terça-feira, fevereiro 22, 2005

Anti-Christo em Nova York




Just who is Hargo? Is he some kind of genius wrapper? His name is Geoff Hargadon, he is 50 and, in a telephone interview, he would only say, enigmatically, "Art is not my profession." His last installation was a studio full of discarded ATM receipts. The show was called "Balance." It was about "people, privacy and money," he said, adding: "You want to know how much people have? Here it is." (...) Each saffron-colored gate that makes up "The Somerville Gates" is a 3.5-inch-high structure made of wooden dowels, cut-up roof shingles and clear corrugated plastic, all painted with orange tempera. (Hargo made 16 individual gates and moved them from room to room, following Edie's footsteps.)



Instalação completa aqui
A instalação de Christo e Jeanne-Claude no Central Park, aqui.

in New York Times


in Le Monde
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


NNT - Novo Núcleo de Teatro da Faculdade de Ciências e Tecnologia

estreia absoluta
LISSÃO
m/12



22 de Fevereiro às 21:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Autor(a) adaptação de vários textos "A Lição" de Eugene Ionescu, "Cosmicómicas" e "Novas Cosmicómicas" de Ítalo Calvino, " À Espera de Godot" de Samuel Beckett Encenação Alexandre Calado Interpretação Carina Maurício, Carolina Patrocínio, Gustavo Vargas, João Cleto, Leonora Lorena, Marco André, Teresa Meira Figurinos NNT Fotografia Jorge Gomes Grafismo Rui Santos Luz Alexandre Calado Som João Taquelim Cenografia NNT Música Ricardo Leote Vídeo Jorge Gomes, João Taquelim Produção Executiva NNT

Absurdo - a partir de A Lição estudantes procuram um espectáculo - professores, aprendem.

No auditório de conferências da faculdade, a peça um pretexto para um repto colectivo. Nos tempos que correm o poder de impor e a escolha da submissão, o malogro da comunicação e o triunfo da indiferença, o niilismo, o tecnicismo - qual, qual é a lição do dia?

Desmesura. Retalhado o poeta, a escrita de Eugéne Ionesco cozida com Italo Calvino, com Samuel Beckett. Mas neste mar tem mais de haver pessoas e não os peixes ou os cometas dos discursos e dos tratados. Este é um ramo ou a árvore toda do deserto? A botânica do desespero é uma ciência exacta, só um outro sempre eu-mesmo dentro da garrafa, o que é que estamos aqui a dizer, percebes?

Espetos cornos no destino - a certeza da busca. De um hoje, por aqui, de sujeitos. No lugar onde se vê o corpo todo é visão, a palavra uma pele que se toca. E até há lá homens e mulheres dentro acordados! Imagino.

NNT - Novo Núcleo de Teatro da Faculdade de Ciências e Tecnologia

O NNT conta agora com nove anos de existência desde a sua formação em 1995. Ao longo dos anos realizaram-se vários workshops, nomeadamente de Expressão corporal, Interpretação, Voz e Iniciação ao teatro, orientados por nomes como Paula Freitas, Ávila Costa, Luís Castanheira, Alexandre Calado, Sandra Hung e João Tempera. Já foram postos em cena conhecidos textos como "O Destino Morreu de Repente", "A Mais Baixa Profissão", "As Três Irmãs", "O Pelicano", "A Boda", "Jacques e o Seu Amo"; que contaram com encenações de membros da casa a nomes como Natália Luíza e Jorge Fraga, Paula Só; assim como outros textos menos conhecidos: a "Feira de S.Nicolau" e "Esquartejamento para todos", ambos encenados por Alexandre Calado, um dos membros fundadores do NNT, que também escreveu e encenou "Fértil Feitiço" e "Fértil Fátuo" para o grupo.

A mais recente produção foi "O Ventre de Jeremias" escrito pelo Maestro Victorino d´Almeida, com encenação Catarina Santana, membro fundador do NNT e direcção musical de André Louro. O grupo conta ainda com participações anuais no FATAL e na Mostra de Teatro de Almada, assim como em festivais universitários nacionais como o aCTUS, e internacionais universitários, como é o de Santiago de Compostela.


Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultiral da câmara Municipal de Almada e da companhia, excepto hiperligações
Poética do quotidiano (LXX)

Dizem que me ausentei do blog. Também me ausentei de mim.
Klein em Bilbau


Yves Klein fotografado por Shunck

via DN
Dia Europeu da Vítima do Crime


A Associação Portuguesa de Apoio à Vítimas está sem fundos e pode mesmo vir a fechar em Março. Esta situação está a ocorrer uma vez que a organização não conseguiu renovar os apoios do Estado há dois anos.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) está em risco de fechar portas, pois neste momento apenas dispõe de fundos suficientes para sobreviver até Março, isto após dois anos de tentativas de renegociação de apoios do Estado.

