terça-feira, janeiro 18, 2005

Escola Superior de Teatro e Cinema

Em boa hora, a Escola Superior de Teatro e Cinema lança um Boletim Informativo, dando conta das propostas de abertura à comunidade pensante e actuante. Eis o que sugerem para este mês de Janeiro

Dia 18 - Workshop sobre O MÉTODO SUZUKI E A DANÇA BUTOH - orientação de Nuno Gil (até dia 21 de Janeiro de 2005)
18h30 - 20h30 sala 108 do Departamento de Teatro
Uma organização da Associação de Estudantes da ESTC


Dia 20 - Lançamento do Livro de Virgínia Victorino e a Vocação do Teatro: Percurso de um Sucesso de Júlia Lello
18h30 Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II
A Prof.ª Eugénia Vasques fará a apresentação da obra
Com a presença de Carmen Dolores e Maria Emília Correia para a leitura de excertos da peça A VOLTA
Uma organização conjunta do Teatro Nacional D. Maria II e da Escola Superior de Teatro e Cinema


Dia 27 - 1.ª apresentação do 3.º ano orientado pelo Prof. Rogério de Carvalho
11h sala 112


Dia 28 - apresentação do 3.º ano orientado pelo Prof. João Brites
10h Grande Auditório

- 2.ª apresentação do 3.º ano orientado pelo Prof. Rogério de Carvalho
15h sala 112

- Inauguração de uma exposição de Pintura
Foyer da Biblioteca

- Acolhimento da Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música
18h Grande Auditório


Dia 31 - Início do Curso Livre de Luminotecnia de Cena (até 16 de Março)
18h - 21h Grande Auditório
Inscrições abertas

Mais informações:
Escola Superior de Teatro e Cinema
Av. Marquês de Pombal, 22B - 2700-571 Amadora
T. 21 498 94 00/52 F.21 498 94 01
Já não era sem tempo da ILGA fazer uma coisa destas



A campanha sai por estes dias para a rua, as rádios, os jornais e a televisão.

courtesy of Renas e Veados, Farpas e Bitaites e ILGA
Estreia

Homeless - Manifesto

Útero apresenta
Homeless / Manifesto


de 18 a 27 de Janeiro
Praça do Rossio pelas 21h30

Local de encontro: à frente do Teatro Nacional D. Maria II

(desse local será encaminhado para o espectáculo)

Reservas: 96 573 29 82 / 96 547 01 59


Home Less / Manifesto é a nova intervenção do Útero, da autoria de Miguel Moreira, Paulo Castro e Sara de Castro, constituída por várias partes e formatos.

Entre os dias 18 e 27 de Janeiro o público é convidado a encontrar-se às 21h30, em frente ao Teatro Nacional D. Maria II, onde será informado das regras a serem seguidas. Ser-lhe-à entregue o vídeo de candidatura de Miguel Moreira a Director do Teatro Nacional D. Maria II (realizado com a participação de Romeu Runa) e assistirá, nesse mesmo local, à leitura do Manifesto.

Seguirá então, guiado por Miguel Moreira, até ao local da segunda intervenção. Será uma marcha na qual o Útero convida o espectador a reflectir sobre os males do mundo de hoje. "Uma marcha que no interior espelha a nossa revolta perante este mundo que é nosso. Que reflecte sobre a urgência de uma intervenção clara e inequívoca na sociedade".

A segunda parte do espectáculo decorre numa casa em construção perto do teatro, espaço onde três personagens (interpretadas por Miguel Moreira, Paulo Castro e Sara de Castro) discutem entre elas o modo mais claro de intervir nesta Lisboa Decadente.

Esta intervenção começou a ser delineada quando o Útero pensou fazer um trilogia a partir de Basquiat, Baselitz e Max Ernst. De uma entrevista a Basquiat onde lhe perguntaram qual a razão de criar, ele respondeu ser 80% por raiva que nasce a nossa necessidade de questionar o mundo inquieto que nos revolta.

Nasce, assim, a vontade de dar voz à revolta e à injustiça.

Em Março, serão editadas entrevistas a vários artistas à frente do Teatro Nacional D. Maria II (na altura da reposição deste espectáculo).



Home Less / Manifesto de e com Miguel Moreira, Paulo Castro e Sara de Castro Apoio cenográfico Joana Simões Direcção Miguel Moreira


informações da responsabilidade da companhia, excepto hiperligações
LAB_Re.Al

No sábado passado, 15 Janeiro, a Re.Al, abriu as portas da sua nova casa, ali ao Poço dos Negros, em Lisboa, para dar conta de um novo fôlego para o seu trabalho de produção e criação de espectáculos de dança. Estes objectos artísticos, encontram agora um espaço para respirar, longe de partilhas de instalações e locais efémeros. O espaço, ainda em recuperação mas que promete tornar-se num novo centro de criação e pensamento, permite uma reflexão sobre as formas que a dança em Portugal encontrou para sobreviver ao rame-rame logístico e burocrático. Apostada em fortalecer as ligações com o estrangeiro e em dar um novo lugar para o que de mais relevante se vai fazendo na dança em português, a Re.Al de João Fiadeiro et all, volta a utilizar, pela 11ª vez, o modelo dos LAB para convidar/convocar público, críticos e outros criadores à participação dos seus objectos.

Assim, nos próximos meses, vamos poder assistir à apresentação de projectos em desenvolvimento de Cláudia Dias, Tiago Guedes, Gustavo Sumpta, Mário Afonso ou Ana Borralho e João Galante. Não se tratando de espectáculos fechados e definitivos (se é que há tal coisa), estas propostas de discussão/observação servem antes o propósito de questionar os objectos artísticos, numa fase em que isso permita a contaminação e não o desvirtuar ou mesmo a aniquilação desses objectos. Não se escusam, no entanto, a uma viragem de direcção. Uma espécie de "posto de abastecimento" para a urgência criativa. Questionar, assim, o lugar do espectador e confrontar com outros criadores e pensadores o significado do projecto.

"No LAB os artistas falam do que ainda não sabem. Aquilo que pensam saber, será útil para dar início aos trabalhos, mas aquilo que verdadeiramente nos interessa é que venha à superfície o que se encontra nas entrelinhas desse saber. Para estimular e provocar essa qualidade, acompanhamos os artistas em residência na evolução dos seus processos. No final de cada residência, cria-se um momento de confronto com o público, momento delicado e frágil para objectos tão voláteis, mas tão necessário para que um olhar ainda virgem e bruto possa questionar, e se possível desfazer, quaisquer ideias que tenham entretanto sido construídas", dizem na apresentação destas propostas.

O Melhor Anjo apresentará um post sobre esses objectos desenvolvendo, no final, um texto que reflicta sobre as questões levantadas por estes objectos em formação. Um contributo para a discussão. Com o público, os criadores e os produtos finais.


11º LAB

Cláudia Dias
Tiago Guedes
Mário Afonso
Gustavo Sumpta

Outros espectáculos produzidos pela Re.Al e analisados neste blog:

Materiais Diversos, de Tiago Guedes (Setembro 2003)
I am Here, de João Fiadeiro (Maio 2004)


Amor(daçado)

Em 2003, a artista plástica Cornelia Parker causou escândalo e sensação ao amarrar O Beijo, de Auguste Rodin, com cordas. As cordas branco sujo seguiam as tensões da obra escultórica, apresentando-se mais apertadas na zona das cabeças e deslizando pelo resto do corpo. A obra, apresentada na TATE, em Londres, foi contestada por vários artistas e público. E um deles acabou por convocar uma manifestação para "libertar" O Beijo. Estavam previstos 200 casais, apareceram 15 dispostos a beijarem-se em público enquanto o artista cortava as cordas à estátua. A polícia multou-o e Cornelia Parker voltou a amarrar O Beijo, desta vez salientando os nós e os laços, numa clara alusão a arame farpado. A questão que se coloca, hoje e sempre, é: que podemos nós fazer com as obras de arte e até onde vão as intervenções artísticas?


