quinta-feira, janeiro 31, 2008

Obrigado e Adeus.

O Melhor Anjo acaba hoje. Este é o último post. Foram mais de quatro anos a escrever, a aprender, a crescer, a partilhar. Foi um tempo sem par, uma experiência que muito me ensinou, que se tornou numa forma de vida, que me permitiu fazer várias coisas, muitas que nem imaginava. Aos leitores, aos amigos, aos cúmplices, aos colaboradores muito muito obrigado. Estou certo que compreenderão que O Melhor Anjo andava, de há um ano para cá, numa morte lenta que não fazia jus ao trabalho desenvolvido até então. A culpa foi da OBSCENA, o que é um belíssimo bode expiatório. Com o fim do blog inicia-se, dentro de dias, um espaço de comentário, de periodicidade quinzenal, no portal brasileiro idança, intitulado Descompêndio. Será também para lá que serão reencaminhadas todas as informações que chegarem ao e-mail deste blog. A última intervenção neste blog será a re-organização de todas as taglines, de modo a que possa ser mais funcional a sua pesquisa nos arquivos, que não serão apagados. Mas isso demorará uns dias, que agora vou de férias. Sinto-me estanhamente feliz pelo fim deste blog. Sobretudo porque sei, com toda a arrogância, que o que foi sendo experimentado aqui ao longo de mais de quatro anos, teve um papel importante no acesso à cultura e à discussão sobre criação contemporânea. Muito mas muito OBRIGADO. Mesmo.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

OBSCENA #9 - locais de distribuição

a OBSCENA #9 já está online. Aqui. Locais de distribuição da versão papel:

Região de Lisboa: Culturgest, CCB, S. Luiz - Teatro Municipal, Café no Chiado, Teatro Nacional D. Maria II, Maria Matos - Teatro Municipal, Livrarias Bulhosa (Entrecampos, Oeiras Parque, Amoreiras, Cascais, Linda a Velha, Campo de Ourique), Teatro Taborda, Teatro Municipal de Almada, Comuna - Teatro de Pesquisa, Fundação Calouste Gulbenkian (edifício-sede e Centro de Arte Moderna)

A partir de 31 Janeiro/1 Fevereiro

Aveiro: Teatro Aveirense

Viseu: Teatro Viriato

Faro: Teatro das Figuras - Teatro Municipal de Faro

Coimbra: Associação Académica, Tropicália, Livraria XM, Livraria Almedina Estádio

A partir de quinta, 7 Fevereiro

Porto: Livrarias Leitura, Museu de Serralves, Teatro Nacional S. João/Teatro Carlos Alberto

Teatros Associados da Artemrede: Alcanena, Montijo, Barreiro, Cartaxo, Almeirim, Entroncamento, Moita, Palmela, Santarém, Benedita, Sobral do Monte Agraço, Santarém



Também podem ser feitas encomendas, à cobrança, para o e-mail obscena@revistaobscena.com

Nota: são só 5 mil exemplares que voam num instante.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Adriano Batista


A descobrir e explorar sem reservas, o blog e o site do Adriano Batista, fotógrafo residente na Covilhã que se tem mostrado, e aos amigos, sem pudor e com irónico olhar. Viciante.

sábado, janeiro 26, 2008

Gauntlet, O Reality show

reality shows e reality shows e depois há reality shows que arrumam de vez com todos os reality shows. Como este Gauntlet, já na sua terceira série e produzido pela MTV. Os maus são muito maus, os bons são ainda piores, ninguém se safa e é cada um por si. Dinheiro, sexo, fama, violência, praia, margueritas, areia, piscina olímpica, baratas, directas e muita, mas mesmo muita, adrenalina. For Adults (with kids brains of course!) only.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

world travel

A internet, oh a internet... três reuniões hoje: 12h, em Paris, 15h, no Rio de Janeiro, 19h, em Barcelona. e sem jet-lag.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Revista OBSCENA lança número de aniversário em versão papel


A OBSCENA – revista de artes performativas lança o seu número de aniversário, o 9º, no próximo dia 30 de Janeiro, na habitual edição em pdf, disponível no sítio, mas também em versão papel, com 84 páginas e uma tiragem de 5 mil exemplares distribuídos por vários pontos culturais do país.