Em declarações à TSF, o secretário-geral da APAV vê como muito complicada a manutenção da associação a manter-se este estado de coisas, que já levou à diminuição dos processos de apoio devido ao corte nos horários de alguns gabinetes e ao fecho de outro na área metropolitana de Lisboa.

João Lázaro indicou que falta o dinheiro para pagar não só aos técnicos que coordenam o voluntariado da APAV, mas também as contas da água, luz e rendas, pois o protocolo que estabelece o apoio do Estado não foi renovado há dois anos.

«Depois de grande esforço da APAV para fazer com que o Governo, a nível dos ministérios e do Gabinete do primeiro-ministro, pudesse chegar a um acordo que para nós é essencial este ainda não foi possível», acrescentou.

O secretário-geral da organização clarificou ainda que esta alerta não chega por causa da realização das eleições, mas porque os fundos da APAV estão esgotados.


in TSF


Homens queixam-se cada vez mais de maus tratos

São cada vez mais os homens que se queixam de violência doméstica, representando 15% das participações na GNR e PSP em 2004, segundo o Gabinete Coordenador de Segurança (GCS). A percentagem das vítimas masculinas é idêntica nos meios rurais e urbanos, o que revela uma alteração das mentalidades, defendem autoridades policiais e os técnicos. No ano passado registaram-se 14 959 processos no total, menos 2468 do que em 2003.

"O número de vítimas homens está a aumentar e, provavelmente, são muito mais que os que se queixam", refere a socióloga Elza Pais, a fazer um doutoramento sobre violência conjugal. De acordo com a socióloga, o homem que admite ser maltratado pelo cônjuge ou companheira ainda é malvisto na sociedade portuguesa. "É preciso ter muita coragem para apresentar queixa por ter sido agredido pela mulher, sobretudo nos meios pequenos", diz Leonel Carvalho, secretário-geral do GCS.


in DN



Site da APAV

Site da Aministia Internacional


segunda-feira, fevereiro 21, 2005

A lei dos amantes (60)

Para dançar aos saltos em cima de um colchão. Com ou sem amor.


Fico Assim Sem Você
Adriana Calcanhoto

Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem amasso
Sou eu assim sem você
To louca pra te ver chegar
To louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo Porque? Pooooooorque?

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo


Os tempos que mudam

Parece-me que a vitória do PS não é histórica pelo facto de ser maioria absoluta. É histórica porque obriga o PS a tomar decisões, as difíceis e as que podem mudar o país. Não há ilusões quanto ao estado das coisas. E não pode haver ilusões quanto ao facto de ser necessário continuar a pedir sacrifícios. A todos.

Um voto no PS porque significava a libertação das obrigações foi um voto vão. Espero que Sócrates perceba isso. Porque a maioria absoluta implica uma responsabilidade acrescida. Sobretudo porque nos votos do Ps se incluêm muitos contra a forma como o PSD tratou o país. Especialmente na 2ª metade da legislatura. Continuo sem dúvidas de que se a escolha tivesse sido Manuela Ferreira Leite não teríamos tido eleições. Mas o PSD não percebeu isso. E preferiu o poder pelo poder.

Agora, o PS é, efectivamente, o governo de todos os portugueses. Incluíndo aqueles que daqui a quatro anos (espera-se) poderão voltar para perceber se valeu a pena.

Mas a vitória de ontem é, ainda, uma vitória de mudança. Mais do que pela maioria absoluta, pelo fim de mitos como o de Santana Lopes; de politicas de direita conservadora pouco condicentes com a necessidades da sociedade como as de Paulo Portas; de uma definição do papel e lugar do Bloco de Esquerda; e de uma responsabilidade para José Socrates em ser, realmente, um Primeiro Ministro com convicção. Coisa que, aliás, não mostrou na campanha.

Vitória

Pelo fim da direita, de Portas e Santana. Pelo aumento dos deputados do BE e da CDU. E pela capacidade de podermos responsabilizar o PS por qualquer coisa que façam. Acabaram desculpas para não se cumprir Portugal.