The Distance (a Kiss with added string)

"Cornelia is interested in the intensity of the work [The Kiss]," Judith Nesbitt, the exhibition's co-curator, said yesterday. "These are two lovers wrapped up in each other. It is suggestive of some of the constrictions of relationships." [...] Parker says her bound lovers have "historical reference points". She took her precise length of string from a famous episode when Marcel Duchamp criss-crossed a gallery with a similar length.

Sobre a instalação

No strings attached
Rodin's lovers bound with a mile of string
Meta-interventionism?

uma sátira à instalação, aqui.

post feito depois da passagem de um documentário na :2


segunda-feira, janeiro 17, 2005

sábado

"Quem ama sente-se atraído, não apenas pelos "defeitos" da amada, não só pelos tiques e pelas fraquezas de uma mulher; as rugas no rosto, as manchas hepáticas, os vestidos usados e um andar torto prendem-no a ela de forma muito mais duradoura e inexorável que toda a beleza. Há muito tempo que se sabe isso. E porquê? se é verdadeira a teoria que diz que a sensação não se aloja na cabeça, que sentimos uma janela, uma nuvem, uma árvore, não no cérebro, mas antes no lugar onde as vemos, então também ao olhar para a amada estamos fora de nós. Com a diferença de que, neste caso, estamos dolorosamente tensos e arrebatados. A sensação esvoaça como um bando de pássaros, ofuscada pelo esplendor da mulher. E, do mesmo modo que os pássaros procuram abrigo nos esconderijos da folhagem da árvore, assim também as sensações se refugiam na sombra das rugas, nos gestos sem graça em insignificantes máculas do corpo amado, a cujos esconderijos se acolhem em segurança. E ninguém que passe se apercebe que é aqui, nos defeitos e nas falhas, que se aninha a emoção amorosa fulminante do adorador."

Walter Benjamin, Rua de Sentido Único, in Imagens do Pensamento, Obras Escolhidas de Walter Benjamin, org., ed., trad. e notas de João Barrento, Assírio & Alvim, Lisboa, 2005
Por cima do ombro

Na coluna da direita, pode agora aceder-se a um conjunto de jornais que servem de consulta diária. A lista será actualizada regularmente. A coisa evita que ande sempre a escrever o site nas pesquisas de internet. Por isso, se quiserem espreitar por cima do ombro e ler "as gordas", façam o favor. Neste caso eu não me importo.
A lei dos amantes (55)

O silêncio nem sempre é de ouro



courtesy of Renas e Veados, Avioneta Malabarista e Resistente Existencial
Plasticina



Através do Dinis, dá-se a conhecer o site Plasticina (www.plasticina.luscofusco.net).

O projecto plasticina surge como um desafio académico, mas desde logo pensado como algo a dar continuidade fora do âmbito universitário. Os objectivos passam pela criação de um espaço onde novos projectos artísticos possam ser divulgados, aproveitando as capacidades actuais do multimedia on-line para possibilitar uma outra forma de acesso à arte.

+ O plasticina.web.pt procura ser um espaço aberto a todos os criadores, mesmo para aqueles que não ambicionam seguir uma carreira ligada ao mundo das artes.

+ Este comporta, numa primeira fase, trabalhos desenvolvidos nas áreas da música e das artes visuais - como sejam a fotografia, o design gráfico, e o desenho. Perspectiva-se a inclusão de projectos noutros campos como a escrita e o webdesign, entre outros.

+ Através da sinergia criada com o projecto, pretende-se ainda dar vida off-line aos trabalhos expostos.
Poética do quotidiano (LXV)

O Juanito Banana Pastelinho de Belém, do blasé De Puta Madre, começou uma série de posts sobre os metropolitanos do mundo. Depois de Londres, é hoje a vez do metro de Moscovo. A sugestão foi minha e o Juanito Pastelinho promete outras paragens, umas russas e outras não. O prémio de hoje vai, por isso, para esta "viagem". A merecer visita obrigatória. Aqui fica um aperitivo (a estação de Mayakovskaya) e o link para o sistema de metro de Moscovo.




sábado, janeiro 15, 2005

Tiago Guedes

WORKSHOP PARA PARTICIPAÇÃO NA NOVA CRIAÇÃO de TIAGO GUEDES


Inscrições abertas a todos os interessados
data limite de inscrição 26 de Janeiro 2005
Datas : de 31 de Janeiro a 5 de Fevereiro e dias 11, 12 e 13 de Abril
Horários : das 19h às 22h~

a) Apresentação pública: 5 de Fevereiro às18h

Local: ATELIER RE.AL_ Rua Poço dos Negros n°55_1200-336 Lisboa

b) Espectáculos: 14, 15 e 16 de Abril às 21h30

Local: CULTURGEST_ Edifício Sede da CGD, Rua do Arco do Cego_1000-300 Lisboa

Para a criação do seu próximo espectáculo "TRIO" (título provisório) que terá a sua estreia nacional no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, dias 14, 15 e 16 de Abril, o coreógrafo Tiago Guedes convida um grupo de 50 pessoas a participar num workshop, em duas fases, no total de 12 dias. A partir de acções simples, propõe-se trabalhar sobre a ideia de composição coreográfica sem que esta esteja ligada a uma técnica artística específica.

Trabalhando quase como um arquitecto, Tiago Guedes interessa-se por criar imagens e situações coreográficas e pelas possibilidades de as transformar através da intervenção de elementos exteriores (pessoas, materiais, adereços). No âmbito deste workshop, os participantes serão solicitados a criar e construir colectivamente imagens e situações a partir de propostas enunciadas pelo coreógrafo.

Serão convidados a recriar imagens que foram anteriormente construídas pêlos intérpretes do espectáculo e a fazer com que estas imagens ganhem outra dimensão, outros corpos e uma outra densidade. Serão confrontados com a ideia de multidão, de uma massa coreografada em função de regras preestabelecidas, de uma massa humana que age colectivamente para invadir, transformar e habitar o espaço.

O resultado da primeira fase do Workshop será apresentado publicamente no dia 5 de Fevereiro no Espaço RE.AL, no âmbito da 11a edição do LAB.
Os participantes integrarão também as apresentações públicas da peça coreográfica na sua estreia em Lisboa, no Grande Auditório da Culturgest nos dias 14,15 e 16 de Abril, usufruindo assim da possibilidade de ter uma experiência de palco.

Para mais informações e/ou inscrições:
RE.AL /Sofia Campos Rua Poço dos Negros n°55
1200-336 Lisboa PORTUGAL
tel: +351 21 390 92 55 fax: +351 21 390 92 54
email: real.s.campos@mail.telepac.pt



sobre o anterior espectáculo de Tiago Guedes, Materias Diversos

Poética do quotidiano (LXIV)

Com o regresso da série Poética do Quotidiano, vai-se tentar procurar a reformulação da ideia. Na mesma linha da Poética de Natal (ver posts de 23 a 26 de Dezembro) e da proposta especial coming out's (que ainda vigora até ao fim deste mês e aguarda participações). Por isso, pode ser que nestas poéticas se encontrem artigos de jornal, imagens, frases e, claro, os posts que se fazem ao prémio.

O prémio de hoje é uma primeira proposta para essa reformulação e vai para o Boss, do Renas e Veados, e a sua cobertura à entrevista de Santana Lopes publicada no Jornal de Notícias. São quatro posts, devidamente comentados com a habitual sagacidade bossiana, e dos quais abaixo se apresentam os links.

Nos túneis, como nos cartazes, avançar primeiro, perguntar depois

Aqui o mais rigoroso será dizer "sobretudo" em vez de "embora"

O seu a seu dono

Eu também não, ou nunca, para ser mais rigoroso



Do outro lado do espelho

(Análise ao espectáculo Figurantes, Teatro Nacional S. João, encenação de Ricardo Pais)



Figurantes funciona num jogo de espelhos e reflexos que, como dizia José Luis Borges, revelam muito mais a quem ousa aproximar-se deles. Quase nos fazem cair lá dentro. Do outro lado está Arranha-Céus (1999, Teatro Nacional S. João). Talvez o não possa parecer de forma directa, já que de 1999 a 2004, Jacinto Lucas Pires escreveu outros textos e desenvolveu técnicas de escrita. Mas é-o, na medida em que, ao representar o regresso do autor às mãos de Ricardo Pais, se permite o cruzamento de memórias, fantasmas, referências e até citações. Mais não seja, porque entre estes espectáculos de Jacinto Lucas Pires há duas de linhas de força sempre presentes: a definição das relações e o cinema como espaço de crença.

