domingo, fevereiro 13, 2005

9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


CÉNICO DA INCRÍVEL ALMADENSE

O TESOURO -
Adaptação de conto infantil de Manuel António Pina
m/4



13 de Fevereiro às 17:00
no SALÃO DE FESTAS DA S.F. INCRÍVEL ALMADENSE
Rua Capitão Leitão 3, Almada
Tel.: 212 750 929

Encenação Cristina Azevedo e Eugénia Conceição Interpretação Francisco Gonçalves, Pedro Cavaco, José Ganhão, Mafalda Zambujeira, Henrique Santos, Tina Norvick, Raul Fróis, Marisa Braz, Elisa Chança, Andreia, Joana Simões e Janete Dramaturgia C.I.A. Figurinos C.I.A. Fotografia Cristina Azevedo Grafismo Cristina Azevedo e Eugénia Conceição Luz José Carlos Santos Som José Carlos Santos Cenografia C.I.A. Produção Executiva C.I.A.

A adaptação, para teatro, do conto infantil de Manuel António Pina - "O Tesouro" - é uma forma, simples, de contar às crianças uma estória, simples, sobre um período da história menos simples.
Tendo como base o conceito, nada simples, da liberdade e sua (re)conquista, relembra-se o 25 de Abril de 1974 e comemoram-se os seus 30 anos.

Cénico da Incrível Almadense

Em 1998, no âmbito das comemorações do 150º Aniversário da S.F.I.A., foi reactivado o Grupo Cénico da Incrível Almadense, que esteve estagnado durante dez largos anos. Genuinamente amador, o grupo conta com cerca de 30 elementos, de idades compreendidas entre os 14 e os 80 anos.

Após a sua reactivação, já fazem parte do seu historial 11 produções teatrais e nove cafés-concerto. Inicialmente teve o privilégio de ser encenado pelo Dr. Malaquias de Lemos, seguindo-se João Vasco Henriques, Cristina Azevedo e Eugénia Conceição, contando nos outros sectores com a preciosa colaboração de elementos como a figurinista Alice Rolo, o técnico de luz e som José Carlos Santos e a caracterizadora Amélia Nobre, esta última também actriz. O Grupo faz questão de participar, ainda, na vida activa da Colectividade e Comunidade promovendo pequenas iniciativas comemorativas de efemérides.



ÚTERO

estreia absoluta
AUTO-RETRATO
de José Luís Peixoto
m/16



13 de Fevereiro às 21:30
numa casa abandonada, com encontro no Restaurante Farol, em Cacilhas

Direcção Miguel Moreira Interpretação Marta Cerqueira, Miguel Moreira Coreografia Romeu Runa Agradecimentos Jorge Moreira, Sara de Castro e Joana Simões

Auto - Retrato
Auto - Representação

Reflexão
Drama

Casa
Desejo

Uma pequena peça de vinte e cinco minutos seguida de uma conversa e um copo de vinho

Útero

O Útero foi fundado em 1997 por um grupo de artistas. O seu objectivo sempre foi promover um espaço de encontro, de reflexão, de experiência. Tem pesquisado os limites entre as artes performativas e as outras artes tentando aprofundar as técnicas que realcem as suas singularidades.


O anterior espectáculo do Útero analisado neste blog, Homeless/Manifesto

Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e Companhias de Teatro, excepto hiperligações. Fotografias digitalizadas a partir do programa da 9ª Mostra de Teatro de Almada.


sábado, fevereiro 12, 2005

Relato

Ouço na TSF a transmissão em directo dos comícios do PS, em Coimbra, e do PSD, no Porto. Parece domingo e os relatos de futebol. Matilde Sousa Franco cita Camões, José Gil, faz metáforas e lembra 1975. Santana fala de Sá Carneiro, de ser alvo de ataques injustos e desculpa-se com a rouquidão. A TSF tenta escolher os melhores momentos, mas Santana não diz nada. E no fim lê um texto religioso. Até cansa pá...

Consta que Coimbra recebeu em braços José Sócrates. O levantamento popular pedido por Nobre Guedes fica para outro candidato.
Carta de amor ao Central Park



A ler, no New York Times, um dossier sobre o trabalho de Christo e Jeanne-Claude, a propósito da inauguração da sua intervenção The Gates no Central Park, em Nova York.
9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


GITT - GRUPO DE INICIAÇÃO TEATRAL DA TRAFARIA

O PRECONCEITO VENCIDO
de Pierre Marivaux
m/12



12 de Fevereiro às 21:30
no AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA

Tradução GITT Encenação Pedro Silva Interpretação Joana Afonso, Marina Santos, Carlos Alfredo, Luís Henriques, Francisco Figueira Dramaturgia Pedro Silva Figurinos Pedro Silva Guarda Roupa GITT Grafismo Vítor Azevedo Operação de Luz Tino Palma Operação de Som Paulo Dionísio Cenografia Pedro Silva Produção Executiva GITT Administração Manuel Gama


"Procurei, no coração humano, todos os diferentes nichos onde se pode esconder o amor quando tem medo de se mostrar; e cada uma das minhas comédias tem por finalidade faze-lo sair desses nichos."
Pierre Marivaux

Marivaux pode ser lido hoje como nunca, fora da comédia de enganos, do maneirismo e da reconstituição histórica, como uma fábula eterna da procura e do desconsolo. assumindo o amor como um território mais estético do que ético, movimentam-se os corpos, as pulsões, as realidades e ficções na procura constante de quem nos satisfaz e nos faz sobreviver melhor. isto foi tão pertinente no século XVIII de Marivaux, como o é agora no século XXI criando um caleidoscópio de situações, Marivaux mostra e critica uma complexa gama de comportamentos atravessando classes e situações sociais entrechocando interesses de amos e criados, e destes e daqueles entre si.