A :2 , ao mesmo tempo que Sócrates se lança nos braços dos votantes, passa o Serenata à Chuva. Não poderia pensar em melhor forma de celebrar a noite de alegria deste seco e frio Fevereiro.

domingo, fevereiro 20, 2005

Vou a tua casa - lado b

No Caminho (prolongamento de datas)


Olá,

O meu nome é Rogério Nuno Costa, tenho 26 anos e gostava de fazer uma performance para ti. Chama-se 'NO CAMINHO', porque acontece num local público à tua escolha, a caminho de minha casa, a caminho da tua, no meio. Até ao final de Abril (contrariamente ao que tenho vindo a anunciar...), estarei disponível para me encontrar contigo. Onde quiseres. Quando quiseres. Isto não é spam. Isto é verdade. Isto acontece. Tal qual as chuvas de sapos e os navios-fantasma do triângulo das Bermudas. Eu sou real. E como sei que também és, convido-te a convidares-me. Espero por ti. A performance começou.
Agora.

R.


fotografia: Luísa Cassela

(para mais informações: 91 640 99 98, www.vouatuacasa.blogspot.com)

informações enviadas via e-mail por Rogério Nuno Costa

A análise ao espectáculo Vou a tua casa - No Caminho será publicada neste blog até ao fim da próxima semana.

Sobre o espectáculo, ver o blog Vou a tua casa.
Sobre a 1ª parte de Vou a tua casa analisada neste blog.
Outras análises aos espectáculos de/com Rogério Nuno Costa disponíveis aqui.

Dia de votações

Passei o dia em Almada, onde voto. E vi sempre as várias escolas onde estão instaladas as urnas, cheias de gente. Foi muito bonito ver a vontade de participar. Mais do que noutros actos eleitorais. Havia uma ansiedade. A festa foi bonita, pá!
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


ARMADILHA

MIAUZZ UMA RATSÓDIA PARA TODOS
de António Rocha
espectáculo para bebés



20 de Fevereiro às 15:30 e às 17:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Encenação Armadilha Interpretação António Rocha, Arminda Moisés Coelho, Pedro Sousa, Katarzyna Pereira, Miguel Cintra e Manuel Vieira Figurinos Arminda Moisés Coelho Grafismo Rui Rocha Luz Celestino Verdades Som Armadilha Cenografia Arminda Moisés Coelho Produção Executiva Armadilha em co-produção com Teatro Extremo Co-Produção Teatro Extremo

O "Miauzz" é um espectáculo para bebés, crianças pequenas e pais. Não vamos "dar uma aula", "ensinar música". Pensamos que todos têm direito a ter momentos lúdicos/artísticos independentemente da idade. Gostaríamos que os nossos espectadores tivessem uma resposta estética em relação a este trabalho.

Na base deste espectáculo está o nosso grande prazer em trabalharmos com crianças pequenas. Somos todos professores e as sessões de música para bebés têm sido uma fonte inesgotável para a nossa criatividade. Temos objectivos pedagógicos, mas descobrimos o lado prazenteiro de ensinar/orientar as crianças. Antes de sermos professores, somos músicos. Por isso, procurámos fugir ao lado pedagógico-didáctico envolvido neste trabalho e tentámos encontrar o nosso lado mais musical e teatral, de "faz de conta". Todavia, somos devedores dos estudos sobre psicologia da música e, em particular, da obra de Edwin Gordon, investigador e pedagogo musical norte-americano. A sua Teoria de Aprendizagem Musical para Recém-nascidos e Crianças Pequenas preconiza a orientação musical a partir do nascimento, visto que a música se aprende como uma língua. O objectivo desta orientação musical é levar as crianças a compreender a música como músicos, ou seja, audição. Esta é a forma como entendemos a música. Ela é da mesma natureza que o pensamento, mas própria do fenómeno musical.

Este espectáculo é para se ouvir, seja por bebés, por crianças pequenas e adultos de acordo com as capacidades e o gosto que cada um possui. Por tudo isto "Miauzz" vai divertir e cativar os pais e os mais pequenos.

Armadilha

A Armadilha Associação de Teatro e Música com Cultura, é uma nova Associação sem fins lucrativos com sede no concelho de Almada.
O projecto Armadilha teve início com a peça "Armadilha de Medusa" de Erik Satie, subsidiada pelo IPAE - MC no ano de 2002., espectáculo que teve a responsabilidade de Arminda Moisés Coelho. Este projecto tem como objectivo criar um grupo de trabalho à volta de espectáculos multidisciplinares, com artistas de várias áreas (música, dança, teatro, expressões plásticas, etc.).