Se Arranha-Céus funcionava como um puzzle sem lógica aparente que no final era apresentado ao espectador como uma fantasia onírico-cinematográfica, já Figurantes invade um território de desconhecimento alicerçado somente nas descrições dos actores e na vontade de conduzir o espectador num território secreto, obscuro e vago (ia dizer de vácuo, mas ...). Arranha-Céus era pleno de referências quotidianas e sinais/signos de imediato reconhecimento. Insistia num cruzamento de universos para dar conta de um padrão comportamental comum. Contudo, abandonava o espectador nessa ilusão cinematográfica, onde tudo é possível. Onde tudo é real. Basta crer.

E se Arranha-Céus era puro cinema (não faltava Marilyn, canções, movimento, personagens cartoonescas, situações inverosímeis que só o cinema permite), Figurantes é puro teatro. Não só porque imediatamente nos reportamos a Pirandello e a Seis personagens em busca de um autor (mas também Beckett e, sobretudo, Ionesco), mas ainda porque se aposta numa nova definição para a mítica 4ª parede. Em Arranha-Céus o espectáculo explodia e atravessava a plateia para redimensionar as noções de arquitectura teatral. A cena terminava literalmente suspensa no tecto do S. João, numa espécie de metáfora acerca do amor que faz voar. Mesmo que a intenção fosse o suicídio.

Figurantes existe a um nível quase subterrâneo. No que antes era explosão, agora temos introspecção. As personagens deixam de cumprir caminhos diferentes que se cruzam para construírem uma história comum, composta por aquilo que sabem e reconhecem no outro como seguimento da sua própria história. Funcionam como uma espécie de respigadores, quando antes eram manequins. Curiosamente, nem uma nem outra definição os torna mais humanos. Nunca deixam de ser fantasmas, bonecos, visões... E aposta-se numa constante mutação entre seres visíveis e invísiveis; personagens reais e fictícias. Teatro e cinema, afinal, como veículos para uma percepção da realidade. Ou, no fundo, a arte como uma construção/reconstrução da natureza, num questionar permanente sobre as suas regras de funcionamento.

O aspecto mais visível deste aparente jogo de espelhos é uma aposta num simulado anacronismo entre a velocidade do texto escrito e o registo de encenação. Como se um e outro quisessem aniquilar, através da manipulação do corpo e da voz do actor, uma identificação por parte do espectador. Em Figurantes, o nível de abstracção/indizível é de tal forma evidente que se torna necessário confiar nas personagens. Mesmo que estas aparentem um alheamento da realidade e pouco mais saibam que o espectador. Mesmo que o discurso pareça um forçado representar do quotidiano. Portanto, menos Billy Wilder e mais Fellini. Menos humanos a fazerem de actores e mais actores a fazerem de humanos.

Sendo o teatro um jogo de maior risco que o cinema (a imprevisibilidade do momento tanto age a favor como contra), Figurantes aposta nesse risco para se apresentar como um objecto invísivel, em que nem sequer o corpo/expressões dos actores (normalmente suportes emocionais para o espectador) parecem indicar a solução. Permanentemente isolados, espectador e personagens/actores, num jogo de servidão e controlo. Por quem? Provavelmente pelos manipuladores autor e encenador, uma espécie de deuses ex-machina que tardam em aparecer. Para que a história termine. Mesmo que não seja num final feliz.

Figurantes
Teatro Nacional S. João - Porto
13 a 23 Janeiro 2005
3ª a Sábado 21h30; Domigo 16h00
de JACINTO LUCAS PIRES encenação RICARDO PAIS cenografia PEDRO TUDELA figurinos BERNARDO MONTEIRO desenho de luz NUNO MEIRA desenho de som FRANCISCO LEAL preparação vocal e elocução JOÃO HENRIQUES interpretação JOÃO REIS, ANTÓNIO DURÃES, JOÃO CARDOSO, JORGE VASQUES, EMÍLIA SILVESTRE LUÍSA CRUZ MICAELA CARDOSO NUNO M CARDOSO PEDRO ALMENDRA

Outros espectáculos apresentados no PoNTI'04 e analisados neste blog:

mPalermu + La Scimia (encenação Emma Dante, Teatro Garibaldi, Itália)

Die Glasmenagerie + Zerbomt (encenação Armin Petras, SchauspielFrankfurt, Alemanha)

Teatro de Papel/Anfitrião (encenação Marcelo Lafontana, Teatro das Formas Animadas de Vila do Conde/Teatro Nacional S. João, Portugal)

Sobre o PoNTI'04 e o Seminário Internacional de Jovens Críticos de Teatro


Regressos

Os soldadinhos de chumbo que foram para o Iraque, regressam em plena campanha eleitoral. Espera-se o pior, com benção à pátria, louvores militares e aproveitamentos à americana.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Poética do quotidiano (LXIII)

É o regresso da afamada e conhecida série Poética do Quotidiano. Não sei se diariamente se conforme as modas.

O prémio de hoje vai para dois bloggers. A convite do Je bois, o Pedro Efe passou a colaborar com breves apontamentos sobre as miudezas dos crianços (os de cada um, claro). Assim, o prémio vai para os dois blogs e para as últimas duas miudezas. A série Miudezas merece consulta obrigatória e diária no Je bois.

Miudezas VII (rebento de pedro efe)
Danço um tango com a minha filha. Bebo lágrimas.

- Porque é que estás a chorar?
- Porque esta música é bonita, filhote. E as coisas bonitas também fazem chorar.
- Mas as coisas bonitas não te deixam contente?
- Sim...
- Então, as caras contentes não estão a chorar, estão a rir, com as bocas para cima!


Miudezas VI
Bebo uma caneca de café.

Depois do pequeno-almoço, de saída (atrasados) para levar o meu filho à escola.
Depois de ter vestido um fato, camisa e sobretudo pretos.
- Pai, vais a um casamento?!
- Não filho. O pai hoje tem uma reunião importante.
- E vai haver um casamento nessa reunião?




A lei dos amantes (54)

faz-te ao pão, faz-te... nunca se sabe se apanhas alguma migalha

courtesy of O meu lado esquerdo
Subtilezas

Pentágono considerou desenvolver bomba sexual

O Ministério da Defesa norte-americano (Pentágono) considerou desenvolver um conjunto de armas químicas não letais para abalar a moral e a disciplina das tropas inimigas, tais como uma bomba sexual, indicam documentos secretos agora divulgados.

Uma das armas mais bizarras consistia no desenvolvimento de um afrodisíaco que tornasse os soldados inimigos sexualmente irresistíveis uns para os outros.
A intenção era provocar um comportamento homossexual generalizado entre as tropas, o que causaria um golpe «desagradável mas não letal» à moral dos soldados, refere a proposta.

Outras propostas incluíam armas que atraíssem enxames de vespas enfurecidas ou ratazanas furiosas para posições militares, tornando-as inabitáveis.

Um outro projecto consistia em desenvolver um químico que causasse uma «forte e duradoura halitose», tonando fácil identificar guerrilheiros que se tentassem esconder entre civis, enquanto um outro visava tornar a pele dos soldados insuportavelmente sensível à luz do sol.

As propostas são de um laboratório da Força Aérea em Dayton, Ohio, e datam de 1994. O laboratório procurou obter fundos do Pentágono para financiar a pesquisa do que designou como «molestadores e aborrecidos químicos de identificação dos maus da fita».


Fado tropical (o nosso, infeliz, pequenino, triste e ausente de credibilidade e respeito pelos outros)

Via Enresinados chega um absurdo em forma de notícia. Que disparate e falta de respeito. E quem é que tem alguma coisa a ver com isso?



A este propósito (e ao que aí vem) é favor ler com atenção o post do Bruno, Boatos, vida pública e homossexualidade .