Depois das obras do genial Moliére, as comédias de Pierre Marivaux são as peças mais representadas nos teatros de França. em Marivaux, há só um tema: o amor. Marivaux afirmava que as suas peças tinham como tema o amor, o modo como o amor escondido se escusava a revelar-se; tirá-lo do nicho e levá-lo, pela verdade, à descoberta de uma nova liberdade, a de uma identidade antes não pressentida: eis a trama de fundo das suas peças. o amor é tratado como um sentimento puro.- resumido naquilo que, como se disse, é o cerne de todo o comportamento psicológico de Marivaux: o gosto pela vida.

GITT - Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria

O Gitt - Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria , foi fundado em 1972. Grupo de Teatro amador e independente por escritura pública em 1966 constitui-se em Associação Cultural sem fins lucrativos. Realizou 290 espectáculo com 23.907 assistentes. Participou em diversos festivais de teatro do norte ao sul do país, tendo efectuado espectáculos fora do continente. (Madeira e Angola). Realizou pela primeira vez no Concelho de Almada cinco ciclos de cultura durante os anos de 1978 a 19/82 durante o período de 24 de Abril a 10 de Maio, com espectáculos de teatro, cinema, música, bailado e exposições. Tchekhov, Strindberg, Moliére e Brecht foram entre outros autores representados pelo GITT.

Colaboraram com o G.I.T.T pessoas que estiveram ou ainda estão ligadas ao teatro profissional, tais como, Fernanda Lapa, Rogério de Carvalho, Alberto Pimenta, José Caldas, Dalton Asseff, Marques d'Arede, Filipe Domingues, Maria Emilia Castanheira e Arqº.José Manuel Castanheira.


Informações da responsabilidade do Departamento de Acção Socio-Cultural da Câmara Municipal de Almada e Companhias de Teatro, excepto hiperligações. Fotografias digitalizadas a partir do programa da 9ª Mostra de Teatro de Almada.




sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Arthur Miller (1915-2005)

Fecha-se o pano sobre um dos mais brilhantes e influentes pensadores do teatro e da sociedade norte-americana. Arthur Miller morreu ontem. Foi-se o dramaturgo, o lutador anti-denúncia, o iconoclasta. Foi-se parte da histórica cultural do século XX. Fim de espectáculo.



9ª Mostra de Teatro de Almada (hoje)


NINHO DE VÍBORAS - ASSOCIAÇÃO CULTURAL

estreia absoluta
MYSTÉRIO!
de Karas

11 de Fevereiro às 21:30
AUDITÓRIO FERNANDO LOPES GRAÇA
m/12



Interpretação João Lima (guitarra portuguesa, harmónica, programações), Nuno Morão (piano), Vitória Horta (Elvira), Cristina Gonçalves (Bento-Rico), Karas (Bento-Pobre), Joaquim Pedro (Dom Mystério) Música Original João Lima Arranjos para Piano Nuno Morão Figurinos Tânia Franco Operação de Luz e de Som Paulo Diegues Fotografia de Cena António Coelho Grafismo Gabriel Orlando Texto, Encenação, Direcção Musical, Cenografia, Iluminação e Produção Executiva Karas

"Viver ou morrer?"
Durante a Expo '98, a convite das companhias O BANDO e OLHO, participei como actor em "Inácio", uma das máquinas-espectáculo que integravam a "Peregrinação" - máquina essa, concebida por elementos do OLHO (João Garcia Miguel e Eric Costa, entre outros).

Este projecto alimenta-se, por um lado, das memórias dessa experiência, na qual desenvolvi e interpretei a personagem já então denominada "Mistério" (figura que sugeria, vagamente, "O Enterro do Conde de Orgaz", de El Greco), e do seu impacto no meu percurso artístico. Constitui, por outro lado, passados trinta anos sobre a revolução dos cravos, uma reflexão sobre a cultura portuguesa; para tal, auxiliei-me de espólios documentais disponibilizados pela extinta Comissão dos Descobrimentos ("Actas do Conselho do Estado da Índia, 1618-1632") e pela Fundação Mário Soares ("Caricaturas no Diário de Lisboa, 1921-1926").

Na tentativa de criar um objecto artístico original, seremos ajudados por canções que versam o amor e a morte, num itinerário que se quer onírico, lúdico e, acima de tudo, comunicativo.



Argumento:
Uma noite de Maio de 1926. Elvira, uma jovem com aspirações artísticas, regressa a casa, vinda do Teatro Amaryllis, onde trabalha na bilheteira. Vem enebriada e transformada com o recital que assistiu pelo grande actor italiano Ricardo Bacchirri. E desse êxtase se deixa precipitar na melancolia, ao dar?se conta que o seu quotidiano está muito longe das altas esferas da arte, que ela tanto almeja.