A base sobre a qual pretendemos apoiar o nosso trabalho será a exploração de textos literários/teatrais de músicos. Nesta perspectiva, procuramos futuramente criar espectáculos a partir de textos dramáticos, nomeadamente, Schoenberg e John Cage.

A peça "Armadilha de Medusa" de Erik Satie, apresentada no Teatro Extremo, em Almada, teve boa adesão por parte do público havendo já um trabalho feito para o Festival Sementes - Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público, do Teatro Extremo, em Maio de 2001, fomos convidados a criar um novo espectáculo para o ano seguinte.

Daqui nasceu o espectáculo "Miauzz - Uma Ratsódia para todos", destinado a bebés, crianças pequenas e pais. Autoria de António Rocha. Este espectáculo de objectivos pedagógicos procurou essencialmente o lado lúdico de ensinar/orientar as crianças, principalmente a dimensão mais musical e teatral de "faz-de-conta". Deste modo, o objectivo desta orientação musical é levar as crianças a compreender a música como músicos, ou seja, fazendo audição. Esta é a forma como entendemos a música. Este espectáculo é para se ouvir, quer por bebés e crianças pequenas, quer por adultos de acordo com as capacidades e gosto que cada um possui.

O espectáculo esteve em cena de Setembro a Novembro, com pedido inicial de dois meses, no entanto, devido à grande adesão por parte do público, prolongámo-lo mais um mês, mantendo sala esgotada com lista de espera.

Em resultado destes projectos e numa consolidação da "Armadilha", criámos uma Associação Cultural com o mesmo nome: Armadilha Associação de Teatro e Música com Cultura.

O GRITO


PAQUITA, OU ESTIMULANTE, AMARGO E NECESSÁRIO
de Ernesto Caballero
m/12



20 de Fevereiro às 21:30
">Casa Municipal da Juventude de Cacilhas

Tradução José Vaz Encenação José Vaz Interpretação Eunice Martins Figurinos José Vaz, São - Oficina dos Farrapos Fotografia Nuno Nascimento Grafismo Nuno Nascimento Luz Jorge Xavier Som Nuno Nascimento Cenografia Nuno Nascimento Produção Executiva Cláudia Inglês Caracterização Graça Neves

Paquita é uma mulher só e está apaixonada. Uma mulher vulgar que abusa do café e tem mantido uma vida simples, cinzenta e solitária. Até agora. Enquanto beberrica uma fumegante chávena de café, ela pede ajuda para sair da sua angústia. O seu discurso tem algo de ingénuo e delirante, entre o cómico e o terno. Divertida e inquietante, ela fala-nos dos seus amantes e faz-nos descobrir a pouco e pouco os perigos dessa doença que é o amor.

O público não é apenas espectador mas cúmplice. Inopinadamente, os espectadores vêem-se transportados e sucessivamente imersos em três espaços diversos que remetem para o carácter caleidoscópico da identidade de Paquita.

Esta peça, constituída por três monólogos interligados, foi definida pelo autor como uma "comédia amarga trágico-grotesca, mas tratada com delicadeza" e assenta em aspectos tanto dramáticos como cómicos, sem inteiramente tomar partido numa ou noutra direcção. É uma conversa em discurso directo, estimulante, amargo e necessário, como o café… como o amor.

O Grito

"O Grito" é, no teatro vicentino, a forma específica de prevenir o público de que o espectáculo vai começar, uma versão lusa das "pancadas de Molière". Mas a denominação que escolhemos é também sinal de empenho num teatro que questiona e incomoda. Um teatro que não é "de intervenção" - fórmula sempre redutora - mas que se quer interventor. Para que, num mundo cada vez mais acrítico e conformista, o teatro possa ser ainda "o Grito".


Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e Companhia de teatro, excepto hiperligações. Fotografia retirada do programa da 9ª Mostra de teatro de Almada.

Vamos todos fazer com que novos amanhãs se levantem a partir de hoje.



Vá votar. Portugal espera por si.

sábado, fevereiro 19, 2005

Amanhã vá votar

Vote bem. Vote em consciência. Vote por protesto ou militância. Mas vote.



enviado pelo A.
História(s) a meio

Não sei se foi o Camilo Castelo Branco que o disse ou o Dostoievsky (ou qualquer outro): não há vida para ler tudo o que gostaríamos. Aproveito o dia de reflexão para arrumar definitivamente (e outra vez) a biblioteca. Descubro livros que não li, outros que leio sempre, uns que me ofereceram, que me devolveram, que não sei porque comprei, que comprei com outros... e uns que deixei a meio. Dentro dos que suspendi a leitura encontro postais, marcas, notas e outras memórias. Não sei porque deixei de os ler, mas lembro-me onde fiquei. A lista das suspensões é mais ou menos esta:

Marguerite Duras, uma biografia, de Laura Adler
Sonetos de amor de Shakespeare, tradução de Vasco Graça Moura
Maria Lamas - biografia, de Maria Antónia Fiadeiro
O Primo Bazílio, de Eça de Queiroz
Life with Picasso, de Françoise Gilot & Carlton Lake
A vida de Charlot, de Georges Sadoul
Os génios do cristianismo - histórias de profetas, de pecadores e de santos, Henri Tincq
Nenhum olhar, de José Luis Peixoto
Retrato do artista quando jovem, de James Joyce
A valsa do adeus, de Milan Kundera
Paisagens depois da batalha, de Juan Goytisolo
Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado
Os indiferentes, de Alberto Moravia
A dívida ao prazer, de John Lanchester
Enquanto a Inglaterra dorme, de David Leavitt

Parei para reflectir também?


Prémio de Poesia Natércia Freire 2005

"Quando se escreve poesia está-se sempre a saltar para o lado de lá das coisas, o lado obscuro das coisas", disse Jaime Rocha. A poesia está em toda a parte, em todas as imagens. "Está no urinol de Duchamp ou na Pietá de Miguel Ângelo. Está na 'Palavra', de Dreyer, no 'Cinema Paraiso' ou nos filmes intragáveis do César Monteiro", diz Nuno Higino.

Gosto de ler as cartas dos Poetas.
Algumas dizem pouco. Quase nada...

Um lívido circuito nas rosetas
Das letras... às vezes sol
Fugindo entre águias pretas
A Dor que se adivinha sob
As unhas rosadas
Que influem no papel e nas canetas.


Natércia Freire, Os Colaboradores (1969)

A Câmara Municipal de Benavente lança um novo Prémio de Poesia, em homenagem a Natércia Freire.
O Regulamento e outras informações devem ser solicitadas para o Centro Cultural de Benavente - 2130-014 Benavente, ou pelo telefone 263 516 923.



Este anúncio foi retirado do suplemento Mil Folhas, do jornal Público



Dia de reflexão

Confesso que o dia de reflexão me faz confusão. Deixa-se mesmo de falar de política, ou finge-se que não se fala? Não deveria o dia de reflexão servir para se discutir ainda mais? Para esclarecer todas as dúvidas? Andaremos todos, de facto, a reflectir? Afinal, ligam-se as televisões e abrem-se os jornais e até se acredita que amanhã é dia de mudança.
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


TEATRO EXTREMO

OS SALTIMBANCOS
de Luis Enriquez e Sérgio Bardotti
m/4


19 de Fevereiro às 16:00
no TEATRO EXTREMO
Rua Serpa Pinto 16, Almada
Tel.: 212 723 660

Adaptação de texto e musica original Chico Buarque Encenação Arimatan Martins Interpretação Ana Russo Alves, Carlos Fartura, Fernando Rebelo, Isabel Leitão, Patrícia Guida Magro Figurinos Alice Rolo Fotografia José Frade Grafismo Catarina Pé-Curto Luz Celestino Verdades Operação de Luz e Som Sérgio Moreira Cenografia Fernando Jorge Lopes Concepção de Cenário David Oliveira Construção de Cenografia e Adereços David Oliveira Música Chico Buarque Produção Executiva Paulo Mendes Secretariado de Produção Paula Almeida Divulgação Vitória Horta Assessoria de Imprensa Nádia Santos Promoção Vítor Pinto Angelo Webdesign Filipe Oliveira Webcam Film João Lima

1 gata, 1 galinha, 1 jumento e 1 cão. parece pouco, mas juntos podem muito. desiludidos com o tratamento que os seus donos lhes dão, unem-se e partem em busca da tão sonhada liberdade. tornam-se saltimbancos e formam um conjunto musical, tentando alcançar o sucesso na cidade. no caminho, encontram os seus antigos donos e resolvem vingar-se. uma fábula musical para toda a família onde 4 animais protagonistas lutam pela justiça e igualdade de direitos.

Teatro Extremo

Este espectáculo resulta de um trabalho em progresso desde 2002, altura em que o encenador brasileiro arimatan martins se deslocou a portugal com o propósito de ministrar um workshop a professores, educadores e crianças sobre teatro brasileiro contemporâneo. em 2004 chegou a vez do teatro extremo fazer uma montagem de os saltimbancos, encenada por arimatan martins e representada, desta feita, por actores e músicos profissionais. é uma fábula musical para toda a família, que traz a cena com eficiência a questão das diferenças de oportunidades sociais, mostrando a união dos pequenos como um caminho para sobreviver e lutar pela justiça e igualdade de direitos.