De toda a maneira, para além do facto de chafurdar na vida privada de cada um, dizer que Santana é um orador brilhante e apoiado pela classe artística é não ver as coisas como elas são.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Petição

Finalmente uma coisa que vale a pena. Vejo no Agridoce que corre uma petição on-line a solicitar à RTP a edição em DVD do Duarte & Companhia. Para assinar (ou para quem não acreditar) aqui.


A revista 365 encontrou um presente de natal que agrada a todos.





Entrevistou a menina delicada, doce e encantadora que queria saber que raio tinha acontecido ao coelhinho e ao pai natal depois de terem apanhado o comboio para o circo. A menina cresceu, chama-se Filipa qualquer coisa impronunciável e couldn't care less para o avôzinho, para os chocolates, para o coelhinho ou mesmo para o Natal.



Maravilhoso.
2 brothers, 1 country

Harry, the Nazi


The Sun, via BBC, via Renas

William, the King


Alison Jackson
Colombus Rex

O Centro Comercial Colombo, em Lisboa, tem patente até 03 de Fevereiro de 2005 uma pequena exposição de moldes e alguns fósseis de dinossauros. Promovida pelo MEF (Museu Paleontológico Egidio Feruglio) da Patagónia, Argentina e com a colaboração do Museu de História Natural de Lisboa, serve como oportunidade para ver de perto o que forma aqueles animais. O evento tem ainda a participação de aliunos da Faculdade de Ciências de Lisboa, que dão explicações várias. Parecíamos todos uns miúdos a olhar para aquilo. Até se pode tocar num osso de dinossauro.



Não falta é claro a loja de recordações e a ideia de que é tudo para as crianças.
Pesquisas

A quem passar por aqui, procuram-se versões on-line ou arquivos de:

A Arte do Futuro
, de Richard Wagner
A Dimensão Oculta, de Edward T. Hall
Saber ver a arquitectura, de Bruno Zevi
A era do vazio, de Lipovetsky
A idade Neobarroca, de Omar Calabrese
e Simulacros e Simulações, de Jean Braudillard

obrigado
As coisas começam a compor-se.

Novo disco de Nikolai Lugansky já disponível.



Ana Hatherly

no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa
(até 20 Junho 2005)

Estreia (III)

Figurantes

Teatro Nacional S. João - Porto
13 a 23 Janeiro 2005
3ª a Sábado 21h30; Domigo 16h00



Espectáculo de abertura do PoNTI‘04/XIII Festival da UTE, Figurantes regressa ao TNSJ para uma curta série de apresentações. Escrito por encomenda, as personagens pensadas para um elenco pré-determinado (sobejamente conhecido do dramaturgo e do encenador), Figurantes foi sendo reescrito no processo de preparação e decifrado na sala de ensaios. Num lugar indeterminado, sete personagens tentam vencer o medo do escuro e encontrar-se com a violência escrutinadora de uma artificiosa máquina de luz. Dois velhos actores irrompem absurdamente por ali, carregados da memória da representação, ajudando, com o seu ar pré-mortuário, à catarse das culpas e violentas fantasias de toda aquela gente comum. Emerge, de entre todos, um intermediário que os ajuda a vencer o tempo, construindo uma história que começa nele próprio, e é o fim dessa história que nos revela onde estão, onde estamos. Pelo caminho, com aquela circunstanciada elegância que é a de Jacinto Lucas Pires, histeria, canibalismo e grã guignol introduzem uma feição teatral completamente inesperada.

de JACINTO LUCAS PIRES encenação RICARDO PAIS cenografia PEDRO TUDELA figurinos BERNARDO MONTEIRO desenho de luz NUNO MEIRA desenho de som FRANCISCO LEAL preparação vocal e elocução JOÃO HENRIQUES interpretação JOÃO REIS, ANTÓNIO DURÃES, JOÃO CARDOSO, JORGE VASQUES, EMÍLIA SILVESTRE LUÍSA CRUZ MICAELA CARDOSO NUNO M CARDOSO PEDRO ALMENDRA

duração aproximada [1:40] sem intervalo
Entrada: EUR 15,00 (Plateia e Tribuna) / EUR 12,00 (1º Balcão e Frisas) / EUR 10,00 (2º Balcão e Camarotes 1ª Ordem) / EUR 7,00 (3º Balcão e Camarotes 2ª Ordem)

estreia [12NOV04] TNSJ (no âmbito do PoNTI‘04/XIII Festival da UTE)

Teatro Nacional S. João
Praça da Batalha
4000-102 PORTO
Geral
T + 351 22 340 19 00


informações da responsabilidade da companhia, excepto hiperligações. A análise ao espectáculo, desenvolvida no âmbito do Seminário Internacional de Jovens Críticos de Teatro durante o PoNTI '04/13º Festival da UTE, será apresentada até ao fim de semana.







quarta-feira, janeiro 12, 2005

Estreia (II)

Endgame revisitado



Teatro da Trindade
12 de Janeiro a 13 de Fevereiro
4ª a Sábado às 22h00 e Domingo às 17h00

Endgame é talvez a peça mais emblemática de Samuel Beckett. Pelo seu sentido trágico e cómico, pela maturidade da escrita e da construção dramática. Escrita originalmente em francês (Fin de Partie - 1957) foi traduzida pelo autor para inglês em 1958 com o título Endgame.

Confinados a um espaço fechado apenas com duas pequenas janelas que dão para um mundo de desolação onde o mar e a terra são uma única cor cinzenta, quatro personagens procuram o fim.
Hamm, o patriarca, meio Hamlet, impossibilitado de ver e de se levantar, comanda o patético e trágico universo da peça e simboliza, segundo Beckett, um mau jogador neste sórdido jogo existencial. Clov, meio escravo meio filho de Hamm, ameaça com recorrência que se vai embora, tal como Hamm do mesmo modo lhe pede que desampare. Mas a peça é ambígua entre o poder e a vontade e liga os dois personagens a uma relação de interdependência, de sadismo e de banalidade. Nagg e Nell, os pais de Hamm, estão dentro de dois caixotes e presos à memória de um tempo que se supõe ter existido outrora, em relação a um outro que se mantém imutável e que parece estar sempre aquém do fim.



Parceria Revisitada
Quando duas companhias de Teatro, com distintos projectos artísticos, encontram um espaço comum de cumplicidade humana e criativa, acredito estarem criadas as condições essenciais para se desenvolver um trabalho de parceria que resulte na produção de um espectáculo em que ambos se revejam.
Foi o que aconteceu com os Primeiros Sintomas e o Teatro Meridional. Assim, em Abril de 2004, estreámos Endgame, de Samuel Beckett, no espaço Karnart, em Lisboa. Perante os diversos desafios estimulantes que o espectáculo nos colocou, cedo sentimos vontade de olharmos de novo para este texto. Miguel Seabra (Teatro Meridional)

Endgame Revisitado
Co - Produção Teatro Meridional e Primeiros Sintomas
Autoria Samuel Beckett Tradução Francisco Luís Parreira Encenação Bruno Bravo Interpretação Diogo Infante (Hamm), Miguel Seabra (Clov), Gonçalo Amorim (Nagg) e Raquel Dias (Nell) Cenografia Stéphane Alberto Figurinos Chissangue Afonso Desenho de Luz Miguel Seabra Montagem e operação técnica José Rodrigues Fotografia de Cena Rui Mateus e Patrícia Poção Registo de Vídeo Edgar Feldman Design Gráfico Mackintóxico Assessoria de Imprensa Joaquim René Produção Temporada Mafalda Gouveia e Catarina Mascarenhas (Primeiros Sintomas) Produção Itinerância Mónica Almeida e Célia Pires (Teatro Meridional)

Teatro da Trindade
12 de Janeiro a 13 de Fevereiro
4ª a Sábado às 22h00 e Domingo às 17h00

classificação - maiores de 12 anos
duração 90 min

preço dos bilhetes
12 € (descontos para grupos, jovens, profissionais do espectáculo, idosos e deficientes)

Bilhetes à Venda: Teatro da Trindade 3ª a domingo 14h00 às 20h00 | FNAC | FNAC service (V. Gama) | ABREU | Ag. Alvalade | www.ticketline.pt |
Reservas Teatro da Trindade 21 342 00 00 | Ticket Line 21 00 36 300


ITINERÂNCIA:
Porto - Teatro Carlos Alberto
17, 18 e 19 de Fevereiro de 2005 às 21h30

Viseu - Teatro Viriato
25 e 26 de Fevereiro de 2005 às 21h30


informações da responsabilidade das companhias, excepto hiperligações
Estreia (I)

mostra




mostra. é o resultado de uma reflexão artística colectiva sobre o tema "a mulher na ruptura", tema da peça Na Margem da Vida de Gao Xingjian que o mesmo grupo de criadores levará à cena no final de 2005.