Elvira pressente, mas desconhece, que mais alguém habita aquela casa. Todas as noites, um dos seus objectos pessoais lhe parece ter sido deslocado, na sua ausência. Ali reside, de facto, desde o sombrio século dezassete, um espírito antigo: Dom Mystério, criatura que, não estando viva, também não está propriamente morta, amaldiçoado que fora por uma devadassi (bailadeira) enquanto desembargador na Índia . E esta noite, o lascivo Mystério tomará por presa a incauta Elvira.

A tudo isto observam, em contemplação, estudo e acção contida, dois emissários extraterrestres: Bento-Rico e Bento-Pobre - figuras com atitudes distintas, mas que perseguem o mesmo fim: que cada coisa reconheça a sua própria natureza. Sendo que uma verdade tanto mais o é quanto mais o seu contrário a demonstra.
KARAS (Junho de 2004).

NINHO DE VÍBORAS

"O Ninho de Víboras é uma associação cultural criada em 1996 por um colectivo de artistas com formações e percursos distintos, que partilham entre si um conjunto de valores éticos e estéticos. A sua área de intervenção privilegiada é o concelho de Almada. As suas realizações, de natureza multidisciplinar, têm-se manifestado nas áreas do Teatro, Dança, Música, Artes Plásticas e Audiovisuais, organizando também acções de formação, conferências e debates.

Os trabalhos do Ninho de Víboras dão primazia à comunicação franca e clara com os espectadores, à provocação e à subjectividade, procurando aprofundar o diálogo com a sociedade e cultura portuguesas".

Toda a programação da 9ª Mostra de Teatro de Almada, aqui.

informações da responsabilidade da estrutura, enviadas pela acessoria de imprensa da 9ª Mostra de Teatro de Almada
9ª Mostra de Teatro de Almada


Começa hoje, em Almada, a 9ª Mostra de Teatro, uma colaboração da Câmara Municipal com as estruturas do concelho. O evento dura até 27 de Fevereiro e decorre em vários espaços. O Melhor Anjo vai acompanhar alguns dos espectáculos, dando conta, como habitualmente através das análises aos mesmos.

A Mostra de Teatro de Almada é uma iniciativa organizada anualmente pela Câmara Municipal de Almada e os Grupos de Teatro do Concelho. A sua organização visa promover e divulgar a diversidade que, no campo da produção teatral, tem vindo a ser realizada pelos grupos de teatro de Almada.

O evento procura integrar todos os Grupos do Concelho que nela queiram participar, amadores ou profissionais, pois tem como principais objectivos contribuir para dar maior visibilidade aos próprios grupos de teatro existentes, contribuindo igualmente para a criação de hábitos de consumo cultural, designadamente na área do teatro, não esquecendo a possibilidade de reforço das competências técnicas e artísticas dos elementos dos grupos de teatro do Concelho, através do desenvolvimento de acções de formação e promoção de troca de experiências entre os grupos de teatro participantes.

Este ano, realiza-se a sua 9ª edição, de 11 a 27 de Fevereiro, contando com a participação de 13 Grupos de Teatro do Concelho, num total de 17 espectáculos - incluindo 8 estreias absolutas -, que se distribuirão por vários locais. O evento contará ainda, pela primeira vez, com a apresentação de um espectáculo convidado de fora do concelho [The Scum Show, pela Inestética (Vila Fanca de Xira)], com o intuito principal de aproximar outros teatros de Almada, por forma a diversificar numa perspectiva de integração com o exterior. Serão desenvolvidas igualmente, actividades complementares à da própria apresentação dos espectáculos.


Ver Programação aqui

O evento conta ainda com actividades paralelas.

Tal como nas edições anteriores, a Mostra de Teatro de Almada conta com um conjunto de actividades complementares aos próprios espectáculos que vão desde a formação ao cinema, sem esquecer um espaço à reflexão e ao debate. Estas actividades contribuem para criar em Almada um forte sentimento de festival, desenvolvendo uma dinâmica cultural de significativa importância.

FORMAÇÃO

Atelier "A construção do Personagem"
Organização: Teatro de Papel
Formação dirigida por Yolanda Alves
Dia 4 de Março - das 21h00 às 23h30
Dia 5 de Março - das 15h00 às 19h30
Dia 6 de Março - das 15h00 às 19h00
Local: Convento dos Capuchos

Exercícios práticos para a construção do personagem segundo o método de Stanislavski. Será também trabalhada a expressividade do gesto.

Workshop de [Movimento Público]
"O INCRÍVEL CORAÇÃO DAS PAREDES"
Organização: Câmara Municipal de Almada e Piajio
Orientadores/Formadores - Jean Marc Dercle e Afonso Guerreiro

O exercício terá como base de inspiração o quotidiano e, alguns dos exercícios de improvisação serão realizados na rua e em espaços públicos, servindo de matéria para a criação.

Destinado a maiores de 14 anos, com ou sem experiência na área do teatro.
Diariamente de 28 de Fevereiro a 13 de Março
Horário - 18h30m às 21H30m
Local: "Incrível Club"
Numero máximo de participantes - 25

Informações e Inscrições |grátis|
Sector de Acção Cultural - Câmara Municipal de Almada
21 272 47 35

PAUSA - A ARTE DE BEM RECEBER

Sextas e Sábados, entre 11 e 26 de Fevereiro - 23h30
Organização: Piajio
Local: Incrível Club

Tal como na edição anterior, realiza-se de novo o café concerto "Pausa", uma possibilidade de encontro entre o público e os participantes da Mostra de Teatro de Almada, dando assim, continuidade a um ambiente de festa, diálogo e partilha de experiências.