OFICINA DE TEATRO DE ALMADA

HÁ DOMINGOS ASSIM...
de Fernando Rebelo
m/16



19 de Fevereiro às 21:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Encenação Fernando Rebelo Interpretação Susana Gonzalez Figurinos OTA Fotografia Nuno Quá Grafismo Nuno Quá Luz Carlos Salgado Som OTA Cenografia OTA Produção Executiva OTA Apoios Câmara Municipal Almada, Escola Secundária Cacilhas-Tejo

Uma manhã de Domingo poderá não ser sinónimo de um bom acordar.
João - esse mesmo, o Doutor João que faz parte da Direcção Financeira de uma grande empresa e que está divorciado há pouco tempo - acorda e tem uma grande surpresa.
Metempsicose?
Não exageremos.
De uma coisa estamos certos: podem haver domingos assim...

Oficina de Teatro de Almada

Fundada em 24 de Setembro de 1992, a Oficina de Teatro de Almada - Associação começou por contar com o apoio logístico da SRUPragalense. Nesse espaço montou e apresentou 15 produções.

Participou com os seus espectáculos em diversos espaços e realizou acções de formação no domínio da iniciação teatral.
Actualmente, a OTA ensaia num espaço cedido pela Escola Secundária Cacilhas- Tejo.
"Há domingos assim...", é a 18ª produção teatral da OTA

Informações e fotografias da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e das companhias, excepto hiper-ligações. Fotografia de Saltimbancos retirada do programa da 9ª Mostra de Teatro de Almada.


sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Porque vou votar PS (enfim...)

Convêm dizer que não tenho partido nem sou simpatizante de nenhum. Não por uma questão de descrença, mas porque sou incapaz de assinar de cruz todas as opções dos partidos. A única coisa em que acho que vale tudo é no amor. E aí fecho os olhos e voto sempre. Seja ou não pela maioria absoluta.

Tenho um pai comunista militante ortodoxo. Dos que acham que a relação entre cristianismo e comunismo não é assim tão absurda. Eu até concordo com ele, de facto. Tenho uma mãe alheada politicamente e que vota no PS porque entre o ex-marido preso à foice e ao martelo e uns pais sociais democratas sem saberem bem porquê (mas sobretudo em oposição ao terror vermelho), lhe restou a rosa pálida. Mas, a bem da verdade, nem sequer vai votar.

Por ser agente cultural, sou tendencialmente de esquerda.

E voto em Almada. Tenho que tratar do recenseamento eleitoral mas só me lembro disso na altura das eleições e aí já é tarde. Voto desde os 18 anos e só falhei duas vezes. Nas eleições de 1999, porque estava no Porto a trabalhar e no referendo ao aborto, porque quando cheguei ás urnas eram já 17h30, tinha-me esquecido do cartão de eleitor e já não tive tempo de voltar a casa. Voto porque acho que só assim tenho o direito de ter uma opinião. Mas isto não quer dizer que ache que o voto deva ser obrigatório. Cada um sabe de si. Deviam era saber um bocadinho mais. Irrita-me tanto a expressão "povo" como o "olhe por nós que somos pobres"

E voto, ainda, porque me lembro sempre das primeiras eleições para o Parlamento Europeu terem decorrido durante o verão e estar na praia a acenar para um avião da RTP a gravar os banhistas. Todos acenavam para provarem que não se interessavam por política. E eu achei isso um disparate e senti-me envergonhado, mesmo que não pudesse votar na altura.

Votei sempre na CDU para as eleições autárquicas, mas só para a Câmara Municipal. Desconhecia os candidatos à Assembleia Municipal, Junta e Assembleia de Freguesia. E quando saí de Almada e vim viver para Lisboa, passei a votar em branco. Nas eleições presidenciais votei no Sampaio. Portanto, é fácil imaginar o murro no estômago que foi a crise do verão passado. E quanto às Europeias também votei sempre em branco, excepto na última. Ainda não percebi bem como contribuir para uma aproximação entre a Comunidade Europeia e os eleitores. E como não me parece que deva votar num qualquer, resta-me o branco.

Nas últimas legislativas votei no PSD.

E votei no PSD porque não quis votar em quem não tinha resistido a um desaire autárquico. Porque não quis acreditar numa leitura nacional dos resultados. Porque não acredito no unanimismo. Porque achava que um país de cor diferente do governo poderia significar um choque que permitisse a evolução.