Esta reflexão, a partir da temática da peça de Gao Xingjian Au bord de la vie , surgiu da necessidade de se criar material artístico novo e de se trabalhar de uma forma mais livre, deixando o trabalho sobre o texto para uma fase posterior.

É comum estes processos ficarem escondidos ou serem partilhados apenas pelos seus criadores. Neste caso, .mostra vem dar a possibilidade ao espectador de partilhar o processo criativo e de confrontá-lo com o objecto final, tornando-se num público mais vivo e atento. ...

Ao entrar na mente de uma mulher, ao percorrer os interstícios dos seus pensamentos, memórias e desejos, é associada a imagem poética da casa. A metáfora da casa que é mente feminina, impregnada de uma teia de filamentos que, por sua vez, nos conduz numa viagem que explora todos os hemisférios, dissecados em todas as suas coordenadas.



Ao princípio, um extenso corredor branco, qual casulo imaginário que nos envolve num processo de preparação para a mudança do espaço exterior, quotidiano e colectivo para outro que é interior, mental e individual. O espaço cenográfico, cortado ao meio pelo volume branco do corredor iniciático, define os quatro estados psicológicos dessa mulher propostos pela dramaturgia: a ruptura, o passado, o presente e a margem.

O espectador, que vai deambulando num labirinto mental, descobre, afinal, que é simultaneamente viajante e voyeur naquele espaço ficcional e das situações cambiantes que nele são encenadas e representadas. Em cada uma das psicogeografias, nas quais a "quarta parede" foi derrubada para dar lugar à dimensão intimista da encenação, o espectador confronta-se com as tensões geradas na relação entre a mulher e o homem e da mulher consigo mesma. Dramaturgicamente, procura-se que o espectador vá ficando enrolado naquela teia, limbo entre desencantamento e loucura, não podendo fugir também ele ao processo de implosão gerado que termina num silêncio perturbante e interrogativo.

Quando o espectador percorre novamente o corredor de luz branca, agora no sentido inverso, dirigindo-se para o exterior do espaço da representação teatral, fica com a sensação de que acabou de empreender uma particular viagem, tendo experimentado várias dimensões inerentes à problemática da ruptura no feminino.

direcção Maria Gil apoio dramatúrgico Diogo Bento interpretação Sara de Castro e Tiago Barbosa música Marco Batista e Marina Hasselberg figurinos Catarina Varatojo cenografia Pedro Silva videasta e sonoplastia Pedro Paiva desenho e operação de luz Paulo Cunha apoio técnico Rita Trindade design gráfico Pedro Alves produção Maria Gil co-produção teatromosca

GALERIA BENTO MARTINS [Ed. Junta Freguesia Carnide]
12 Janeiro às 22h
13, 14 e 15 Janeiro sessões às 21h e 23h
Casa de Teatro de Sintra
28 Janeiro 22h
Bilhetes 5 €

Informações: 91 461 69 49 / teatromosca@hotmail.com


informações da responsabilidade da companhia, excepto hiperligações

Private

A espreitar com especial deleite e discrição este trabalho semiótico de Alison Jackson acerca do poder da imagem e da manipulação do quotidiano. Ou a forma como a projecção das nossas fantasias podem estar mais próximas da realidade do que pensamos.




courtesy of Mindtrap
Drama queen






terça-feira, janeiro 11, 2005

Nova entrada

Na lista da direita é favor consultar o novo link para o blod Cinema Xunga 2. Um verdadeiro festival de análises joco-sérias aos filmes mais inusitados. O cinema não voltará a ser o mesmo. A não peder, num ecrã de computador perto de si.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Bucholz (II)



Tinha-se aqui dado conta da necessidade de ajuda à Livraria Bucholz. Eis o resultado da iniciativa.

A Livraria Buchholz, em Lisboa, estava prestes a encerrar por motivos financeiros. Um cliente teve a iniciativa de contactar amigos e outros clientes através do correio electrónico. A finalidade era que todos contribuissem com uma ajuda para que a livraria continuasse aberta.

A Livraria Buchholz foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buhholz, que abandonou a cidade de Berlim depois da sua livraria e galeria de arte terem sido destruidas pelos bombardeamentos da II Guerra Mundial.

Apesar das afinidades com a propaganda nazi, a actividade de Karl Buchholz era incompatível com o regime de Berlim. O livreiro insistia em vender obras de autores proscritos pelo regime.

Sendo Lisboa a capital de um país neutral, a livraria aqui aberta cedo começou a ser frequentada por uma elite cultural que encontrava no espaço, no atendimento e na selecção de obras tudo o que normalmente só via fora de Portugal.

Os tempos mudaram entretanto e a livraria começou a debater-se com problemas financeiros e até com a possibilidade de fechar.

Um cliente habitual, para impedir o encerramento da livraria, contactou por correio electrónico amigos e outros clientes para que estes contribuissem com uma ajuda. O objectivo era salvar a livraria. E tudo indica que a iniciativa deu frutos.

Os actuais responsáveis pelos destinos da livraria não escondem a existência de problemas de tesouraria. Mas garantem que o encerramento está fora de questão.


Aviso de vírus no MSN

se alguem chamado electrical_storm21@hotmail.com te adicionar no msn, nao aceites. É um vírus. diz a todos no msn porque se alguem na tua lista o adiciona, tu tb apnhas o virus. Copia e manda para todos
O limite

Análise ao espectáculo A cabra ou Quem é Sílvia?


Cucha Carvalheiro (Fotografia de Susana Paiva)

A proposta do Teatro A Comuna leva-nos a reflectir sobre a inclusão de textos contemporâneos de projecção internacional no repertório das companhias. Para que sentido podem caminhar as estruturas e qual o contributo destes textos? Procura-se uma universalização do teatro ou aposta-se numa aproximação às realidades além-fronteiras? Como podem os textos ser pensados (e integrados) na lógica artística de uma companhia e, assim, ganhar outras leituras? Quem sabe que reflictam preocupações dos contextos onde as estruturas se inserem?

O espaço aberto que A Comuna representa (ou procura representar), permite a convivência de propostas teatrais mainstream (como é, nitidamente, o caso de A Cabra ou Quem é Sílvia?) com outras de carácter mais experimental, feitas ou não por elementos da companhia. O conjunto desses espectáculos contribui para a identificação de um espaço e de um modelo teatral. Assim, é bastante comum ouvir-se "já foste à Comuna?" ou "o que está na Comuna agora?". O espaço físico impõe-se sobre as opções artísticas e permite (mesmo que não se queira) a criação de uma realidade abstracta. Assim, é também comum ouvir-se "não esperava ver isto aqui" ou "está na linha do que têm apresentado", mesmo que não se tratem de espectáculos da companhia-residente.

Nesse sentido, o espaço A Comuna funciona como lugar de encontro de propostas nem sempre coincidentes e por vezes mesmo anacrónicas. A riqueza de um espaço desses é, ao mesmo tempo, uma aposta num mapa arriscado de relações com o público, com os outros criadores e com a própria orgânica da companhia. Portanto, quando a companhia-residente escolhe fechar o ano com um texto importado e de sucesso, que discurso está a provocar fazer? E que marcas quer deixar no seu repertório?