Quando há um ano apresentámos esta revista prometemos “contribuir para a revitalização do debate, da reflexão exigente, da indispensável intervenção pública (…) enquanto fórum participado, em vez de observatório isolado, combinando crítica, opinião, reportagem, análise, ensaio, fotografia, actualidade e entrevista num conjunto de textos e imagens que possa abrir uma janela para o ar do tempo que se respira”. Um ano e nove números depois continuamos a assinar essa carta de princípios, tendo alargado a reflexão do campo das artes performativas para um plano cultural mais vasto. Nesse editorial de início dizíamos também: “a surge sem promessas”. Reafirmamos essa intenção. Sem promessas não porque as receemos ou não queiramos ser julgados na eventualidade de falharmos, mas porque queremos uma revista permeável ao contexto, absorvendo-o ou devolvendo-lhe novos desafios que surpreendam e joguem com essa expectativa. Gostamos de pensar que a OBSCENA se regenera, reinventa e evolui de número para número. Quando perguntam se é difícil, preferimos dizer: já está feito!

Neste número, que é uma edição especial, a OBSCENA antecipa a apresentação de vários espectáculos que, na sua maioria, se apresentarão nos próximos meses em Portugal, através de perfis e entrevistas a actores, encenadores, coreógrafos e dramaturgos. Entre eles contam-se os nomes, na secção internacional, de Raimund Hoghe, Emma Dante, Christoph Marthaler, Enrique Diaz, Olga Mesa, Ivana Müller e Anne Juren, enquanto que na secção nacional falamos de Alfredo Martins, Joana Craveiro, Francisco Luís Parreira, Old Jerusalem, Lídia Jorge e a Orquestra do Algarve, António Olaio, Visões Úteis e do Teatro Regional da Serra do Montemuro. Mas também cruzamos o nacional e o internacional numa conversa/duelo entre o Teatro Praga e a Forced Entertainment. Porque este é um número especial, decidimos dar mais cartas brancas a artistas visuais do que é habitual, tendo aceite o convite José Luís Neves, Mircea Cantor e Ramona Poenaru. Para além disso a revista conta com as já habituais colunas de opinião de André Dourado, António Pinto Ribeiro, Bandeira, Eugénia Vasques e Mónica Guerreiro.



segunda-feira, janeiro 21, 2008

A descobrir

Couple or Trouble. Fucking hilarious!!!!!

Couple or Trouble(환상의 커플 "Hwansangui keopeul") is a South Korean TV drama which starred Oh Ji Ho(Second Proposal and Super Rookie) and Han Ye Seul (Forbidden Love (TV series)). The original meaning of the title is imaginary couple. The drama was aired in Korea from October 14, 2006 to December 3, 2006 through MBC network. It was Oh Ji Ho and Han Ye Seul first leading roles in a TV Drama. Fortunately for them, this series proved to be a successful one which garnered not only high ratings but as well as lots of awards. This made Ji Ho and Ye Seul well-known in Korea.

Vídeos no You Tube aqui.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Comédias do Minho em Lisboa

Até terça, no CCB, a não perder Quando as nuvens se dissiparem, pelas Comédias do Minho, "um dos mais estimulantes projectos de descentralização que, discretamente, tem vindo a impor-se como valor seguro contra a maré de boas intenções oportunistas que circulam fora dos grandes centros urbanos. E, por isso mesmo, capaz de provocar alterações no modo como olhamos para a ocupação de espaços ao ar livre. Comédias do Minho, resultante do esforço e espírito de missão das Câmaras Municipais de Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira, é, à revelia de qualquer discurso sobre o teatro enquanto forma de aproximação entre a arte e a vida, prova material da qualidade que se pode e deve exigir a um projecto artístico. Quando as nuvens se dissiparem junta um grupo de seis jovens actores profissionais que, encenados por Philippe Peychaud, traduzem para um olhar viciado na contemporaneidade as técnicas clássicas do clown, conferindo a esta prática uma depuração e uma sensibilidade tais que nos deixamos guiar pela inocência das interpretações, a clareza das sequências, o humor inteligente e a perfeita comunhão entre público e cena. Os clássicos pares usados pelo clown – que espelham a desfasada luta de poderes e valores – são aqui desenhados com feliz coerência e adequada gestão de tempos cómicos e físicos. Cada breve sequência, gerida num mínimo espaço fechado a várias portas, explora as contradições toscas das personagens para, naturalmente, as conduzir ao idílio final." (in OBSCENA #6)

quarta-feira, janeiro 16, 2008

As referências dos artistas

A propósito do debate feito no Teatro Carlos Alberto, no Porto, no passado sábado (e que moderei), dentro da programação 30 por Noite, João Paulo Sousa escreveu, acertadamente, isto:

Qualquer artista que assuma outro trabalho como referência, sobretudo numa fase de natural crescimento e de formação da sua identidade, impõe a si mesmo um constrangimento de cujos efeitos nefastos não se aperceberá no momento, mas que compreenderá mais tarde, quando o seu trabalho for permanentemente colado à influência a que se deixou grudar. A preguiça crítica abunda na suposta análise de objectos artísticos, seja de que disciplina se tratar, e é frequente ler­‑se que A descende de B ou recupera a lição de C. Isto é o mesmo que dizer que B ou C foram grandes é A é um subproduto, um derivado, um ersatz. continua

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Teatro para os próximos dias

No Porto, 30 por Noite, projectos de cinco companhias de teatro criadas depois de 2001 + concerto + debates, até sábado no teatro Carlos Alberto; o Teatro Plástico apresenta Catástrofe, no Teatro Helena Sá e Costa, até dia 18.

Em Lisboa, no CCB, O Avarento ou a Última Festa, pelo Teatro Praga, a partir de sexta até dia 18; no TNDMII, Turismo Infinito, encenação de Ricardo Pais, a partir de sexta e até dia 26. veja as críticas de João Paulo Sousa na última OBSCENA.

este blog pára até domingo.

terça-feira, janeiro 08, 2008

OBSCENA de aniversário, dia 30 de Janeiro, em papel e por todo o país


video editing by Pixel Reply

écouter

Hoje, às 11h30, no programa Minuto a Minuto, com João Adelino Faria, no Rádio Clube Português, sugestões de teatro para a quinzena que se segue.

domingo, janeiro 06, 2008

Roberts, o alfinete e a guerra no Afeganistão



Charlie Wilson's War é um belíssimo filme, bem escrito (pelo mesmo autor de Os Homens do Presidente - o que significa que falam todos a uma velocidade impressionante das coisas mais inusitadas como se estivessem a beber um copo de água) e melhor interpretado, tanto que ao realizador pouco resta que colocar ali a câmara e deixá-los seguir (o que, a bem da verdade, faz e é uma pena). Mas bom, a dada altura está a Julia Roberts a maquilhar-se (cena que se vê no clip acima), depois de ter abandonado a festa que organizara para ir resolver uns assuntos com o Tom Hanks, e enquanto argumenta que a guerra no Afeganistão não está a ser levada a sério pelos americanos, separa as pestanas com um alfinete. Lá está, como se estivesse a beber água. Há muito que não via nada assim.

aqui uma reportagem com o verdadeiro Charlie Wilson e um depoimento de Joanne Herring, a mulher que Roberts interpreta.

sábado, janeiro 05, 2008

Novos Media

A ler a análise que Augusto M. Seabra faz, no Letra de Forma, às exposições sobre cinema e novos media patentes no Museu do Chiado e Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em Lisboa:

"Dir-se assim que as exposições se complementam, e que a sua conjução é sinal particularmente sublinhado de como o cinema invade os museus e espaços expositivos, de resto, e provavelmente não por acaso, num momento que é crítico para o cinema, momento de tantas depreciações e mutações, em que o seu espaço constituinte das salas escuras está em declive que tanto mais se irá acentuar com o consumo das imagens em “download”, momento de “ocaso da que foi a grande arte do século XX, de esgotamento da grande arte industrial e de massas com que crescemos e que amámos” (e faço questão de repetir uma afirmação minha feita ao “Ípsilon” de 19-10-07, já que houve quem fizesse questão de a deturpar).
Contudo, cada exposição é o que é – e a de Beaubourg no Chiado e do CAM acabam por ser quase opostas na sua concretização."

Tânia Carvalho sings António Variações

A coreógrafa Tânia Carvalho a interpretar Cancão do Engate, de António Variações

Dança em Almada

Duas coreografias que se mostram hoje no Teatro Municipal de Almada.