E votei no PSD porque achei que, sendo agente cultural, estava cansado de pedinchar por verbas. Acreditei (como acredito) que só com as finanças públicas organizadas e uma sociedade com as necessidades básicas garantidas (habitação, saúde, educação) é que a cultura iria deixar de ser olhada como um "ladrão" de verbas. Votei para que algo mudasse. Eu acreditava nisso. Votei portanto em Manuela Ferreira Leite e numa política económica que desse a Portugal melhores condições de vida. E também porque me recordava de uma entrevista de Durão Barroso em que dizia que o PSD era um partido de esquerda moderada.

Mas um voto é só uma cruz num boletim. Não é um discurso, um fundamento, uma manifestação, uma posição. Um voto é uma cruz no boletim. Apercebi-me disso na noite em que anunciaram a coligação. E senti-me traído. Eu não tinha votado em Paulo Portas. Eu não gosto de Paulo Portas. Eu não acredito no CDS-PP.

O fim do governo socialista levou ao cancelamento de projectos que aguardavam financiamento; ao corte de verbas que estavam acertadas; ao endividamento pessoal em nome desses projectos. Ou seja, não me trouxe grandes vantagens. E trouxe-me tristeza por terem feito com o meu voto um acordo que não queria.

Por isso, quando houve Europeias, votei contra o PSD. Votei para me vingar. E Durão Barroso foi-se embora. Acreditei que se a escolha tivesse sido Manuela Ferreira Leite a coligação acabava e o meu voto seria respeitado. Mas veio Santana. E eu senti-me traído por Barroso e por Sampaio. E traído pelo meu próprio voto. Fiquei com náuseas, furioso, irritado. E arrependi-me de não ter tratado do recenseamento eleitoral mais cedo para não deixar que Santana ganhasse Lisboa.

E agora vou votar PS. Não porque ache que Sócrates será um bom primeiro-ministro. Não acho sinceramente. É um peixe escorregadio, ambíguo e suspeito. Não acredito numa só palavra do que diz, tal como acho que o discurso dele é imposto. Não sei se ele acredita no que diz. Por isso, decidi não tratar do recenseamento eleitoral a tempo. Votar em Almada permite-me votar em António Vitorino. O único que vi fazer algo decente quando se demitiu. Mesmo que me irrite a pose de D. Sebastião.

Vou votar PS, mesmo que ache que é um saco de gatos tão grande como o PSD. Vou votar PS mesmo que ache que vão voltar os mesmos que desistiram do país em 2001. Mas vou votar PS porque quero que Santana desapareça de vez; e quero que o PSD sofra com isso; e quero que uma maioria absoluta não lhes dê desculpas para não fazerem o que têm de ser feito; e porque quero mudança num país que não se respeita.

Não vou votar CDU porque um partido que não considera a renovação e expulsa os críticos, não é um partido democrático, mas uma asfixia. Tenho pena de não votar CDU. Tenho mesmo pena porque apresentam trabalho, porque acreditam no que fazem e porque dão ao partido o que ganham na Assembleia.

Não vou votar no Bloco de Esquerda porque não acredito. Parece-me sempre que se estão a candidatar à Associação de Estudantes de uma escola secundária. Não acredito na pose neo-anarca que mantêm e porque desperdiçam o espaço que têm para ser negligentes com questões sérias: prostituição, toxicodependência, homossexualidade. Tratam-nas de forma abrupta e quase arrogante. O que, por vezes, os aproxima do fundamentalismo do CDS-PP. É por isso que a frase de Louçã não me surpreendeu. Eu sabia que debaixo daquela figura se escondia um burguês do pior.

E não vou votar Bloco de Esquerda porque a aproximação que estão a fazer ao PS não só é escandalosa, como me parece perverter os seus princípios. Seriam (são) mais úteis na oposição que no governo. E espero que assim consigam mudar o estado das coisas. Mas não sou capaz de votar neles. Mesmo que esteja com eles na necessidade de discutir políticas de ruptura. Acho é que questões como o aborto, eutanásia, casamentos entre homossexuais e liberalização de drogas não vão lá por referendo. Vão por imposição. O país não sustenta a evolução natural. É muito lenta.

Vou votar PS porque estou cansado de instabilidades políticas. Porque quero um país que cresça. Porque preciso de me sentir capaz de trabalhar sem andar constantemente a perceber quem vai ser o decisor das questões que me interessam. E vou votar PS mesmo sem ter percebido o que é o choque tecnológico, sem saber como vai o PS tratar das questões que importam sem ceder aos interesses maiores e aos populismos, sem saber que futuro me reserva. E também sem acreditar que para a cultura irão fazer melhor.