Podemos considerar que com A Cabra ou Quem é Sílvia?, a companhia se apropria de uma linha de pensamento que usa o teatro comercial para fazer chegar ao grande público questões que, pela sua natureza ou complexidade, encontram pouco eco noutros modos de expressão. Resgatam, assim, para o teatro, um lugar de discussão, análise e reflexão. Lugar esse que está na origem do nascimento do teatro. E que através do discurso criativo da própria companhia e dos intervenientes no espectáculo, o público terá a oportunidade de conhecer uma leitura que aponte o que atravessa e contamina um e outro universo. O do texto e o da companhia.

Não faz, por isso, qualquer sentido, a apresentação formal de um texto sem a marca impressiva de quem o trata. Importa, então, menos o que se tem, mas antes o que se faz com isso.

E no caso da peça A Cabra ou Quem é Sílvia?, estamos, nitidamente, a tratar de dois objectos singulares e cuja relação é frágil. De um lado o texto de Edward Albee e do outro a encenação de Álvaro Correia e a produção de A Comuna. Tratemos de cada um separadamente, para melhor compreendermos a sua relação.

Sente-se no texto de Edward Albee uma necessidade de reflexão sobre o lugar do homem e das suas escolhas num mundo pós-11 de Setembro. Nitidamente, é uma proposta-choque acerca do conflito entre as crenças individuais e a forma como estas se integram num padrão socialmente aceite. Que significado terá a vida de uma só pessoa e como perceber as implicações desta na vida de terceiros? No fundo, até onde vai a nossa responsabilidade nas acções dos outros?

Estas questões encontram no texto de Albee uma dimensão trágica, no sentido em que causam no espectador uma confrontação com o seu próprio percurso de vida e as escolhas nele reflectidas. E esta dimensão trágica, que claramente evoca o princípio aristotélico da utilidade do teatro e da força da palavra face a quem assiste, transforma uma banal crise familiar num conflito civilizacional. E o texto numa alavanca para a discussão dos limites, fraquezas, vontades, objectivos e certezas do homem.

Martin (Carlos Paulo) é um reputado arquitecto que aparenta uma vida normal e padronizada. Uma mulher, Stevie (Cucha Carvalheiro) que ama há mais de vinte anos, um filho (Billy, João Tempera) cuja homossexualidade já não é posta em causa por necessidade de evoluções discursivas e um círculo de amigos de onde se destaca Ross (Victor Soares), produtor de televisão que o quer entrevistar. A banalidade de Martin é composta por um conjunto de assumpções que ninguém ousaria pôr em causa. Nem o próprio Martin. Mas o reputado arquitecto, a quem foi entregue um projecto de grandes dimensões, esconde um terrível segredo. Apaixonou-se por uma cabra. Os efeitos devastadores desta revelação colocam estas personagens num jogo de equilíbrio de crenças e valores.

O que possa parecer anedótico depressa se torna numa discussão sobre os factos e as consequências destes. Sobretudo no que diz respeito ao abanão na estrutura familiar e social que esta revelação provoca. E não tanto pelo facto de se tratar de um caso de bestialidade, mas antes por se revelar, da parte de Martin, uma posição de crença e verdade na relação que estabeleceu com Sílvia. Relação essa que mais do que o completar, antes o ajuda a poder sentir-se integrado num mundo de isolamentos e estéreis individualidades. Como era a sua, antes de a conhecer. E que só com essa relação toma verdadeiro sentido.

Para Martin, importa menos a bestialidade, mas antes um certo nível de entendimento e compreensão que só um ser ingénuo, irracional, puro e em contacto com a natureza pode proporcionar a quem já tudo viu, tudo fez, tudo sentiu. Com Sílvia, Martin encontrou essa 4ª pessoa do singular. Uma conjugação gramatical que transporta as relações para mais do que uma soma das partes e que também não anula o lugar de cada um na relação. É essa a epifania a que Martin se refere. Algo de tão profundo que carece de compreensão racional. Logo, escapa às fronteiras das classificações sociais.


Carlos Paulo e João Tempera (Fotografia de Susana Paiva)

O texto de Edward Albee procura questionar a forma de envolvimento dos corpos e das almas e o aparente conflito latente. Nesse sentido, A Cabra ou Quem é Sílvia? releva-se ainda como uma proposta de leitura sobre os limites da sexualidade num mundo que se assume libertário. Qual é a última fronteira por conquistar? O que falta para o homem se tornar um santo, logo, mais perto da omnipotência? Essa que lhe permitiria chegar ao coração de cada um e, por isso, acabar com os desentendimentos, as guerras, as contradições, as tristezas... Que falta ao homem para ser Deus? Para ser o seu próprio Deus? Edward Albee não procura responder ou acertar numa ideia de verdade. Antes propõe um questionar utilizando um exemplo aparentemente grotesco. Mas ainda assim perfeitamente aceitável se não quisermos ver somente o que está à nossa frente. E isso não quer necessariamente dizer que se pratique a bestialidade. Antes que se perceba qual o nível de abstracção necessário a que um homem chegou para encontrar num ser diferente do seu, as respostas que todos lhe dizem dever ter.

A Cabra ou Quem é Sílvia?, desloca-se, assim, do palco para a plateia, tal como nas tragédias gregas. Desafia o espectador a decidir se o que vê é irreal ou antes está mais próximo do que seria de esperar. Como vivemos a nossa identidade nos limites das identidades dos outros? E o que fazemos para viver sem causar o mal? Como se vive em sociedade, se essa aparentemente vive de coisas diferentes? Onde está a linha que nos torna iguais e nos distingue? E o que fazemos com isso?

Podemos considerar que a proposta de Álvaro Correia procura acentuar a dimensão trágica do texto, no sentido em que se procede a um regresso à cena grega. Sobretudo através de referências que vão surgindo ao longo do texto, da divisão da peça em actos, ou da forma como os factos vão sendo narrados, o que propõe uma influência dessa condição essencial de uma tragédia, apontada na Poética de Aristóteles, de que tudo se deve passar na cabeça do espectador. É nesse sentido que o espectador pode funcionar como juiz, tomando a decisão de acarinhar um homem solitário ou condená-lo à ostracização.

A cena apresenta-se suspensa num estrado e com um design clean e minimalista. Quase como se fosse difícil encontrar um lugar de conforto. Os actores raramente se sentam até ao fundo das cadeiras ou do sofá e preferem atravessar o palco em linhas diagonais perfeitamente identificadas. O que, numa leitura a posteriori, é uma interessante metáfora para o desconforto interior das personagens.

Mas se o texto se apresenta como um manancial filosófico (e com uma predominância teatral fortíssima), a forma como nos é oferecido provoca um sentimento de insatisfação. A aposta numa encenação formal e clássica não ajuda à integração do espectador na sala de estar da família de Martin. Enquanto o espectáculo decorre, somos confrontados com uma frieza de ritmo e sentido que perturba essa relação de espelho que o autor pretende. Mais não seja porque sentimos que a leitura feita sobre o texto não procurou desatar os nós do espartilho que é o próprio texto. Logo, presos a uma vontade de dar a ler as posições do autor, há uma dificuldade em conseguir identificar uma marca interventiva que vá além do desenho espacial e que devolva aos actores a tridimensionalidade. Mesmo nos momentos de maior violência, como quando Stevie começa a partir a louça e a mobília. Essa vontade de explosão presente no texto não toma a sua real dimensão no corpo dos actores, mais não seja porque a proposta de regresso à forma grega de pensar o teatro, está a ser aplicada a um público que não a reconhece. Logo, distancia-se da proposta. E não pode escolher.

A Cabra ou Quem é Sílvia? é, assim, uma aposta que procura oferecer um espaço de reflexão, mas acaba por fechar o espectáculo num jogo cénico ao qual o espectador é alheio. E esse efeito de alheamento resulta nas gargalhadas que dão ao assistirem ao dilema de Martin. Que tem tudo menos vontade de rir. Afinal, ele ousou amar.