Programação:
Dia 11 - É por Aqui?! (espectáculo intimo??)
Dia 12 - Refilon (afro-jazz) e Dj R4
Dia 18 - Lata Dog (em acústico)
Dia 19 - Safados (fados e guitarradas)
Dia 25 - Bandex(electroacústico)
Dia 26 - "Já cá estão todos?"(espectáculo vivo)


PROGRAMAÇÃO CINEMA

Programação de Cinema a cargo de OUTROS OLHARES, sobre a temática do teatro:

16 de Fevereiro, 21:30
"Noite de Estreia", de Nick Cassavetes

23 de Fevereiro, 21:30
"Se Podes Olhar, Vê. Se Podes Ver, Repara.", de Rui Simões

Local: Auditório Fernando Lopes Graça
Preço: 3€


CONVERSAS COM OBSERVADORES

Convidar um determinado grupo de observadores que desenvolvam um comentário relativo às peças que virem, o qual servirá como base para as conversas a desenvolver em dois sábados no Incrível Club.


BILHETES
Normal - 5€
Grupos de 10 ou mais elementos - 3€
Cartão 50% Desconto* - 5€
*Para todos os espectáculos, o público tem a possibilidade de adquirir o Cartão 50% Desconto que, pelo valor de 5 euros aufere um desconto de 50% em todos os bilhetes comprados. A aquisição do Cartão está limitada à lotação das salas de espectáculo. O cartão é pessoal e intransmissível e será vendido em número limitado.

Para qualquer informação adicional:
Sector de Acção Cultural da Câmara Municipal de Almada
Tel: 21 272 47 35 Email: accao.cultural@cma.m-almada.pt
Assessoria de Imprensa - Hugo Cortez - 93 466 59 45
www.m-almada.pt

informações (excepto hiperligações) da responsabilidade do Sector de Acção Cultural da Câmara Municipal de Almada

Sondagens (I)

Em período de eleições, O Melhor Anjo adere às famosas sondagens. Mas sobre coisas que importam. Assim, quer-se saber quem é que ganha o jogo de CLOSER? A minha aposta é o Clive Owen, mas parece que há outras opiniões. E como cada um tem a sua, vamos lá a saber... Quem escolhes?

A) Alice (Natalie Portman)


B) Larry (Clive Owen)


C) Anna (Julia Roberts)


D) Dan (Jude Law)


Votações na coluna da direita, por favor. Até dia 24 de Fevereiro. E se quiserem comentar, usem as caixas respectivas. Obrigado

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

O construtor de Homens

Análise à proposta de Tiago Guedes para o 11º LAB
Espaço Re.Al, 05 Fevereiro 2005



A proposta de Tiago Guedes para o 11º LAB leva ao limite a ideia de espaço de experimentação da iniciativa. Está entre um objectivo e um objecto. O espectáculo que vai surgir* ainda está muito distante. Cabe então ao coreógrafo apresentar algumas das linhas estruturais do seu novo projecto.

No caso, e depois de trabalhada a matéria exterior (Materiais Diversos, 2003), Tiago Guedes procura pensar o corpo como elemento de ocupação/contaminação. Seja através da "presença branca" em palco ou carregando-o de outros materiais. Outras pessoas incluídas.

Para isso requisitou a presença de cúmplices/corpos, de forma a questionar o seu poder individual, quer como coreógrafo, quer como intérprete. Portanto, depois do "resto", chegou a "sua vez". Esta ideia de trabalhar o eu-corpo/pessoa relaciona-se pouco com o mito de Narciso, mas mais com o que Lipovetsky definiu como cultura do individualismo. A necessidade de compreender o seu lugar dentro dos objectos artísticos que cria. Perceber, no fundo, o que há de seu nas coisas que faz.

O criador utiliza, deliberadamente, os outros como espaços de criação. Como extensões do eu. E, no fundo, o espectáculo vai-se desenvolvendo dentro de Tiago Guedes. E neste baralhar e voltar a dar, vai definindo o que procura. Vai transformando gestos que podem não ser nada em pontos de contacto. Vai procurando defender-se de eventuais vazios interpretativos. É para isso que servem os espaços de experimentação.

Portanto, a proposta não quer significar um espelho, mas antes uma contaminação. A Inês Jacques e Martim Pedroso não é pedido que façam de Tiago Guedes, mas antes que, baseando-se num mesmo sistema de repetição/insistência, possam proceder a um jogo de imitação/superação. Ou seja, são auxiliares de memória. E contribuem para a construção de uma imagem do outro, através da manipulação do corpo. O mais simples e sem artifícios possível. Em nome de uma estabilidade, reconhecimento e utilidade performática. Em nome de uma definição. Do lugar de cada um, mas também do objecto artístico. Numa altura em que mais facilmente se justifica uma proposta performática aparentemente não definida como híbrida, Tiago Guedes parece querer forçar a existência de fronteiras e quase afirmar que é tudo uma questão de forma.

