem que pretendem recriar está dividido em três imagem, uma por cada intérprete. Considerando que essas imagens podem desaparecer dentro do objecto final (aqui não importa o que existe, maso que se faz com isso), convêm fixá-las, mais não seja para, mais tarde, ajudar a entrar dentro dele. Assim, a cada um dos intérpretes é entregue uma imagem que deve ser explorada até ao limite. Uma abordagem semiótica, portanto.

Inês Jacques apresenta-se deitada no chão, a perna esquerda flectida até meio da cintura e o braço direito esticado para lá da cabeça. O braço esquerdo permanece junto ao corpo, retraído. Os olhos estão fechados. Martim Pedroso está sentado, de costas quase curvadas. As pernas cruzam-se e os braços acompanham a curvatura do corpo, compondo um ângulo que cria um centro a partir das mãos com os dedos tensamente colados. Tiago Guedes está em pé, com uma das pernas avançada em relação ao corpo e o braço direito levantado, com a mão supostamente a segurar um objecto. Portanto, as posições são de descanso, reflexão e defesa. Por uma questão de referências visuais é fácil uma mataforização sobre os posições evolutivas do Homem ao longo dos tempos. Portanto, Tiago Guedes pode caminhar para uma posição de "construtor de Homens". Mais perto da perfeição, talvez.

Ideia que, aliás, é testada quando trocam de posições, se imitam ou levam ao abstracto os movimentos que formam essas imagens. Estabelecem um diálogo solitário com o outro, fingindo fazer duetos ou imitando os maneirismos. E provocam o espectador nas suas definições formatadas ao brincarem com os classicismos da dança e do movimento. Da mesma forma que Materiais Diversos assumia uma certa vertente pueril, esta proposta parece ir trabalhar o quotidiano. E até mesmo o quotidiano da criação de um objecto que se quer proposta de dança.

À medida que se vão envolvendo nesta coreografia de experimentação, vão procurando a organicidade do corpo e da imagem, libertando-a de qualquer definição. O que Tiago Guedes propõe não é, portanto, um regresso ao "radical" para dele não evoluir, mas antes um que permita observar as implicações enunciadas no seu nascimento. Para que, mais tarde, se possa prever o seu caminho.

Tiago Guedes estabelece, por exemplo, um diálogo com estas imagens corporais, impondo-lhes músicas anacrónicas, desde o piano à pop mais primária, procurando perguntar como responde o corpo às várias músicas. No fundo, como responder e filtrar, para a criação de um objecto, o conjunto de referências (procuradas, impostas e recusadas) que o rodeia? A reacção é sempre a mesma, independentemente do que se usa?

Como, para já, o objecto está longe de conclusão, o que o coreógrafo apresenta é o seu momento de impasse. Esta apresentação mostra-se assim, presa em si mesma e isso torna-a o mais honesta possível. Porque, por enquanto, pode ser tudo.

E por poder ser tudo, essa honestidade obriga quem vê a reconhecer o corte na relação tradicional espectáculo/espectador. Portanto, depois de utilizar os cúmplices do palco, quer saber dos outros na plateia. E, com os intérpretes presos aos movimentos repetidos e ad aeternum, o público tem que perceber que o objecto não está completo e seguirá em regime interno. Para já é só, parece dizer o coreógrafo.

E eles continuam nos movimentos até não significarem nada, até haver público na plateia, ou músicas para dançar, ou coisas para dizer, ou energia para fazer, ou vida para viver, ou dias iguais aos outros.

*Trio, projecto coreográfico com estreia absoluta dia 1 de Abril de 2005 no Le Vivat em Armentères (França) e com estreia nacional dia 14 de Abril na Culturgest, Lisboa. Concepção: Tiago Guedes. Interpretação: Inês Jacques, Martim Pedroso, Tiago Guedes

Tiago Guedes
Residência artística de 17 de Janeiro a 5 de Fevereiro 2005
Apresentação pública 5 Fevereiro 2005 18h00
Concepção e interpretação: Tiago Guedes Colaboração artística e interpretação: Inês Jacques, Martim Pedroso Assistência: Pietro Romani Coaching: Francisco Tropa (artista convidado), João Fiadeiro, João Queiroz

Próxima apresentação
Mário Afonso
26 Fevereiro 2005
Espaço Re.Al

Sobre o 11º LAB
Sobre a anterior criação de Tiago Guedes, Materiais Diversos (2003)




Katherine Hepburn

A propósito da estreia de O Aviador e da discussão com o André, acerca da interpretação/apropriação/imitação de Cate Blanchett no filme, oportunidade para rever um clássico de Katherine Hepburn: Sylvia Scalett, hoje, na Cinemateca, às 19h30.




SYLVIA SCARLETT
De George Cukor
Estados Unidos, 1936 - 94 min.
legendado em português

Foi o fracasso deste filme que fez com que Katharine Hepburn fosse denominada “veneno de bilheteira” pelos produtores. O público ficou desorientado diante de um filme em que ela passa quase todo o tempo a fazer de rapaz. A ambiguidade da relação deste “rapaz” com o protagonista masculino, Cary Grant, na primeira “parceria” com a actriz, num misto de atracção e irritação, dá ao filme um segundo sentido, muito mais gritante do que o das comédias sofisticadas sobre a “guerra dos sexos”. in Cinemateca

Notícias do dia (a ordem de importância é à escolha do leitor)

- No Opinião Pública, da Sic Notícias, hoje de manhã, 78% dos espectadores manifestaram-se contra a realização de novo referendo sobre o aborto;

- Camilla casa-se com Carlos. Maioria dos ingleses está contra

- Começou o trabalho de instalação da nova obra de Christo no Central Park, NY

- Glória de Matos, Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Nicolau Breyner, Agustina Bessa-Luís, Marina Mota, Wanda Stuart são apoiantes de Santana, o homem que é de sentimentos.