A Cabra ou Quem é Sílvia? (2003)
Teatro A Comuna, Lisboa
27 Outubro 2003 - 09 Janeiro 2004

Título Original The Goat or Who is Sylvia? Autor Edward Albee Tradução Luís Fonseca Encenação Álvaro Correia Cenografia Marta Silva Desenho de Luz Paulo Graça Figurinos Carlos Paulo Interpretação Carlos Paulo, Cucha Carvalheiro, João Tempera e Victor Soares



domingo, janeiro 09, 2005

Vaso ruim não quebra

Santana insiste.



foto roubada ao Chá Principe
Cinema em casa

23h00 RTP 1
Goodfellas - Tudo bons rapazes



23h30 :2
Há festa na aldeia



00h45 SIC
Pollock

sábado, janeiro 08, 2005

sobremesa

bolo de cenoura e chá de ceilão para os cinco primeiros
João O.

Parabéns darling!!


in CULTURE FOR ALL – IN THE FOOTSTEPS OF FRIDA KAHLO
Justificações

Faz-me alguma confusão que num país com mais mulheres que homens, não existam revistas femininas que tratem os homens como objectos. Como o fazem aliás, todas as publicações masculinas e quase todos os anúncios (incluindo os que se dirigem ao público feminino). Espanta-me, por isso, que as revistas para mulheres ou sejam frágeis de conteúdo ou cheias de conselhos para serem melhores mulheres.

Por causa disso (e em exclusivo para as leitoras deste blog) tomem lá raparigas. Que há dias em que uma mulher também gosta de olhar para qualquer coisa melhor, sem pensar em concepções filosóficas sobre o lugar de cada um.



Escolham o vosso aqui.
Taizé

O Drocas deu-se ao trabalho de ir visitar o encontro espiritual que invadiu Lisboa no final do ano. As fotografias,as descrições e os comentários de crentes, descrentes, fiéis e ateus, merecem visita no Renas e Veados.

Esta é a minha favorita.


by Drocas

Aqui, aqui e aqui. Para mais tarde recordar.


Para levar a sério

O Bloguiitica dá conta das diversas versões a que chegou o cartaz do PPD/PSD



via Portugal dos Pequeninos
HETERO - Estreia

Estreia hoje, no Porto, a nova peça do Teatro Plástico. Em estreia mundial, o texto de Denis Lachaud põe em causa um universo unissexual no qual, diz o autor, "a diferença entre o homem e a mulher é uma diferença cultural e não natural, como todos pensam".



Em "Hetero" apresenta-se uma radical hipótese de futuro para um tempo presente ensombrado pelo fim. Um mundo de metáforas e paradoxos em caricatura hiper-realista habitado por clãs de pretendentes e prometidos e povoado de sexo e morte. Um "panfleto pós-feminista" representado por homens num período grotesco da vida portuguesa e no exacto momento em que o homo lusitanus vive, com 40 anos de atraso, a sua crise da masculinidade.

Face ao tom provocatório da peça, o encenador de "Hetero", Francisco Alves, aponta a necessidade de o teatro "confrontar o público. Caso contrário, não serve para nada", afirma. "Enquanto criador, não acredito num teatro de entretenimento; para isso há a TV". Por isso, "Hetero" pretende agitar consciências. "Espero que [a peça] ajude a clarificar a profunda crise de identidade dos homens portugueses", esclarece. Poderá ficar a dúvida Francisco Alves acredita realmente nessa crise? A resposta é inequívoca: "O bigode do português serve para esconder a sua feminilidade". in JN



Em cena no Grande auditório do Rivoli - Teatro Municipal até segunda feira, sempre às 21h30.

de denis lachaud tradução josé paulo moura encenação francisco alves elenco António Rama, Daniel Pinto, Jorge Mota, Jorge Paupério, Nuno Simões assistente de encenação catarina falcão cenografia francisco alves desenho de luz jorge ribeiro figurinos francisco alves, pedro mourão banda sonora ricardo serrano adereços dora pereira vídeo antónio pires Projecto de Artes Plásticas Nuno Ramalho. produção teatro plástico

Algo está podre no reino da Dinamarca (II)

Pôncio Monteiro quer ser o rosto de um movimento contra Rui Rio nas próximas autárquicas. Movimento esse que considera importante uma hipótese como Pinto da Costa, disse ele à Sic Notícias. Para além de ter lançado um nome sem ter avisado o citado.
Algo está podre no reino da Dinamarca! (I)

Qualquer coisa me diz que quando Jerónimo de Sousa (e o PC), o Partido Popular estão de acordo, a coisa não pode ser boa. Que plano secreto tinha Sampaio quando disse tal coisa:

Telmo Correia (que falou na qualidade de dirigente do CDS e candidato e não como ministro do Turismo) considerou «surpreendente e inusitada» a afirmação de Sampaio, por ter sido proferida pelo «mesmo presidente que dissolveu uma Assembleia com uma maioria absoluta e sem problemas de instabilidade». «Esta é uma contradição insanável», acrescentou, remetendo para a possibilidade de «o Presidente estar preocupado com os resultados» que possam sair do escrutínio de 20 de Fevereiro.

O líder do PCP considera mesmo que Sampaio está a quebrar o seu dever de imparcialidade. «É lamentável que, num quadro em que um partido se está a bater por uma maioria absoluta, o Presidente venha criar a ideia da necessidade dessa maioria absoluta», afirmou Jerónimo de Sousa à SIC Notícias, fazendo questão de frisar a contradição da proposta presidencial, já que dissolveu um Parlamento com uma maioria. E apelou à serenidade dos responsáveis das instituições para que deixem que seja o povo a decidir.


sexta-feira, janeiro 07, 2005



O Miguel Vale de Almeida abriu o seu blog, Os tempos que correm, a outros leitores/autores/bloggers, numa iniciativa que decorreu até 31 de Dezembro. O vencedor levaria para casa toda a obra editada do antropólogo. O vencedor foi Nuno Pinho, do Resistente Existencial. A ler, com atenção:

Escolhas.

Num episódio da série "Queer As Folk" uma das personagens afirma "depois de tanto tempo a esconder a minha homossexualidade, mentir torna-se um hábito, é natural". A expressão inglesa é mais feliz "It becomes second nature". Nos tempos que correm, urge lutar contra esta atitude, trepadeira que vai crescendo, tapando e asfixiando aqueles que se deparam com uma orientação sexual diferente. Todos sabemos que a melhor forma de evitar e eliminar este problema é fazendo uma "saída do armário" integral. Podemos até vir a ser activistas fervorosos e uma daquelas pessoas cujo esforço se traduz em benefícios para muitos. Infelizmente, este é quase sempre um caminho doloroso e traumático. A meu ver, parece óbvio que sem pessoas desta estirpe ficaríamos presos no limbo do preconceito. Por outro lado, ninguém é obrigado a tornar-se um mártir à custa de um preconceito exógeno.

A escolha dos nossos caminhos é complexa e pode ser expressa de muitas formas. O mais importante é que façamos uma, recusando a injustiça e o preconceito e lutando, com as armas que quisermos, contra eles. Por tudo isso, um "gay" pode ser tudo menos alheado política e socialmente. Não se comprometer é sofrer duplamente. Para além de ter que viver os problemas, torna-se impotente para os resolver. O nosso interesse e participação na vida política são vitais. A sociedade demora a mudar, mas a política, quando bem feita, acelera a sua evolução (veja-se a história da luta GLBT na Inglaterra). Será que nós sabemos em quem votamos? (Se é que o fazemos). O que é que governantes e líderes políticos pensam sobre os nossos direitos? Quais os seus projectos? Penalizamos aqueles que promovem ou toleram a homofobia e a exclusão? Socialmente, há muitas maneiras de combater a homofobia e espalhar a tolerância. Alguns podem fazê-lo através do trabalho, particularmente aqueles que lidam com pessoas. Mesmo no anonimato é possível, por exemplo com os cada vez mais numerosos "blogs". É vital transmitir a outros homossexuais (ou não) o caminho percorrido. Se conseguirmos que a luta de outros já não comece do zero, já é um grande feito (paradigmaticamente, não é comum que uma das primeiras grandes experiências de um jovem homossexual seja "descobrir" que há outros iguais a si?).