Margarida Medeiros defendeu (Fotografia e Narcisismo, 2000), que «esta contaminação entre dispositivos enunciativos das artes é outro dos elementos que reforçam a ideia de incertezas do Eu perante os limites do seu discurso e do seu corpo, ou da emergência das pulsões distintivas.». E, na verdade, as fronteiras de um objecto são essenciais para a compreensão da sua utilidade.

No caso concreto desta proposta, a sua utilidade reside na vontade de devolver ao corpo e à intenção a organicidade. Ou seja, o momento em que poderia ser visto/lido sem qualquer interpretação para lá do que é. O momento-zero, se quisermos. O radical. É, portanto, uma proposta a caminhar em flashback. Para que se perceba de onde e porque veio. «A representação do outro ou de si surge pois como manifestação de uma presença no mundo, como ponto de vista sobre esse mundo, mas também como forma de potencialmente o recriar ou restaurar.», continua Margarida Medeiros.

Esse ponto de origem que pretendem recriar está dividido em três imagem, uma por cada intérprete. Considerando que essas imagens podem desaparecer dentro do objecto final (aqui não importa o que existe, maso que se faz com isso), convêm fixá-las, mais não seja para, mais tarde, ajudar a entrar dentro dele. Assim, a cada um dos intérpretes é entregue uma imagem que deve ser explorada até ao limite. Uma abordagem semiótica, portanto.

Inês Jacques apresenta-se deitada no chão, a perna esquerda flectida até meio da cintura e o braço direito esticado para lá da cabeça. O braço esquerdo permanece junto ao corpo, retraído. Os olhos estão fechados. Martim Pedroso está sentado, de costas quase curvadas. As pernas cruzam-se e os braços acompanham a curvatura do corpo, compondo um ângulo que cria um centro a partir das mãos com os dedos tensamente colados. Tiago Guedes está em pé, com uma das pernas avançada em relação ao corpo e o braço direito levantado, com a mão supostamente a segurar um objecto. Portanto, as posições são de descanso, reflexão e defesa. Por uma questão de referências visuais é fácil uma mataforização sobre os posições evolutivas do Homem ao longo dos tempos. Portanto, Tiago Guedes pode caminhar para uma posição de "construtor de Homens". Mais perto da perfeição, talvez.

Ideia que, aliás, é testada quando trocam de posições, se imitam ou levam ao abstracto os movimentos que formam essas imagens. Estabelecem um diálogo solitário com o outro, fingindo fazer duetos ou imitando os maneirismos. E provocam o espectador nas suas definições formatadas ao brincarem com os classicismos da dança e do movimento. Da mesma forma que Materiais Diversos assumia uma certa vertente pueril, esta proposta parece ir trabalhar o quotidiano. E até mesmo o quotidiano da criação de um objecto que se quer proposta de dança.

À medida que se vão envolvendo nesta coreografia de experimentação, vão procurando a organicidade do corpo e da imagem, libertando-a de qualquer definição. O que Tiago Guedes propõe não é, portanto, um regresso ao "radical" para dele não evoluir, mas antes um que permita observar as implicações enunciadas no seu nascimento. Para que, mais tarde, se possa prever o seu caminho.

Tiago Guedes estabelece, por exemplo, um diálogo com estas imagens corporais, impondo-lhes músicas anacrónicas, desde o piano à pop mais primária, procurando perguntar como responde o corpo às várias músicas. No fundo, como responder e filtrar, para a criação de um objecto, o conjunto de referências (procuradas, impostas e recusadas) que o rodeia? A reacção é sempre a mesma, independentemente do que se usa?

Como, para já, o objecto está longe de conclusão, o que o coreógrafo apresenta é o seu momento de impasse. Esta apresentação mostra-se assim, presa em si mesma e isso torna-a o mais honesta possível. Porque, por enquanto, pode ser tudo.

E por poder ser tudo, essa honestidade obriga quem vê a reconhecer o corte na relação tradicional espectáculo/espectador. Portanto, depois de utilizar os cúmplices do palco, quer saber dos outros na plateia. E, com os intérpretes presos aos movimentos repetidos e ad aeternum, o público tem que perceber que o objecto não está completo e seguirá em regime interno. Para já é só, parece dizer o coreógrafo.

E eles continuam nos movimentos até não significarem nada, até haver público na plateia, ou músicas para dançar, ou coisas para dizer, ou energia para fazer, ou vida para viver, ou dias iguais aos outros.

*Trio, projecto coreográfico com estreia absoluta dia 1 de Abril de 2005 no Le Vivat em Armentères (França) e com estreia nacional dia 14 de Abril na Culturgest, Lisboa. Concepção: Tiago Guedes. Interpretação: Inês Jacques, Martim Pedroso, Tiago Guedes

Tiago Guedes
Residência artística de 17 de Janeiro a 5 de Fevereiro 2005
Apresentação pública 5 Fevereiro 2005 18h00
Concepção e interpretação: Tiago Guedes Colaboração artística e interpretação: Inês Jacques, Martim Pedroso Assistência: Pietro Romani Coaching: Francisco Tropa (artista convidado), João Fiadeiro, João Queiroz

Próxima apresentação
Mário Afonso
26 Fevereiro 2005
Espaço Re.Al

Sobre o 11º LAB
Sobre a anterior criação de Tiago Guedes, Materiais Diversos (2003)




Katherine Hepburn

A propósito da estreia de O Aviador e da discussão com o André, acerca da interpretação/apropriação/imitação de Cate Blanchett no filme, oportunidade para rever um clássico de Katherine Hepburn: Sylvia Scalett, hoje, na Cinemateca, às 19h30.