Às 17, Visita Guiada, de Cláudia Dias

Visita Guiada estreou em 2005 e não mais deixou de circular dentro e fora de portas, mas talvez nenhuma outra apresentação faça tanto sentido como a que no início do ano se mostrará em Almada, inaugurando a temporada de dança 2008 do Teatro Municipal. É o regresso à casa de partida de uma peça maturada onde Cláudia Dias explora o seu passado, vivido em Almada, e o “choque” das descobertas que a outra margem, Lisboa, lhe foi oferecendo. Seguindo uma narrativa que equilibra biografia e ficção, a coreógrafa constrói à boca de cena, na sua simplicidade e justo rigor, uma mini-paisagem que reflecte sobre o lugar do corpo (ou a tomada de consciência de que se tem um corpo) num mundo onde a dança surge enquanto disciplina tradutora de movimentos reactivos, aqui apresentados sob a forma de objectos do quotidiano deslocados da sua função principal. De uma beleza ímpar, a peça consolida o discurso de Cláudia Dias, que explorando o método de Composição em Tempo Real, criado por João Fiadeiro, o transforma num belo exercício de revelação apenas aparentemente biográfico.


às 21h30, A Arte da Fuga, de Rui Lopes Graça


Se traduzir é escrever de novo, então, em A Arte da Fuga Rui Lopes Graça re-escreve a peça homónima de Bach, num gesto dramatúrgico atento que chama a si aquilo que de mais perturbador a peça carrega: o risco de não a vermos no seu todo, dada a complexidade de interpretações sugeridas pela fragmentação da obra. Catorze momentos – todos eles variações do mesmo tema, contemplando ainda dois cânones que prolongam dois deles já na recta final da estrutura –, surgem através de um diálogo coreográfico rico em significados. As breves sequências, maioritariamente interpretadas por quatro bailarinos tal como cada momento musical o é por quatro instrumentos, organizam-se sem uma linearidade e facilmente poderiam reorganizar-se sem perda de sentido. Simbolicamente violenta, esta é uma peça onde os fraseados de Lopes Graça ampliam a liberdade criativa de Bach.


textos publicados ontem no Ípsilon

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Pergunta

Estamos a uma semana do fim das apresentações de Lago dos Cisnes, pela Companhia Nacional de Bailado, e ainda não se sabe o que se segue. Acabou a CNB?

Obama que acha que é o messias

trazer as tropas, e fazer um mundo melhor, e que olhe para a américa de outra forma, e acabar com os impostos injustos, e restaurar a identidade de uma américa fragilizada, e elevar um discurso onde a discriminação positiva se impõe às ideias é absolutamente assustador. este foi o momento onde a américa se lembrou do que era a esperança, disse Obama no seu discurso de reconhecimento da vitória. de um idealismo assustador. o mundo inteiro devia era poder votar na américa. já que a américa acha que pode mudar o mundo. go hillary!

do laicismo, pró e contra, igualmente absurdo

Diz o Adolfo Mesquita Nunes, e com razão, a propósito de uma certa ideia de transversalidade da religião que tanto se abraça como se recusa com igual disparate retórico, que:

O Governo parece considerar-se investido da capacidade suprema de ditar quais são os critérios pelos quais deve uma comunidade escolher o nome para a sua escola. Diz o Governo que deve ter o nome de uma personalidade “de reconhecido valor, que se tenha distinguido na região no âmbito da cultura, da ciência ou educação”. E porque não noutras áreas? Na económica, por exemplo, no assistencialismo, por exemplo, na obra benemérita, por exemplo? (...) Acontece que, por muito que lhe custe, a si e ao carrocel de Ministros que à sua volta gira, o Primeiro-Ministro não detém, nem os Ministros por seu intermédio alcançam, a capacidade de determinar o sentimento local. Deve ser esse sentimento, e não outro, a determinar a homenagem a prestar, o nome a escolher, o patrono a adoptar. Quer o Governo goste, quer não goste. (...) o Governo entrou na onda anticlerical, muito em voga no país vizinho, de quem tudo se copia, menos o essencial e relevante. De tal sorte que afasta os santos e as santas, e apenas estes, de uma qualquer possibilidade de poderem ser considerados uma personalidade de reconhecido valor para efeitos de dar nome a escola. Como se uma pessoa chegasse a santo, e nessa qualidade fosse reconhecido por uma comunidade, por dá cá aquela palha. Como se, só pelo facto de ter sido considerado santo, não tivesse sido um homem ou mulher de carne e osso.

e ainda:

Não reconheço à Igreja Católica legitimidade para decretar qual ou quais os formatos ou estruturas familiares que, no meu caso, me é lícito adoptar. Pela mesma ordem de ideias, mesmíssima aliás, não reconheço ao Estado tal capacidade.