Estou convicto que, muito ou pouco, cada um de nós pode fazer algo para melhorar as nossas vidas e a dos outros, mais que não seja pressionando para o lado correcto. Por mais alheados e conformados que estejamos, é sempre boa hora para começar, nem que seja pelo mais ínfimo dos gestos. Altura de perguntar, "e eu, que estou a fazer?"

Nuno Pinho



Eu recomendo, ainda, uma leitura atenta ao texto do Boss: É a pornografia fascizante?
REAL/LAB 11: Cláudia Dias



No LAB os artistas falam do que ainda não sabem. Aquilo que pensam saber, será útil para dar início aos trabalhos, mas aquilo que verdadeiramente nos interessa é que venha à superfície o que se encontra nas entrelinhas desse saber. Para estimular e provocar essa qualidade, acompanhamos os artistas em residência na evolução dos seus processos. No final de cada residência, cria-se um momento de confronto com o público, momento delicado e frágil para objectos tão voláteis, mas tão necessário para que um olhar ainda virgem e bruto possa questionar, e se possível desfazer, quaisquer ideias que tenham entretanto sido construídas.

O projecto da Cláudia Dias recebeu o acompanhamento artístico de João Fiadeiro (coreógrafo, bailarino e director artístico da RE.AL), João Queiroz (pintor) e Olga Mesa (coreógrafa e bailarina).

ENTRADA GRATUITA
Lotação limitada, reservas aconselhadas
dia 15 JANEIRO _ 18H00

ESPAÇO RE.AL



RUA POÇO DOS NEGROS Nº55_1200-336 LISBOA TELF: 21 390 92 55 FAX: 21 390 92 54 E-MAIL: real.j.fiadeiro@mail.telepac.pt
Buchholz

A Livraria Buchholz, lugar de referência do nosso (pequeno) universo cultural encontra-se em situação de pré-falência. Agradece-se a todos quantos a frequentaram que a voltem a visitar, de vez em quando. Comprar um livro que não se encontra em mais lado nenhum pode, eventualmente, ajudar a reerguê-la.
Agradece-se que passem esta informação aos amigos e interessados.

A Buchholz é uma livraria com história.
Foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buchholz,que deixou Berlim depois da sua galeria de arte e livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos.
A actividade de Buchholz era incompatível com o regime de Berlim, nomeadamente a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann.

No entanto, a relação de Buchholz com o regime era algo dúbia pois tanto compactuava em manobras de propaganda alemã como salvava da fogueira obras de Picasso e Braque,condenadas pela fúria nazi.
No início, a livraria estava situada em Lisboa na Av. da Liberdade e só em 1965 se instalou na R. Duque de Palmela.
O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal. O espaço estende-se por três andares unidos por uma escada de caracol, com recantos e sofás que proporcionam uma intimidade dos leitores com os livros.

A madeira das escadas, chão e estantes torna o espaço acolhedor e agradável.
Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta - entre eles, Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana - passou pela cave da Buchholz, que funcionou como galeria até 1974.
Hoje, a galeria continua a ser uma referência cultural com um público fiel que preza o espaço de convívio que a livraria sugere. A selecção dos títulos é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis, na cave funciona uma secção de música clássica e etnográfica. Apesar de não ser especializada em nenhuma área, a secção dedicada à ciência política é frequentada por muitos políticos da nossa praça.

A Buchholz acolhe ainda eventos especiais como lançamentos de livros, sessões de leitura, e o "Domingo Especial" que são os saldos anuais da livraria, uma vez por ano, no último domingo de Novembro.
Na Buchholz on-line pode percorrer as estantes da livraria sem sair de casa e ainda encomendar livros nacionais e alguns estrangeiros.

TELEFONE: 213170580
LOCAL: Lisboa, R. Duque de Palmela, 4
HORÁRIOS: Segunda a sábado das 09h00 às 18h00 (encerra sáb. às 13h).
SÍTIO OFICIAL: http://www.buchholz.pt

quinta-feira, janeiro 06, 2005

A memória infantil

Os Amigos de Gaspar, na RTP Memória.



É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem em quer assim
É bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer


A explicação

Do fundo da sua gripe, o Cachucho descobriu a razão pelas qual Cavaco não aceitou o cartaz de Santana:



Era tudo uma questão de imagem



Na aparelhagem



para uma tarde de textos atrasados, casa por limpar, prendas adiadas, leituras suspensas e compras por fazer
Cada um têm a importância que merece

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Baralhar e voltar a dar



O novo filme de Woody Allen, Melinda e Melinda (estreia quinta-feira), estabelece como principal linha estruturante a diversidade e ambígua proximidade da tragédia e da comédia. Uma questão de perspectiva, portanto. O próprio realizador afirmou já que a tragédia é a comédia com tempo e, neste filme, força essa teoria através de um dispositivo bastante formal e nada inovador.

Um grupo de amigos (intelectuais, certamente judeus, nova-iorquinos sem dúvida) discutem a forma como o detalhe e o pormenor podem contribuir para a construção de ficções trágicas ou cómicas, dependendo da capacidade de imaginação de cada um em re-inventar os dados que vai recolhendo no quotidiano. Assim, a entrada surpresa de uma rapariga num jantar dá azo a duas narrativas paralelas que se vão cruzando através da utilização dos mesmos espaços, ideias de personagens ou manipulação de objectos. Um jogo que enuncia uma ideia de alter-ego, ou se quisermos uma espécie de espelho borgesiano.

Contudo, aquilo que aparenta ser uma feliz recriação dos quotidianos perdidos, algo inúteis e até mesmo sufocantes de uma geração de americanos (mas sobretudo nova-iorquinos) que teve com o 11 de Setembro a percepção da sua finitude, impotência e fragilidade, depressa se torna num exercício conceptual sem grande consequência. E o que poderia caminhar para uma total abstracção, permitindo uma metáfora acerca das diversas dimensões de um facto, torna-se um objecto duplo ausente de afirmação. Ou seja, perde-se a oportunidade ambicionada no início da proposta.

Tal sucede não porque Woody Allen não esteja a fazer nada de novo, mas porque recusa a capacidade de re-invenção. Considerando que o filme evoca não só uma mistura de outros filmes de Allen, como Manhattan, As Faces de Harry e Outra Mulher - com uma dimensão teatral que explora um aprofundar de propostas aparentemente cómicas como Poderosa Afrodite ou Toda a gente diz que te amo -, bem como alude a propostas europeias (e este é um filme com um dispositivo nitidamente influenciado pelo cinema europeu, veja-se o último plano do segmento dramático) como Fumar/Não Fumar de Alain Resnais, Melinda e Melinda apresenta-se antes num registo demasiado fácil e que Woody Allen sabe de cor. Os diálogos rápidos e elaborados, a confusão das personagens, as piadas em jeito de citação cultural são tudo instrumentos que o realizador manipula como quem sabe o que faz, mas que nesta proposta apenas representam uma escolha óbvia e pouco eficaz.

Será por isso que o segmento dramático perde a sua força introspectiva e recusa a brilhante textura baça das personagens para dar espaço ao habitual Woody Allen auto-destrutivo mas catalizador. Assim, Melinda e Melinda torna-se numa proposta meramente lúdica, que deixa passar ao lado um retrato impedioso sobre a fragilidade das relações humanas e das consequências dos nossos actos, enquanto indivíduos e parte de um colectivo. Não será por acaso que a dada altura se cita a Madame Bovary ou se escuta Bartok. É que a tragédia (mesmo disfarçada de comédia), de facto, ainda é a melhor forma de se compreender o valor das coisas.


Música nocturna



Chet - the lyrical trumpet of Chet Baker

a tocar em vinil, com muito frio lá fora, luz ténue e chá de ceilão
NY

No início de Dezembro, era assim em Nova Yorq. Lower Manhattan vista do barco para Staten Island. O prédio à esquerda, com o andaime em cima, fica na zona de Ground Zero e está a ser reconstruído desde 2001.



courtesy of J.

terça-feira, janeiro 04, 2005

Pontos de vista...

... que agradeço.

O Cachucho, do Enresinados, e o Alex, do Chá de Limão, escolheram O Melhor Anjo como coisas boas de 2004.