SYLVIA SCARLETT
De George Cukor
Estados Unidos, 1936 - 94 min.
legendado em português

Foi o fracasso deste filme que fez com que Katharine Hepburn fosse denominada “veneno de bilheteira” pelos produtores. O público ficou desorientado diante de um filme em que ela passa quase todo o tempo a fazer de rapaz. A ambiguidade da relação deste “rapaz” com o protagonista masculino, Cary Grant, na primeira “parceria” com a actriz, num misto de atracção e irritação, dá ao filme um segundo sentido, muito mais gritante do que o das comédias sofisticadas sobre a “guerra dos sexos”. in Cinemateca

Notícias do dia (a ordem de importância é à escolha do leitor)

- No Opinião Pública, da Sic Notícias, hoje de manhã, 78% dos espectadores manifestaram-se contra a realização de novo referendo sobre o aborto;

- Camilla casa-se com Carlos. Maioria dos ingleses está contra

- Começou o trabalho de instalação da nova obra de Christo no Central Park, NY

- Glória de Matos, Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Nicolau Breyner, Agustina Bessa-Luís, Marina Mota, Wanda Stuart são apoiantes de Santana, o homem que é de sentimentos.
Casa de Espelhos

Análise ao espectáculo A Missão ou Porque as raparigas continuam a querer ir para Moscovo, de Mónica Calle




Para o espectador a abordagem ao espectáculo é feita de duas formas: no momento e na expectativa. No momento porque se apercebe que o que se desenrola à sua frente não se irá repetir. E na expectativa, já que sendo-lhe dada a oportunidade de assistir/participar naquele momento criativo, vê, ao mesmo tempo, ser-lhe recusada a concretização do processo/espectáculo. Não na ideia de que cada espectáculo é diferente ou irrepetível, mas porque acontece no justo momento, dando novo significado à efemeridade inerente ao teatro. Mesmo se o que se apresenta todas as noites sofra variações.

Na verdade, o que Mónica Calle propõe é uma observação do quotidiano de construção de um processo criativo. A Missão... torna-se, assim, um acto de reflexão/metaforização acerca da capacidade de entrega da encenadora à necessidade de fazer. Mas em cada noite, a coisa fica por cumprir. A Missão... é, por isso, um convite ao regresso e à espera conjunta. A um procurar sem pressas. A contrariar a urgência. Ao espectador oferece-lhe a verdade do momento. Ambígua e frágil, certamente. Mas a verdade do momento. Trata-se, por isso, de uma proposta de continuidade que se não se encerra aqui, antes permite afirmar que "este" é o limite da criadora. Essa é a única ideia finita de A Missão... .

A "cena" já está montada quando o espectador entra no novo espaço da Casa Conveniente. Ana Ribeiro, Mónica Calle e Mónica Garnel trabalham-no, fazendo cimento, pintando paredes, arrancando materiais. O que à partida possa parecer um aquecimento para o espectáculo, depressa se torna numa coreografia de intenções. O que obriga o espectador a procurar uma ideia de poética do quotidiano. Força-o a assumir que o que se passa é o próprio espectáculo. Joga-se, portanto, no campo dos limites da definição teatral e com as expectativas do espectador. E logo faz surgir a pergunta: acabará este espectáculo quando a Casa Conveniente estiver pronta?

A demolição de um edifício é muito mais eficaz que a sua construção. Muito mais poética, até. Porque se permite a uma série de interpretações que vão desde uma ideia de libertação (social, política, cultural, ...), à definição de re-nascimento. Mónica Calle, ao partir precisamente para a construção, estabelece uma relação umbilical com o espaço, dando-lhe forma e moldando-o ao seu projecto-total: a ideia de um teatro o mais depurado possível que tem menos de Grotowskiano do que seria de esperar. E ainda bem. É por isso que esta é uma proposta de esperança. A criadora também estabelece um contrato de confiança com o espaço. Muito provavelmente porque, agora, Mónica Calle se sente capaz de olhar de frente este novo lugar e enfrentá-lo. Talvez por isso A Missão... não tenha sido o primeiro espectáculo a ser apresentado na nova Casa Conveniente, mas Esquina de uma rua (2004). A casa haveria de se impôr no processo, quando quisesse. Quis agora. É tempo de a construir, querendo dela outras ideias, fontes de inspiração, caminhos a seguir.

Em cada canto da nova Casa Conveniente vai estar a sua marca. E no que isso representa de confrontação, Mónica Calle vai-se forçar a avançar cada vez mais para um processo que recuse a repetição ou a implosão. Antes se vai retrabalhando a partir da confrontação com a memória viva dos espectáculos que se apresentaram no espaço. Seus e dos outros. Mesmo os que transformarem a Casa Conveniente num "teatrinho".

Porque se trata de algo para seguir, até ao limite. Até ao momento em que se sentir que esse caminho, essa forma, esse objectivo está esgotado. E aí o corte será radical. Irreconhecível, diria.