Mas vou votar no PS porque já não aguento mais. Vou, pela primeira vez, votar de forma inconsciente, por necessidade e de olhos fechados. Vou votar no PS porque, enfim, quero acreditar que um dia uma nova geração de políticos vai surgir. Mas que isso só surge com um Portugal confiante. E não quero que me acusem de não ter ajudado. Como só temos duas hipóteses de formação de governo, resta-me votar em quem tem essa oportunidade.

O meu voto é, por isso, também e ainda um voto de protesto. Incluíndo contra o PS que fugiu.

Eu acredito nas instuições, nos que têm o poder, nos que podem ajudar. Eu quero ajudar, preciso que me digam como. Se o meu voto no PS ajudar, contem com ele. Mas, por favor, não me traiam. Outra vez. Estarei atento. Ao mínimo deslize revolto-me. E não responderei por mim.

Este texto pode parecer incoerente, incompleto e inseguro. Mas é o resultado de desilusões políticas.

Estreia (hoje)

Sobre a mesa a faca
Co-criação Cão Solteiro + Teatro Praga


Fotografia: Susana Paiva

Sobre a mesa a faca é um espectáculo co-produzido pelas companhias Cão Solteiro e Teatro Praga, que sentiram a necessidade de levantar a seguinte questão: Qual é a possibilidade de concretização de um objecto artístico comum, sem que nenhuma das companhias perca a sua identidade?

Sobre a mesa a faca apresenta um esforço de colaboração e um confronto de identidades e, dando seguimento aos últimos trabalhos das duas companhias, é um trabalho que se quer como um ensaio visual/vital, de leitura aberta.

Num ringue, e em tumulto constante, desfilam as mais diversas interrogações: O que é público e o que é privado? O que é meu e o que é teu? Lutaremos? Quem sobreviverá? Quem terá mais poder? Alguém aniquilará alguém? Um universo transparente ou reflector? O que é verdade e o que é mentira? Quem és tu e quem sou eu? Isto é real ou inventado? Estão a olhar para mim ou estão a olhar para ti? Sou eu um micróbio sobre a faca? E a mesa, o mundo? E eu, e eu (entra a música)....

Deve:
Não há mesa. Não há faca. Não há tendência para definir o espectáculo segundo uma regra simples ou segundo uma única cena ou actividade. Não é sobre nada. É sobre tudo. Não há só um sítio onde se pode falar. Não se fala só para o público. Não se fala. Fala-se.

Haver:
As personagens são finalmente bem-vindas. Há o lixo do mundo. Há mãos que se erguem em prol de atenção. Há segundas peles de protecção. Há uma cidade. Há a cidade e os seus textos. Há os artistas e os seus textos. Há conversas/entrevistas. Há o reconhecimento individual a partir duma estrutura de "refém do outro". E a cidade ergue-se. E a cidade desmorona-se. Há o hino da América. Há dinheiro, muito dinheiro. Há morte sem sangue. Há feridas com sangue. Há cão com peste, há pragas que ladram. Há vozes do além. Há o aqui e o agora. E nada mais.


Temporada: 15 de Fevereiro a 5 de Março_20h30 - armazém Hospital Miguel Bombarda | bilhetes: 5€ s/descontos para profissionais, jovens ou idosos.

Sobre a mesa a faca co.criação: cão solteiro + teatro praga | interpretação: André e. Teodósio, Carlos Alves, Marcello Urgeghe, Paula Sá Nogueira, Pedro Penim e Sofia Ferrão | apoio à dramaturgia: Manuela Correia | figurinos: Mariana Sá Nogueira | cenografia: Nuno Carinhas | execução de figurinos: Teresa Louro, Palmira Abranches e Natália Ferreira | produção e promoção: Pedro Pires | desenho: Mariana Sá Nogueira | design gráfico: Triplinfinito


Informações: 21 887 21 52 | 96 526 47 05 | praga_teatro@hotmail.com




Zapping teatral ou a teatralização dos media?, um comentário do Dr. Daniel do Carmo Francisco ao espectáculo

Espectáculos do teatro Praga analisados neste blog:

Título (1ª parte, 2ª parte)
Private Lives

Sobre o contexto cultural em que as duas estruturas se inserem

Reportagem de Joana Gorjão Henriques no suplemento Y do jornal Público