No entanto, esta aposta corre o risco de ser considerada hedonista, já que exige do espectador uma apreensão da morosidade do processo centrado no criador e na sua forma de trabalhar. Trata-se de uma observação activa, significando exactamente que Mónica Calle reconhece que cada presença é fundamental para o espectáculo. Ali os espectadores não são anónimos. Mantêm o nome, a biografia, as dúvidas e a pose. São pessoas, por inteiro.

Ora, sabendo que por mais que se reclame uma verdade teatral, o que se passar no espaço definido como cénico será sempre teatro, o que se procura com A Missão... ? Uma teatralização dos sentidos? O definir de uma fronteira entre o que é encenado e o que é espontâneo? Onde estão os limites? É o teatro de Mónica Calle um teatro de entrega última?

A Missão ou Porque as raparigas continuam a querer ir para Moscovo é, nitidamente, uma proposta de ocupação/apropriação. De um espaço, mas também de textos. Mónica Calle convoca, outra vez, As Três Irmãs, de Tchehkov, para dele extrair mais um pouco de lógica para o seu processo criativo. A lógica aqui não é a de contextualização ou necessidade de dar ao espectáculo uma dramaturgia visível. Sobretudo porque a criadora já descarnou a peça anteriormente (As Três Irmãs ou Que importância é que isto têm?, 2003). O trabalho de Mónica Calle é dos mais activamente dramatúrgicos porque envolve os textos escolhidos de um sentido primário, como devem ser todas as escolhas e abordagens. Sente-se, por isso, que as opções que faz se prendem com uma necessidade de testar a força das palavras no corpo, no gesto, na voz, no espaço e no espectador.

Por ela (nela!) já passaram, entre outros, Fiama Hasse Paes Brandão, Tchekhov, Rainer Werner Fassbinder, Walter Benjamin e Rimbaud. Autores pessoas, que obrigam a um pensar e um reflectir que vá para além da colagem e utilização inconsequente. Cada uma das escolhas prende-se com essa vontade de trabalhar o humano, a pessoa, o Homem enquanto ser em definição. Daí a exposição. Do processo e dos espectadores.

Desta vez, e para além da perseguição a As Três Irmãs (confundindo-se quem persegue quem, se o texto à criadora, se o contrário), cruza Tchekhov com Heiner Müller, mas, e sobretudo, com manifestos políticos, hinos revolucionários... mas, principalmente, com o silêncio de uma obra em construção. A Missão... é, assim, uma viagem ao universo interior de um processo. Bem como dos textos, da criadora e dos espectadores.

O trabalho de trolha que as actrizes executam é, em si mesmo, uma encenação. Sabemos que nenhuma delas é trolha na vida real. E isso obriga-nos a reflectir sobre as máscaras que usamos ao longo do dia. Até porque a forma como as três actrizes o fazem o denuncia: caladas, lentas, sozinhas a executar tarefas. Uma coreografia, portanto. Quase que podemos recordar Björk em Dancer in the Dark se fecharmos os olhos e nos deixarmos levar pela musicalidade dos movimentos mecânicos e operários. Encenação denunciada, ainda, pela interrupção que provocam nessa aparente realidade de construção para representarem/dizerem/falarem os referidos textos. Chegam mesmo a definir um espaço para a representação "clássica": um avançado preto que serve de palco para os discursos.

Repare-se na dúplice condição dos planos. Real e teatral em perfeito confronto. É mais verdadeira a construção do espaço ou os momentos textuais? Podemos afirmar que ambas os níveis (se há níveis) são falsos e verdadeiros. E que tudo isso permite o desenvolver de A Missão... como uma proposta que não recusa o seu sentido primeiro: trata-se de teatro. O mais puro possível. E em nome de uma necessidade de devolver ao teatro essa capacidade de se misturar com a vida e não se fazer distinguir. Não é, por isso, inocente a utilização de hinos ou discursos revolucionários. Num palco são matéria dramatúrgica e o tempo deu-lhes uma aura mística, distanciada e crente. Tal como o teatro quer ser.

Dois momentos do espectáculo permitem compreender a forma como Mónica Calle trabalha a sua relação com o espectador e a procura de verdade. Tal como em As Três Irmãs... onde pediam para que nos juntássemos no 3º acto e lêssemos as deixas, as actrizes de A Missão... solicitam ao espectador ajuda para alguns momentos. Sendo que os textos se repetem de actriz para actriz até se tornarem num só discurso a diversas vozes, num dos momentos Mónica Calle dirige-se a um espectador, pedindo-lhe ajuda para a cena. Essa ajuda consiste em enfiar-lhe a cabeça num balde com água, enquanto recita um texto. A mesma cena tinha já sido feita com Ana Ribeiro no lugar que agora é de Mónica Calle e a encenadora no papel que agora entrega ao espectador.

Se primeiro percebemos que as duas actrizes se entregam à descoberta dos limites de resistência de uma e outra (passividade/agressividade), quando chega a vez do espectador, procede-se a uma transferência de poderes. Mónica Calle entrega-se nas mãos do espectador, no caso uma mulher. Terá este capacidade para ser verdadeiro ou representará? Onde reside o poder de escolha? Que lhe pede o espectáculo? Que deve ele fazer? Como reage a actriz? Como segue o espectáculo? Perguntas que se encerram na encenação de um acto de violência e que mexem com as definições do papel do espectador no processo de construção teatral. Respostas que, provavelmente, não cabem no teatro. Na mentira que se espera que seja o teatro. E, no entanto, houve a oportunidade de passar a linha.

Outro momento dá-se já perto do final do espectáculo, quando a encenadora convida um homem para se juntar perto dela e o guia pelo seu corpo. Não é novidade no trabalho da criadora a exposição do corpo. Uma espécie de distanciamento em nome do espectáculo que se remeter para Brecht reduz muita da verdade da proposta. Os casos de A Virgem Doida (1992) e Rua de Sentido Único (2001) são paradigmáticos. Se no primeiro caso a actriz se transformava em poema de Rimbaud e anulava um hipotético quotidiano decadente para o transformar em matéria teatral, no segundo, rompia fronteiras entre espectador e actor, ao apagar as luzes e deitar-se numa cama larga com um estranho.

No caso de A Missão..., Mónica Calle confunde o seu corpo com o da personagem que interpreta (também Mónica Calle) e oferece-se ao observador. Chama-o para que ele a reconheça apesar das transformações do espaço (actuais e futuras), da envolvente e das pessoas. Quer que ele veja o que mais verdadeiro há de si. O que ela está disposta a dar em nome de um processo. Assim, leva a mão dele ao seu corpo, indicando-lhe os braços e os olhos e a barriga... Mas ao chegar aos pontos sexuais (lábios, vagina, mamilo), diz-lhe, quase sussurando: "as tuas mãos". O teatro, que assume aqui a sua vertente sensorial, torna actriz e espectador(es) cúmplice(s) num território de partilhas. E co-responsável(is) pelo que acontecer. Em nome de um teatro o mais honesto possível, mas que não deixe nunca de ser teatro.

A Missão ou Porque as raparigas continuam a querer ir para Moscovo oferece-se enquanto objecto de estudo, muito para lá do conceito de site-specific. Se é certo que ficará inerentemente ligado ao espaço da Casa Conveniente (e por isso é irrepetível, porque dependeu da sua construção física), é certo também que jamais desaparecerá. Até porque cada espectador que quiser regressar vai sentir que também está em cada canto do teatro. Para sempre.



A Missão ou Porque as raparigas continuam a querer ir para Moscovo
Espectáculo de Mónica Calle com: Ana Ribeiro. Mónica Calle. Mónica Garnel. Direcção de produção: Sílvia Jorge
A partir de 5 Janeiro 2005 até 15 Fevereiro
3ª a sábado das 20h00 às 23H30
Entrada até 22H00
Preço único: 7,5 €
Reservas: 96 930 49 38 ou 21 3420635
Pérolas da campanha eleitoral


Na noite passada, eles esmeraram-se.

O PSD conseguiu enganar Simone de Oliveira e ouviu Agustina Bessa Luis dizer que Santana é um homem comum, mas isso não é ser medíocre;
O PP inventou novo slogan, depois da força do PC: CDS/PP significa Com a derrota de Sócrates, ganha Paulo Portas;
O BE citou o António Variações e o seu apelo para mudar de vida.

Está bonito isto, está.

E para ajudar à festa os soldadinhos de chumbo que estiveram no Iraque viram a sua chegada adiada para as 8 da manhã, com a devida presença do incansável Primeiro-palhaço Santana. Afinal que audiências é que existem às 4 da manhã?

courtesy of TSF e Renas e Veados

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Teatro português em Búlgaro

Depois da participação no Seminário Internacional de Jovens Críticos de Teatro, os participantes estabeleceram uma rede de contactos que torna o teatro que se faz nos seus países mais próximo. Depois da publicação de algumas críticas de espectáculos apresentados no PoNTI no último número do Duas Colunas, e de referências dispersas pelas publicações onde os críticos trabalham, na Bulgária é apresentado um dossier sobre o teatro português.

Com organização de Andreea Dumitru e Oana Bors, conta com participação minha («Breve olhar sobre a relação entre as condições de produção e a prática teatral no teatro contemporâneo português»), Maria Helena Serôdio («Dramaturgia Portuguesa Actual») e Eugénia Vasques («Teatro Português no ano 2000»), bem como a análise a alguns espectáculos do PoNTi, por Oana Bors. Tudo em búlgaro, claro.

Abaixo a capa da revista Teatrul azi, 1º trimestre 2003 e a 1ª página do meu artigo. Para búlgaro ler. Ainda que se começarmos a tentar perceber o que lá está, não seja difícil apanhar a ideia geral.


Pedro f.

Parabéns.



Billy Boys, Jack Vettriano
do amor e da paixão

Morre-se de amor. E da falta dele. E do amor que os outros têm, mas não é nosso. E do que gostávamos de ter ou voltar a ter. Na falta do amor e da paixão sobra o tempo imenso até ao novo amor e à nova paixão. E nesse tempo todo, que é imenso, morre-se sempre. Pelo amor. Ou a falta dele. Nosso e dos outros.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Resumo do dia

Sem internet e o computador a falhar, overdose do Programa da Maria, o dia todo, na SIC Comédia.

Dizem que sendo Carnaval, não se leva a mal. Vão explicar isso a quem tem que trabalhar.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Confronto tecnológico IV

Ao princípio da noite decidiu sair de casa e procurar no desconforto do frio algo mais do que tinha em casa. Regressou com uma garrafa de vinho tinto e abriu-a. O ar ficou cheio dessa coisa estranha que viu na rua. E depois bebeu. Até ao fim de cada copo.